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20/11 - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto registra 1º parto de quadrigêmeos em 20 anos
Benício, Arthur, Heitor e Alice nasceram prematuros. Mas, saudáveis, já se preparam para ir para casa com os pais. Caso ocorre uma vez a cada 700 mil gestações, dizem especialistas. HC de Ribeirão Preto registra o primeiro parto de quadrigêmeos nos últimos 20 anos O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP) registrou o primeiro parto de quadrigêmeos em 20 anos. Há um mês, Benício, Arthur, Heitor e Alice chegaram ao mundo, prematuros de 31 semanas. Agora, eles se prepararam para deixar o quarto da unidade de saúde e ir para casa com os pais, Priscila Fenato e Alexandre Fenato. “A maior preocupação era com a saúde, para saírem bem daqui. A hora que forem para casa, vamos dar conta, com a ajuda da família”, diz o pai. A gestação de quadrigêmeos, considerada rara pela medicina, ocorreu de forma natural, segundo o casal. Especialistas relatam que o fenômeno na reprodução humana acontece em uma gravidez a cada 700 mil. Pais dos quadrigêmeos demonstram a alegria com a chegada dos bebês Luciano Tolentino/EPTV Preparação Alexandre é professor e Priscila é auxiliar administrativa. Os dois planejavam ter filhos, mas o exame que confirmou os quatro bebês superou todas as expectativas do casal. “Às vezes, a gente para e pensa. Tem dia que caiu a ficha, mas tem dia que não caiu a ficha ainda. Eu queria dois filhos e ela queria um filho. Aí a gente viu que, na verdade, a gente não manda muito nisso, né?”, diz Alexandre. Aos poucos, o susto foi sendo compensado pela perspectiva da chegada dos bebês. Priscila passou a ser acompanhada por uma equipe médica, mas havia riscos por causa da complexidade do quadro. Por causa disso, ela passou a ser acompanhada no HC. “Quando começamos com o caso da Priscila, todos ficaram preocupados. Mas vimos que, com o empenho dela e de toda a equipe, conseguimos ter uma gestação e nascimentos satisfatórios. Foi um exemplo para todos”, afirma Ricardo Cavalli, médico e professor de obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Há um mês, Benício, Arthur, Heitor e Alice chegaram ao mundo, prematuros de 31 semanas. Luciano Tolentino/EPTV “Fomos tranquilizados pelos médicos e curtimos a gestação, seguindo tudo que tinha que fazer para a saúde das crianças e da mãe”, diz Alexandre. Nascimento Segundo o médico, o parto das crianças aconteceu sem nenhuma intervenção anormal, há um mês. "Foi preparado para que o processo fosse bem sucedido. Nós tínhamos a preocupação da prematuridade, pois os bebês eram de 31 semanas. Mas, todos os profissionais estavam prontos para recebê-los", diz Cavalli. Desde o nascimento, os quatro irmãos receberam cuidados intensivos para que pudessem se desenvolver de forma saudável. Hoje, pesando dois quilos cada um, eles conseguem mamar de três em três horas. “No terceiro dia de vida, eles não dependiam de aparelhos mecânicos. Posteriormente, veio a batalha do ganho de peso. Eles foram ganhando peso e, consequentemente, vieram para o quarto com a Priscila”, afirma o médico. Pais de primeira viagem cuidam dos quadrigêmeos recém-nascidos no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, SP Luciano Tolentino/EPTV Quatro berços lotam o espaço reservado para a família no hospital. “É inexplicável, não dá para acreditar que quatro crianças estavam dentro da minha barriga. Nunca imaginei ser mãe de quatro, sempre comentava que teria apenas um filho. Agora, é só alegria”, diz a mãe. Amor não vai faltar Os bebês são aguardados ansiosamente pelos avós em casa e os pais já contam com aquele apoio na hora de cuidar de meninada. “De três em três horas é preciso alimentá-los com leite, além disso, são, pelo menos, 30 fraldas por dia. Por isso, vamos precisar de ajuda dos avós. No final, tudo dá certo”, diz Priscila. A avó Maria Aparecida Betiatti Fenato diz que o coração está cheio de amor e que os quatro pequenos são um grande presente. “Tem quatro bebês para dar todo esse amor. São meus primeiros netos e nunca imaginei ter quatro de uma vez só. É uma felicidade imensa e uma graça de Deus infinita”. Pais e avós seguram quadrigêmeos no colo em Ribeirão Preto, SP Luciano Tolentino/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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19/11 - Por que as pessoas mentem mais quando pensam em sexo?
