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21/03 - Araraquara aprova lei para preservar pegadas de dinossauros nas pedras das calçadas
Cidade tem mais de mil marcas catalogadas espalhadas em placas de arenito. Calçadas em São Paulo e Araraquara trazem vestígios de dinossauros Uma lei aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal de Araraquara (SP) coloca barreiras para a manipulação de placas de arenito que contenham pegadas de dinossauros. O objetivo é proteger esse patrimônio histórico que é desconhecido até dos próprios moradores da cidade. Segundo levantamento da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Araraquara tem mais de mil pegadas de dinossauros catalogadas. Elas estão no revestimento das calçadas feito, décadas atrás, com lajes de arenito de uma pedreira da Formação Botucatu. Várias calçadas de Araraquara tem pegadas de dinossauros. Reprodução EPTV As placas de pedra são encontradas em vários pontos da cidade como as calçadas do Parque Infantil e do Boulevard dos Oitis, na rua Voluntários da Pátria (Rua 5), onde foi criado um museu a céu aberto com placas indicativas de onde estão as marcas deixadas pelos dinossauros e de que espécie eles eram. Segundo vereadora Juliana Damus (Progressistas), autora do projeto, parte significativa desse acervo já foi danificada ou descartada, na maioria das vezes, por falta de conhecimento das pessoas. O Boulervad dos Oitis em Araraquara é considerado um museu a céu aberto, onde há placas que indicam onde estão as pegadas dos dinossauros. A CidadeON/Araraquara Com a lei, fica estabelecido que todo serviço de remoção, reforma ou remodelação de áreas destinadas ao passeio público revestidas de lajes de arenito deve ser avaliado pelo Poder Público. Uma equipe especializada vai fazer a análise das placas e se tiver um fóssil, o material vai ser levado para o museu de arqueologia e paleontologia. Quem desrespeitar a regra vai ser multado. Há também a intenção de fazer um trabalho de conscientização nas escolas para que as crianças entendam a importância da preservação. Oásis O paleontólogo e professor da UFSCar Marcelo Adorna Fernandes mapeou as pegadas dos dinossauros pelas ruas de Araraquara. Reprodução EPTV Segundo o paleontólogo e professor da UFSCar Marcelo Adorna Fernandes, boa parte do interior de São Paulo foi um grande deserto e onde hoje está Araraquara havia uma espécie de oásis que permitiu que os animais deixassem seus rastros na areia molhada, depois transformada em pedras. “A pequena umidade que existia nesse ambiente ajudava a manter a forma das pegadas. A areia seca recobriu essas pegadas e com um evento vulcânico que teve posteriormente, a lava recobriu esse deserto, endureceu a areia que se transformou em arenito”, explicou o especialista. Representação do dinossauro celurossauro que viveu na região de Araraquara e deixou a marca de suas pegadas na areia que virou pedra e hoje está nas calçadas da cidade. Reprodução EPTV Fernandes coordenou a equipe de pesquisadores que mapeou as pegadas de dinossauros nas calçadas de Araraquara disse que a cidade é única neste tipo de patrimônio. “Há vários livros científicos que mencionam Araraquara, justamente por abrigar os únicos registros desse tempo de transição entre o período Jurássico e o Cretáceo”, afirmou. A maioria das pegadas encontradas é de celurossauro, dinossauros que tinham o tamanho de uma galinha e que viveram na região há, aproximadamente, 135 milhões de anos. Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara.
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21/03 - USP estuda técnica de cirurgia na coluna por endoscopia que reduz tempo de recuperação
Menos invasiva que operação aberta, modalidade já é aplicada na Alemanha, EUA e China. Médicos dizem que método pode resolver fila no SUS para doenças como hérnia de disco. Com câmera, médicos realizam procedimento na coluna de paciente no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) Rafael Moraes A assistente de compras Fabíola Taís de França, de 39 anos, há quatro meses não convive com as dores nas costas que a incomodaram por dois anos. Com um corte milimétrico, alta no dia seguinte ao procedimento e uma recuperação de apenas uma semana, ela foi submetida no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP) a uma cirurgia endoscópica na coluna, modalidade pouco difundida no Brasil que a curou de uma hérnia de disco. "O problema maior era que a hérnia estava pinçando o nervo ciático. Eu já estava com formigamento no pé, acordando de madrugada com dor, a dor era 24 horas. Sumiu, desapareceu", relata. O procedimento que ela recebeu sem pagar nada é uma técnica já realizada em países como China, Estados Unidos e Alemanha, além de algumas clínicas particulares em grandes centros brasileiros, que, em vez de bisturis e pinças, usa alta tecnologia com câmera e instrumentos de proporção reduzida. A modalidade, segundo os médicos, poderia mudar a forma como se operam pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sobretudo por ser menos invasiva e com menos complicações que a cirurgia aberta convencional, que implica meses de recuperação no pós-operatório. Hospital das Clínicas no campus da USP em Ribeirão Preto Rodolfo Tiengo/G1 No interior de São Paulo, a nova técnica chega aos primeiros pacientes ainda de forma restrita por meio de um curso de extensão inédito no Brasil oferecido pela Faculdade de Medicina (FMRP) em parceria com o DWS Spine Research Center, que tem capacitado profissionais brasileiros e do exterior. Na primeira turma, 34 neurologistas e ortopedistas se formaram no início deste ano, acompanhando na prática os resultados da tecnologia. Para o próximo ciclo, mais 40 devem estar aptos a realizar o procedimento. A ideia é que esses profissionais difundam o conhecimento, o levem para suas rotinas e o apliquem não só em pacientes com hérnia de disco - que representam em torno de 85% dos que têm problemas na coluna no país, segundo estimativas do setor -, mas também para problemas como estreitamento de canal, pinçamento de nervo e compressão de medula. A previsão é de que isso chegue de maneira mais rápida por meios particulares e convênios médicos, mas a expectativa é de que um dia também seja praticado no SUS, segundo Helton Defino, professor do departamento de ortopedia da universidade e coordenador do curso de extensão. Para tanto, a cirurgia primeiro precisaria ser reconhecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). "Não tenho dúvida de que daqui a cem anos essa modalidade de cirurgia vai predominar. A gente observa isso que aconteceu em pouco tempo na cirurgia do joelho. (...) Hoje fazer uma cirurgia de menisco sem a artroscopia é totalmente inaceitável", afirma. Em alguns casos isolados, isso já tem se tornado realidade, por meio de parcerias isoladas, segundo João Paulo Bergamaschi, um dos fundadores e professores convidados do curso de extensão na USP e diretor do DWS. "Tem gente de Belém [PA], do Mato Grosso e de Goiás que atuam nesses dois tipos de públicos. Eles conseguiram firmar algumas parcerias com algumas empresas até mesmo com hospital pra poder adquirir o material necessário e isso ser utilizado para os pacientes do SUS inclusive." Câmera permite realização de cirurgia endoscópica da coluna na USP em Ribeirão Preto (SP) Rafael Moraes/Divulgação Cirurgia endoscópica No método tradicional, o paciente é posicionado de bruços na mesa cirúrgica, onde recebe uma anestesia geral. A depender da doença a ser tratada, o corte na coluna pode variar de 5 a 25 centímetros e, após o problema ser solucionado, o procedimento ainda demanda um trabalho de fixação em função do descolamento da musculatura dos ossos. "Dependendo do quanto de osso a gente tira para resolver o problema do paciente, a gente gera uma instabilidade nesse local. Nessas situações precisa-se obrigatoriamente fazer essa fixação, senão o paciente terá outros problemas no futuro. Depois de resolvido o problema, a musculatura e o tecido subcutâneo na pele são suturados através de pontos simples", explica Bergamaschi. Já na cirurgia endoscópica, o paciente recebe apenas uma anestesia local e fica sob efeito de uma sedação leve, o que o permite acompanhar a cirurgia e dar feedbacks imediatos sobre os sintomas. "Se ele tem uma hérnia de disco e eu a tirei, ele consegue me afirmar que não tem mais nenhum tipo de dor. (...) É um procedimento que a grande maioria dos pacientes faria novamente sem problema algum", afirma Bergamaschi. O corte feito para introduzir a câmera com os instrumentos automatizados tem em torno de 0,5 centímetro e o procedimento dura de 15 minutos a duas horas. "Tem um dilatador, uma canola de trabalho por onde a câmera passa e todo o procedimento é feito pela televisão. Por dentro dessa câmera a gente consegue manipular alguns instrumentos, obviamente limitados, que nos permitem resolver o problema do paciente que está causando a dor, seja ele um pinçamento de nervo, uma compressão de medula, uma hérnia de disco, uma estenose, um estreitamento de canal." Outra vantagem está no índice de complicações após a cirurgia, de 5% contra 25% da convencional. "Na cirurgia aberta geralmente é superior. Um em cada quatro pacientes tem algum problema em algum momento da recuperação, uma dor mais persistente, uma recidiva do pinçamento, um problema na cicatrização, alguma coisa nesse sentido. Se a gente for comparar as complicações, sem dúvida alguma as da técnica endoscópica tendem a ser menos graves e mais fáceis de ser solucionadas que na cirurgia aberta convencional." Em termos financeiros, o método pode ser mais caro se analisado isoladamente, mas representa economia de custos quando avaliado todo o atendimento ao paciente, defendem os especialistas. Ainda importada de países como Alemanha e EUA, a tecnologia necessária para a cirurgia endoscópica demanda um investimento inicial que varia de R$ 80 mil a R$ 100 mil e um custo médio de R$ 15 mil a R$ 25 mil por procedimento realizado. Uma cirurgia convencional aberta pode custar de R$ 10 mil a R$ 100 mil dependendo da extensão do problema, segundo Bergamaschi. Mesmo quando é mais custoso, o método mais novo reduz drasticamente o tempo de internação - de meses para uma semana -, o que repercute em menos gastos com a permanência no hospital e para o INSS, com o retorno mais rápido dos pacientes ao trabalho. Em países da Europa, EUA, além do Chile e China, essa cirurgia já uma realidade, segundo os médicos. "Se a gente pegar um problema mais simples a gente gastaria de R$ 10 mil a R$ 15 mil em uma cirurgia aberta. Mesmo assim, o custo total da recuperação desse paciente vai ser superior ao do paciente submetido a uma cirurgia endoscópica que a cirurgia em si", diz Bergamaschi. Equipe de médicos em curso inédito voltado a cirurgia endoscópica da coluna em Ribeirão Preto Rafael Moraes/Divulgação Parceria A técnica chegou ao campus da USP de Ribeirão Preto depois de uma visita do médico chileno Álvaro Downling, referência internacional na cirurgia endoscópica de coluna, convidado para uma curso rápido sobre o tema. Foi durante essa visita que surgiu a ideia de estabelecer uma parceria entre universidade e iniciativa privada para oferecer uma formação mais longa e consistente sobre o assunto. "Isso representa um grande avanço, você faz um procedimento com uma menor morbidade. Só que pra você executar isso precisa de equipamentos, é uma cirurgia que você não faz com bisturi e pinça como em uma cirurgia aberta, você precisa de equipamentos sofisticados com ótica, com toda uma aparelhagem para lhe permitir realizar esse procedimento. Em função disso, ela exige uma curva de aprendizagem, um treinamento muito específico", afirma Defino. Na parceria firmada, a clínica fornece o know how da tecnologia, com professores convidados, entre eles Downling e Bergamaschi, enquanto a USP coloca à disposição seu corpo docente em áreas como anestesia, radiologia e anatomia, além de laboratórios, salas, centro cirúrgico e pacientes encaminhados pelo HC interessados em se submeter à técnica. As cirurgias fazem parte do conteúdo do curso, que prevê 12 encontros mensais aos fins de semana. "Você está realizando um procedimento inovador, que é de menor morbidade, em uma popular do SUS dentro do hospital, mas sem o financiamento do SUS, é o curso que financia essa cirurgia. Ao mesmo tempo você está realizando uma atividade de ensino, está introduzindo uma nova técnica a custo zero para a instituição, que em contrapartida te dá toda a estrutura pra realizar isso", explica Defino. Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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21/03 - Conferência sobre envelhecimento quer educar membros do Congresso
Evento ocorre em Washington e tem entre objetivos um corpo a corpo com os políticos Uma conferência nacional com o objetivo de criar condições para que todos tenham o direito de envelhecer com saúde e segurança financeira. Infelizmente, não vai acontecer aqui, e sim em Washington, nos Estados Unidos, entre 17 e 20 de junho. Batizada de Age+Action (Idade+Ação), trata-se de uma iniciativa do National Council on Aging, o Conselho Nacional para o Envelhecimento, ou simplesmente NCOA, que busca mobilizar entidades do país inteiro para que as discussões e iniciativas se capilarizem, ganhando musculatura. O evento pretende dar foco especial à questão da mulher, que vive mais e também é quem sofre de maior insegurança financeira no fim da vida – nesse aspecto, mesmo sendo a principal potência do Ocidente, os EUA se assemelham aos demais países e essa é uma chaga que existe tanto lá quanto aqui. No entanto, o que chamou a minha atenção foi o chamado “Capitol Hill Day”, cuja finalidade é “educar os membros do Congresso”, como explica a organização. Conferência Age+Action: pelo direito de envelhecer com saúde e segurança financeira https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Senior_centers_in_the_United_States#/media/File:FEMA_-_41946_-_MSRO_Speaker%27s_Bureau_visits_Senior_Centers.jpg O Capitólio norte-americano é onde funcionam a Câmara e o Senado e, no dia 19 de junho, os organizadores do Age+Action querem levar o maior número possível de participantes para ter dois dedos de prosa com os congressistas e mostrar quais são as necessidades dos idosos. O NCOA está tão empenhado nessa mobilização que promoverá seminários pela web para planejar o dia da visita e fornecer todo tipo de subsídio que tornem as discussões mais proveitosas – o objetivo não é receber tapinhas nas costas de políticos, e sim que eles se comprometam com as demandas desse segmento da população que não para de crescer. Adoraria ver algo semelhante ser orquestrado por aqui, para fugir do tom paternalista que normalmente pauta os discursos em Brasília sobre nossos velhos. Já ultrapassamos a marca dos 30 milhões de idosos, sendo que as mulheres respondem por 56% desse total – elas, cujo prognóstico é o de uma velhice com mais dificuldades – e a estimativa é de que, em 2030, o número de pessoas acima dos 60 anos supere o de crianças e adolescentes até 14 anos. Não se trata apenas de garantir que a Previdência dê conta desse contingente, mas de que tenhamos políticas públicas voltadas para um envelhecimento digno.
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20/03 - Mais de 100 mil casos de dengue foram notificados no estado de SP este ano, diz secretaria
O número é quase trinta vezes maior que no mesmo período do ano passado, quando cerca de 3,8 mil casos foram notificados. Em três meses, já houve 29 mortes por causa da doença no estado — quase o triplo do registrado em todo o ano de 2018. Dengue Agência Estadual de Notícias Os casos de dengue dispararam no estado de São Paulo neste verão. Desde janeiro até esta segunda (18), foram notificados 106.224 casos da doença — quase trinta vezes mais que no mesmo período do ano passado, quando houve 3.895 casos. Dos 106 mil casos, 45 mil já foram confirmados. Os números são da Secretaria Estadual de Saúde. Também aumentou a quantidade de vítimas fatais da doença. Neste ano, já são 29 mortes por — quase três vezes mais que no ano passado inteiro, quando dez pessoas morreram de dengue. A maioria dos casos notificados vem do interior. Bauru lidera a lista de casos, com 6 mil casos e dez mortes. Em Guarulhos, foram 89 casos confirmados de janeiro até agora, um aumento de 404% em relação ao mesmo período do ano passado. Casos de dengue no Brasil aumentam 149% em comparação com 2018 Na capital, 642 são casos confirmados, contra 563 registrados no ano passado inteiro. A Prefeitura diz que tem feito trabalhos de prevenção. Mais de 500 mil imóveis foram visitados até a semana passada por agentes de saúde — que ensinam as pessoas a não deixarem a água parada nem o lixo acumulado. O verão é a época mais propícia para o aumento dos casos: mais chuvas e mais água empoçada formam o ambiente ideal para as larvas do mosquito vetor — o Aedes Aegypti — se reproduzirem. Mas não foi só isso: um novo tipo de vírus entrou em circulação em São Paulo, o da dengue tipo 2. Segundo o infectologista Marcos Boulos, da Coordenadoria de Controle de Doenças, o aumento do número de casos ocorreu porque "como a dengue já estava circulando há vários anos nessa localidade, no noroeste de São Paulo, a maior parte das pessoas já tiveram dengue. Quando vem um outro sorotipo, que é o que aconteceu agora — tinha o dengue tipo 1 e vem o dengue tipo 2 — as pessoas não tiveram, então o contingente de pessoas não imunes contra a dengue tipo 2 é muito maior do que contra dengue tipo 1, e a doença se expandiu", explicou. Para evitar a transmissão da dengue, é importante não deixar água parada. Para evitar as picadas, é possível colocar redes nas janelas, vestir roupas com mangas compridas nas áreas de risco e usar repelente. Entre os sintomas estão dor de cabeça e atrás dos olhos, nos ossos e articulações, falta de apetite, febre, "moleza" no corpo e, nos casos de dengue hemorrágica, pode haver dificuldade de respiração, pulso fraco e dores abdominais. Febre amarela, dengue, zika e chikungunya: entenda as doenças do Aedes que afetam o Brasil
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20/03 - Americana de 76 anos é a primeira mulher a receber Prêmio Abel de matemática
Premiação foi criada em 2003 pelo governo norueguês com o objetivo de compensar a ausência de um Prêmio Nobel para área. Pioneira da análise geométrica é a primeira mulher a receber prêmio mundial de matemática O Prêmio Abel de Matemática foi concedido pela primeira vez a uma mulher, a americana Karen Uhlenbeck, especialista em equações derivadas parciais, de acordo com anúncio feito pela Academia Norueguesa de Ciências e Letras. "Karen Uhlenbeck recebe o Prêmio Abel 2019 por seu trabalho fundamental em análise geométrica e teoria de calibre, que transformou dramaticamente o cenário matemático", afirmou o presidente da comissão Abel, Hans Munthe-Kaas. "Suas teorias revolucionaram nossa compreensão de superfícies mínimas, como a formada por bolhas de sabão, e problemas de minimização gerais em dimensões mais altas", acrescentou. Uhlenbeck, de 76 anos, é professora visitante na Universidade de Princeton e professora associada do Instituto de Estudos Avançados (IAS) dos Estados Unidos. Karen Uhlenbeck, de 76 anos, é professora emérita da Universidade do Texas Andrea Kane/Norwegian Academy of Science and Letters/AFP Nascida em Cleveland, "desenvolveu técnicas e métodos de análise global que estão atualmente na caixa de ferramentas de cada geômetra e analista", indicou a Academia Norueguesa de Ciências e Letras. Também é uma ativista em favor da igualdade de sexos nas ciências e matemáticas. É a primeira mulher a receber o Prêmio Abel, criado em 2003 pelo governo norueguês com o objetivo de compensar a ausência de um Prêmio Nobel para matemática. O prêmio é uma homenagem ao matemático norueguês Niels Henrik Abel (1802-1829) e entrega seis milhões de coroas (R$ 2,6 milhões) ao vencedor. Ele é uma das mais prestigiosas distinções no mundo da matemática, junto com a Medalha Fields.