Segundo estudo, tendemos a 'distorcer' a verdade para que pessoas em que estamos interessados tenham opinião mais favorável sobre nós. Por que as pessoas mentem mais quando pensam em sexo? BBC Pensar em sexo nos torna mais propensos a mentir? Uma pesquisa da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e do Centro Interdisciplinar Herzliya, em Israel, fez uma descoberta reveladora: quando pensamos em sexo, nosso barômetro de honestidade fica distorcido, e tendemos a "ajustar" a verdade para que as pessoas em que estamos interessados tenham uma opinião mais favorável sobre nós. Veja aqui o vídeo Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores conduziram experimentos com pessoas heterossexuais de 21 a 32 anos. Infecções sexualmente transmissíveis estão em alta; saiba como se proteger 'Fiz laqueadura aos 25 anos e realizei um sonho' Eles dividiram os participantes em dois grupos. Um deles foi submetido a um processo que os pesquisadores descreveram como 'condicionamento sexual' e outro que não. O estudo constatou que as pessoas do primeiro grupo, quando falavam deles próprios a possíveis parceiros sexuais, tinham 30% mais chances de mentir para “ajustar” seus interesses aos do possível parceiro. Elas também diziam que o número de pessoas com as quais fizeram sexo era menor do que o real. Os pesquisadores concluíram que "as pessoas vão fazer e dizer praticamente qualquer coisa para criar um vínculo com alguém em que estejam interessadas".
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19/11 - PepsiCo faz recall de salgadinho Fandangos sabor presunto
De acordo com a empresa, produto contém proteína de leite, mas aviso na embalagem diz apenas que 'pode conter leite'. Salgadinho não é recomendado para pessoas alérgicas. Procon diz que consumidor prejudicado pode pedir ressarcimento. Fandagos passa por recall Divulgação/PepsiCo A empresa do setor de alimentos PepsiCo Brasil anunciou um recall de alguns lotes do salgadinho Fandangos sabor presunto. Em comunicado, a empresa diz que o produto não pode ser consumido por pessoas alérgicas à proteína de leite. O Procon-SP afirmou nesta terça (19), que "consumidores que sofreram algum problema pela ingestão do produto poderão solicitar, por meio do Judiciário, a reparação dos danos". Turistas acham no mar salgadinho vencido há 20 anos e post viraliza Segundo a PepsiCo, as unidades do produto prejudicadas são aquelas com validade entre 02/12/2019 e 17/02/2020, dos seguintes lotes: Embalagens 164g: Lotes LA 258 a LA 303, Lotes LB 260 a LB 296, Lotes LC 261 a LC 269, Lotes LD 261 a LD 288 Embalagem 59g: Lotes LA 236 a LA 306, Lotes LC 226 a LC 273, Lotes LD 232 a LD 288 Embalagem 22g: Lotes LA 290 a LA 300 Embalagem 23g: Lotes LC 237 Embalagem 54g: Lotes LC 268 a LC 273 Embalagem 280g: Lotes LB 238 a LB 296 e Lotes LD 269 a LD 289 Embalagem 44g: Lotes LB 285 a LB 296 e Lotes LD 282 a LD 283 Lanchinho Sortido 101g: Lotes LA 284 a LA 308 e Lotes LD 273 a LD 298 O recall se deve ao fato de que as embalagens dos produtos dizem apenas que "Pode conter leite", em vez de "Contém leite". De acordo com o Procon-SP, a PepsiCo Brasil deve apresentar os esclarecimentos que se fizerem necessários, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor. "A PepsiCo esclarece que os produtos estão perfeitos ao consumo do público em geral e não apresentam problemas de fabricação. Contudo, caso você seja alérgico às proteínas do leite, a PepsiCo orienta a não consumir o produto, pois este pode causar reações alérgicas com riscos à sua saúde", afirma a empresa, em nota. Ainda segundo a empresa, "todos os demais itens e lotes da linha Fandangos estão com informações corretas em suas embalagens". Consumidores podem contatar a PepsiCo pelo telefone 0800 703 4444 e pelo e-mail sacfandangos@pepsico.com.