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20/03 - As vítimas de Daryll Rowe, o primeiro britânico condenado por transmitir HIV intencionalmente
Acusado por dezenas de homens, Daryll Rowe foi condenado à prisão perpétua; a história dele e dos homens que infectou e ameaçou depois dos encontros é tema de documentário da BBC. Depois de fazer várias vítimas, Daryll Rowe foi a primeira pessoa a ser presa no Reino Unido por contaminar deliberadamente pessoas com HIV BBC "Como alguém pode ser tão cruel?" Lenny deixa escapar a pergunta em voz alta enquanto fala de um encontro que jamais esqueceu. No final de 2015, Lenny se encontrou pela primeira vez com o cabeleireiro Daryll Rowe. Três anos depois, Rowe se transformou na primeira pessoa condenada no Reino Unido por contaminar deliberadamente outras pessoas com o vírus HIV. Lenny e Rowe viviam em Brighton, na Inglaterra, e se conheceram num aplicativo de paquera. Começaram os flertes antes mesmo de trocar fotos. Mas, quando começaram a falar de sexo, o tom da conversa mudou. Daryll dizia que não queria usar preservativo. Lenny cortou o pretendente e decidiu ignorar o cabeleireiro. Isso mudou quando Rowe lhe mandou uma mensagem dizendo que concordava em usar camisinha. Pouco depois, Rowe apareceu na casa de Lenny. "Penso nesse momento constantemente. Simplesmente não devia ter aberto a porta", diz Lenny, de 38 anos. Lenny: 'Simplesmente não deveria ter aberto a porta' BBC Rowe não cumpriu a promessa. Ouviu do parceiro que, se não usasse camisinha, teria que ir embora. Pareceu concordar, e Lenny não percebeu que o que de fato aconteceu. Na semana seguinte, Lenny começou a receber mensagens e telefonemas com ameaças. "Como se atreve a me bloquear?", gritou Rowe no telefone. "Não pode se livrar de mim. Vai se queimar. Eu furei a camisinha. É, estúpido. Te enganei." Lenny cresceu em Nova York, é maquiador de celebridades e tinha acabado de terminar um relacionamento quando conheceu o cabeleireiro. "Senti medo no corpo inteiro", recorda Lenny, cujo semblante muda por completo ao se lembrar do que aconteceu. Depois das mensagens insensíveis e cruéis, ele acabou fazendo um exame. Estava infectado com o vírus HIV. O resultado positivo mudou sua vida para sempre. Pensou, de forma equivocada, que a vida havia acabado e que tinha recebido uma sentença de morte. Ao ouvir na clínica onde fez o teste que seu caso não era único, decidiu denunciar Rowe. Lenny e outros quatro homens decidiram falar publicamente sobre os encontros com Rowe num novo documentário da "BBC Three", canal de televisão da BBC, intitulado "O Homem Que Usou o HIV Como Uma Arma". Comportamento padrão Um dia depois de receber o diagnóstico sobre o HIV, Rowe subiu um vídeo no seu canal do YouTube falando sobre vida saudável e assumindo ser vegano. "Não bebo, não fumo e uso azeite de coco porque é muito bom para o sistema imunológico." Ele mantinha em segredo que vivia com o HIV. Nem seus pais adotivos, que moram em Edimburgo, a capital escocesa, sabiam. Ele tinha rejeitado o tratamento médico e preferiu passar a beber a própria urina em busca de uma "cura" prometida na internet. Foi nessa época que o cabeleireiro passou a contaminar deliberadamente suas vítimas. E o padrão era sempre parecido. Enviava mensagens por meio da internet ou por aplicativos para obter sexo. Tentava convencer os parceiros a não usar preservativos. Depois, começava a mandar mensagens com ameaças e altamente perturbadoras para assustar as pessoas com quem teve as relações. 'Tirei a camisinha' Stuart começou a conversar com Rowe em julho de 2015, também num aplicativo. Marcaram um encontro e ele foi até o cabeleireiro. A porta estava aberta quando chegou. "Estava te esperando", disse Rowe. Stuart foi chamado de paranoico ao ter averiguado a camisinha depois do sexo BBC Ele se lembra de ter pedido para que o cabeleireiro colocasse uma camisinha. Mas, depois do sexo, olhou o preservativo e ele parecia não ter sêmen. De pronto confrontou o cabeleireiro, que reagiu perguntando se Stuart era paranoico. "Sim, tinha uma camisinha", rebateu. Eles chegaram a bater um papo e assistir a um vídeo antes de Stuart ir embora. Recebeu mensagens de Rowe perguntando se ele tinha gostado do sexo e também atendeu a uma chamada na qual o cabeleireiro ficou em silêncio do outro lado da linha. Oito dias depois, Rowe passou a atacar Stuart. Mandou várias mensagens curtas, uma atrás da outra. "É um idiota ignorante", escreveu, junto com um emoji chorando. "Hahaha, tirei a camisinha". Stuart ficou atordoado. Colegas de escola Peter, que se encontrou com Rowe já no segundo semestre de 2015, acabou reconhecendo o ex-colega de escola. Confidenciou que sempre o achou atraente. "Era muito bonito", diz. Rowe foi muito direto. Deixou claro logo no início que queria transar sem camisinha. Quando Peter lhe perguntou se era seguro, o cabeleireiro o chamou de paranoico – da mesma forma que fez com Stuart. Por dias, Peter pensou que Rowe estava brincando com ele BBC Depois do encontro, recebeu uma mensagem de Rowe na qual ele confirmava ser HIV positivo. Peter, desesperado, respondeu implorando para que o cabeleireiro dissesse que não era verdade. Rowe não respondeu logo. "Ele está inventando", pensou Peter. "Está sendo infantil." 'Parecia uma boa pessoa' Andrew também conheceu Rowe por meio de um aplicativo de encontros. "Ele era muito bonito e parecia uma boa pessoa", recorda. "Até então, não tinha nenhum motivo para duvidar disso." Quando se encontraram, nenhum dos dois tinha camisinha. Decidiram transar assim mesmo. Andrew passou a noite com ele. Pensou até que o relacionamento poderia ficar mais sério. Na manhã seguinte, quando entrava no ônibus para voltar para casa, decidiu conferir o celular. Olhou até mesmo aplicativos de encontros e quando Rowe viu que Peter estava "ativo" teve um ataque de raiva. "Me escreveu imediatamente dizendo que não podia acreditar que estava conectado. 'É uma escória', disse". Andrew cortou a conversa e decidiu não se encontrar mais com Rowe. Um mês depois, recebeu uma mensagem do cabeleireiro. "Espero que tenha desfrutado das quatro vezes que gozei dentro de você", escreveu com um emoji sorrindo. "Tenho HIV." Profilaxia Hoje, já há medicamentos capazes de deter a contaminação com HIV. Uma forma de prevenção importante é Profilaxia Pós-Exposição (PEP). O método consiste em usar medicamentos antirretrovirais durante 28 dias após uma possível exposição ao vírus HIV - e é, inclusive, oferecido pelo SUS no Brasil. Nem todas as vítimas de Rowe foram diagnosticadas como HIV positivo Ministério da Saúde/Divulgação Para ter efeito, contudo, deve ter início no máximo até 72 horas após a exposição. Indica-se o uso de PEP para pessoas que tiveram relações sexuais desprotegidas, sofreram violência sexual ou tiveram acidentes com agulhas ou outros objetos cortantes. Mas Rowe sempre confessava ser portador do HIV tarde demais para que suas vítimas usassem o método. Ao verem as mensagens, todos correram para fazer exames. Nem todos foram contaminados. Andrew bebeu uma garrafa de vinho sozinho em casa. Estava louco de preocupação um dia antes de receber o resultado, que foi negativo. Peter também saiu ileso. "Fui um dos sortudos, eu acho". Peter enfrenta a culpa de achar que podia ter ajudado mais gente se tivesse ido à polícia denunciar Rowe logo depois que recebeu a mensagem do cabeleireiro. Stuart, no entanto, foi contaminado. Assim como Lenny fez meses depois em Brighton, também foi à polícia. Entregou o endereço de Rowe, que morava na Escócia, o número do telefone, cópia das telas com as mensagens que recebeu e uma descrição detalhada da aparência do cabeleireiro. "Quando recebi meu diagnóstico me dei conta de que devia denunciá-lo. Era um pessoa perigosa que precisava ser detida", diz Stuart. Brighton Em outubro de 2015, Rowe fugiu para a Inglaterra antes que a polícia o chamasse para prestar esclarecimentos. Não deixou endereço, não tinha conta em banco e mudou o telefone. Mas continuou usando o mesmo aplicativo para encontrar vítimas e contou para os pais para onde estava indo. "Nos disse que ia para Brighton porque era a capital gay do Reino Unido e que sua vida poderia ser bem melhor lá", conta a mãe adotiva, Jacqui. "Disse que poderia conseguir um trabalho como cabeleireiro. Tinha resolvido a questão da moradia. Parecia uma mudança positiva e ficamos felizes por ele." Mas foi em Brighton que Rowe conheceu Lenny e repetiu o que tinha feito com Stuart, Peter e Andrew em Edimburgo. Lenny, que havia se mudando para o Reino Unido, tinha uma história muito dolorosa com relação ao HIV. Seus pais morreram de Aids nos anos 1980. "Meu pai era usuário de drogas e se contaminou com uma agulha infectada. Ele passou para minha mãe." Depois disso, Lenny prometeu a si mesmo que nunca iria se expor à possibilidade de contrair HIV. "Cresci dizendo que nem em um milhão de anos iria deixar me contaminar. Não queria ter de dizer que tenho HIV." Lenny diz não saber como Rowe furou a camisinha. "Confiei nele." Lenny denunciou Rowe à polícia em fevereiro de 2016, depois que soube de outros quatro casos parecidos. A polícia prendeu o cabeleireiro e o interrogou. Investigavam casos envolvendo sete homens. Mas ao apreenderem o telefone de Rowe descobriram que ele havia feito o mesmo com centenas de homens. Todos tiveram contato com o cabeleireiro e, em seguida, foram informados por ele que era portador de HIV. Em um vídeo da polícia, filmado durante o primeiro interrogatório, Rowe pode ser visto afirmando com muita calma que não sabia que ele tinha HIV. "Eu tive um relacionamento recém-chegando aqui e ele estava desprotegido, eu não fiz nenhum teste desde então e isso me preocupa um pouco", diz ele. Mas já havia um ano que Rowe havia sido diagnosticado como soropositivo. De volta para casaRowe ficou sob a custódia da polícia escocesa. Pagou fiança e pode ficar fora da prisão. Além de ser devidamente monitorado, precisou começar o tratamento contra o HIV. Ficou com os pais adotivos por três semanas. A mãe lembra que ele passou por várias famílias até ir morar com ela e o marido, quando tinha oito anos. Jacqui se lembra das cicatrizes no corpo de Rowe. Ele tinha sido queimado com água quente na infância. "Não teve o melhor começo de vida", diz a mãe, que também fala que nada justifica o comportamento de Rowe. Em novembro de 2016, 22 homens já havia denunciado Rowe por tentar contaminá-los intencionalmente. Depois de ficar uns dias com os pais, o cabeleireiro voltou a fugir. Chegou a Newcastle, ao norte da Inglaterra, usando o nome falso de Gary Cole. E foi com esse nome e perfil igualmente falso num aplicativo que conheceu Tom, um tímido rapaz que vivia com três cachorros. "Sempre me custou muito aproximar-me de outros homens", diz Tom. "Eu acho que deve ser por isso que eu sou tão ingênuo." Rowe usou seus encantos e convenceu Tom a deixá-lo ficar em sua casa por três meses. No entanto, não demorou muito para começar a manipulá-lo e tentar isolá-lo. "Ele praticamente me trancou em uma caixa, eu não podia nem ver o noticiário", diz ele. As polícias inglesa e escocesa acabaram chegando à casa de Tom. Rowe tentou escapar. Mas, dessa vez, não conseguiu. Quebrou uma vértebra ao tentar pular uma janela para ter acesso ao jardim do vizinho. Tom, que chegou a ficar detido por cinco horas, diz se sentir melhor somente porque não foi contaminado. Ao voltar para casa, Tom encontrou uma caixa com camisinhas numa das bolsas de Rowe. Estavam todas com as pontas cortadas. Prisão perpétua O caso de Daryll Rowe é significativo porque foi a primeira vez que alguém no Reino Unido é condenado por espalhar o vírus de forma intencional. Também é considerado um caso controverso por suscitar debates sobre a criminalização do HIV. Rowe foi condenado à prisão perpétua por lesão corporal grave. As mensagens que mandou aos parceiros foram usadas como evidência da intenção deliberada de infectar os homens com quem transou. Ao dar a sentença, a juíza Christine Henson descreveu seus crimes como "uma campanha determinada de ódio e violência ardilosa". Em entrevista à BBC, Rowe pediu desculpas e disse ter sido ingênuo e irresponsável. "Eu estava desenvolvendo uma relação doentia com o sexo", ele diz quando perguntado sobre seus crimes. "Quando fui diagnosticado, estava em negação e me convenci de que ia ser curado com urina, e quase usei isso como uma desculpa para continuar fazendo sexo desprotegido. Na minha cabeça eu pensava: 'Bem, isso deve ser bloqueado'". Ele diz esperar que algum dia seja perdoado. Mas, para as vítimas, a vida nunca mais será a mesma.
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20/03 - É possível combater o envelhecimento com exercícios fisicos?
Especialistas afirmam que se uma pessoa ativa de 80 anos tem uma fisiologia semelhante a um indivíduo de 50 anos, é a pessoa mais jovem que parece mais velha do que deveria, e não o contrário. Os professores Stephen Harridge (à esquerda) e Norman Lazarus, que tem 82 anos e o sistema imunológico de uma pessoa de 20 anos BBC Enquanto muita gente na faixa de 80 e 90 anos pode estar começando a desacelerar, Irene Obera, de 85 anos, faz o oposto. Ao bater vários recordes mundiais de atletismo na categoria para sua faixa etária, ela simboliza um grupo cada vez maior de "atletas masters" que estão no auge do que é fisicamente possível para uma idade mais avançada. Outro exemplo é John Starbrook, que no ano passado, aos 87 anos, se tornou o corredor mais velho a completar a maratona de Londres. Estudos indicam que a prática regular de exercício físico é mais eficaz que qualquer droga já inventada para prevenir condições que afetam os idosos, como a perda muscular. Para colher todos os benefícios, esse hábito deve ser estabelecido na adolescência ou por volta dos 20 anos. O que podemos aprender com atletas idosos? Estudar os atletas masters – com 35 anos ou mais – nos oferece uma ideia do que é fisicamente possível à medida que envelhecemos. Uma análise do tempo dos recordes mundiais para cada faixa etária revela, como era de se esperar, que a capacidade física diminui com o passar do tempo – mas só passa a cair mais rapidamente após os 70 anos. É razoável supor que esses atletas de ponta adotem de uma maneira geral um estilo de vida saudável; além de se exercitar, seguem uma dieta balanceada, não fumam, nem consomem muito álcool. Portanto, seus resultados podem nos ajudar a determinar quanto desse declínio se deve ao próprio processo de envelhecimento. O exercício pode retardar o processo de envelhecimento? O fato de os idosos que se exercitam terem uma saúde melhor em comparação aos que são sedentários pode levar as pessoas a acreditar que a atividade física pode retardar o processo de envelhecimento. Mas a realidade é que esses idosos ativos são exatamente como deveriam ser. Em um passado distante, éramos todos caçadores-coletores e nossos corpos foram desenvolvidos para serem fisicamente ativos. Portanto, se uma pessoa ativa de 80 anos tem uma fisiologia semelhante a um indivíduo de 50 anos, é a pessoa mais jovem que parece mais velha do que deveria, e não o contrário. Muitas vezes confundimos os efeitos da falta de atividade física com o próprio processo de envelhecimento, e acreditamos que certas doenças são puramente resultado da idade avançada. Na verdade, o estilo de vida sedentário moderno simplesmente acelera nosso declínio relacionado à idade. Isso contribui para o aparecimento de doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e câncer. Muitos de nós simplesmente não somos ativos o suficiente. Na Inglaterra, menos da metade dos jovens de 16 a 24 anos seguem a recomendação de praticar exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular; na faixa dos 65 a 74 anos, essa proporção cai para menos de um em cada 10. Qualidade de vida O exercício não só ajuda a prevenir o surgimento de muitas doenças, como também contribui para curar ou aliviar outras, melhorando nossa qualidade de vida. Estudos recentes com ciclistas amadores com idades entre 55 e 79 anos indicam que eles têm a capacidade de realizar tarefas diárias com muita facilidade e eficiência, porque quase todas as partes do seu corpo estão em ótimas condições. Os ciclistas também apresentaram pontuação alta em testes que medem agilidade de raciocínio, saúde mental e qualidade de vida. Quanto mais cedo você começar a se exercitar, melhor. Uma análise de adultos americanos com idade entre 50 anos e 71 anos mostrou que aqueles que se exercitaram entre duas e oito horas por semana desde a adolescência até os 60 anos uma chance de 29% a 36% menor de morrer em decorrência de qualquer causa ao longo do período de 20 anos em que o estudo foi conduzido. O estudo aponta que os jovens que praticam exercícios devem manter seus níveis de atividade elevados, mas também que aqueles com 40 anos ou mais podem se tornar mais ativos fisicamente e obter benefícios semelhantes. Atletas masters Em 2003, Martina Navratilova se tornou, aos 46 anos, a tenista mais velha a ganhar o torneio de Wimbledon – de duplas mistas – ao lado de Leander Paes. O atacante Kazuyoshi Miura, de 52 anos, do time de futebol japonês Yokohama FC, é o jogador profissional mais velho do mundo. Aos 73 anos, Otto Thaning se tornou o homem mais velho a atravessar a nado o Canal da Mancha, enquanto Linda Ashmore, de 71 anos, é a mulher mais velha a realizar o mesmo feito. Robert Marchand pedalou 22 quilômetros em uma hora em 2017 aos 105 anos, estabelecendo um novo recorde. Problemas modernos No mundo de hoje, somos capazes de driblar problemas relacionados ao sedentarismo nos apoiando na muleta da medicina moderna. Mas embora a nossa expectativa média de vida tenha aumentado muito rápido, o nosso "tempo de vida saudável" – período da vida que podemos aproveitar livre de doenças - não aumentou. Muitos dos que vão se beneficiar do aumento da expectativa de vida projetada até 2035 passarão seus anos extras com quatro doenças ou mais, de acordo com um estudo realizado na Inglaterra. Embora a medicina esteja evoluindo o tempo todo, o exercício pode fazer coisas que os medicamentos não conseguem. Por exemplo, atualmente, não existe remédio disponível para evitar a perda de massa e força muscular, principal fator responsável pela perda das funções físicas. Envelhecimento da população Ser mais ativo não faz bem apenas para os indivíduos, como também é vital para o funcionamento da nossa sociedade de uma maneira mais ampla à medida que ela envelhece. Em 2018, quase um em cada cinco britânicos tinha mais de 65 anos, enquanto um em cada 40 tinha mais de 85 anos. A previsão é de que o número de pessoas com 65 anos ou mais cresça mais de 40% nos próximos 16 anos. Uma pessoa de 85 anos custa, em média, cinco vezes mais que uma de 30 anos ao sistema público de saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês), indica a análise. O que você pode fazer? A maioria das pessoas não deve ter como meta ser um atleta de elite com uma idade avançada; isso não é necessário para ter uma saúde ideal. Em vez disso, o segredo é incorporar à rotina pequenas práticas regulares de atividade física - como caminhada acelerada ou dança de salão. A atividade física é um dos pilares de uma vida saudável. Ainda que você não seja um atleta profissional, começar a se exercitar regularmente aos 20 e 30 anos provavelmente trará muita satisfação mais à frente. E se você passou desta idade, se tornar ativo cuidadosamente vai fazer um bem enorme. Sobre este artigo Esta análise foi encomendada pela BBC a especialistas que trabalham para uma organização externa. Stephen Harridge é professor de Fisiologia Humana e Aplicada no King's College London. Norman Lazarus é professor emérito do King's College London e ciclista master com mais de 80 anos.
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20/03 - Glifosato: decisão da justiça americana associa agrotóxico liberado no Brasil a câncer
O grupo alemão Bayer, que comprou a Monsanto, rejeitou fortemente as acusações de que o herbicida Roundup, à base de glifosato, seja cancerígeno. Herbicidas Roundup, da Monsanto Arquivo/Mike Blake/Reuters Um júri de San Francisco, nos Estados Unidos, decidiu na terça-feira (19) que o agrotóxico mais usado do Brasil e no mundo foi um "fator importante" no desenvolvimento do câncer de um homem. Ações da Bayer desabam após novo júri relacionar Roundup a câncer Trata-se do herbicida Roundup, à base de glifosato, principal ingrediente ativo de diversos pesticidas usados em plantações e jardins. No mês passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) propôs manter liberada a venda de glifosato no Brasil, já que não haveria evidências científicas de que a substância cause câncer, mutações ou má formação em fetos. O grupo alemão Bayer, que comprou a Monsanto, fabricante do produto, rejeitou fortemente as acusações de que a substância seja cancerígena. Mas o júri decidiu por unanimidade que o pesticida contribuiu para o linfoma não Hodgkin (LNH) de Edwin Hardeman, de 70 anos, que vive na Califórnia. A próxima etapa do julgamento vai considerar a responsabilidade e os danos causados pela Bayer. Durante a segunda fase, que começa nesta quarta-feira, espera-se que os advogados de Hardeman apresentem evidências mostrando os supostos esforços da Bayer para influenciar cientistas, agências reguladoras e a opinião pública sobre a segurança de seus produtos. O grupo alemão, que adquiriu o Roundup como parte da aquisição da concorrente americana Monsanto por US$ 66 bilhões, disse que ficou desapontada com a decisão inicial do júri. "Estamos confiantes de que as evidências na segunda fase vão mostrar que a conduta da Monsanto foi apropriada e que a empresa não deve ser responsabilizada pelo câncer de Hardeman", declarou a empresa. A Bayer continua "a acreditar firmemente que a ciência confirma que os herbicidas à base de glifosato não causam câncer". Este é o segundo processo de cerca de 11,2 mil ações judiciais contra o Roundup a ir a julgamento nos EUA. Em agosto do ano passado, a Monsanto foi condenada em primeira instância pela Justiça americana a pagar US$ 289 milhões (R$ 1,1 bilhão) a um homem com câncer - ele alegava que a doença foi causada por herbicidas da empresa, como o Roundup. As ações da Bayer despencaram na época. A indenização foi posteriormente reduzida para US$ 78 milhões e está em fase de recurso. Uso frequente A Bayer argumenta que décadas de estudos e avaliações regulatórias mostraram que o agrotóxico é seguro para uso humano. Hardeman usou o herbicida com regularidade de 1980 a 2012 em sua propriedade em Sonoma County, na Califórnia, e acabou sendo diagnosticado com linfoma não Hodgkin, que tem origem nas células do sistema linfático. Seus advogados, Aimee Wagstaff e Jennifer Moore, afirmaram em comunicado conjunto que seu cliente estava "satisfeito" com a decisão. "Agora podemos nos concentrar nas evidências de que a Monsanto não adotou uma abordagem objetiva e responsável para a segurança do Roundup", acrescentaram. "Em vez disso, fica claro pelas ações da Monsanto que a empresa não se importa particularmente se seu produto está, de fato, causando câncer às pessoas, e em contrapartida se concentra em manipular a opinião pública e enfraquecer quem levanta preocupações genuínas e legítimas sobre a questão." Outro julgamento envolvendo o Roundup está marcado para começar no dia 28 de março no tribunal estadual de Oakland, também na Califórnia - um casal com linfoma não Hodgkin afirma que a doença foi causada pelo pesticida. O que é glifosato? O glifosato foi introduzido pela Monsanto em 1974, mas sua patente expirou em 2000, e agora o produto químico é vendido por vários fabricantes. Nos EUA, mais de 750 produtos contêm a substância. Em 2015, a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, da Organização Mundial de Saúde (OMS), concluiu que o glifosato era "provavelmente cancerígeno para humanos". No entanto, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA insiste que é seguro quando usado com cuidado. A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês) também afirma que é improvável que o glifosato cause câncer em humanos. Em novembro de 2017, os países da União Europeia votaram para a renovação da licença do glifosato, apesar das campanhas contra a substância.
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20/03 - Carne artificial: os cientistas britânicos que estão criando bacon em laboratório
Pesquisas com proteína animal de laboratório buscam um futuro em que não precisemos abater animais para nos alimentar; além disso, reduz emissões e consome menos água. Diversos projetos buscam produzir proteína animal artificial em larga escala, mas produtos ainda não estão sendo comercializados BBC Cientistas britânicos da Universidade de Bath estão dando novos passos em direção à produção de carne artificial, com o cultivo em laboratório de células animais. Se o processo puder ser reproduzido em escala industrial, é possível que amantes de carne venham a ter à sua disposição um suprimento infinito de bacon, mas sem a necessidade de obtê-lo com o abate de animais. A engenheira química Marianne Ellis, líder do projeto na Universidade de Bath, acredita que a carne artificial possa ser, mais adiante, "uma fonte alternativa de proteína para alimentar o mundo". Em seu laboratório, ela cultiva células de porco que podem, algum dia, levar à produção de bacon. No futuro, a expectativa é de que, a partir da biópsia de um porco, seja possível isolar suas células-tronco, criar mais células a partir destas e colocá-las em um biorreator que as expanda. Assim, é possível obter um generoso suprimento de bacon - e o porco contunua vivo. No entanto, ainda serão necessários anos de pesquisa para replicar o sabor e a textura idênticos ao bacon original. Experimento com grama Proteínas animais reproduzidas em laboratório ainda não estão no mercado, mas são amplamente estudadas pela ciência. Em 2013, uma equipe holandesa criou o primeiro hambúrguer de laboratório, enquanto cientistas em Israel produziram um bife com células criadas em laboratório em 2018. Ao mesmo tempo, uma empresa americana chamada Just afirmou que seus nuggets de frango, feitos a partir de células de penas de galinhas ainda vivas, em breve estarão disponíveis em restaurantes. De volta a Bath, para criar a estrutura da carne artificial, a equipe de Ellis está conduzindo seus experimentos com algo natural: grama. Os pesquisadores cultivam células de roedores sobre "andaimes" de grama. "A ideia é, basicamente, dar 'grama para nossas células comerem', em vez de dar grama para uma vaca e daí comer a vaca", explica Scott Allan, estudante de pós-graduação em engenharia química e participante do projeto. Para o resultado final disso não ser puramente um tecido de músculo, os cientistas buscam formas de acrescentar células de gordura e outras células conectoras que ajudem a dar mais gosto e textura à proteína. Outro desafio futuro é produzir carne do tipo em larga escala para fins comerciais. "Estamos tentando projetar biorreatores, e o processo biológico em torno desses reatores, para cultivar células de músculo em larga escala, de um modo que seja econômico, seguro e de alta qualidade", diz Ellis. "Assim conseguiríamos fornecer as células de músculo como carne de laboratório para todas as pessoas que queiram consumi-la." Ela almeja que as "células primárias" desse processo venham de um animal vivo ou recém-abatido, ou então de células "imortalizadas" deles, que continuem a se dividir e multiplicar. "Com isso, não seria necessário abater animais, (já que) teríamos uma célula imortal que poderia ser usada para sempre." Não mata, não polui e gasta menos água A expectativa de pesquisadores é de que a carne in vitro atraia pessoas preocupadas com o abatimento de animais e com os impactos ambientais causados pela pecuária de larga escala. Richard Parr é diretor-gerente na Europa do Instituto Good Food (boa comida, em tradução livre), uma ONG que promove alternativas para a produção agrícola tradicional. Na opinião dele, a carne artificial também tem a potencial vantagem de usar muito menos água e espaço do que a pecuária atual, além de produzir menos dióxido de carbono, poupar bilhões de animais de sofrimento e ajudar a combater problemas de contaminação alimentar. Alguns estudos, no entanto, apontam que talvez a produção de carne artificial consuma mais energia do que a produção de carne natural - embora essa conta não leve em consideração o uso de água e de terra para criar gado. Segundo Marianne Ellis, apesar disso, a maioria das projeções atuais parecem indicar que a proteína in vitro deve reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Ela também acredita que, no futuro, seu projeto vai conviver com a agricultura e a pecuária tradicionais. Mudanças futuras Illtud Dunsford, cofundador com Ellis da start-up de biotecnologia Cellular Agriculture, vem de uma longa linha familiar de agricultores tradicionais no País de Gales, mas defende que, no futuro, será necessário alocar mais terras para a proteção natural, reduzindo (sem eliminar) o espaço destinado a criação de gado. "Na minha pequena fazenda no oeste do País de Gales, idealmente gostaria de ver a manutenção de uma série de raças tradicionais de gado em uma escala muito pequena, e com níveis de bem-estar (animal) excepcionalmente altos", opina ele. "O produto derivado de seu uso no gerenciamento de terras - seja para limpar a terra ou para restaurar pastos - seria a colheita de células para cultivar carne artificial." Acredita-se que a carne in vitro não estará pronta para a comercialização em grande escala por pelo menos mais cinco anos. Resta saber se as pessoas terão vontade de comê-las - uma pesquisa feita no Reino Unido apontou que 20% dos consumidores gostariam de experimentá-las; 40% não gostariam; e os 40% restantes não têm opinião formada. Em geral, pessoas mais jovens e moradores de áreas urbanas demonstraram mais interesse no produto.