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19/11 - Crianças transgênero se sentem tão meninas ou meninos quanto as cisgênero, diz estudo
Cientistas recrutaram 317 crianças trans e 316 crianças cisgênero (aqueles cuja identidade de gênero corresponde ao sexo ao qual foram designados no nascimento) para comparar o desenvolvimento do gênero entre os indivíduos. Uma pessoa segura bandeira do movimento trans Brendan McDermid/Reuters/Arquivo Crianças transgênero se sentem tão meninas ou meninos quanto seus equivalentes não transgênero, de acordo com um grande estudo realizado com crianças americanas que permitiu que observadores vissem como os jovens se enquadram nas normas sociais de gênero. 'Masculinidade tóxica' reduz expectativa de vida de homens na América, diz Opas Os autores do estudo, pesquisadores da Universidade de Washington que publicaram suas descobertas nesta segunda-feira (18) na revista científica "Pnas", recrutaram 317 crianças trans com entre três e 12 anos, que compararam com seus irmãos e irmãs, assim como 316 crianças cisgênero (aqueles cuja identidade de gênero corresponde ao sexo ao qual foram designados no nascimento). O objetivo do estudo era comparar o desenvolvimento do gênero de crianças trans e cisgênero para ver se as crianças que haviam feito a transição para outro gênero diferiam daquelas que haviam vivido a vida inteira se identificando como menino ou menina. O processo de transição para crianças geralmente envolve uma mudança de pronome, e com frequência de roupas, corte de cabelo e nome. Transgênero é a pessoa que se identifica com o gênero oposto ao qual ela nasceu. Não há relação com orientação sexual. Alexandre Mauro / G1 Os pesquisadores estudaram os brinquedos que as crianças preferiam, quem eram seus principais companheiros de brincadeira e se suas roupas eram mais femininas ou masculinas. Eles observaram uma forte consistência entre as crianças. "As pessoas questionam se essas crianças estão fingindo ou se é apenas uma fase", disse à AFP Selin Gulgoz, o primeiro autor do estudo. Ela disse que na realidade "as crianças transgênero não apenas mostram preferências de identidade e tipo de gênero consistentes com sua atual identidade de gênero, mas também as mostram na mesma medida que as crianças cisgênero". Em outras palavras, um garoto trans de 10 anos, que pode ter passado nove anos de sua vida sendo tratado como uma garota por causa de seu sexo de nascimento, em geral se comporta como qualquer outro garoto de 10 anos, a julgar por suas escolhas de amigos e brinquedos, disseram os pesquisadores. Uma pequena diferença foi observada na escolha das roupas - as crianças trans tendiam a estar mais dispostas a se adequar a roupas estereotipadas masculinas ou femininas do que seus pares cisgênero.
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19/11 - 'Masculinidade tóxica' reduz expectativa de vida de homens na América, diz Opas
Comportamentos "machistas" contribuem para maiores taxas de mortalidade por suicídio, homicídio, vícios e acidentes de trânsito, além de doenças não transmissíveis, dizem os especialistas. A "masculinidade tóxica" reduz expectativa de vida de homens na América Winner01/Pixabay Em todo o continente, os homens vivem 5,8 anos a menos que as mulheres devido a comportamentos associados às expectativas sociais de seu gênero, afirma a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no relatório "Masculinidades e saúde na Região das Américas", publicado nesta segunda-feira (18). "Existe uma estreita relação entre masculinidade e saúde. Os papéis, normas e práticas impostas socialmente aos homens exigem ou reforçam sua falta de autocuidado e até negligenciam sua própria saúde física e mental", aponta o relatório. 'É preciso combater a masculinidade tóxica', diz médico vencedor do Nobel da Paz A identidade de gênero se reflete em problemas diários específicos, como a adoção de riscos ocupacionais ou de direção, o sexo desprotegido, o consumo excessivo de álcool ou a falta de ajuda em face de distúrbios emocionais. Esses comportamentos "machistas" contribuem para maiores taxas de mortalidade por suicídio, homicídio, vícios e acidentes de trânsito, além de doenças não transmissíveis, dizem os especialistas. Segundo o relatório, um em cada cinco homens na região morre antes dos 50 anos, um número que eles consideram "alarmante". No caso das mulheres, esse percentual só é alcançado quando completam 60 anos. Homens e mulheres morrem de forma semelhante por problemas respiratórios e diabetes. Mas existem causas importantes de morte relacionadas à maneira como a masculinidade é exercida: violência interpessoal (na qual se destacam os homicídios, à taxa de sete homens por mulher), trauma devido ao trânsito (três por um) e cirrose hepática causada pelo álcool, que é duas vezes maior entre os homens do que entre as mulheres. Afrodescendentes e indígenas, mais afetados Os homens morrem nas Américas principalmente devido a doenças cardíacas, violência interpessoal e trauma devido ao trânsito, mas outras causas de morte surgem predominantemente dependendo da área. No Caribe, destaca-se a Aids, enquanto no caso latino-americano há mais cirrose hepática e violência interpessoal, e na América do Norte se destacam a doença de Alzheimer e outras demências, além de suicídio e câncer de próstata, cólon e reto. 