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20/03 - Nasa confirma a primeira caminhada espacial feita só com mulheres
Agência espera que ação inspire novas gerações. Caminhada está prevista para o dia 29 de março. Astronautas Anne McClain e David Saint-Jacques são fotografados ao lado de dois trajes espaciais. Nasa A Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, confirmou nesta terça-feira (19) que as astronautas Anne McClain, de 39 anos, e Christina Koch, de 40, protagonizarão no próximo dia 29 de março a primeira caminhada espacial feita exclusivamente por mulheres, e destacou que este marco pode "inspirar" novas gerações. Mary Lawrence, diretora principal de voo desta caminhada, explicou em uma conferência no Johnson Space Center de Houston (Texas) que, se tudo funcionar como o planejado, "Anne e Christina terão a oportunidade de estar na primeira expedição sem homens". A ação das astronautas faz parte da Expedição 59 que, além da caminhada das mulheres, inclui outros dois percursos espaciais que serão feitos nos dias 22 de março e 8 de abril. "Será um momento de orgulho para a Nasa", assegurou Lawrence, que estará esse dia em terra junto com Jackie Kagey, que atuará como controladora de voo da caminhada. McClain, que é comandante do exército dos Estados Unidos e foi piloto de helicóptero, está desde dezembro do ano passado na Estação Espacial Internacional (EEI), onde pesquisadores de diversas nações colaboram lado a lado. Já Koch, graduada de Engenharia Elétrica e que trabalhou em expedições ao Polo Sul e ao Ártico, fez no último dia 14 de março seu primeiro voo espacial. Ambas, que fazem parte de uma promoção de astronautas de 2013, integrada em 50% por mulheres, terão como tarefa a substituição de um jogo de baterias. "Certamente, isto pode inspirar novas gerações de exploradores espaciais", ressaltou Lawrence. Em 22 de março, sete dias antes do percurso que as duas astronautas esperam fazer, McClain e seu companheiro Nick Hague deverão substituir as baterias de níquel-hidrogênio por novas de íones de lítio para o canal de energia em um dos painéis solares da EEI. Um terceiro percurso, no qual participarão Hague e David Saint-Jacques, integrante da Agência Espacial Canadense, está programado para 8 de abril e terá como objetivo as instalações de cabos na estação.
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20/03 - Ações da Bayer desabam após novo júri relacionar Roundup a câncer
Ações da empresa caíram mais de 12% nesta quarta (20). Herbicida à base de glifosato é o herbicida mais usado no mundo. Herbicidas Roundup, da Monsanto Mike Blake/Reuters As ações da Bayer caíam mais de 12% nesta quarta-feira (20), depois que um segundo júri nos Estados Unidos decidiu que seu herbicida Roundup causa câncer. A decisão unânime do júri na terça-feira no tribunal federal de São Francisco não responsabilizou a Bayer pelo câncer do autor da ação Edwin Hardeman. Responsabilidade e danos serão decididos pelo mesmo júri em uma segunda fase de julgamento a partir de quarta-feira. A Bayer, que nega as alegações de que o glifosato ou o Roundup causam câncer, disse que ficou desapontada com a decisão inicial do júri. A Bayer adquiriu a Monsanto, a fabricante de longa data do Roundup, por US$ 63 bilhões no ano passado. As ações da Bayer caíam quase 12,5% às 9h30, na maior perda intradiária em 16 anos, eliminando cerca de 8 bilhões de euros (US$ 9,1 bilhões) em valor de mercado da companhia. Glifosato: mitos e verdades sobre um dos agrotóxicos mais usados do mundo O glifosato é o herbicida mais usado no mundo. O Roundup da Monsanto foi o primeiro herbicida à base de glifosato, mas não é mais protegido por patente e muitas outras versões já estão disponíveis. A Bayer não fornece números de vendas para o produto. "Estamos confiantes de que a evidência na segunda fase mostrará que a conduta da Monsanto foi apropriada e que a empresa não deve ser responsabilizada pelo câncer de Hardeman", disse a empresa. O caso foi apenas o segundo dos cerca de 11.200 processos envolvendo o Roundup a ir a julgamento nos Estados Unidos. Outro homem da Califórnia recebeu US$ 289 milhões em agosto, depois que um tribunal estadual decidiu que o Roundup causou seu câncer. Esse valor foi posteriormente reduzido para US$ 78 milhões e está em fase de recurso.
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20/03 - Nasa afirma que chegar a asteroide Bennu será mais difícil que previsto
O objetivo é tocar a superfície por cinco segundos em julho de 2020 com um braço articulado para coletar entre 60 gramas e 2 kg de regolito (cascalho e poeira). Imagem criada pela combinação de outras duas feitas a bordo da Osirir-Rex, da Nasa, mostra o asteroide Bennu soltando partículas da superfície. Nasa/Goddard/University of Arizona/Lockheed Martin Após dois anos viajando pelo sistema solar, a sonda Nasa Osiris-Rex se aproximou do asteroide Bennu em dezembro com o objetivo de obter uma amostra da superfície, mas tocar o asteroide é uma missão muito mais arriscada do havia sido previsto. Cientistas e engenheiros da missão anunciaram na terça-feira (19) que descobriram que a superfície do asteroide, de 490 metros de diâmetro, está coberta de rochas e pedras. A previsão era de que o solo fosse mais seguro para a operação. "Voltamos ao ponto de partida e começamos a pensar de novo", disse Dante Lauretta, chefe da missão, em entrevista coletiva por telefone. Suas observações também foram publicadas na revista Nature nesta terça. A sonda foi projetada para descer em uma área plana com um raio de 25 metros, mas de acordo com fotografias tiradas desde dezembro, não há uma área tão grande sem rochas. Agora, os cálculos precisarão ser refeitos para a sonda se aproximar de uma área menor. "Vamos ter que acertar em cheio", resumiu Richard Burns, gerente de projetos. De olho em Bennu Desde dezembro, a sonda fez um mapa de Bennu a uma distância muito próxima, atualmente de 5 km. O asteroide, que orbita ao redor do Sol, fica a 85 milhões de quilômetros da Terra. O objetivo é tocar a superfície por cinco segundos em julho de 2020 com um braço articulado para coletar entre 60 gramas e 2 kg de regolito, isto é, cascalho e poeira (a máquina só pode aspirar partículas com menos de dois centímetros). As amostras serão armazenadas na sonda, que retornará à Terra em 2023. Bennu é um asteroide chamado "pilha de escombros", o que significa que é feito de pedaços que foram separados de um corpo maior e depois aglomerados pelos efeitos da gravidade. Possui mais de 200 rochas com mais de 10 metros de diâmetro, e até algumas com mais de 30 metros, descreveram os pesquisadores da Nature Astronomy. Muitas crateras estão entre 10 e 150 metros. "Não é trivial pousar uma sonda espacial com precisão de cerca de um metro na superfície de um asteroide em microgravidade", disse Dante Lauretta, acrescentando que está "certo" de que a equipe estará à altura do desafio. Bennu também ejeta partículas, que acabam caindo como uma chuva. Mas a equipe acredita que isso não deve colocar a sonda em risco.
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20/03 - Terceira e última superlua de 2019 poderá ser vista nesta quarta
Lua estará cheia às 22h43. Neste ano, já ocorreram outras duas superluas: em 21 de janeiro e em 19 de fevereiro. Superlua se ergue sobre as margens do rio Loire, em Lavau-sur-Loire, oeste da França, em 19 de fevereiro Loic Venance/AFP De tempos em tempos, a Lua parece maior. Ela atinge o perigeu: ponto da órbita mais próximo da Terra. A tudo isso chamamos de "superlua". A terceira e última do ano ocorre nesta quarta-feira (20) - junto com a chegada do outono. A Lua estará cheia às 22h43; O outono começa às 18h58; Distância da Lua da Terra: cerca de 360 mil quilômetros. O termo "superlua" surgiu em 1979 e não é o que poderíamos chamar de um "conceito astronômico". Ele é usado fora do meio acadêmico para fazer referência à união do perigeu com a Lua cheia. Não é uma situação rara de apreciar, mas é uma excelente oportunidade para quem quer começar a observar o céu. Neste ano, já ocorreram duas superluas: uma em 21 de janeiro e outra em 19 de fevereiro. Entenda os fenômenos da Superlua e Microlua Juliane Souza/G1 Detalhes importantes: A órbita da Lua ao redor da Terra tem forma elíptica - uma forma oval que aproxima e distancia o satélite do nosso planeta; O ponto mais distante dessa elipse é chamado apogeu. É quando acontece a Microlua; O ponto mais próximo é o perigeu; Quando a Lua está cheia e em seu perigeu (Superlua), ela pode parecer até 14% maior e 30% mais brilhante ao ser vista da Terra do que no momento do apogeu, segundo a Nasa.
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20/03 - Tuberculose pode ser tratada com 'colar de comprimidos' inserido no estômago de paciente, diz estudo
Pequeno dispositivo libera doses do remédio necessárias no período de um mês. Tratamento da doença exige que paciente tome antibióticos durante seis meses. Um protótipo representativo de um dispositivo de residente gástrico que pesquisadores criaram para liberar lentamente antibióticos no estômago de um paciente ao longo do tempo. Malvika Verma/MIT Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveram um tratamento contra a tuberculose que usa um dispositivo inserido no estômago para administrar doses diárias de medicamento durante um mês. A tuberculose mata um milhão de pessoas todos os anos e o tratamento tradicional exige um ciclo de seis meses de antibióticos diários. Os pesquisadores acreditam que a invenção ajude a aumentar o acesso aos medicamentos, a manter a administração correta e a baixar custos para os sistemas de saúde. O novo dispositivo consiste em um fio espiral carregado com antibióticos. Ele é inserido no estômago do paciente através de uma sonda nasogástrica. Depois, o dispositivo libera antibióticos lentamente, eliminando a necessidade de os pacientes ingerirem comprimidos todos os dias. "Ter um sistema que permita garantir que o paciente receba o tratamento completo pode ser realmente transformador", diz Giovanni Traverso, professor assistente do Departamento de Engenharia Mecânica do MIT e gastroenterologista do Hospital Brigham and Women. Traverso e Robert Langer, professor no MIT, são os principais autores do estudo, que foi publicado na revista científica "Science Translational Medicine". 'Colar de comprimidos' O novo dispositivo é um fio fino e elástico feito de nitinol – uma liga de níquel e titânio que pode mudar sua forma com base na temperatura. Os pesquisadores podem amarrar até 600 "pílulas" de vários antibióticos ao longo do fio, e as drogas são embaladas em polímeros cuja composição pode ser ajustada para controlar a taxa de liberação do fármaco, uma vez que o dispositivo entra no estômago. O "colar de comprimidos" é colocado no estômago do paciente por meio de um tubo inserido pelo nariz. Uma vez que o fio atinge as temperaturas mais altas do estômago, ele se enrola, o que impede que ele passe através do sistema digestivo. Em testes em suínos, os pesquisadores descobriram que seu protótipo poderia liberar vários antibióticos diferentes a uma taxa constante por 28 dias. Uma vez que todas as drogas são entregues, o dispositivo é recuperado através da sonda nasogástrica usando um ímã que pode atrair o dispositivo. Como parte do estudo, os pesquisadores entrevistaram 300 pacientes com tuberculose na Índia, e a maioria disse que esse tipo de procedimento seria aceitável para eles em um tratamento de longo prazo. Novo sistema Por vários anos, Traverso e Langer têm trabalhado em uma variedade de pílulas e cápsulas que podem permanecer no estômago e lentamente liberar a medicação após serem engolidas. Esse tipo de medicamento, acreditam eles, poderia melhorar o tratamento de muitas doenças crônicas que exigem doses diárias de medicação. Uma de suas cápsulas mostrou-se promissora por administrar pequenas quantidades de drogas para tratar o HIV e a malária. Depois de ser engolido, o revestimento externo da cápsula se dissolve, permitindo que seis braços se expandam, ajudando o dispositivo a se alojar no estômago. Este dispositivo pode transportar cerca de 300 miligramas de drogas - o suficiente para uma semana de tratamento contra o HIV, por exemplo. No entanto, fica muito aquém da carga necessária para tratar a tuberculose, que requer cerca de 3 gramas de antibióticos todos os dias. "Tivemos que desenvolver um sistema completamente novo que poderia permitir uma liberação automatizada desses medicamentos ao longo de cerca de um mês", diz Malvika Verma, pesquisadora do estudo. "Este novo sistema pode conter muito mais drogas e pode liberar a droga por um longo período de tempo". Um protótipo representativo de um dispositivo de residente gástrico pesquisadores colocaram em um modelo de estômago in vitro para testes. Malvika Verma, Feyisope Eweje, John A F Salama, Jonathan B Miller/MIT Ajuda para outros tratamentos Outra doença para a qual esta abordagem pode ser útil é a hepatite C, que requer tratamento com medicamentos antivirais por um período entre dois e seis meses. Muitas outras doenças infecciosas também exigem doses de medicação que são muito grandes para caber em um dos dispositivos menores que Traverso e Langer desenvolveram. "Em muitas situações, os pacientes precisam tomar dosagens altas de uma droga, mas até agora, isso tem sido muito difícil de fazer", diz Langer. "Acreditamos que essa nova abordagem é um marco importante para resolver esse problema". Este sistema também pode ser útil para a entrega de drogas que podem tratar o vício em álcool e outros tipos de abuso de substâncias, dizem os pesquisadores.
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20/03 - Político antivacinas da extrema direita italiana é internado com catapora
Massimiliano Fedriga classificou como 'stalinista' o programa de vacinas obrigatórias contra 12 doenças. Agora, mudou o discurso. Massimiliano Fedriga, chefe do governo em Roma Reprodução/Facebook Político do primeiro escalão da Liga, partido de extrema direita da Itália, que tem como líder Matteo Salvini, chefe do governo em Roma, Massimiliano Fedriga classificou como "stalinista" o programa de vacinas obrigatórias contra 12 doenças, estipulado em seu país em 2017. Massimiliano Fedriga é o principal porta-voz do movimento antivacinas na Itália, mas teve que ser internado e passou cinco dias em um hospital, após contrair catapora. "Ironicamente", segundo o jornal italiano La Repubblica, "ele contraiu uma das doenças de cuja vacina pedia o fim", a catapora. "Estou bem, estou me recuperando em casa", escreveu ele nesta terça-feira (19) em suas redes sociais, depois de passar vários dias sob vigilância médica. Agora, o presidente da região Fruili-Venezia Giulia diz que não apoiará mais movimentos antivacinação. A mudança de discurso após a internação surpreendeu o jornal italiano. "Eu sempre disse que sou a favor das vacinas, mas, para obter resultados, você tem que entrar em acordo com as famílias, não se impor", disse Fedriga, observando que seus filhos foram vacinados. "Então, por que ele não era?", questiona o diário, na Itália.
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20/03 - EUA aprovam primeiro medicamento exclusivo para depressão pós-parto
A FDA, a "Anvisa" dos americanos, liberou o uso do remédio chamado de Zulresso, feito com a substância allopregnanolone. Depressão pós-parto Freestocks/Joanna Malinowska A FDA (Food and Drug Administration), a "Anvisa" dos Estados Unidos, aprovou nesta terça-feira (19) o primeiro medicamento exclusivo para tratar a depressão pós-parto. O remédio Zulresso, da Sage Therapeutics, feito com a substância allopregnanolone, é uma injeção para uso intravenoso. Ele estará disponível em um programa de saúde restrito do país, onde o medicamento só poderá ser aplicado em uma unidade certificada - consultórios ou clínicas médicas. Ele deverá ser administrado durante pouco mais de dois dias na paciente. "A depressão pós-parto é uma condição séria que, quando se torna grave, pode ser fatal. As mulheres podem ter pensamentos para se machucar ou ferir o próprio filho. A depressão pós-parto também pode interferir na criação do vínculo entre mãe e bebê. Essa droga aprovada é a primeira especificamente feita para o tratamento da doença, uma importante opção", disse Tiffany Farchione, diretora-interina da FDA. Há risco de sedação excessiva e/ou perda súbita de consciência durante o uso. Por isso, é importante que as pacientes sejam constantemente monitoradas durante a aplicação. Outras reações: sonolência, boca seca, rubor na pele. A depressão pós-parto é um episódio importante que pode ocorrer logo após o nascimento do bebê. Há, no entanto, casos em que os sintomas já começam durante a gravidez. Como os outros tipos de depressão, é caracterizada por tristeza e/ou perda de interesse nas atividades que costumava gostar, sentimentos de inutilidade, culpa ou pensamentos suicidas. O Ministério da Saúde do Brasil elenca o que pode causar a depressão pós-parto: Privação do sono Isolamento Alimentação inadequada Sedentarismo Falta de apoio do parceiro Falta de apoio da família Depressão, ansiedade e outros transtornos prévios Vício em crack, álcool e outras drogas No Brasil, de acordo com a pasta, a depressão pós-parto atinge uma a cada quatro mães. O tratamento tradicional é feito geralmente com o uso de antidepressivos comuns combinados com psicoterapia. Eficácia do remédio A comprovação de eficácia do medicamento ocorreu após a publicação de dois estudos clínicos científicos. Participantes receberam a injeção intravenosa durante 60 horas completas ou um placebo. Depois, as mães foram observadas por 4 semanas. O Zulresso demonstrou superioridade no tratamento contra depressão pós-parto nos dois estudos. A melhora do quadro foi observada após 30 dias.
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19/03 - Brasil perderá certificado de erradicação do sarampo após novo caso registrado
Ministério da Saúde enviou comunicado para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) nesta terça-feira (19). Brasil perderá certificado de erradicação do sarampo Foto: Cristine Rochol/PMPA O Brasil perderá o certificado de erradicação do sarampo após a confirmação de mais um caso endêmico, ou seja, dentro do território brasileiro em 23 de fevereiro no Pará. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (19). O ministério notificou o caso para a Organização Pan Americana da Saúde (OPAS) e informou que já trabalha para controlar a doença e obter novamente o status de país livre do sarampo. O Brasil viveu um surto da doença em 2018 com mais de 10 mil casos registrados especialmente no Amazonas e em Roraima. Brasil vai perder certificado de erradicação do Sarampo Desafios do Brasil na luta contra o sarampo "Nosso plano consiste em encaminhar medidas importantes ao Congresso Nacional, como a exigência do certificado de vacinação, não impeditiva, de ingresso na escola e no serviço militar. Reforçaremos, ainda, o monitoramento da vacinação, por meio dos programas de integração de renda e como norma para os trabalhadores de saúde”, disse o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Mais de 10 mil casos Em janeiro de 2019, o Brasil tinha três estados com surto da doença: Amazonas, Roraima e Pará. Entre fevereiro de 2018 e fevereiro de 2019, o país registrou 10.374 casos. O pico foi atingido em julho de 2018, com 3.950 casos. Até 19 de março, houve confirmação laboratorial de 48 casos de sarampo no Brasil. Destes, 20 estão relacionados a casos importados e 28 a casos endêmicos, sendo 23 no Pará e cinco no Amazonas. Perda do certificado O critério estabelecido para a retirada do certificado de erradicação é a incidência de casos confirmados do mesmo vírus durante 12 meses. Segundo a OMS, a primeira pessoa infectada dentro do território brasileiro ocorreu em 19 de fevereiro de 2018. O certificado foi concedido ao Brasil pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS), em 2016. O Brasil tem um modelo considerado exemplar quando o assunto é o calendário de vacinação, mas a oferta de vacinas no SUS não tem sido suficiente para garantir a taxa desejável de cobertura vacinal da população. Por causa disso, em 2017 o país teve o menor índice de vacinação em crianças menores de um ano em 16 anos. Todas as vacinas recomendadas para adultos estão abaixo da meta de cobertura ideal. Entenda o que é sarampo, quais os sintomas, como é o tratamento e quem deve se vacinar Karina Almeida/G1
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19/03 - As pessoas só se tornam 'completamente adultas' aos 30 anos, diz neurocientista
Especialistas dizem que, aos 18 anos, o cérebro ainda está passando por mudanças que podem afetar o comportamento. 'É uma transição muito mais sutil que ocorre ao longo de três décadas', afirma pesquisador Pixabay Quando começa a vida adulta? Em grande parte dos países, ao completar 18 anos, você já pode votar, comprar bebidas alcoólicas, obter financiamento imobiliário e ser julgado criminalmente por seus atos. Mas um grupo de neurocientistas sugere que as pessoas só se tornam "completamente adultas" aos 30 anos. De acordo com os pesquisadores, aos 18 anos, o cérebro ainda está passando por mudanças que podem afetar o comportamento dos jovens, deixando-os, inclusive, mais propensos a desenvolver transtornos mentais. "Processos que envolvem o aumento da condutividade dos nervos, a construção de redes neurais e a 'poda' de conexões indesejadas começam no útero e continuam por décadas", afirma o jornal britânico "The Independent". Portanto, a idade em que cada um se torna adulto varia. Fronteira imprecisa Peter Jones, professor da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, destaca que essa transição não acontece de um dia para o outro. "O que estamos dizendo realmente é que ter uma definição clara de quando você passa da infância para a idade adulta parece algo cada vez mais absurdo." "É uma transição muito mais sutil que ocorre ao longo de três décadas", explica o pesquisador, que participa de um encontro de neurociências promovido pela Academia de Ciências Médicas de Oxford, no Reino Unido. Segundo ele, a adoção de uma "linha divisória" é apenas uma questão de "conveniência". "Eu acho que convém para os sistemas de educação, de saúde e judicial ter essas definições", acrescenta. Apesar disso, Jones acredita que juízes criminais experientes sabem reconhecer a diferença entre um réu de 19 anos e um criminoso "endurecido" com mais de 30 anos. "Eu acho que o sistema está se adaptando, que as pessoas não gostam [da ideia de] uma lagarta se transformando em borboleta", afirmou. "Não existe uma infância e depois uma vida adulta. As pessoas estão trilhando um caminho, estão em uma trajetória", conclui.
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19/03 - OMS cria comitê para debater futuro da edição genética humana
Além de pioneiro, comitê será formado por maioria feminina. Decisão ocorre após o cientista chinês He Jiankui ter editado os genes de duas bebês para torná-las imunes ao HIV. Técnica de edição genética Crispr foi descoberta em 2015 e mexeu com todas as perspectivas da comunidade científica. Divulgação A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou um comitê para decidir novos limites para as pesquisas e as aplicações clínicas da edição genética humana no mundo. A iniciativa é pioneira e será conduzida por um grupo formado por maioria feminina. Os especialistas trabalharão durante 18 meses, mas algumas decisões já foram tomadas em Genebra, na Suíça, nesta terça-feira (19). A primeira delas é trabalhar na criação de uma estrutura internacional para ser referência aos países com pesquisas na área. Os membros concordaram que os princípios fundamentais serão: transparência, inclusão e responsabilidade. O comitê também definiu que será criado um registro central para os cientistas incluírem o teor e os objetivos de seus estudos. Esse banco de dados deverá ser aberto para que todos tenham acesso aos trabalhos em andamento. Essa reunião da organização ocorre após a publicação de uma carta na revista "Nature". Nela, os principais envolvidos com a técnica para edição, incluindo o detentor da patente, Feng Zhang, pediram um acordo global para impor limites à edição do DNA. Maioria feminina Além de pioneiro no tema, o comitê da OMS também traz uma novidade em sua composição. O grupo terá maioria feminina: serão 11 mulheres e 7 homens. Segundo a Unesco, nos últimos anos, o número de mulheres envolvidas na ciência aumentou significativamente. No entanto, embora haja sinais encorajadores, as mulheres ainda estão sub-representadas na ciência. Hoje, elas representam apenas 30% dos pesquisadores do mundo e até mesmo menores porcentagens em níveis mais altos da hierarquia. Reação a edição de bebês A elaboração da carta e também a criação do comitê da OMS são respostas a uma notícia que mexeu com a comunidade científica no final de 2018. He Jiankui, um chinês da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul da China, disse ter editado os genes de duas bebês para torná-las imunes ao HIV. Os embriões, segundo ele, foram implementados e a mãe já estaria grávida das gêmeas. Ele foi demitido e proibido de continuar as pesquisas. Jiankui usou Crispr, a técnica de edição genética que pode colocar em xeque o futuro do DNA humano - dependendo de como vamos usá-la. Ela é uma forma relativamente barata e viável de editar o material genético dos seres vivos. As aplicações prometem ser de grande benefício ao planeta inteiro, desde que os limites para a manutenção da espécie sejam mantidos. Entenda o Crispr: a técnica de edição de DNA que pode ter criado bebês resistentes ao HIV O que dizem os cientistas O início da carta dos cientistas na "Nature" pedia um acordo global para todos os usos clínicos da edição da linha germinal dos seres humanos. Ou seja: um limite para a mudança do DNA hereditário – espermatozoides, óvulos e embriões – para não gerar crianças geneticamente modificadas. O grupo disse que o acordo não deve proibir definitivamente o uso do Crispr. No lugar disso, eles propõem a criação de uma estrutura ou instituição internacional com diversos países - como deve ocorrer com o novo comitê da OMS a partir de agora. Eles defenderam na carta que, enquanto todas as regras não estão bem debatidas e determinadas, deve ser proibida qualquer edição da linha germinal dos seres humanos. Os países podem seguir caminhos diferentes para suas pesquisas só depois que tudo estiver acordado. Segundo o texto, 30 nações já possuem algum tipo de legislação que direta ou indiretamente impede a edição de embriões, óvulos e espermatozoides. Os membros do comitê da OMS Os dois líderes nomeados serão Edwin Cameron e Margaret Hamburg. Leia uma pequena biografia: Edwin Cameron É juiz do Tribunal Constitucional da África do Sul desde 2009. Estudou na cidade de Stellenbosch e, depois, em Oxford. Trabalhou como advogado com foco nos diretos humanos durante o apartheid e foi nomeado juiz por Nelson Mandela em 1994. Na área da saúde, foi um crítico das políticas de negação à existência do HIV feitas pelo ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki. É autor da autobiografia chamada "Witness To Aids", com publicações no Rio Unido, Estados Unidos, Alemanha e China. Margaret Hamburg É reconhecida internacionalmente como referência em saúde pública. É presidente do conselho administrativo da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), maior organização científica do mundo. Margaret também trabalhou na FDA (U.S. Food & Drug Administration), uma "Anvisa" dos Estados Unidos. Além da AAAS, ela atua também nos conselhos de diversas fundações e revistas científicas importantes, como a "The Nature Conservancy". Outros membros: Mohammed Alquwaizani: farmacêutico clínico especializado em doenças infecciosas. Formou-se pela Faculdade de Farmácia e Ciências da Saúde de Massachusetts, nos Estados Unidos. Ewa Bartnik: professora geneticista da Universidade de Varsóvia. Principais áreas de interesse: papel das mitocôndrias nas doenças humanas e no envelhecimento, regulação da expressão gênica na mitocôndria, entre outros. Françoise Baylis: filósofa com trabalho inovador na área da bioética, com foco entre a política e a prática. É professora na Universidade de Dalhousie, no Canadá. Alena Buyx: é professora de Ética na Medicina e Tecnologias para a Saúde na Universidade Técnica de Munique, na Alemanha. É membro do conselho de ética alemão desde 2016. R. Alta Charo: é professora da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, na área de direito e bioética. É membro da Academia Nacional de Medicina, onde copresidiu o comitê que elaborou as diretrizes para as pesquisas com células-tronco embrionárias. Hervé Chneiweiss: neurologista e neurocientista. É chefe do departamento de Neurociência Paris Seine. Pesquisa a neurogenética das doenças humanas, como as perdas musculares do cérebro. Jantina de Vries: é professora de bioética no Departamento de Medicina da Universidade da Cidade do Cabo. Trabalha no desenvolvimento das melhores práticas éticas para as pesquisas genômicas e nos bancos biológicos na África. Cynthia Holland: fez licenciatura em direito na Universidade de Melbourne, na Austrália. Também é pós-doutora em na área de oncologia ginecológica. Maneesha Inamdar: é bióloga especialista em células-tronco. Ela desenvolve suas pesquisas em Bangalore, na Índia. Trabalha com um grupo de pesquisadores que estuda as ferramentas de edição genética das células-tronco em busca de novos modelos contra doenças. Kazuto Kato: professor de ética biomédica e políticas públicas da faculdade de Medicina da Universidade de Osaka, no Japão. Ele realizou o pós-doutorado na Universidade de Cambridge. Depois disso, passou a trabalhar com questões éticas e sociais relacionadas à ciência. Robin Lovell-Badge: é chefe do laboratório de células-tronco e genética do desenvolvimento do Instituto Francis Crick, no Reino Unido. Jamie Metzl: é especialista em tecnologia para o futuro e geopolítica. Já trabalhou com o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, no Departamento de Estado, e no Comitê de Relações Exteriores do Senado. Ana Sánchez Urrutia: estudou direito na Universidade do Panamá, mas obteve sua pós-graduação na Universidade de Barcelona. É membro do Observatório de Ética da instituição catalã. Jacques Simpore: tem dois doutorados, um em genética molecular e outro em bioética. É diretor do Centro de Pesquisa Biomolecular Pietro Annigoni. É membro da Academia Africana de Ciências (AAS). Anne Muigai: é uma geneticistas com mais de 15 anos de experiência em pesquisas da área. Atua em universidades públicas do Quênia. Zhai Xiaomei: é PhD em filosofia da ciência e bioética. É vice-presidente da Associação Asiática de Bioética.
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19/03 - ONU investiga se cereal distribuído em Uganda adoeceu 262 pessoas
Distribuição do alimento fortificado foi suspensa. Três mortes são investigadas. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o governo de Uganda estão investigando se um dos "super cereais" distribuídos pela agência da ONU em dois distritos do país tem relação com uma doença que já afetou 262 pessoas e causou a morte de três pessoas. Além disso, a diretora regional do PMA para a África Central, Erika Joergensen, explicou em comunicado que suspendeu a distribuição do "super cereal" (um alimento fortificado) no país enquanto ele é submetido a análises. Há uma semana, o Ministério da Saúde de Uganda recebeu um alerta de vários casos de intoxicação alimentar em Karamoja, no nordeste do país. Desde a terça-feira (12), 262 pessoas apresentaram sintomas de confusão mental, vômito, dor de cabeça, febre alta e dor abdominal, e 252 já receberam alta, segundo os números apresentados pelo PMA. Além disso, três mortes foram notificadas em 16 de março e estão sendo investigadas. O PMA recolheu amostras desse "super cereal" e da água das regiões afetadas, assim como dos pacientes, que estão sendo avaliados em Uganda e em Mombaça, no sudeste do Quênia, e os primeiros resultados podem ficar prontos nas próximas 24 horas. A agência da ONU distribuiu esse alimento fortificado em Uganda há 10 anos, e também em outros países, como um dos alimentos contra a desnutrição e para proteger gestantes e seus bebês em seus primeiros mil dias de vida. O PMA também decidiu paralisar a distribuição do mesmo lote de "super cereal" em Ruanda, Somália e Quênia, apesar de nenhum caso ter sido reportado nesses países.
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19/03 - Novo material pode substituir transplante de medula óssea, diz estudo
Cientistas russos desenvolveram revestimento capaz de restaurar estrutura interna de ossos danificados por doenças como osteoporose e osteomielite. Cientistas da Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia na Rússia desenvolveram nanomateriais capazes de restaurar a estrutura interna dos ossos danificados devido à osteoporose e osteomielite e potencialmente substituir o transplante de medula óssea. Um revestimento bioativo especial do material ajudou a aumentar a taxa de divisão das células ósseas em 3 vezes. No futuro, o material pode permitir o abandono do transplante de medula óssea e os pacientes não precisarão mais esperar pelo material doador adequado. Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista científica "Applied Surface Science" e divulgado nesta terça-feira (19). Doenças como osteoporose e osteomielite causam alterações degenerativas irreversíveis na estrutura óssea. Tais doenças requerem tratamento complexo sério e muitas vezes cirurgia e transplante da medula óssea destruída. O material do doador deve ter um número de indicadores de compatibilidade e até mesmo o grau de parentesco com o doador não pode garantir total compatibilidade. Novo material pode substituir transplante de medula óssea Pixabay O material é baseado em nanofibras de policaprolactona, que é um material auto-dissolúvel biocompatível. Anteriormente, o mesmo grupo de pesquisa já havia trabalhado com esse material: ao adicionar antibióticos às nanofibras, os cientistas conseguiram criar ataduras curativas não-mutáveis. "Se queremos que o implante funcione, não apenas a biocompatibilidade é necessária, mas também a ativação do crescimento celular natural na superfície do material. A policaprolactona, como tal, é um material hidrofóbico, ou seja, as células se sentem desconfortáveis ​​em sua superfície. Elas se agregam na superfície lisa e se dividem extremamente devagar", disse Elizaveta Permyakova, uma das pesquisadoras do estudo. Para aumentar a hidrofilicidade (a afinidade do material com água), uma fina camada de filme bioativo constituído de titânio, cálcio, fósforo, carbono, oxigênio e nitrogênio foi depositado sobre ele. A estrutura das nanofibras idênticas à superfície celular foi preservada. Estes filmes, quando imersos em um meio salino especial, cuja composição química é idêntica ao plasma sanguíneo humano, são capazes de formar em sua superfície uma camada especial de cálcio e fósforo, que em condições naturais forma a parte principal do osso. Devido à semelhança química e à estrutura das nanofibras, o novo tecido ósseo começa a crescer rapidamente nesta camada. Mais importante, as nanofibras de policaprolactona se dissolvem uma vez que cumprem suas funções. Apenas o novo tecido "nativo" permanece no osso. Na parte experimental do estudo, os pesquisadores compararam a taxa de divisão de células ósseas osteoblásticas na superfície do material modificado e não modificado. Verificou-se que o material modificado possui uma elevada hidrofilicidade. Em comparação com o material não-modificado, as células em sua superfície pareciam claramente mais confortáveis ​​e se dividiam três vezes mais rápido. Segundo os cientistas, tais resultados abrem grandes perspectivas para novos trabalhos com nanofibras de policaprolactona modificada como alternativa ao transplante de medula óssea.
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19/03 - 'Ciência é caminho para entender o mistério da existência humana', diz Marcelo Gleiser, vencedor do prêmio Templeton 2019
Prêmio reconhece a contribuição de personalidades para grandes questões da humanidade. O valor pago é de R$ 5,5 milhões. Marcelo Gleiser, vencedor do premio Templeton 2019 Dartmouth College/Eli Burakia/Divulgação O físico e astrônomo carioca Marcelo Gleiser, anunciado como o grande vencedor do Prêmio Templeton 2019 nesta terça-feira (19), não faz o tipo introspectivo que o estereótipo de cientistas poderia ter. Ao contrário: gosta de se expressar, é frequentemente chamado para dar palestras para diferentes audiências e, com mais de 100 artigos acadêmicos publicados, ele também é best-seller com livros que tratam a ciência de uma forma mais abrangente e reflexiva, voltado para o público em geral. Enquanto na obra acadêmica Gleiser se debruça sobre números, gráficos e tabelas em busca de pistas que ajudem a desvendar a formação do universo, na atuação pública ele expande a interpretação das tais evidências em busca da resposta à grande questão da humanidade: Afinal, quem somos? No mesmo dia em que completa 60 anos de idade, Gleiser foi anunciado como o vencedor do prêmio que reconhece a contribuição de personalidades para grandes questões da humanidade. O valor pago é de R$ 5,5 milhões. A cerimônia de premiação será em 29 de maio, em Nova York. Em entrevista ao G1, direto de New Hampshire, nos EUA, onde se dividia entre as ligações de jornalistas e familiares que queriam cumprimentá-lo pelo aniversário, Gleiser comentou o prêmio Templeton, sua obra acadêmica e literária e a visão de mundo que tenta responder quem somos nós no universo. Físico e Astrônomo Marcelo Gleiser ganha prêmio internacional Ciência para compreender o mistério "A ciência é o caminho para entendermos o mistério da existência humana", diz Marcelo Gleiser, que atua na área da cosmologia, que une física e astronomia para estudar as origens e propriedades do universo. "É mais ou menos o que o paleontólogo faz: a partir de ossos de dinossauro, reconstrói o passado. Buscamos pistas no universo para reconstruir a história desde o Big Bang até hoje", explica. Para ele, ciência e espiritualidade são dois lados de uma moeda só. “A ciência é a nossa metodologia mais poderosa para compreender o mundo natural. Mas, por outro lado, a ciência tem limite e oferece só um tipo de explicação”, diz. "A gente sabe que só vê parte da realidade. Essa conexão com o mistério que nos cerca, para mim, é profundamente espiritual. Meu discurso tem todo um lado ecológico e social. Informa pela ciência, mas constrói uma nova moral do século 21 para salvar nosso planeta e nossa espécie", diz. Físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser é o vencedor do Prêmio Templeton 2019 Ele não está sozinho. Grandes cientistas também se dedicaram ao deslumbramento filosófico da vida e da humanidade. No livro ‘Quantum questions: Mystical Writing of the World's Greatest Physicists’ (‘Perguntas quânticas: escritos místicos dos maiores físicos’, sem tradução para o português), Albert Einstein descreve no artigo ‘Cosmic Religious Feelling’ (Sentimento religioso cósmico) as suas reflexões sobre a existência humana no universo. Gleiser diz que se identifica com Einstein. “Eu me identifico muito com o que Einstein chama de ‘mistério cósmico religioso’. Essa urgência que temos de nos conectar. Isso é uma coisa que eu tenho, desde antes de ser cientista. Sou carioca, cresci indo da praia para as montanhas, vendo o céu estrelado. Dentro da ciência, em raros momentos da vida profissional você faz uma descoberta e, quando vê alguma coisa acontecendo na sua frente, você sente um frio no estômago. Você diz: 'Caramba, eu consegui vislumbrar uma coisa que nem todo mundo conseguiu. Uau.' É um momento que acontece, através da ciência mais racional, mas que leva para este sentimento", explica ele, que se declara agnóstico, e não ateu, porque “não posso dizer que não acredito naquilo que não sei se existe”. Para ele, a visão que ele emprega sobre a ciência também pode ser adotada em outras áreas, incluindo a economia e a gestão de pessoas. “No meu último livro ['A simples beleza do inesperado’, Ed. Saraiva] eu mostro como nosso planeta e nossa espécie é rara. Meu discurso tem todo um lado ecológico e social. Informa pela ciência, mas constrói uma nova moral do século 21 para salvar nosso planeta e nossa espécie”, diz. Em 1998, Gleiser ganhou o prêmio Jabuti com a publicação ‘Dança do Universo’ e, em 2002, foi novamente premiado com o livro ‘O fim da Terra e do Céu’. Em 2006, ele apresentou a série de 12 episódios 'Poeira das Estrelas', no Fantástico. Gleiser fundou em 2016 o ICE (Instituto de Engajamento à Interdisciplinariedade) em Dartmouth, com a ideia de promover o diálogo construtivo entre as ciências naturais e humanas, seja na esfera pública ou acadêmicas. O instituto tem apoio da fundação John Templeton. Prêmio Templeton O prêmio Templeton foi criado para "servir como um catalisador filantrópico para descobertas relacionadas às questões mais profundas que a humanidade enfrenta", de acordo com a instituição. A Fundação apoia pesquisas que vão desde a complexidade, evolução e emergência até a criatividade, perdão e livre-arbítrio. De acordo com a fundação responsável pelo prêmio, Gleiser foi o escolhido pelo conjunto do seu trabalho que, ao longo dos anos, evoluiu para a quebra de simetria, transições de fase e estabilidade de sistemas físicos, conceitos que influenciaram sua crítica às "teorias de tudo". "O prêmio celebra o trabalho de muitos indivíduos maravilhosos, incluindo alguns dos grandes físicos e cientistas de nosso tempo, cujas pesquisas exploraram questões de significado e valor além dos limites tradicionais de suas disciplinas. Pensar que um dia eu seria incluído em um grupo distinto, sendo um imigrante do Brasil, é inacreditável ", disse Gleiser no site do Dartmouth College. Além de Gleiser, a fundação já premiou 48 pessoas desde que foi criada em 1972. Entre eles estão Madre Teresa (1973), Dalai Lama (2012) e o Arcebispo Desmond Tutu (2013). "Eu me sinto profundamente honrado em fazer parte deste grupo especial de pessoas, tanto líderes religiosos quanto cientistas", diz. Marcelo Gleiser, físico e astrônomo brasileiro, foi o grande vencedor do prêmio Templeton de 2019. Dartmouth College/Eli Burakia/Divulgação
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19/03 - Insônia, falta de ar e angústia: conheça os sintomas da intoxicação causada pelo café
A cafeína é uma substância psicoativa que afeta diretamente o cérebro e pode gerar sintomas similares ao da ansiedade generalizada em pessoas sensíveis. café Pixabay O jornalista brasileiro Andrei Netto, 42 anos, que vive e trabalha em Paris, começou a ter insônia por volta dos 36 anos. Como cobriu guerras e vivenciou experiências violentas ao longo de sua carreira, inicialmente atribuiu o sintoma a algum tipo de stress pós-traumático e chegou a buscar terapia. “Ficava acordado, não conseguia dormir e tinha que levantar e fazer outra coisa. Esse problema do sono veio acompanhado de uma certa angústia e de uma dificuldade para respirar”, conta. Há cerca de dois anos, conversando sobre o assunto com sua sobrinha, a solução ao problema surgiu de maneira inesperada. “Ao me ver fazendo café, perguntou: você já pensou em parar de tomar café? Pensei: é isso.” O jornalista passou a testar sua tolerância à bebida, tomando dia sim, dia não, ou intercalando com intervalos maiores, para ver se seus sintomas melhoravam. “Toda vez que eu voltava a tomar regularmente, por três ou quatro dias seguidos, os efeitos reapareciam”, conta. O repórter decidiu então cortar o café e notou que seu sono e sua respiração voltaram ao normal. A angústia também desapareceu. “Por algum motivo, que desconheço, o café causava um certo grau de intoxicação”, deduziu. Levamos o caso do jornalista a Xavier Laqueille, chefe do setor de Psiquiatria do hospital Sainte Anne, um dos mais renomados da capital francesa, especializado em dependência química. Ele confirmou a impressão do repórter: Andrei foi provavelmente vítima de uma intoxicação ao café, um estimulante desaconselhado para quem tem sensibilidade à substância, geralmente perfis ansiosos. “Os efeitos do café são muito mais longos do que pensamos e, além disso, cumulativos. Quando tomamos um café, podemos ter sintomas de ansiedade ou insônia até 15 horas depois”, explica. “Não é um problema grave, mas quando existe essa complicação, é bem desagradável, e é preciso lembrar do café e seus efeitos”, afirma. O excesso da cafeina, diz, pode gerar também ataques de pânico, vertigens, diarreia e vontade frequente de urinar. “Habitualmente, quanto temos problemas induzidos por substâncias, existe uma sensibilização: quer dizer, podemos ter diferentes sensações com doses cada vez menores. É preciso prudência”, declara. O psiquiatra também lembra que, quando a pessoa interrompe o consumo e volta tomar café, uma pequena xícara já é suficiente para provocar o reaparecimento dos sintomas. Café prejudica sono profundo A pesquisadora Julie Carrier é diretora científica da rede canadense sobre o sono e o ritmo biológico, da Universidade de Montreal. Estudos realizados em seu laboratório mostraram que o café afeta o sono, mesmo consumido em pequena quantidade. “As pessoas de um modo geral sabem que a cafeína pode gerar dificuldades para dormir ou fazê-las acordar à noite, mas poucas têm noção de que a substância diminui o chamado sono lento e profundo”, diz. Essa fase, conhecida como REM, abreviação de “rapid eyes mouvement” é essencial para o repouso e para a cognição. Os olhos se mexem, a atividade cerebral é intensa e os músculos ficam paralisados. É nesse momento da noite que sonhamos. Privar-se do chamado sono paradoxal aumenta o risco de ter doenças como o mal de Parkinson ou o Mal de Alzheimer, por exemplo, além de outros problemas de saúde. Segundo a pesquisadora, mesmo entre as pessoas que se consideram “resistentes” ao café, há mudanças na estrutura do sono. A especialista e sua equipe estudaram os efeitos da cafeina no cérebro de adultos de mais de 40 anos - a partir da meia-idade, a qualidade do sono profundo tende a diminuir naturalmente. Os 75 participantes da pesquisa consumiam diariamente de 2 a 3 cafés por dia. O resultado mostrou que, independentemente da sensibilidade individual, o café atrapalhava a chamada "arquitetura cerebral do sono profundo". “A questão real, penso eu, é: por que precisamos consumir a cafeína? Deveríamos ser capazes de ter um nível de atenção e vigilância sem precisar de café para nos mantermos acordados”, afirma a pesquisadora, lembrando que, se for por uma questão de gosto, “existem ótimos descafeinados”. “Uma boa droga”, diz farmacêutico francês O farmacêutico francês Jean Costentin, professor honorário da faculdade de Medicina René-Descartes Paris V, dirigiu por 30 anos um centro de pesquisa de Neuropsicofarmacologia. Ele também é o autor de um livro, “Café, Chá e Chocolate – os benefícios para o cérebro e para o corpo”, e defende que, apesar do café ser considerado como uma droga, “é uma boa droga.” Ele mesmo diz que consome varias xícaras da bebida por dia. O café, diz, ajuda a bloquear o efeito do álcool e protege o fígado. Além disso, tem substâncias, como o polifenol, que captura radicais livres, grupos de átomos combinados em moléculas orgânicas ou inorgânicas que atacam o DNA e aceleram o envelhecimento. O café também tem um efeito benéfico nas células do pâncreas que metabolizam a insulina, e agiria como prevenção no Diabetes tipo 2. O professor francês reconhece, entretanto, que a bebida afeta o sono e pode provocar ansiedade em função de cada metabolismo. Ele explica que, quando tomamos café, o intestino absorve a cafeína e a substância é absorvida no fígado, onde funcionamento das enzimas hepáticas vai determinar as reações em cada indivíduo. Uma parte das pessoas transforma a cafeína por oxidação em moléculas de paraxantina e teofilina, substâncias com efeitos benéficos no organismo. Em outras, os resíduos de cafeina entram na circulação sanguínea e atingem diretamente o cérebro, interferindo em receptores do sistema nervoso, como a adrenalina. “Essa cafeína no sangue e no cérebro vai provocar ansiedade”, explica o professor francês. Taquicardia ou dificuldade para dormir são sinais de que é melhor evitar o café e dar preferência ao chá, que diluído na água, tem efeitos mais tênues. A dependência também é um alerta de que é melhor ficar longe do cafezinho. “São pessoas, por exemplo, que vão tomar café todos os dias da semana no trabalho e beber quatro ou seis xícaras. No sábado, consomem menos cafeina e no domingo acordam com dor de cabeça, de mau humor e irritadas”, diz o especialista. A sensação é a de uma verdadeira crise de abstinência", ressalta o professor francês. Hábito francês Para o técnico de som francês Matthieu Pontille, 28 anos, tomar café -um hábito que faz parte da cultura francesa- é um momento de relaxamento. “Em geral, tomo dois cafés de manhã. Se não trabalho, três. Depois, só tomo descafeinado”, diz. Mas, às vezes, quando abusa, sente taquicardia e stress. “E variável e não acontece sempre. Mas é evidente que, a longo prazo, se não prestamos atenção na quantidade de café consumido, há picos de stress e o efeito é exatamente o contrário daquele que procuramos, que é de relaxar um pouco. E ai que precisamos prestar atenção na dose”, conclui.