'É importante que homens se engajem na luta contra violência sexual', diz Nobel da Paz A discriminação com base na idade, etnia, pobreza, tipo de emprego e sexualidade agrava ainda mais esses resultados negativos para a saúde dos homens, segundo o relatório. A população LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e transexuais), bem como os afrodescendentes e os indígenas apresentam mais problemas de saúde do que o restante da população. Esses homens morrem mais e têm uma menor expectativa de vida. O estudo enfatiza que essa análise da saúde masculina na perspectiva de gênero seria "impensável" sem o antecedente do feminismo e exige "mobilizar a vontade política e os recursos necessários" para contemplar as necessidades de homens e mulheres. "O termo gênero foi assumido como sinônimo de 'mulher'. As masculinidades tornaram-se invisíveis ou naturalizadas, e as diferenças e desigualdades entre ambos os sexos e em cada um deles não foram abordadas", alerta. Como remediar o impacto negativo das "masculinidades tóxicas"? Algumas das recomendações incluem melhorar a divulgação de dados, desenvolver políticas públicas e programas específicos de saúde, remover barreiras ao acesso aos cuidados, promover educação em saúde, capacitar trabalhadores do setor e direcionar a prevenção para crianças e jovens.
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19/11 - Pressão por sucesso e agenda cheia pode gerar burnout em crianças, diz psicóloga francesa
A especialista francesa Aline Nativel Id Hammou, que se prepara para lançar um livro sobre o 'burnout' infantil, recebe em seu consultório jovens pacientes exaustos, muitas vezes em depressão. Crianças podem dar sinais por meio de desenhos Reprodução/TV Cabo Branco Uma criança sem problemas de saúde pode se sentir tão cansada, a ponto de não ser mais capaz de dar continuidade a suas atividades cotidianas? Esse sentimento, descrito por profissionais que viveram um burnout, não se restringe aos adultos. Escola, aulas de reforço, inglês, balé, judô, natação, música e muitos eventos sociais sobrecarrega meninos e meninas de idades variadas. Entenda diferenças entre burnout, estresse e depressão “Recebi em meu consultório, durante mais de um ano, uma menina de oito anos que, por pelo menos seis meses, a cada 15 dias, vinha sábado de manhã e dormia no tapete. Eu a deixava dormir. Quando ela ia embora, me dizia: obrigada”, diz a psicóloga francesa Aline Id Hammou, especialista em burnout infantil. Esse é um dos relatos surpreendentes que a especialista francesa faz em seu novo livro, que será lançado no início de janeiro na França. O título é "La charge mentale chez l’enfant quand nos exigences les épuisent" (“A carga mental nas crianças quando nós exigimos demais delas”, em tradução livre). A obra, contou a psicóloga à RFI, é resultado de mais de cinco anos de experiência profissional com jovens pacientes que vivenciaram uma situação de exaustão generalizada. “Hoje em dia, ser criança é uma profissão de gente grande, com expectativas, exigências, metas e atribuição de funções”, explica. De acordo com a psicóloga, a sociedade, que inclui pais, escolas e família, cobra um esforço que muitas vezes ultrapassa os limites das crianças, esperando, dessa maneira, garantir o sucesso delas no futuro - a chamada réussite, em francês. Essa pressão, ressentida no cotidiano, é muita parecida com a sensação descrita pelos adultos que vivenciaram um burnout profissional – um nível de exaustão tão profundo que torna a pessoa incapaz de dar continuidade a suas atividades cotidianas, com efeitos diretos na saúde mental e física. O excesso de tarefas no dia a dia, ressalta Aline Nativel, exige esforço, concentração e dedicação. As exigências e obrigações são tantas que geram sobrecarga mental. “Tudo isso é repetitivo, tem efeito cumulativo e, principalmente, a criança não vê sentido”, diz. O resultado, como em um adulto estressado, é um cansaço generalizado que leva a uma exaustão física e mental. Fenômeno ocidental Essa tendência, diz a psicóloga, é relativamente recente e atinge, do seu ponto de vista e experiência, principalmente as culturas ocidentais. Este comportamento é um reflexo da ansiedade em relação ao futuro e seus desafios: transformação do mercado do trabalho, crise econômica e aquecimento global, que provocam um sentimento de insegurança generalizado. Essa sensação, vivida pelos adultos, é projetada nas crianças. “Elas acumulam solicitações sociais, físicas, cognitivas e emocionais. Esperamos que sejam bem-sucedidas. Os adultos, com frequência, não veem a diferença entre o sucesso e a felicidade”, observa. A pressão em excesso impossibilita à criança evoluir por etapas – o mundo exige rapidez, resistência e bom desempenho. Muitos pais, observa a especialista, não aceitam a ideia de que seus filhos possam, em algum momento, fracassar.  Esse comportamento incita uma busca pelo perfeccionismo que está na origem do burnout, muitas vezes extremamente precoce. Síndrome de burnout é um esgotamento físico e mental Os sintomas do stress nessa idade incluem, além do cansaço, a falta de disposição para brincar, de concentração, pouco apetite e dificuldades para dormir. “Sobretudo, essa criança vai sorrir cada vez menos e se transformar em um adulto em miniatura”, descreve Aline Nativel. Este é o caso do mais jovem paciente da psicóloga, de apenas quatro anos. Vítima de um excesso de estímulos por parte dos pais, a especialista o incita a brincar em seu consultório, porque, para ele, isso “é coisa de criança.” Extremamente intelectualizado, o menino se preocupa o tempo todo em agradar os pais e denota uma seriedade atípica para a idade. “Sempre digo que ele tem direito de fazer besteiras”, declara a psicóloga. “E ele responde que não pode, porque é grande, e os grandes não fazem besteira.” No caso desse paciente, foi a própria escola que notou um comportamento diferente e sugeriu que os pais buscassem ajuda. Em situações como essa, o tratamento se estende à toda a família, que muitas vezes não aceita o diagnóstico. A tendência, explica a especialista francesa, é os pais acreditarem que o filho é superdotado, e por isso excessivamente intelectualizado para a idade. Ideal de perfeição Na adolescência, o burnout se expressa através de uma perda de confiança e tendência à autodestruição. “Eles vão fazer de tudo para mascarar seu proprio mal-estar. Às vezes, por exemplo, não vão dormir para acabar uma tarefa, o que gera sonolência durante o dia. Vão fazer coisas demais, o que causa problemas de concentração, além da depressão e da fobia, que pode se manifestar em crianças de 11 ou 12 anos”, alerta. Em algumas situações, as pequenas vítimas de burnout, inclusive no jardim de infância, devem também ser acompanhadas por um psiquiatra e tomar antidepressivos e ansiolíticos. Uma das pistas para evitar o problema, acredita a psicóloga, é sensibilizar e conscientizar as escolas e os pais, criando, por exemplo, atividades de relaxamento dentro dos estabelecimentos. Relativizar a ideia do “sucesso” também seria um bom caminho. De qualquer maneira, lembra, em qualquer idade, a busca pelo perfeccionismo gera angústias que podem desencadear doenças mentais. “É impossível ser você mesmo quando se quer encarnar um ideal de perfeição”, conclui a psicóloga.
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19/11 - Obesidade traz fatores de risco diferentes para homens e mulheres
Para elas, diabetes é a maior preocupação; para eles, doenças crônicas nos pulmões e nos rins O assunto é recorrente, mas bater nessa tecla significa salvar vidas. A obesidade é a segunda causa de morte evitável no mundo, perdendo somente para o cigarro. No Brasil, mais de 50% da população têm excesso de peso e mais de 40 milhões sofrem de obesidade. O que há de novo é que essa condição traz riscos diferentes para homens e mulheres, como mostra pesquisa liderada por Cecilia Lindgren, professora de endocrinologia da Universidade de Oxford, e publicada no fim de outubro na revista científica “PLOS Genetics”. Obesidade feminina: maiores chances de diabetes By Mallinaltzin - https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=9374350 Como a epidemia se tornou global, os cientistas passaram a investigar se o excesso de peso poderia levar – ou exacerbar – a outras causas de morte além de diabetes e doença cardiovascular. No Reino Unido, a equipe da doutora Lindgren se debruçou sobre dados de quase 230 mil mulheres e 195 mil homens e confirmou que a obesidade contribui para uma lista considerável de enfermidades: doença arterial coronariana (ou aterosclerose coronariana); diabetes tipos 1 e 2; acidente vascular cerebral; doença pulmonar obstrutiva crônica; câncer de pulmão; doença hepática gordurosa não alcoólica, ou seja, ocorre em pessoas que bebem pouco ou nem isso; doença hepática crônica; e insuficiência renal. O interessante é que, embora o diabetes tipo 2 provocado pela obesidade ocorra nos dois gêneros, as mulheres enfrentam um risco aumentado em relação aos homens. Eles, em compensação, têm mais chances de sofrer com doença obstrutiva pulmonar e problemas renais. De acordo com Jenny Censin, integrante da equipe, “o estudo deixou claro o perigo do sobrepeso para a saúde e como homens e mulheres experimentam diferentes enfermidades como resultado da obesidade”. Michael Holmes, que supervisionou o trabalho ao lado de Cecilia Lindgren, acrescentou: “esses achados reforçam a necessidade de adoção de medidas de saúde pública para frear essa epidemia”.