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19/03 - Físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser é o vencedor do Prêmio Templeton 2019
Ele é o primeiro latino-americano a ganhar o prêmio, criado em 1972, e vai receber 1,1 milhão de libras esterlinas, o equivalente a R$ 5,5 milhões. 'A ciência não mata Deus', diz. Marcelo Gleiser, vencedor do premio Templeton 2019 Dartmouth College/Eli Burakiae/Divulgação O físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser é o vencedor do Prêmio Templeton 2019, anunciou a fundação responsável pela premiação nesta terça-feira (19). Ele é o primeiro latino-americano a ganhar o prêmio, criado em 1972, e vai receber 1,1 milhão de libras esterlinas, o equivalente a R$ 5,5 milhões. A cerimônia de premiação será em 29 de maio, em Nova York. "[Ele é] Um dos principais proponentes da visão que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares que a humanidade precisa para abraçar o mistério e explorar o desconhecido", diz Heather Templeton Dill, presidente da fundação John Templeton, no vídeo que anuncia o premiado (veja abaixo). Gleiser tem 60 anos e vive atualmente nos Estados Unidos, onde ensina física e astronomia no Dartmouth College, em Hanover, New Hampshire. Físico e Astrônomo Marcelo Gleiser ganha prêmio internacional Ele já teve mais de 100 artigos revisados e publicados até o momento e pesquisas sobre o comportamento de campos quânticos e partículas elementares e a formação inicial do universo, a dinâmica das transições de fase, a astrobiologia e as novas medidas fundamentais de entropia e complexidade baseadas em teoria da informação. Agnóstico, seu trabalho se destaca por demonstrar que ciência e religião não são inimigas. "A compreensão e a exploração científica não é apenas sobre a parte material do mundo. Minha missão é trazer para a ciência e para os interessados na ciência esse apego ao mistério. Fazer o público entender que ciência é apenas mais uma maneira de entendermos quem somos", disse Gleiser no vídeo que anuncia o prêmio. Físico e astrônomo brasileiro Marcelo Gleiser é o vencedor do Prêmio Templeton 2019 'A ciência não mata Deus' "O ateísmo é inconsistente com o método científico", afirmou Gleiser à AFP na segunda-feira no Dartmouth College da Universidade de New Hampshire, onde é professor desde 1991. "Devemos ter a humildade para aceitar que estamos cercados de mistério". Sobre a teoria religiosa de criação da Terra em sete dias, Gleiser diz que não há inimigos. "Eles consideram a ciência como o inimigo, porque têm um modo muito antiquado de pensar sobre ciência e religião, no qual todos os cientistas tentam matar Deus", disse. "A ciência não mata Deus", completa. Gleiser fundou em 2016 o ICE (Instituto de Engajamento à Interdisciplinariedade) em Dartmouth, com a ideia de promover o diálogo construtivo entre as ciências naturais e humanas, seja na esfera pública ou acadêmicas. O instituto tem apoio da fundação John Templeton. Em 2006, ele apresentou a série de 12 episódios 'Poeira das Estrelas', no Fantástico. Prêmio Templeton O prêmio Templeton foi criado para "servir como um catalisador filantrópico para descobertas relacionadas às questões mais profundas que a humanidade enfrenta", de acordo com a instituição. A Fundação apoia pesquisas que vão desde a complexidade, evolução e emergência até a criatividade, perdão e livre-arbítrio. De acordo com a fundação responsável pelo prêmio, Gleiser foi o escolhido pelo conjunto do seu trabalho que, ao longo dos anos, evoluiu para a quebra de simetria, transições de fase e estabilidade de sistemas físicos, conceitos que influenciariam sua crítica às "teorias de tudo". "O prêmio celebra o trabalho de muitos indivíduos maravilhosos, incluindo alguns dos grandes físicos e cientistas de nosso tempo, cujas pesquisas exploraram questões de significado e valor além dos limites tradicionais de suas disciplinas. Pensar que um dia eu seria incluído em um grupo distinto, sendo um imigrante do Brasil, é inacreditável ", disse Gleiser no site do Dartmouth College. Além de Gleiser, a fundação já premiou 48 pessoas desde que foi criada em 1972. Entre eles estão Madre Teresa (1973), Dalai Lama (2012) e o Arcebispo Desmond Tutu (2013). Marcelo Gleiser, físico e astrônomo brasileiro, foi o grande vencedor do prêmio Templeton de 2019. Dartmouth College/Eli Burakia/Divulgação
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19/03 - Pesquisa aponta megapantanal com jacarés de 12 metros na Amazônia há 8,5 milhões de anos
Com 1 milhão de km², o chamado Lago Pebas também abrigava tartarugas de 3 m e capivaras gigantes. Laboratório de Paleontologia da USP em Ribeirão Preto estuda espécies na região. Reprodução mostra Purussaurus, jacaré com 12,5 metros de comprimento que viveu no Brasil Tito Aureliano/Divulgação Um megapantanal com quase 1 milhão de quilômetros quadrados, onde viviam jacarés com 12 metros de comprimento, tartarugas com 3 metros de diâmetro e capivaras do tamanho de búfalos. Assim era a Floresta Amazônica há milhões de anos, segundo descrevem os pesquisadores do Laboratório de Paleontologia da USP em Ribeirão Preto (SP). Durante quatro anos, entre 2013 e 2016, os paleontólogos recolheram amostras de solo e fósseis preservados nos barrancos dos rios Acre e Purus, nos municípios de Senador Guiomard (AC) e Manuel Urbano (AC). Com base nesses materiais, o grupo tenta montar o “quebra-cabeça” da história e da formação da Amazônia atual. Os primeiros estudos apontam indícios de que há 8,5 milhões de anos o Rio Amazonas já corria na direção atual, ou seja, da Cordilheira dos Andes para o Atlântico. Antes dessa cadeia de montanhas se formar, era o oceano que desaguava nessa região, a partir de uma abertura que existia no norte do continente sul-americano. “Quando o Andes vai se erguendo, entre 7 e 10 milhões de anos atrás, os rios mudam de direção e passam a correr em direção ao Atlântico. A abertura no norte se fecha e o ápice disso, que vai ocorrer entre 3 e 4 milhões de anos atrás, é a formação do istmo do Panamá”, explica o biólogo e pesquisador Marcos César Bissaro Júnior. Denominado Lago Pebas, o megapântano alcançava regiões da Bolívia, do Peru, da Colômbia e dos estados do Acre e do Amazonas, e abrigava espécies que, assim como a área alagada, também eram gigantes. Um exemplo deles é o Stupendemys, que em grego significa tartaruga estupenda, que chegava a 3,3 metros de comprimento. Já o Purussaurus, um super jacaré duas vezes mais forte que o Tiranossauro Rex, tinha até 12,5 metros de comprimento e pesava 8 toneladas. Segundo os pesquisadores, o animal se alimentava de grandes capivaras, peixes, tartarugas e até crocodilos menores. Para satisfazer sua fome eram necessários 40 quilos de carne por dia. Doutor em paleontologia, Bissaro Júnior afirma que a maioria dos animais que viveu nessa região tinha hábitos aquáticos ou semiaquáticos. Mas, também existiam espécies terrestres, como tatus e preguiças gigantes. Esses fósseis, no entanto, são mais difíceis de serem encontrados, justamente porque não ficaram preservados na lama. “Havia primatas, havia outros bichos, mas é difícil achar. Por exemplo: aves, a gente tem três ou quatro fósseis. A gente não pode dizer que não tinha, que todos viviam em meio aquático. A gente tinha animais com hábitos terrestres, mas esses fósseis são mais difíceis de achar por causa da sedimentação”, diz o pesquisador. Pesquisadores no sítio paleontológico Talismã, no Rio Purus, em Manuel Urbano (AC) Laboratório de Paleontologia de Ribeirão Preto/Divulgação Supervisora da pesquisa, a professora Annie Schmaltz Hsiou afirma que há mais de 30 anos paleontólogos da Universidade Federal do Acre (Ufac) já estudam a fauna e a flora que existiu nessa região durante o período Mioceno, entre 23 milhões e 5,3 milhões de anos atrás. Esse grupo, inclusive, é parceiro no estudo atual. Desde a década de 1980, os pesquisadores já encontraram fósseis de jacarés, peixes, roedores, tartarugas, aves e preguiças na região do Rio Acre, onde está o sítio paleontológico Niterói. Já nos barrancos do Rio Purus, no sítio paleontológico Talismã, também estavam preservados restos de serpentes e de litopternos, os ancestrais dos cavalos e camelos. “Essa fauna configura, provavelmente, uma área de grande endemismo. A Amazônia, pelo que a gente está vendo, sempre foi uma zona quente, de biodiversidade. Então, a gente percebe esse fenômeno de continuidade, de transformação. A extinção desses bichos é só uma vírgula dentro da história da evolução”, detalha Annie. Publicado em 15 de fevereiro na versão impressa da revista científica norte-americana “Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology”, o estudo também conta com a participação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Boise State University, nos Estados Unidos. O biólogo Marcos César Bissaro Júnior com a orientadora do estudo, a paleontóloga Annie Schmaltz Hsiou Adriano Oliveira/G1 Segundo Bissaro Júnior, o ineditismo do trabalho é a descoberta da data de sedimentação dos rios Purus e Acre. Até então, acreditava-se que o Lago Pebas secou há mais de 10 milhões de anos, antes mesmo da reversão do Rio Amazonas. Mas, a partir da análise do mineral zircão recolhido pelos paleontólogos de Ribeirão Preto nos barrancos dos dois rios foi possível identificar que as rochas do Acre estão depositadas no local há menos tempo: cerca de 8,5 milhões de anos atrás. No Rio Purus, no entanto, a sedimentação ocorreu há 10,8 milhões de anos. A próxima etapa do projeto, que conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é identificar como e em quanto tempo os grandes animais desapareceram, com o esvaziamento do megapantanal. “A bacia que formava o Pebas escoou e se transformou em todos os rios amazônicos. A gente está tentando entender as mudanças ambientais até a extinção desses animais, que está ligada à biodiversidade da Amazônia atual. Ela só é assim porque a gente teve toda essa história de extinções, de desenvolvimento, de transformação”, conclui. Pesquisadores no sítio paleontológico Talismã, no Rio Purus, em Manuel Urbano (AC) Laboratório de Paleontologia de Ribeirão Preto/Divulgação Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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19/03 - Com que idade a gente se sente com 65 anos?
Estudo mostra uma variação de até três décadas entre os habitantes dos países pesquisados Você ainda está na casa dos 50, mas já se sente acabado? Ou passou dos 70 conservando a mesma energia de uma década atrás? Estudo divulgado no começo do mês mostra como indivíduos de diferentes países podem ser classificados em relação à sua saúde. A questão proposta pelos pesquisadores era descobrir com que idade uma pessoa se sente com 65 anos e o resultado do trabalho indicou uma variação de até 30 anos, dependendo de onde se nasce. No Japão e na Suíça, por exemplo, foi encontrada a relação mais favorável: na média, os idosos de 76 anos têm uma saúde equivalente à de quem tem 65, ou seja, é como se fossem 11 anos mais jovens do que consta em suas certidões de nascimento. Estudo mostra como indivíduos de diferentes países podem ser classificados em relação à sua saúde By Kyle Lease from Mexico / https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=19094788 A França praticamente empata, enquanto, nos Estados Unidos, a diferença é de apenas três anos: um indivíduo de 68.5 tem o perfil de um de 65. No entanto, na Papua Nova Guiné, aos 46 anos as pessoas apresentam problemas compatíveis com quem tem 65, isto é, quase 20 anos a mais. Igualmente na lanterna estão as Ilhas Marshall, que também ficam na Oceania, e o Afeganistão: em ambos, quem tem 51 apresenta um perfil de 65. O trabalho, o primeiro com este tipo de abordagem, foi publicado na “The Lancet Public Health”. Os pesquisadores utilizaram os dados do Global Burden of Diseases relativos a 195 países, entre 1990 e 2017. Esse é um levantamento que computa todo tipo de fator de risco que leva a uma morte prematura ou a alguma incapacidade – por isso é chamado de índice do peso das doenças para cada nação. Para fazer um recorte que abrangesse apenas os idosos, eles analisaram 92 condições relacionadas ao envelhecimento. Para a doutora Angela Chang, coordenadora do estudo e membro do Center for Health Trends and Forecasts da Universidade de Washington, que estuda tendências no campo da saúde, uma disparidade tão grande é um sinal de alerta: “o aumento da expectativa de vida pode ser uma oportunidade ou uma ameaça, dependendo dos serviços disponíveis para a população. Governos e lideranças políticas deveriam se mobilizar para evitar que as pessoas sofressem com os efeitos negativos do envelhecimento”.
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18/03 - Nasa detecta intensa explosão de meteorito na atmosfera da Terra
Caso é o segundo mais forte em 30 anos, segundo a Nasa. Fenômeno foi dez vezes mais poderoso que a bomba de Hiroshima. A agência espacial dos Estados Unidos (Nasa) informou a ocorrência de uma explosão de meteorito na atmosfera da Terra ocorrida em 18 de dezembro do ano passado. Segundo os especialistas, o fenômeno foi dez vezes mais poderoso que a bomba atômica lançada sobre Hiroshima, no Japão, em 1945. A explosão, que foi detectada pelos satélites militares dos EUA, aconteceu sobre o mar de Bering, em frente à península de Kamtchatka, uma região remota da Rússia. A agência informou que essa explosão foi a segunda mais forte do tipo nos últimos 30 anos e se trata do maior meteorito a chegar à atmosfera da Terra desde o que impactou Cheliabinsk, na Rússia, em fevereiro de 2013. Nesse caso, a onda gerada pelo impacto deixou mais de mil feridos. O asteroide que chegou à atmosfera terrestre no final do ano passado estava a uma velocidade de 32 quilômetros por segundo. De acordo com a Nasa, ele explodiu 25,6 quilômetros acima da superfície da Terra, com uma energia de impacto de 173 quilotons – a bomba de Hiroshima tinha 16 quilotons. Meios de comunicação especializados informaram que o meteorito viajou próximo a uma área "não muito distante" das rotas utilizadas pelos aviões comerciais que voam entre a América do Norte e a Ásia. Os pesquisadores da agência espacial estão pedindo qualquer registro de avistamento feito pelas companhias aéreas.
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18/03 - Mulher dá à luz sêxtuplos em hospital dos EUA
Parto foi feito em hospital no Texas. Mãe e filhos passam bem, segundo informações do hospital. Thelma Chiaka deu à luz sêxtuplos na sexta-feira (15) em Houston, nos EUA. Segundo comunicado do hospital, as chances de uma gravidez de sêxtuplos é rara: 1 a cada 4,7 bilhões. Thelma deu à luz dois pares de gêmeos meninos e um par de gêmeas meninas. As meninas já ganharam nomes: Zina e Zuriel. Os pesos dos bebês variam entre 500 gramas e 900 gramas, mas todos passam bem e estão na unidade de tratamento intensivo neonatal, de acordo com comunicado do hospital. A mãe também se recupera bem. Thelma Chiaka Woman’s Hospital of Texas/Divulgação
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18/03 - As dicas de um chef Michelin para uma vida mais saudável depois de ter perdido 76kg
Britânico Tom Kerridge, chef de cozinha estrelado no guia Michelin, chegou a pesar 190 quilos antes de resolver mudar sua alimentação e estilo de vida. Tom Kerridge perdeu 76 quilos depois de mudar sua alimentação BBC O britânico Tom Kerridge, chef de cozinha estrelado no guia Michelin, passou por uma transformação radical nos últimos anos: ele conseguiu perder 76 quilos dos 190 que chegou a pesar. Como ele fez isso? Quando começou sua carreira, Kerridge investiu todo seu tempo e energia expandindo seus negócios de pubs gastronômicos, agraciados com estrelas do guia Michelin. Ele trabalhava cerca de 90 horas por semana - e amava essa rotina. "A vida de um chef é rock'n'roll: você trabalha até tarde da noite e acorda cedo. Você praticamente desiste de dormir porque está ocupado demais trabalhando duro", diz. Esse estilo de vida acelerado prejudicou muito a saúde de Kerridge. Sob pressão para manter suas duas estrelas de Michelin, Kerridge precisava lançar novos pratos e drinks - ele provava cada um deles todas as noites. "Você não para à meia-noite e vai para casa dormir. Então o álcool virou uma parte importante na minha vida", diz Kerridge. Ele admite que "consumiu todas as coisas erradas nas horas erradas". Os restaurantes de Tom Kerridge são reconhecidos no guia Michelin BBC "Eu não tinha respeito pelo que eu comia nem sobre o que estava fazendo com meu corpo", diz. Em seu aniversário de 40 anos, ele despertou para uma nova rotina. "Eu pensei: 'se eu continuar do jeito que estou indo, não vou estar aqui nos próximos 40 anos'", diz Kerridge. De um dia para o outro, ele parou de beber bebidas alcóolicas e ingerir alimentos ricos em açúcar e carboidratos. Ao longo de três anos, Kerridge perdeu 76 quilos - 40% de seu peso - e conseguiu manter seu peso saudável desde então. Kerridge acredita que uma das coisas que o levaram a ganhar peso foi comer alimentos congelados ou pré-prontos durante as refeições. É por isso que, em seu último livro, Fresh Start: How to Cook Amazing Food at Home (Novo começo: Como cozinhar uma comida surpreendente em casa, em tradução livre), ele incentiva as pessoas a voltar para a cozinha. Abaixo, Tom Kerridge lista cinco dicas para uma alimentação mais saudável. Dica 1 - Não se concentre na ideia de dieta de curto prazo Escolha uma maneira de comer que combine com você, algo que seja permanente e que não funcione apenas por um curto prazo. Muita gente pensa que dietas são sobre perder peso - atualmente, elas são mais sobre comer de forma saudável e sustentável. Dica 2 - Mexa-se Faça exercícios quando você puder. E aproveite. Passo de seis a quatro horas por semana na academia e na natação. Encontre algo que você goste de fazer e o faça com frequência. Dica 3 - Cozinhe em casa e use ingredientes frescos Volte para a cozinha e comece a brincar com a comida, use ingredientes frescos. Aproveite esses momentos. Todo mundo fala que tem pouco tempo para cozinhar, mas acho que é uma questão de prioridades. Você pode cozinhar uma quantidade maior e depois colocar no freezer. Dica 4 - Envolva seus amigos e família Conte às pessoas que você quer ficar em forma e perder peso. Se elas são seus amigos de verdade, vão apoiá-lo, vão querer fazer parte da sua jornada. Incentive seus filhos a fazer parte - não é apenas sobre você, e sim sobre a família. Dica 5 - Use sua força de vontade para lutar contra a tentação Você precisa usar sua força de vontade, e isso provavelmente é a parte mais difícil porque muitas vezes sua mente vai pedir "só" um pedaço de pizza ou um sorvete. Você precisa lutar contra isso. Não importa o quão difícil é ir para a academia ou natação - depois que você fizer exercícios, vai se sentir muito bem. Lutar contra tudo com força de vontade e se mantenha forte.
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17/03 - Vale a pena tomar probiótico após tratamento com antibiótico?
É comum tomar probióticos para repor a flora intestinal após um ciclo de antibióticos, mas pesquisas mostram que pode não ser tão eficaz quanto parece. Alimentos Probióticos garantem bom funcionamento do seu intestino Ilustração Os probióticos são apresentados como tratamento para uma série de condições - da obesidade a problemas de saúde mental. Um dos usos mais comuns é a reposição da flora intestinal após um ciclo de antibióticos. A lógica é a seguinte: os antibióticos destroem o microbioma - comunidade de micro-organismos que vive no intestino - junto com as bactérias que podem estar causando a infecção, de modo que a ingestão de probióticos (micro-organismos vivos) pode ajudar a restaurá-lo. Embora pareça fazer sentido, há poucas provas de que os probióticos realmente funcionem se utilizados dessa maneira. Pesquisadores descobriram, na verdade, que tomar probióticos após o uso de antibiótico atrasa a recuperação da saúde intestinal. Há probióticos melhores que os outros? Parte do problema é a variedade de coisas associadas ao termo probiótico. Para os cientistas, pode ser uma cultura viva de micro-organismos que normalmente habitam o intestino humano saudável. Mas, para os consumidores, os produtos vendidos nos supermercados - como iogurtes e suplementos - não correspondem a essa definição. Mesmo quando os pesquisadores usam cepas bacterianas vivas em suas pesquisas, o coquetel varia de um laboratório para outro, o que dificulta a comparação. "Esse é o problema: não há estudos suficientes sobre qualquer probiótico específico para dizer que este funciona e esse não", diz Sydne Newberry, da instituição Rand Corporation, que realizou um amplo estudo de meta-análise sobre o uso de probióticos para tratar diarreia induzida por antibióticos em 2012. A pesquisa - que analisou 82 estudos com quase 12 mil pacientes - mostrou um efeito positivo dos probióticos na redução do risco de diarreia causada por antibióticos. Mas devido à variação - e às vezes à falta de clareza - com que as cepas bacterianas foram usadas, não foi possível identificar ou recomendar probióticos ou coquetéis específicos que funcionassem. Desde o estudo da Rand Corporation, realizado em 2012, as evidências que sustentam o uso de probióticos após tomar antibióticos não mudaram muito. "É por isso que é tão problemático. Há mais estudos do que quando fizemos a revisão, mas não o suficiente para dizer conclusivamente se os probióticos funcionam ou não. Tampouco o suficiente para dizer quais funcionam", afirma Newberry. Uma preocupação em particular é a falta de pesquisas sobre a segurança no uso de probióticos. Embora geralmente sejam considerados inofensivos em pessoas saudáveis, há relatos preocupantes de efeitos colaterais - como fungos se alastrando na corrente sanguínea - entre pacientes mais vulneráveis. Probióticos em pessoas saudáveis Probióticos Unsplash/Divulgação Uma pesquisa recente realizada por cientistas do Instituto Weizmann de Ciência em Israel descobriu que, mesmo entre pessoas saudáveis, tomar probióticos depois de um ciclo de antibiótico não era inofensivo. Na verdade, eles dificultaram os processos de recuperação intestinal que em tese deveriam acelerar. Os pesquisadores, liderados por Eran Elinav, deram a 21 pessoas um ciclo de antibióticos de amplo espectro por uma semana. Depois disso, fizeram uma colonoscopia e uma endoscopia do trato gastrointestinal superior para examinar o estado do microbioma. "Como esperado, muitas mudanças importantes ocorreram em relação aos micróbios - muitos morreram por causa dos antibióticos", diz Elinav. Os participantes foram divididos então em três grupos. No primeiro, não houve intervenção após os antibióticos - a ideia era esperar para ver. O segundo tomou um probiótico comum por um mês. E o terceiro foi submetido a um transplante fecal - uma pequena amostra de suas próprias fezes, coletada antes do início do uso do antibiótico, foi devolvida ao cólon assim que o tratamento terminou. A descoberta surpreendente foi que o grupo que tomou probióticos apresentou a resposta mais fraca em termos de microbioma e o que mais levou tempo para recuperar a saúde intestinal. Mesmo no fim do estudo - após cinco meses de acompanhamento - esse grupo ainda não havia atingido o nível de saúde intestinal pré-antibiótico. "Nós encontramos um efeito adverso potencialmente alarmante de probióticos", diz Elinav. A boa notícia, no entanto, é que o grupo que recebeu o transplante fecal se saiu muito bem. Em poucos dias, os participantes reconstituíram completamente seu microbioma original. "Muitas pessoas tomam antibióticos ao redor do mundo. Precisamos tentar entender melhor esse efeito adverso potencial que não havíamos percebido", afirma Elinav. E há cada vez mais evidência de que tomar probióticos quando a saúde intestinal está fragilizada não é uma boa ideia. Outro estudo recente mostrou que os probióticos não fazem bem para crianças pequenas internadas com gastroenterite. Em um experimento nos EUA, 886 crianças com gastroenterite com idade entre três meses e quatro anos tomaram um ciclo de cinco dias de probióticos ou placebo. A taxa de gastroenterite moderada a grave continuada dentro de duas semanas foi ligeiramente maior (26,1%) no grupo que tomou probiótico do que no grupo com placebo (24,7%). E não houve diferença entre os dois grupos em termos da duração da diarreia ou vômito. Mercado bilionário de probióticos Apesar de evidências como essa, a demanda por probióticos é enorme e crescente. Em 2017, esse mercado foi avaliado em mais de US$ 1,8 bilhão, e a previsão é que atinja US$ 66 bilhões até 2024. "Dado o envolvimento pesado da indústria, conclusões claras sobre o quão úteis são os probióticos ainda precisam ser comprovadas", diz Elinav, do Instituto Weizmann de Ciência em Israel. "Essa é a razão pela qual autoridades regulatórias, como a agência que controla os alimentos e medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) e os órgãos reguladores europeus ainda não aprovaram um probiótico para uso clínico." Mas isso não quer dizer que os probióticos devam ser descartados por completo. O problema parece estar mais no modo de utilização do que no uso em si. Muitas vezes os probióticos são comprados no supermercado, mas os consumidores podem não saber exatamente o que estão levando para casa ou mesmo se a cultura ali ainda está viva. Quem deve usar probióticos? O grupo do Instituto Weizmann de Ciência também pesquisou sobre quem poderia se beneficiar dos probióticos. Ao medir a presença de certos genes relacionados ao sistema imunológico, a equipe conseguiu prever quem seria receptivo às bactérias probióticas para colonizar o intestino, e aqueles em que elas simplesmente "passariam batido" sem se instalar. "Isso é muito interessante e importante, pois indica que nosso sistema imunológico também participa das interações com bactérias [probióticas]", explica o pesquisador Elinav. Isso abre caminho para o desenvolvimento de tratamentos probióticos personalizados com base no perfil genético de cada um. Um sistema assim é "realista e poderia ser desenvolvido relativamente em breve", de acordo com Elinav. Mas, para se tornar realidade, serão necessárias mais pesquisas sobre a adaptação probiótica e testes com mais cepas bacterianas em grupos maiores de indivíduos. Esse tipo de personalização pode alavancar o potencial dos tratamentos probióticos para a saúde intestinal. No momento, a falta de consistência nas descobertas se deve em parte ao fato de os probióticos serem tratados como drogas convencionais. Quando você toma um comprimido de paracetamol, pode ter quase certeza de que o princípio ativo vai cumprir sua função ao interagir com receptores no cérebro, anestesiando a sensação de dor. Isso ocorre porque os receptores de dor da maioria das pessoas são parecidos o suficiente para reagir da mesma maneira à droga. Mas o microbioma não é apenas um receptor - está mais próximo de um ecossistema. Não é à toa que costuma ser comparado a uma floresta tropical por sua complexidade. Consequentemente, identificar e customizar um tratamento probiótico que vai funcionar em algo tão complexo e individual quanto o ecossistema interno de alguém não é uma tarefa fácil. Com isso em mente, não é de se surpreender que micro-organismos vivos estocados nas prateleiras do supermercado possam não funcionar.
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17/03 - Pesquisa indica que ouvir death metal traz prazer e não estimula violência
Ainda que as letras possam ser macabras, gênero musical não dessensibilizaria seus fãs em relação a imagens violentas, de acordo com estudo de universidade australiana publicado neste mês de março. "Eu só tive um desejo desde que nasci; ver meu corpo rasgado e despedaçado." A letra da música Eaten, que fala sobre canibalismo, da banda sueca de death metal Bloodbath, não deixa muito espaço para a imaginação. Mas nem essa faixa - ou outras tão macabras quanto ela, do mesmo gênero - incitam a violência, afirmam pesquisadores do laboratório de música da Universidade Macquarie, em Sidney, na Austrália, que usou a canção em um teste psicológico. O estudo, publicado neste mês de março no periódico Open Science, da britânica Royal Society, apontou que os apreciadores desse estilo musical, via de regra, não são pessoas insensíveis a imagens violentas. "Os fãs (de death metal) são boa gente", ri Bill Thompson, professor da universidade australiana. "Eles não vão sair por aí machucando pessoas (por causa disso)." Banda de death metal Cannibal Corpse Reprodução/Facebook/Cannibal Corpse O trabalho é parte de uma pesquisa que se estende por décadas conduzida pelo cientista com alguns colegas sobre os efeitos emocionais da música. Esse impacto, ele pondera, é complexo. "Muita gente gosta de música triste, e isso é uma espécie de paradoxo - por que desejaríamos ficar tristes?", ele questiona. "A mesma lógica pode ser aplicada para músicas agressivas ou a temas violentos. Para nós, é um paradoxo psicológico - então (como cientistas) nos desperta a curiosidade, inclusive porque reconhecemos que a presença da violência na mídia é um tema socialmente importante." Como cientistas testam a sensibilidade das pessoas à violência? Eles fazem isso por meio de um experimento psicológico clássico que investiga respostas dadas pelo subconsciente - feito, no caso, com fãs de death metal. Nos testes, 32 apreciadores do gênero e 48 pessoas que não o ouviam habitualmente tiveram de escutar o material enquanto olhavam para imagens bem desagradáveis. Yanan Sun, também entre os coordenadores da pesquisa, explica que o objetivo do experimento era medir em que nível o cérebro dos participantes observavam as cenas de violência e comparar como sua sensibilidade era afetada pela trilha sonora. Para verificar o impacto de diferentes tipos de música, eles também utilizaram uma canção que consideravam o oposto do que Eaten representava. "Usamos Happy, de Pharrell Williams", diz Sun. Os participantes ouviam uma ou outra faixa enquanto lhes eram mostradas duas imagens - uma para cada olho. Uma exibia uma cena violenta - alguém sendo atacado na rua, por exemplo. Outra mostrava algo inofensivo, como um grupo de pessoas caminhando pela mesma rua da primeira foto. "É o que chamamos de rivalidade binocular", explica a cientista. Esse teste psicológico tem como base o fato de que a maioria das pessoas, quando estimulada com uma imagem neutra em um olho e uma violenta em outro, se concentra mais na segunda. "O cérebro vai tentar processar (aquela informação) - presumivelmente, existe uma razão biológica para isso, porque seria uma ameaça", explica o professor Thompson. "Se os fãs de música violenta estivessem dessensibilizados à violência - que é o que preocupa grupos de pais, de religiosos e de censores -, eles não apresentariam o mesmo viés (que os não fãs participantes do estudo)." "Mas eles apresentaram exatamente o mesmo viés em relação ao processamento das imagens violentas", conclui. O que a banda autora da música acha disso tudo? "Nós não temos nenhuma relação com isso", afirmou à BBC News o vocalista do Bloodbath, Nick Holmes. "As letras são uma diversão inofensiva, como o estudo comprovou." Ele acrescenta que as músicas da banda são "basicamente uma versão em áudio de um filme de terror dos anos 1980". "A maioria dos fãs de death metal é formada por pessoas inteligentes, ponderadas, que por acaso têm uma paixão pela música", ele diz. "É o equivalente às pessoas obcecadas por filmes de terror ou mesmo pela reencenação de batalhas." Por que a pesquisa é importante? Thompson, da Universidade Macquarie, afirma que as conclusões do estudo devem ser vistas como um instrumento para tranquilizar "pais e grupos religiosos" que têm preocupações a respeito de músicas violentas. De forma mais ampla, ainda há temor de que a violência na mídia possa ocasionar problemas sociais. "Se você é dessensibilizado à violência, talvez não se importasse de ver alguém na rua em apuros - e não a ajudaria." Ainda que, aparentemente, pesquisas tenham identificado evidências dessa dessensibilização em pessoas que jogam muito games violentos ou ouvem música violenta, a questão é diferente neste caso. "A resposta emocional dominante a esse tipo de música é prazer e empoderamento", pontua Thompson. "E acredito que ouvir esse tipo de música e transformá-la em uma experiência bonita, de empoderamento, é algo incrível." O cantor Nick Holmes se identificou com a análise e afirmou que muitas das músicas que ele ouve são "melancólicas, dramáticas, tristes ou agressivas - e nada muito além disso". "São gêneros que me dão sensação de prazer e empoderamento", disse à BBC. Especificamente sobre a letra de Eaten, ele acrescenta: "Eu não a escrevi, mas sinceramente ficaria estarrecido se alguém que ouvisse a música sentisse desejo de ser comido por um canibal."
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17/03 - O que você quer que seus filhos saibam sobre seu passado?
Diários, cartas, fotos de antigos amores: vale a pena que eles tenham acesso a suas lembranças? Ao acompanhar o envelhecimento de nossos pais, e também seu declínio físico e às vezes mental, acabamos nos esquecendo de que foram jovens e impetuosos. É como se bloqueássemos um período de suas vidas que pouco conhecemos – ou do qual não fazíamos parte. Ignoramos paixões arrebatadoras, sonhos abandonados, ressentimentos que foram envenenando suas existências. No entanto, tudo isso pode vir à tona quando se vão. Diários, cartas, fotos de antigos amores: vale a pena que os filhos tenham acesso a suas lembranças? Hansueli Krapf / https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18266998 Ao arrumar armários, caixas e gavetas, nos deparamos com um passado que pode nos emocionar, mas também perturbar ou mesmo chocar. Até segredos que pareciam bem guardados correm o risco de chacoalhar o equilíbrio familiar. Quando minha mãe morreu, chorei muito ao ler um caderno que usava como diário e no qual relatava o sentimento de solidão que a acompanhava no dia a dia. Ela havia superado um câncer, tinha três filhas, dois netos e nenhum problema financeiro grave, mas sua lista de amarguras era muito mais extensa que a das alegrias. Guardei aquele caderno por um bom tempo, remoendo a culpa de talvez não ter feito tudo o que podia, até fazer as pazes comigo mesma e me prometer que, em homenagem a ela, eu tentaria ser mais feliz. Lembro dessa história pessoal ao escrever sobre uma questão que deve cruzar o pensamento de quem passou dos 60: vale guardar recordações que sempre estiveram longe dos olhos dos filhos e cairão em suas mãos quando morrermos? Pelo lado prático, não estaremos mais aqui para termos que suportar questionamentos ou recriminações. Entretanto, queremos que essas lembranças que foram tão preciosas para nós sejam objeto da curiosidade alheia? Será que não representarão um sofrimento para quem fica? Quando meu pai morreu, fiquei feliz por ele ter guardado seus boletins escolares, que funcionaram como um bálsamo, uma forma de manter sua chama perto de mim. Se tivesse me deparado com cartas de amor para outra mulher, não sei qual seria a minha reação: acharia divertido ou me incomodaria? Provavelmente não há uma resposta “certa” para essas indagações, tampouco considero como alternativa qualquer tipo de autocensura, mas o que deixamos para trás acaba sendo uma espécie de legado que conforta quem fica. Quem sabe vale a pena inventariar o que anda esquecido no fundo das gavetas?
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16/03 - CNPEM testa paracetamol em miniórgãos artificiais com sucesso e resultado pode excluir uso de cobaias
Pesquisa foi realizada pelo Laboratório Nacional de Biociências (LNBio) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas. Estudo segue, agora, com testes de outros medicamentos. CNPEM avança em testes para comprovar eficácia de órgãos artificiais Pela primeira vez, pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), tiveram sucesso ao testar paracetamol - analgésico com propriedades antitérmicas - em miniórgãos artificiais. Os efeitos dão passo importante nas pesquisas para excluir uso de cobaias. O modelo artificial é produzido em laboratório com células humanas, em escala micrométrica, e substitui intestino e fígado. A tecnologia tem potencial para reduzir o número de cobaias usadas em testes e, até mesmo, substitui-las por completo em 30 ou 40 anos. "O que a gente conseguiu mostrar nesse estudo inédito foi que o intestino artificial que a gente construiu em laboratório, bem como o fígado, se comportaram de maneira semelhante ao corpo humano. Ou seja, o nosso intestino conseguiu absorver o paracetamol e o fígado metabolizou esse paracetamol e também demonstrou efeitos tóxicos do paracetamol, como acontece no ser humano também", explica a pesquisadora Talita Marin. Os órgãos foram conectados entre si por um fluxo sanguíneo e ligados a equipamentos que reproduzem as condições fisiológicas do corpo humano. Em altas concentrações, o paracetamol pode provocar lesões no fígado. Conexões de miniórgãos a equipamentos reproduz funcionamento do organismo humano, afirma estudo do CNPEM, em Campinas. Vanderlei Duarte/EPTV Além de evitar que cobaias possam ser usadas em testes de novos medicamentos, a tecnologia também permite acelerar os estudos e obter resultados mais eficazes e mais confiáveis do que os de pesquisas com os pequenos mamíferos. Os miniórgãos reproduzem as funções biológicas e genéticas do organismo humano com muita semelhança. Miniórgão desenvolvido em laboratório no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. Reprodução/EPTV "Na linha de descobrimento e desenvolvimento de fármacos, geralmente se começa os estudos com cinco a dez mil compostos, e se leva de dez a 15 anos, se gasta de 1 a 3 bilhões de dólares. E no final dessa linha, você põe somente um medicamento no mercado", afirma a especialista. "Essa tecnologia que nós estamos implementando e desenvolvendo tem esse intuito, de ser um teste mais robusto, diminuir o custo do desenvolvimento de medicamentos e, ao mesmo tempo, ser mais ético, porque reduz o número de animais". O próximo passo do estudo será testar outros medicamentos de efeitos bem conhecidos no mesmo modelo. O CNPEM abriga o Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração e a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no Brasil. A pesquisadora do CNPEM Talita Marin participou do estudo com miniórgãos e o efeito do paracetamol, em Campinas. Vanderlei Duarte/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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16/03 - O filósofo muçulmano que formulou teoria da evolução mil anos antes de Darwin
Charles Darwin ficou conhecido por ser o pai da teoria da evolução, mas no mundo islâmico o pensamento evolutivo existe há muito mais tempo e remonta ao cientista iraquiano Al-Jahiz. A teoria da evolução, do cientista britânico Charles Darwin, é uma das pedras angulares da ciência moderna. A ideia de que as espécies mudam gradualmente por meio de um mecanismo chamado de seleção natural revolucionou nossa compreensão do mundo vivo. Em seu livro A Origem das Espécies, de 1859, Darwin definiu a evolução como uma "descida com modificações", demonstrando como as diferentes espécies surgiram de um ancestral comum. Mas parece que a própria teoria da evolução também tem um ancestral no mundo islâmico. Charles Darwin J. Cameron/Wikimedia Commons Seleção natural Cerca de mil anos antes de Darwin, um filósofo muçulmano que vivia no Iraque, conhecido como al-Jahiz, escreveu um livro sobre como os animais mudam através de um processo que também chamou de seleção natural. Seu nome real era Abu Usman Amr Bahr Alkanani al-Basri. Seu apelido, al-Jahiz, significa alguém com olhos esbugalhados. Não é a forma mais amistosa de chamar alguém, mas a fama de al-Jahiz se deve mesmo a seu livro "Kitab al-Hayawan" (O livro dos animais). Ele nasceu no ano 77 na cidade de Baçorá, sul do atual Iraque, numa época em que o movimento Mutazilah - uma escola de pensamento teológico que defendia o exercício da razão humana - estava crescendo na região, no auge do Califado Abássida. Obras acadêmicas eram traduzidas do grego para o árabe, e Baçorá sediava importantes debates sobre religião, ciência e filosofia que moldaram a mente de al-Jahiz e o ajudaram a formular suas ideias. O papel havia sido introduzido no Iraque por comerciantes chineses, o que impulsionou a difusão de ideias, e o jovem al-Jahiz começou a escrever sobre vários temas. Seus interesses envolviam muitas áreas acadêmicas, como ciência, geografia, filosofia, gramática árabe e literatura. Acredita-se que ele tenha publicado 200 livros durante a vida, mas só um terço sobreviveu até nossos dias. O Livro dos Animais Sua obra mais famosa, O Livro dos Animais, foi concebida como uma enciclopédia que apresenta 350 espécies. Nela al-Jahiz postula ideias que se parecem muito com a teoria da evolução de Darwin. "Os animais estão envolvidos numa luta pela existência e pelos recursos, para evitar serem comidos e se reproduzirem", escreve al-Jahiz. "Os fatores ambientais influenciam nos organismos fazendo com que desenvolvam novas características para assegurar a sobrevivência, transformando-os assim em novas espécies." Ele prossegue: "Os animais que sobrevivem para se reproduzir podem transmitir suas características exitosas a seus descendentes." Estava claro para al-Jahiz que o mundo animal estava numa luta constante para sobreviver, e que uma espécie sempre era mais forte que outra. Para sobreviver, os animais tinham de possuir características competitivas para achar comida, evitar virar comida de outros e se reproduzir. Isso os obrigava a mudar de geração em geração. As ideias de al-Jahiz influenciaram outros pensadores muçulmanos posteriores. Seu trabalho foi lido por homens como al-Farabi, al-Arabi, al-Biruni e Ibn Khaldun. O "pai espiritual" do Paquistão, Muhammad Iqbal, também conhecido como Allama Iqbal, reconheceu a importância de al-Jahiz em sua coleção de conferências, publicadas em 1930. Iqbal ressaltou que "foi al-Jahiz quem assinalou as mudanças que se produzem na vida dos animais devido à migração e às mudanças no meio ambiente". "Teoria maometana" A contribuição do mundo muçulmano à ideia da evolução não era um segredo para intelectuais europeus do século 19. De fato, um contemporâneo de Darwin, o cientista William Draper, falava da "teoria da evolução maometana" em 1878. No entanto, não há evidências de que Darwin conhecesse o trabalho de al-Jahiz ou de que entendesse árabe. É merecida a reputação que o naturalista britânico ganhou como um cientista que passou anos viajando e observando o mundo natural. Ele elaborou sua teoria com detalhes e claridade sem precedentes, transformando a forma com que pensamos o mundo. Mas o jornalista científico Ehsan Masood, que realizou uma série para a BBC chamada "Islam and Science" (O Islã e a Ciência), diz que é importante recordar outros que contribuíram com a história do pensamento evolutivo. Criacionismo Ehsan Masood também destaca que o criacionismo não parecia existir como um movimento significativo no século 9 no Iraque, quando Bagdá e Baçorá eram os principais centros de ensino avançado na civilização islâmica. "Os cientistas não passavam horas examinando paisagens da Revelação para ver se eram comparáveis com o conhecimento observado no mundo natural", escreveu Masood em artigo sobre al-Jahiz no jornal britânico The Guardian. Ao fim, foi a busca pelo conhecimento que provocou a morte de al-Jahiz. Conta-se que, aos 92 anos, ele tentou alcançar um livro em uma estante pesada, quando a estrutura desabou, matando-o.
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16/03 - Wilhelm Reich: Os controversos tratamentos sexuais de um dos psicanalistas mais radicais da história
Wilhelm Reich era considerado um promissor discípulo de Sigmund Freud até que suas teorias sobre a energia vital dos orgasmos o transformaram em um pária da comunidade científica. Hoje, muitos dizem que ele foi um visionário. Um dos inventos mais controversos de Reich foi o acumulado de orgone FDA/BBC Nos anos 1920, o austríaco Wilhelm Reich (1897-1957) era considerado um dos discípulos mais promissores do pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939). Ele morreria décadas depois em uma prisão dos Estados Unidos, sob acusações de fraude e suspeitas de promover atividades sexuais ilícitas. Mas sua obra, que chegou a ser banida pelo governo americano, seria peça-chave para o movimento da contracultura nos anos 1960. Muitos o consideram, inclusive, o inspirador da revolução sexual e dos protestos de maio de 1968 na França - os atos foram iniciados por movimentos estudantis e ganharam a adesão de trabalhadores, levando a uma grande greve geral que abalou politicamente o país. Hoje, Reich segue tendo muitos adeptos entre os seguidores de correntes de pensamento alternativas. Mas o que fazia esse psicanalista e por que ele continua a despertar tanta controvérsia tanto tempo depois? Reich é considerado nos dias de hoje uma ovelha negra dentro da psicanálise tradicional, mas nem sempre foi assim. Com apenas 23 anos, ele foi aceito como membro da prestigiada Sociedade Psicanalítica de Viena, fundada por Freud. Foi o próprio criador da psicanálise que levou o jovem à instituição para que tratasse seus pacientes em uma clínica ambulatorial que ele criou na capital austríaca. Nessa época, Freud já havia desenvolvido sua teoria sobre a neurose e atribuído sua origem à repressão sexual. Reich levou o conceito além e propôs que a repressão se dava não apenas no plano psíquico, mas também no físico. Ele acreditava que o corpo respondia à repressão gerando tensão muscular, o que, com o passar do tempo, se traduzia em dores crônicas e doenças. Dizia que era uma "armadura" ou uma "couraça" que moldava o físico e o caráter do indivíduo e determinava como essa pessoa encarava sua existência. O conceito despertou interesse, mas Reich propunha uma solução radical para o problema: a repressão deveria ser combatida não apenas verbalmente, como ensinava Freud, mas também fisicamente. Com esse objetivo, desenvolveu uma terapia que rompeu com uma das doutrinas básicas da psicanálise: a neutralidade entre o profissional e seu paciente. A vegetoterapia e denúncias de abuso Batizado de vegetoterapia, o método consistia em realizar massagens em seus pacientes seminus para dissolver o que Reich chamou de "armadura muscular" ou "armadura de caráter". Isso gerou um escândalo, e alguns de seus ex-pacientes até mesmo denunciaram que as massagens feitas em todas as partes do corpo onde o terapeuta dizia detectar tensão equivaliam a uma forma de abuso. Não foram apenas as massagens que geraram controvérsia: havia a teoria por trás delas. O objetivo da vegetoterapia era liberar a energia sexual reprimida, que, segundo Reich, era a causa de muitos dos males da sociedade, incluindo o nazismo. Reich ficou quase oito meses preso e morreu pouco antes de obter sua liberdade condicional LEWISBURG FEDERAL PENITENTIARY/BBC Ele acreditava que a armadura corporal impedia a pessoa de alcançar um orgasmo completo e, por isso, não conseguia livrar-se de suas repressões. Reich escreveu que, quando uma sessão era bem-sucedida, podia ver ondas de prazer atravessando o corpo do paciente, o que chamou de "reflexo orgásmico". Mas a principal forma de liberação de energia reprimida proposta por ele eram as relações sexuais, que permitiriam a uma pessoa se tornar livre - isso transformaria sociedades e o mundo. Com esse propósito, criou várias clínicas sexuais e advogou pelo sexo, inclusive entre adolescentes. Em 1927, escreveu "A Função do Orgasmo", explicando sua teoria. Foi a promoção do que chamou de "revolução sexual" que consolidaria décadas mais tarde sua fama como visionário e tornaria seu livro uma bíblia dos intelectuais dos anos 1950 e 1960. Mas, nos anos 1930, suas ideias radicais o tornaram um pária e o levaram a ser expulso da Sociedade Psicanalítica de Viena. A descoberta da 'energia vital do orgasmo' Em 1939, perseguido pelo nazismo, Reich fugiu para os Estados Unidos, onde começou uma nova etapa de sua carreira que atrairia ainda mais críticas e ceticismo da comunidade científica. Reich queria comprovar que sua teoria sobre o orgasmo tinha uma base biológica. Para isso, investigou se o conceito freudiano de libido tinha relação com eletricidade ou alguma substância química que atravessava o corpo (uma teoria que o próprio Freud sugeriu e logo abandonou em torno de 1890). Pouco depois de chegar a Nova York, anunciou que havia descoberto uma forma de energia vital que era liberada durante o orgasmo e anunciou o nascimento de uma nova ciência: a orgonomia. Essa forma de energia foi chamada por ele de "orgone" (derivado de "orgasmo" e "organismo"), descrito por ele como de cor azul, por meio de um microscópio e no céu, com um telescópio especial criado por ele, o organoscópio. Segundo Reich, o orgone estava por todos os lados e era a mesma energia espiritual que outros chamavam de Deus. Reich acreditava que, quando essa energia estancava ou diminuía, causava decadência, enfermidade e morte. Por isso, a partir de 1940, ele começou a desenvolver "acumuladores de orgone": caixas ou cápsulas que atuariam como bloqueadores de campos eletromagnéticos, permitindo que dentro do espaço se concentrasse a "energia orgônica". A pessoa deveria entrar no acumulador, idealmente nua, e permanecer ali pelo maior tempo possível para obter benefícios que, segundo Reich, incluíam curar o câncer. Os curiosos objetos começaram a atrair interesse, e a imprensa não tardou em ridicularizar o austríaco, chamando seus inventos de "caixas sexuais". Para demonstrar que sua descoberta era rigorosa cientificamente, Reich conseguiu que o renomado físico alemão Albert Einstein (1879-1955) pusesse seus inventos à prova. Em 13 de janeiro de 1941, ele levou um pequeno acumulador para Einstein, que o investigou por dez dias em seu sótão. Ainda que no começo o físico tenha notado uma diferença de temperatura dentro da caixa, que Reich atribuía à presença do orgone, ele concluiu no fim que o fenômeno era causado pela diferença de temperatura no ambiente. "Por meio desses experimentos, considero o assunto completamente encerrado", escreveu Einstein a Reich em 7 de fevereiro do mesmo ano. Acusação de fraude e prisão antes da morte O resultado não dissuadiu Reich, que, em 1942, comprou uma fazenda no Estado de Maine (EUA), onde se dedicou a criar mais acumuladores e outras invenções relacionadas à energia orgônica. Seus empreendimentos atraíram a atenção da Food and Drugs Administration (FDA), órgão americano equivalente à Anvisa no Brasil, que acusou o austríaco em 1947 de estar por trás de uma "enorme fraude". As autoridades também suspeitavam que ele poderia estar promovendo atividades sexuais ilícitas. Em 1954, a Justiça ordenou a destruição de 250 acumuladores e a incineração de toda a obra de Reich, incluindo "A Função do Orgasmo" e "Psicologia de Massa do Fascismo", um livro escrito por ele em 1933 e que teria um papel chave nos protestos de 1968 na França. Muitos historiadores consideram esse um dos piores casos de censura da história americana. Quando um sócio de Reich vendeu um acumulador a uma pessoa em outro Estado, violando a ordem judicial, o inventor foi detido e condenado a dois anos de prisão. Em 1957, quase oito meses depois de ser preso e prestes a conseguir sua liberdade condicional, Reich morreu após sofrer um infarto, aos 60 anos de idade. Em um obituário, a revista americana "Time" disse que que ele havia sido "um psicanalista famoso, discípulo de Sigmund Freud", mas que, em tempos recentes, havia ficado "mais conhecido por suas teorias pouco ortodoxas sobre o sexo e a energia". No entanto, autores como Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William S. Burroughs se basearam nas teorias de Reich, lançando as sementes da revolução sexual dos anos 1960. Hoje suas ideias podem ser encontradas em várias disciplinas, desde a terapia Gestalt e a bioenergética aos tratamentos com orgonites, objetos que seriam capazes de transformar energias negativas em positivas e que são populares em alguns grupos espirituais. A fazenda onde Reich viveu e foi enterrado é hoje um museu e segue como um popular destino de peregrinação para seus seguidores.
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16/03 - Restrição às armas, cuidado com a saúde mental e prevenção: especialista avalia medidas dos EUA contra ataques em escolas
Dados de 2017 do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA apontam que, desde 1990, foram registrados 87 tiroteios em massa no país e a maior parte ocorreu na última década. Moradores de Littleton, nos EUA, se reúnem em memorial para as vítimas do massacre de Columbine, em 24 de abril de 1999 Mark Leffingwell/AFP O ataque a uma escola de Suzano, na Grande São Paulo, deixou 10 mortos na quarta-feira (13). É o primeiro do tipo no Brasil neste ano. Nos Estados Unidos, as autoridades lidam com o problema há mais tempo – e com maior frequência. O massacre de Columbine, com 15 mortes de estudantes em Colorado, completa 20 anos em abril. Mas, então, como o Brasil pode aprender com os americanos? A agência federal de investigações dos Estados Unidos (a Federal Bureau of Investigation, ou FBI, na sigla em inglês) avalia os "assassinatos em massa" de forma especial dentro da justiça criminal. O tema envolve o interesse da mídia, de especialistas em saúde mental e do público em geral. O FBI prefere usar o termo "atirador ativo", que é definido por "um indivíduo em ação para matar ou tentar matar um grupo de pessoas em uma determinada área". O Serviço de Pesquisa do Congresso (em inglês, Congressional Research Service, ou CRS) prefere usar outra definição: "Assassinatos em massa", quando "três ou mais mortes estão no mesmo incidente". Os crimes podem ocorrem em locais públicos - como escolas e universidades - ou entre famílias e brigas de gangues. Desde 1990, de acordo com o Serviço de Pesquisa do Congresso, foram registrados 87 tiroteios em massa nos EUA (dados de 2017). O número de crimes do tipo é 2,4 vezes maior na última década (2008 a 2017) do que na década anterior (1998 a 2007). Esse número pode variar de acordo com o órgão que contabiliza - cada um usa uma definição diferente para contabilizar os casos. Como prevenir? O psiquiatra americano Reid Reloy, da Universidade de San Diego, presta consultoria de segurança sobre os ataques nos Estados Unidos. Ele é autor de mais de 200 artigos em revistas científicas sobre assuntos relacionados e sobre o próprio tema. "Existem três áreas em que precisamos trabalhar. Uma é a disponibilidade de armas de fogo, com foco no registro universal de armas de fogo. Precisamos trabalhar para manter armas de fogo longe de pessoas com risco de serem violentas ou pessoas que já ameaçaram violência ou tenham antecedentes de violência doméstica", disse em entrevista ao G1. Ele disse que há um forte movimento político nos Estados Unidos, tanto no nível federal quanto no nível estadual, para que seja criada uma nova regulamentação das armas. "Em relação ao novo regulamento de acesso a armas de fogo no Brasil, acredito que seria um problema para evitar tiroteios em escolas. As políticas agora estão se concentrando em tornar as armas de fogo menos disponíveis, e não o contrário", disse em referência aos debates recentes feitos no país. A segunda área que Reloy aborda para a prevenção dos ataques em escolas é a da saúde pública. Ele defende melhores cuidados de saúde mental em escolas, especialmente para os adolescentes. As políticas devem se concentrar em tornar esses serviços mais disponíveis e receber mais financiamento, segundo ele. O psiquiatra conta que também é importante desenvolver grupos de avaliação de ameaças dentro das escolas – uma equipe pequena na escola ou no campus da universidade composta por um policial, um administrador, um conselheiro escolar e um profissional do direito. "O que eles fazem é olhar para o clima geral na escola para reduzir os fatores gerais de risco em toda a escola. A partir daí, eles podem se concentrar especificamente em alunos que já foram notados por professores ou alunos", explicou. "Se o aluno está ficando mais isolado, se o aluno está sendo violento, se ele pesquisa violência ou armas de fogo nos computadores da escola, esses são exemplos que aumentariam a preocupação entre alunos e professores para que eles pudessem se dirigir à equipe de avaliação de ameaças. Então a equipe poderia avaliar o risco e administrá-lo". Em alguns casos, como noticiou o jornal americano "Chicago Sun Times", as escolas chegam a instalar detectores de metal na entrada. Instituições de Detroit, Los Angeles e Nova York já tomaram a medida. Este último estado chegou a aprovar um pacote de leis para implementar os detectores e aumentar a tecnologia de segurança para os estudantes. O papel da mídia A pesquisadora americana Jaclyn Schildkraut, autora de livro sobre massacres em locais públicos nos EUA, disse em entrevista à rede britânica BBC que o destaque na mídia serve como uma "recompensa" para os atiradores. "Tipicamente, a cobertura da mídia é centrada no atirador, em vez de focar nas vítimas ou nos heróis que responderam ao ataque", diz Schildkraut à BBC News Brasil. Reloy também aborda o assunto da relação da mídia com os ataques em massa: "Quando a mídia cobre o tiroteio na escola, se a cobertura está em todo o país e a imprensa está cobrindo em detalhes, a cobertura tende a aumentar o risco de novas filmagens por cerca de um período de duas semanas após a cobertura da mídia. Então você tem o que é chamado de efeito contagioso para o tiroteio na escola e a imprensa se torna o hospedeiro dessa doença." A fala de Reloy está relacionada com um estudo publicado em julho de 2017, assinado pelos pesquisadores Adam Lankford e Sarah Tomek. Eles buscam comprovar a imprensa também tem uma influência nos casos de tiroteio, assim como já foi comprovado com relação aos suicídios. Os autores analisaram dados de 2006 a 2013 nos Estados Unidos e chegaram a seguinte resposta: os assassinatos em massa são "socialmente contagiosos" nos próximo 14 dias. Ou seja: as notícias podem influenciar novos ataques por mais duas semanas. Initial plugin text
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15/03 - Comer cogumelos duas vezes por semana reduz risco de perda de memória, sugere estudo
Pesquisa em Cingapura analisou dados de 663 pessoas com mais de 60 anos que tiveram alimentação e estilo de vida acompanhados por seis anos; relação de causa e efeito ainda precisa ser comprovada. Comer cogumelos duas vezes por semana reduz risco de perda de memória, sugere estudo Gui Teixeira/Café do Sítio/Divulgação Comer cogumelos ao menos duas vezes por semana pode ajudar a prevenir problemas de memória e fala em pessoas com mais de 60 anos. De acordo com um estudo conduzido em Cingapura, um antioxidante encontrado em cogumelos pode ter um efeito que protege o cérebro. Os pesquisadores constataram que, quanto mais cogumelos as pessoas comiam, melhor era o desempenho delas em testes de raciocínio e processamento. Apesar dos resultados, os pesquisadores dizem que ainda não é possível provar uma relação causal direta entre o consumo de cogumelo e a melhora das funções cerebrais. Conduzido por pesquisadores na Universidade Nacional de Cingapura, o estudo usou dados de 663 chineses com mais de 60 anos que tiveram a alimentação e o estilo de vida acompanhados entre 2011 e 2017. Durante os seis anos de estudo, os pesquisadores descobriram que o consumo de duas porções de cogumelos por semana reduziu as chances de comprometimentos cognitivos leves em 50% na comparação com pessoas que comeram menos de um porção. Tipos de cogumelo O comprometimento cognitivo leve afeta a memória - as pessoas esquecem de coisas com mais facilidade - e causa problemas de linguagem, de atenção e para localizar objetos. Esses sintomas, contudo, são normalmente sutis e, na maioria das vezes, não caracterizam demência. Os participantes do estudo precisaram responder a frequência com que comiam até seis tipos de cogumelo, entre eles shitake, cogumelo-ostra (também conhecido como shimeji-preto), champignon, enoki e portobello. Os que declararam comer cogumelo também se destacaram nos testes de velocidade de processamento cerebral, em especial os que consumiam os fungos mais de duas vezes por semana, ou mais de 300 gramas. "Essa correlação é surpreendente e motivadora", afirma o professor Lei Feng, um dos autores do estudo. "Parece que um ingrediente único comumente disponível pode ter um efeito determinante no declínio cognitivo. Mas estamos falando de uma combinação de muitos fatores - chá, verduras, nozes e peixe, que também são benéficos", completa Feng. Os pesquisadores salientam ainda o fato de os cogumelos serem um dos alimentos mais ricos em ergotioneína, um aminoácido antioxidante e anti-inflamatório que os humanos não são capazes de produzir por conta própria. Cogumelos também contém importantes nutrientes e minerais, além de ser rico em vitamina D, selênio e espermidina, substâncias que também protegem neurônios. Os autores do estudo, contudo, dizem que, apesar da relação positiva detectada no estudo, ainda é preciso aprofundar a pesquisa para determinar se há uma relação causal entre cogumelos e melhor desempenho cerebral. Alimentação e estilo de vida O estudo se baseou em informações dadas pelos próprios participantes sobre consumo de cogumelos e de outros alimentos. Os próprios pesquisadores ponderam que, justamente por isso, os dados analisados podem não estar precisos. James Pickett, presidente da Sociedade Britânica do Alzheimer, observa que há muitos fatores que contribuem para o desenvolvimento de demência. Diz ainda que um terço dos casos poderiam ser prevenidos com mudanças no estilo de vida, incluindo a alimentação. "A demência é uma das dez principais causas de morte, mas as pessoas podem tomar medidas para reduzir seu risco. Por isso, é importante basearmos nossos conselhos em evidências consistentes que se acumulam em vários estudos e não se deixem levar pelas descobertas. de qualquer estudo individual", afirma Pickett. "Então, comer uma dieta rica em frutas, verduras e legumes, incluindo cogumelos, é um excelente ponto de partida, nosso melhor conselho é para reduzir o açúcar e o sal, ser fisicamente ativo, beber com moderação e evitar fumar", diz presidente da Sociedade Britânica do Alzheimer. O estudo está na publicação acadêmica Journal Alzheimer's Disease. A Universidade de Cambridge, no Reino Unido, também está conduzindo uma pesquisa similar. Para participar, clique aqui.
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15/03 - Como a IA detecta sinais de doenças que humanos não podem enxergar
A inteligência artificial está provando que detecta doenças antes de sintomas aparecerem; clínica geral Leah Kaminsky acredita que isso levará a uma nova era de assistência médica. Um terapeuta virtual que analisa a linguagem corporal e o tom de voz usado pelos pacientes pode identificar sinais de depressão ou de TEPT USC INSTITUTE FOR CREATIVE TECHNOLOGIES O dia estava ensolarado com um ar de primavera. Eu seguia Angela, cujo nome foi alterado para proteger sua identidade, por um corredor que levava ao meu consultório em Melbourne, na Austrália. Ela era minha paciente havia vários anos, mas só naquela manhã notei que ela arrastava os pés enquanto andava. Sua face estava sem expressão e ela tremia levemente. Eu a encaminhei a um neurologista e, em uma semana, ela começou a receber tratamento para o mal de Parkinson. Mas fiquei chateada por não perceber seus sintomas antes. Infelizmente, esta é uma situação comum para pacientes em todo o mundo. Eles só são diagnosticados quando começam a mostrar sinais visíveis da doença - quando o corpo avisa os médicos de que algo está errado. Se a doença pudesse ser detectada mais cedo, os pacientes teriam a chance de receber um tratamento precoce e até de interromper a condição antes que ela se manifestasse. Uma nova tecnologia começa a oferecer essa esperança. Com a ajuda da inteligência artificial, os pacientes e os médicos podem ser alertados sobre possíveis mudanças na saúde de pacientes meses ou até anos antes que os sintomas apareçam. O futurista Ross Dawson, fundador da Future Exploration Network, prevê uma mudança do atual modelo voltado mais para o tratamento de doenças para um novo ecossistema de saúde mais focado na prevenção e no rastreamento de possíveis problemas antes que eles tenham a chance de se desenvolver. "A expectativa de se viver uma vida plena e saudável está impulsionando mudanças de atitude na sociedade", afirma Dawson. "A explosão de novas tecnologias e algoritmos desta década aprofundou o aprendizado sobre a inteligência artificial (IA), tornando-a mais eficiente que humanos no reconhecimento de padrões." Ao rastrear a frequência cardíaca, respiração, movimento e até substâncias químicas da respiração, a IA consegue detectar potenciais problemas de saúde muito antes de surgirem sintomas óbvios. Isso pode ajudar os médicos a intervir ou permitir que os pacientes mudem seu estilo de vida para aliviar ou prevenir doenças. Talvez esses sistemas possam até discernir padrões invisíveis ao olho humano, revelando aspectos surpreendentes de como o corpo pode nos enganar. Janelas para a sua saúde Dawson destaca estudos em que a IA consegue antecipar as chances de um indivíduo sofrer um ataque cardíaco ao monitorar constantemente seu pulso. Um estudo recente de pesquisadores do Google mostrou que os algoritmos de inteligência artificial também podem ser usados para prever pelo olhar de um indivíduo se ele tem chances de sofrer um ataque cardíaco. Eles treinaram a IA com exames de retina de 284.335 pacientes. Ao procurar padrões nos cruzamentos de vasos sanguíneos, a máquina aprendeu a identificar os sinais indicadores de doenças cardiovasculares. Movimentos diários Se Dina Katabi estiver no caminho certo, atrasos no diagnóstico de doenças genéticas e condições debilitantes como o mal de Parkinson, depressão, enfisema, problemas cardíacos e demência serão coisas do passado. Ela projetou um dispositivo que transmite sinais sem fio de baixa potência em uma residência. Essas ondas eletromagnéticas refletem no corpo do paciente. Toda vez que nos movemos, mudamos o campo eletromagnético ao nosso redor. O dispositivo de Katabi detecta essas reflexões minúsculas usando o aprendizado de máquina para acompanhar os movimentos do paciente pelas paredes. Katabi descreve os sinais sem fio como "máquinas incríveis" que vão além de nossos sentidos naturais. A implantação de um dispositivo na casa do paciente permite que seus padrões de sono e mobilidade sejam continuamente monitorados. O sistema pode captar suas taxas de respiração - mesmo com várias pessoas em uma sala - e detectar se alguém tem uma queda. Ele pode monitorar seus batimentos cardíacos e fornecer informações até sobre seu estado emocional. "Nós não os vemos, mas eles podem complementar nosso conhecimento de forma quase mágica", afirma a pesquisadora. "Nosso novo dispositivo é capaz de atravessar paredes e extrair informações vitais que ampliam nossa limitada capacidade de perceber mudanças". Essa capacidade de procurar mudanças no comportamento diário dos pacientes pode fornecer pistas precoces de que algo está errado, talvez antes de eles mesmos saberem. Muitos de nós já utilizam uma infinidade de dispositivos para monitorar tudo, desde a ingestão de calorias até o número de passos que damos por dia. A inteligência artificial pode desempenhar um papel vital na compreensão dessas informações. Essa capacidade de prever mudanças na saúde pode ser importante à medida que a população envelhece - de acordo com a ONU, um quinto da população global será de pessoas acima de 60 anos em 2050. "Cada vez mais pessoas idosas estão vivendo sozinhas, sobrecarregadas com doenças crônicas, o que provoca enormes problemas de segurança", diz Katabi. Ela acredita que seu dispositivo permitirá uma intervenção precoce de médicos, evitando potenciais emergências médicas. Diagnóstico pelo olhar A inteligência artificial também poderia detectar doenças a partir do olhar das pessoas. A startup FDNA desenvolveu o aplicativo Face2Gene, que usa a chamada "fenotipagem profunda" para identificar possíveis doenças genéticas a partir dos traços faciais de um paciente. Ele emprega uma técnica de IA conhecida como aprendizado profundo, que ensina algoritmos a detectar características faciais e formas tipicamente encontradas em distúrbios genéticos raros, como a síndrome de Noonan. O algoritmo foi treinado com mais de 17 mil fotografias de pacientes que sofrem de uma entre 216 condições genéticas listadas. Em alguns desses distúrbios, os pacientes desenvolvem características faciais específicas. Por exemplo, na deficiência intelectual do tipo Bain, crianças têm olhos em forma de amêndoa e queixos pequenos. O algoritmo do FDNA aprendeu a reconhecer esses padrões faciais distintos que muitas vezes são indetectáveis pelos médicos. Os testes do Face2Gene acertaram o diagnóstico em 91% das vezes, superando o desempenho de médicos para condições como a síndrome de Angelman e de Cornelia de Lange. O diagnóstico precoce de síndromes genéticas raras permite a introdução de tratamentos mais prontamente, além de poupar as famílias da odisseia diagnóstica que essas condições geralmente envolvem. Com doenças raras afetando cerca de 10% da população mundial, ferramentas de IA provavelmente mudarão a cara da medicina. Dentro do seu cérebro Médicos e cirurgiões há muito confiam em raios-X e tomografias para ajudá-los a diagnosticar condições relacionadas aos sintomas dos pacientes. Mas e se fosse possível usar esses exames para identificar uma doença antes que ela comece a causar problemas? Ben Franc, professor de radiologia clínica da Universidade de Stanford, está empenhado em desvendar os segredos por trás de milhões de tomografias computadorizadas realizadas rotineiramente nos departamentos de oncologia. Em geral, médicos usam esses escaneamentos para detectar tumores cancerosos, mas nunca os analisam em busca de outros riscos potenciais à saúde do paciente. Em um projeto piloto, Franc e sua uma equipe estudam se mudanças no metabolismo cerebral apontadas pelos exames podem prever o mal de Alzheimer, condição que afeta 10% das pessoas com mais de 65 anos. A partir da IA, eles desenvolveram algoritmos capazes de detectar mudanças sutis no metabolismo cerebral, no caso a captação de glicose em certas áreas do cérebro, que possivelmente ocorrem no início do desenvolvimento da doença. Em testes de imagem de 40 pacientes, o algoritmo detectou a doença em média seis anos mais cedo que os médicos. Isso abre a perspectiva de se diagnosticar essa condição devastadora anos antes de os sintomas aparecerem. "Os computadores podem encontrar associações que humanos levariam a vida toda para fazê-las", diz Franc. "A IA nos permite tirar proveito da expertise extraída de milhões de casos, o que pode garantir um diagnóstico precoce e, espera-se, a um tratamento mais oportuno e eficaz." E o alvo não é apenas o mal de Alzheimer. Seu grupo de pesquisa também publicou recentemente um artigo mostrando que os enormes conjuntos de dados de ressonância magnética e tomografia computadorizada podem ser usados para prever o subtipo de câncer de mama do paciente, bem como suas chances de sobrevida sem recaída. Esse novo campo em crescimento é conhecido como radiômica e usa dados brutos para identificar características que não podem ser vistas a olho nu. Existem mais de cinco mil recursos de imagem independentes que podem ser usados e a IA oferece uma nova e poderosa maneira de analisar todos eles. "Usando o aprendizado de máquina, conseguimos identificar características que podem ser usadas para fazer previsões", diz Franc. Ele espera usar a IA fora do hospital para avaliar a saúde geral de um indivíduo. Por exemplo, ele acredita que banheiros inteligentes podem buscar mudanças na urina ou nas fezes de uma pessoa para prever doenças. Como você fala Hoje a tecnologia de exames e imagens já fornece pistas sobre o estado físico do paciente, mas há menos recursos para se diagnosticar condições de saúde mental. No entanto, o número de pessoas que sofrem de distúrbios mentais só faz crescer, com um total 25% da população global e proporções epidêmicas em alguns países. Como são uma das principais causas de incapacidade, isso coloca uma enorme pressão sobre a sociedade. O aprendizado de máquina oferece novas formas de detectar precocemente as condições de saúde mental a partir de sinais escondidos na escolha das palavras, no tom de voz e em outras nuances da linguagem. Ellie é uma avatar que atua como terapeuta virtual e foi desenvolvida pelo Instituto de Tecnologias Criativas da Universidade do Sul da Califórnia. Ela pode analisar mais de 60 pontos no rosto de um paciente para determinar se ele está deprimido, ansioso ou sofrendo de transtorno de estresse pós-traumático. O tempo que uma pessoa leva para fazer uma pausa antes de responder uma pergunta, sua postura ou o quanto ela acena com a cabeça - tudo fornece a Ellie mais pistas sobre o estado mental do paciente durante a "consulta". Espera-se que esta forma de aprendizado de máquina "melhore a previsão, o diagnóstico e o tratamento de transtornos mentais", escreveram Nicole Marinez-Martin e seus colegas da Escola de Ética Biomédica de Stanford em um artigo recente publicado no Journal of Ethics. Os avanços na IA também produziram robôs emocionalmente inteligentes capazes de ter conversas naturais com seres humanos - tecnologia que está garantindo o acesso a tratamento a um número maior de pessoas. Wysa, por exemplo, é um robô projetado por terapeutas e pesquisadores de IA para estimular nas pessoas habilidades de resiliência mental a partir de técnicas da terapia cognitivo-comportamental. A ideia é que o robô faça perguntas que as ajudem a entender como se sentem depois de um dia difícil. Decisões difíceis A combinação de medidas biométricas com o perfil genético de um indivíduo pode ajudar a prever fatores de risco de tal forma que podem substituir diretrizes médicas gerais. No mundo da medicina de precisão, a IA pode tornar o check-up anual anacrônico. Mas quanta confiança estamos dispostos a colocar em um algoritmo sobre decisões de nossas vidas? Um artigo recente no AMA Journal of Ethics apresenta um cenário hipotético em que o aprendizado de máquina é usado em decisões do fim da vida. Na ocasião, os autores ressaltam que "um algoritmo não perderá o sono se prever, com alto grau de confiança, que uma pessoa gostaria que a máquina que dá suporte a sua vida fosse desligada". A questão é: queremos que algo como a IA, que não se preocupa com suas decisões, faça ponderações tão importantes? Talvez ainda preferíssimos a abordagem de um médico ao de uma máquina. Mas, em um futuro próximo, a IA pode entender questões bem antes dos especialistas humanos. Por serem totalmente adaptadas a nossa personalidade, comportamento e emoções, elas poderiam nos alertar sobre algo que salvaria nossa vida. Portanto, embora não possamos esperar que um computador sinta emoções, podemos querer que ele entenda o que e como estamos nos sentindo.
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15/03 - Tragédia em Suzano: os cuidados para impedir que traumas afetem a saúde mental
Especialistas alertam que sintomas associados ao transtorno de estresse pós-traumático podem acometer até mesmo quem não tem qualquer relação com as vítimas do massacre em Suzano, mas foi exposto a fotos e vídeos do ataque nas mídias sociais ou imprensa. Uma pesquisa nos EUA revelou que 28% das testemunhas de massacres desenvolvem transtorno de estresse pós-traumático Reuters Enlutados pelo massacre de quarta-feira (13) na escola Professor Raul Brasil, em Suzano (SP), sobreviventes, amigos e parentes dos mortos devem ser acompanhados para que não desenvolvam transtornos mentais associados a traumas, segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil. Nos EUA, onde massacres em escolas são frequentes, um estudo apontou que 29% das testemunhas desses ataques sofrem transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) - um transtorno de ansiedade que pode gerar sintomas vários meses ou anos após o incidente. Profissionais de saúde mental alertam que sintomas semelhantes podem acometer até mesmo quem não tem qualquer relação com as vítimas, mas se expôs a fotos e vídeos do ataque nas mídias sociais ou na imprensa. Eles dizem que as pessoas abaladas, assim como vizinhos da escola e outros moradores de Suzano, também devem ser acolhidas e ajudadas a superar o luto coletivo causado pela tragédia. A Prefeitura de Suzano disse à BBC News Brasil que a Secretaria de Estado da Saúde enviou dois psiquiatras e um psicólogo a Suzano para atender sobreviventes e familiares das vítimas. Segundo a prefeitura, os profissionais estão trabalhando ao lado de uma equipe local do Caps (Centro de Atenção Psicossocial), unidade do SUS especializada em saúde mental. Reações a eventos traumáticos O psiquiatra Higor Caldato, especialista em Psicoterapias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que, nos dias seguintes ao evento, sobreviventes e pessoas próximas das vítimas costumam vivenciar sentimentos de estresse agudo, choque, tristeza e lamentação. Nesse período, diz Caldato, é essencial que eles sejam acompanhados por profissionais de saúde mental para que possam dar vazão às emoções em sessões de terapia e não se refugiem em comportamentos nocivos, como compulsões alimentares ou o consumo abusivo de álcool. Ele afirma que pessoas que estejam sob ansiedade extrema e com dificuldade para se expressar podem precisar de medicação para atenuar os sintomas e tirar mais proveito da terapia. Segundo o psiquiatra, se os sentimentos negativos persistirem por mais de um mês e estiverem associados a outros fatores, como pesadelos, medo e sintomas depressivos, é possível que o transtorno de estresse pós-traumático tenha se instalado. A condição, que também costuma exigir tratamento medicamentoso, pode causar grandes impactos na vida do afetado por um longo período. Com frequência, o transtorno é acompanhado por problemas para dormir, dificuldade para se concentrar e sentimentos de isolamento, irritação e culpa. Memorial em homenagem às vítimas do massacre no festival de música Route 91, em Las Vegas (EUA), em 2017 Reuters 'Crescimento pós-traumático' Para Caldato, o caminho para evitar o quadro é usar o episódio violento para reforçar relações e comportamentos positivos, estimulando o que ele chama de "crescimento pós-traumático". "O mais importante é dar apoio psicológico para que as pessoas possam enxergar a tragédia por outro ângulo - para que se sintam amparadas, protegidas, possam se cuidar, valorizar mais a vida e a família, ter urgência em buscar a felicidade." Segundo a psicóloga Maria Helena Franco, até quem não estava presente no massacre e não tem qualquer relação com as vítimas pode sofrer seus impactos quando exposto a imagens, notícias ou relatos sobre o evento. Essa reação é conhecida como trauma vicário ou estresse traumático secundário. "Tem um fio que nos une que é a empatia, a questão humana. Todo mundo fica tocado, assustado. Não é um impacto menos importante e ele deve ser visto e considerado", afirma Franco, que coordena o Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto da PUC-SP, onde é professora titular de Psicologia. Segundo Franco, o primeiro passo para superar o trauma vicário é aceitar o sofrimento provocado pelo massacre. "Quando você está sofrendo mas entra num raciocínio de que não deveria sofrer pois não estava lá, não conhecia ninguém, você impossibilita que o sentimento seja elaborado. Só que não, ele continua ali, na mente." Luto coletivo Ela diz que alguns grupos estão mais sujeitos a esse quadro, como bombeiros ou profissionais de saúde que lidam com pessoas traumatizadas. "É preciso que eles estejam preparados para trabalhar com crises, com sofrimento intenso, com luto. Porque eles também podem chegar a um limite e até adoecer." Franco afirma que também merecem atenção vizinhos da escola e outros moradores de Suzano. "De repente Suzano, uma cidade pacata, ficou associada ao massacre - alguns passaram a se referir 'ao drama de Suzano'. É uma marca, uma ferida, e isso é sério. O tecido social sofreu um rombo." Ela diz que, além dos atendimentos individuais, o trauma precisa ser trabalhado de maneira coletiva. "É importante pensar em formas de unir os alunos, as escolas, as várias comunidades envolvidas. É daí, do coletivo, que virá a força de reconstrução." Cerimônias em homenagem às vítimas são uma das ferramentas mais eficazes para o enfrentamento do luto após tragédias Reuters Estresse Traumático Secundário Em artigo publicado em 2018 pela Vanderbilt University (EUA), o pesquisador Chad Buck, PhD em Psicologia Clínica, diz que os sintomas do trauma vicário ou estresse traumático secundário são semelhantes aos do TEPT, mas menos intensos. Segundo ele, a condição pode envolver fadiga crônica, tristeza, raiva, exaustão emocional, vergonha, medo e desconexão, entre outros sentimentos. Segundo Buck, embora os estudos sobre esse distúrbio enfoquem profissionais de saúde mental, outras pessoas podem desenvolver os mesmos sintomas. "Quem já vivenciou eventos semelhantes, tem TEPT pré-existente ou outras questões de saúde mental tem maior risco de sofrer uma acentuação dos sintomas e o desenvolvimento de estresse traumático secundário", diz o psicólogo. 'Divisor de águas' Para Maria Helena Franco, o massacre será "um divisor de águas" para os alunos sobreviventes. "Há uma situação muito particular que agrava a situação: eles são ao mesmo tempo sobreviventes e testemunhas. São duas experiências muito fortes." Franco afirma que o acompanhamento dos jovens deve levar em conta os registros sensoriais vinculados a traumas, como barulhos, cheiros, cenas e movimentos. "O cuidado precisa ser voltado para os registros que, se não forem tratados, vão ficar." Segundo ela, o acompanhamento tem de durar vários anos. "É um trabalho de longuíssimo prazo." Pessoas expostas a vídeos ou notícias de eventos traumáticos também podem precisar de cuidados, segundo especialistas Reuters Estudos sobre TEPT Nos Estados Unidos, muitos pesquisadores estudam o impacto de massacres na saúde mental de sobreviventes e comunidades afetadas. Em um artigo publicado em setembro de 2018, a revista da American Psychological Association lista uma série de conclusões dessas pesquisas. Uma delas revelou que pessoas que se feriram em massacres, viram pessoas serem atingidas, perderam amigos ou sentiram que suas vidas corriam perigo têm muito mais chances de desenvolver sintomas de transtorno de estresse-pós traumático (TEPT) e outros distúrbios mentais do que as que conseguiram se esconder ou estavam mais distantes do incidente. O artigo diz que pessoas que já têm sintomas de distúrbios mentais - como ansiedade ou depressão - estão mais sujeitas a desenvolver TEPT, assim como as que se sentem culpadas por não terem salvado pessoas que morreram. Já as que têm redes de apoio mais sólidas, especialmente da família, tendem a ser menos afetadas. O National Center for PTSD, organização que pesquisa o transtorno de estresse-pós traumático nos EUA, afirma que 28% das pessoas que testemunham massacres desenvolvem TEPT. O índice, segundo o órgão, mostra que os sobreviventes desses incidentes estão mais sujeitos a distúrbios mentais do que pessoas que enfrentam outros tipos de trauma, como desastres naturais. Estágios na superação do trauma A American Psychological Association diz que os sobreviventes de massacres costumam passar por três etapas no processo de superação do trauma. A primeira, imediatamente após o evento, geralmente envolve os sentimentos de negação, choque e descrença. Nesse momento, profissionais de saúde mental podem ajudá-los oferecendo informações e explicando que suas reações são normais. Na segunda fase, que se inicia entre alguns dias e semanas após o massacre, são comuns os sentimentos de medo, raiva, ansiedade, dificuldade em prestar atenção, problemas para dormir e depressão. Na última etapa, vários meses após o ataque, os sentimentos negativos tendem a se dissipar para a maioria dos sobreviventes. Já alguns podem precisar de cuidados especiais - especialmente quando apresentarem quadros persistentes ou abuso de substâncias químicas. "Eventos em homenagem às vítimas - particularmente os que são concebidos e conduzidos por estudantes e a comunidade - são os mais eficientes para ajudar na recuperação depois de um massacre", diz a associação, citando um estudo realizado após um ataque que provocou seis mortes na Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, em 2014. Initial plugin text
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15/03 - Como pesquisadores brasileiros descobriram quase por acaso três novos aglomerados de estrelas
Cientistas da UFMG são os primeiros brasileiros a descobrirem aglomerados de estrelas a partir de imagens capturadas pelo satélite Gaia, lançado em 2013 pela Agência Espacial Europeia e que criou um mapa em 3D da Via Láctea. Pesquisadores do departamento de Física da UFMG identificaram três novos aglomerados de estrelas em movimento na Via Láctea e os batizaram em homenagem à universidade Mike Read (WFAU), UKIDSS/GPS and VVV Tão logo as imagens em alta definição capturadas pelo satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia, foram divulgadas publicamente no ano passado, o físico mineiro Filipe Andrade Ferreira, de 27 anos, baixou os arquivos e começou a usar uma técnica elaborada por ele para identificar objetos em ambientes muito densos do espaço. Para a surpresa de Ferreira, que é doutorando em astrofísica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a ferramenta não apenas funcionou como lhe permitiu um feito inédito: descobriu três novos aglomerados - clusters - de estrelas em movimento na Via Láctea. Segundo o cientista, é a primeira vez que pesquisadores brasileiros descobrem aglomerados a partir das imagens do Gaia, lançado em 2013 e que, desde o ano passado, permite acessar imagens em 3D da galáxia da qual o sistema solar faz parte. Ferreira conta que a descoberta foi quase por acaso. "Estava em casa numa tarde mexendo nos dados, não estava procurando aglomerados. Primeiro vi dois montinhos desconhecidos, o terceiro descobri depois. Fiquei empolgado, mas logo pensei que não podia ser possível. Perguntei: será mesmo que ninguém mais achou esses caras?", recorda o pesquisador que, depois de consultar bases de dados, mandou uma mensagem para o telefone do orientador. "Acho que descobri uns carinhas novos", escreveu. Assim que recebeu a mensagem do aluno, o professor Wagner Corradi mobilizou a equipe do laboratório de astrofísica da UFMG para conferir se "os carinhas" eram mesmo novos aglomerados até então não identificados. Além de Ferreira, que tem se dedicado a explorar áreas densas do Universo, e Corradi, que estuda onde nascem as estrelas, o laboratório conta com pesquisadores como Mateus Angelo e Francisco Maia, que estudam as estrelas mais jovens e as muito velhas, respectivamente - os quatro assinam a publicação junto com o também professor da UFMG João Francisco Santos. Confirmada a descoberta, os pesquisadores correram para dar nome aos três aglomerados e para publicar os resultados do estudo. O professor da UFMG Wagner Corradi e o doutorando Filipe Ferreira assinam, com outros três pesquisadores, artigo publicado na revista científica inglesa Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Cortesia/Wagner Corradi Os aglomerados foram batizados em homenagem à universidade e os cinco pesquisadores da UFMG assinaram um artigo na edição de março da conceituada revista científica inglesa Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. "É uma descoberta importante porque foi de uma equipe de brasileiros totalmente radicados no Brasil, e mostra como investimento em pesquisa é fundamental", afirma Corradi, acrescentando que achados como o desses três aglomerados ajudam a entender melhor a evolução das galáxias bem como de onde viemos. Centenas de estrelas Corradi diz que a descoberta não foi meramente golpe de sorte. Salienta que o laboratório, a partir dos estudos de Filipe, criou uma metodologia que permite avaliar deslocamento de objetos e medir distâncias percorridas em zonas densas do Universo. Além disso, afirma o professor, o aluno tem o mérito de ter "mergulhado" numa área considerada mais jovem para os parâmetros estelares, que normalmente é mais difícil de ser analisada. Cada um dos aglomerados identificados pelos pesquisadores brasileiros reúne mais de 200 estrelas ligadas por meio da gravidade. O UFMG 1 tem cerca de 800 milhões de anos e está a 5,2 mil anos luz do Sol. Já o UFMG 2, o maior e mais velho dos aglomerados, existe há aproximadamente 1,4 bilhão de anos, tem 600 estrelas e está a uma distância de 4,8 mil anos luz. O UFMG 3, por sua vez, tem idade estimada em 100 milhões de anos e está a uma distância do Sol similar a do UFMG 2. Um aglomerado é formado por estrelas que nasceram simultaneamente na mesma região, têm características físicas semelhantes e se movimentam de forma muito parecida. Com o tempo, estrelas de aglomerados tendem a perder a conexão. Pesquisadores do departamento de Física da UFMG identificaram três novos aglomerados de estrelas em movimento na Via Láctea e os batizaram em homenagem à universidade Cortesia/Wagner Corradi Próximos passos Depois da descoberta, os pesquisadores da UFMG pretendem explorar duas novas frentes. Além de buscar mais detalhes desses três aglomerados, eles pretendem aplicar o método para procurar e catalogar novos grupos de estrelas que permanecem escondidos e sem identificação. "Temos 40 possíveis candidatos", diz o professor Wagner Corradi, salientando a importância do trabalho do satélite Gaia para a astrofísica. O satélite Gaia foi lançado com a missão de fazer uma espécie de "censo estelar" da Via Láctea. Durante cinco anos, coletou dados que estão sendo considerados como o mais completo catálago de estrelas já feito, segundo a Agência Espacial Europeia. Trata-se do maior mapa em três dimensões da nossa galáxia feito a partir de informações recebidas por um satélite que já está provando ser revelador. Segundo Corradi, apesar de pesquisadores de todo o mundo estarem debruçados sobre as imagens coletadas pelo Gaia, estima-se que apenas 1% das estrelas registradas serão medidas. O equipamento mediu com alta precisão cerca de 1,7 bilhão de estrelas e revelou, de acordo com a ESA e, conforme indica a descoberta dos pesquisadores braisleiros, coletou detalhes da nossa galáxia nunca antes vistos. Além de permitir novas descobertas de objetos no espaço, a astronomia, afirma o professor da UFMG, tem contribuído para avanços em outras áreas. Por exemplo, câmeras de altíssima resolução com grande capacidade de processamento, desenvolvidas para a astronomia, foram usadas como base tecnológica para criar câmeras de celular de que hoje milhões de pessoas usufruem. "Sabemos das dificuldades de financiamento, mas para avançar é preciso investir. Não teremos condições de evoluir na pesquisa sem apoio. O esforço da equipe que se dedicou ao Gaia é prova disso", avalia Wagner Corradi.
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