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19/11 - Brasileira na Nasa revela que Titã, uma lua de Saturno, tem ciclo hidrológico parecido com o da Terra
Maior lua do planeta é a única a ter uma atmosfera densa no Sistema Solar. Missão Cassini e Voyager 2 fizeram pesquisas em um dos lugares mais estudados pelos astrônomos. Mapa geológico de Titã Nasa/JPL-CalTech/ASU Desde que a sondas Pionner 10 e 11 visitaram os gigantes gasosos na década de 1970, a maior lua de Saturno, Titã, é um dos lugares mais estudados do Sistema Solar. Isso porque, nas imagens das duas sondas, nenhum detalhe de sua superfície pode ser visto. Tudo bem que as câmeras eram meio tosquinhas até em comparação com outras de sua época, mas outras luas revelaram características de suas superfícies. Em vez de crateras e penhascos, Titã exibia uma pálida coloração amarela-alaranjada. A conclusão, depois confirmada pelas sondas Voyagers, era que Titã é coberta por uma espessa atmosfera. A única lua do Sistema Solar a ter uma atmosfera densa. Foi por esse motivo que a sonda Voyager 1 foi planejada para fazer um sobrevoo exclusivo em Titã, abrindo mão de todo o resto do Sistema Solar exterior. Essa tarefa acabou ficando para sua irmã gêmea, a Voyager 2. Maior lua de Saturno, Titã orbita o planeta em imagem captada pela sonda Cassini, da Nasa. Os anéis de Saturno são planos e vistos como uma linha fina, parecendo 'espetar' Titã. NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute/J. Major Quando a Nasa decidiu por uma missão a orbitar Saturno, uma das missões principais da sonda Cassini foi estudar Titã fazendo diversos sobrevoos. Nessas rasantes, a sonda utilizou seu radar para penetrar na atmosfera e mapear o solo do satélite. Além disso, seus instrumentos no infravermelho também ajudaram a entender o que havia por baixo das nuvens. Brasileiro já 'emplacou' nove imagens em site da Nasa Robô da Nasa faz nova selfie após 2,5 mil dias marcianos em missão A atmosfera de Titã é composta basicamente por metano e nitrogênio e sua pressão chega a ser 45% maior do que a pressão atmosférica. Sendo densa assim, seria possível manter algumas substâncias em estado líquido. Não há água, já que a temperatura por lá é de -180 graus Celsius! Mas com metano na atmosfera, as chances de haver metano líquido não são pequenas, já que a essa temperatura ele pode se condensar. Quando a Cassini começou suas observações com seu radar, encontrou de fato metano líquido, talvez até etano, mas mais do que isso, encontrou lagos e até mares dessa substância! Com o passar dos anos – a missão Cassini durou 13 anos – a superfície de Titã foi sendo mapeada aos poucos, combinando-se as informações de radar e de infravermelho. Ilustração do orbitador Cassini cruzando o plano do anel de Saturno. Novas medidas da massa dos anéis dão aos cientistas a melhor resposta até agora sobre a idade deles. Nasa/JPL-Caltech Depois de 13 anos de dados coletados e mais de 2 anos analisando todas as imagens, a geóloga planetária brasileira radicada nos EUA, Rosaly Lopes, do Laboratório de Propulsão à Jato da NASA, publicou nesta semana um estudo com o mapa mais completo de Titã até hoje conhecido. Esse mapa geológico global permite identificar lagos, mares, planícies e dunas de areia. O mapa é tão detalhado que é possível identificar a ação do ciclo hidrológico de Titã, que é igual ao da Terra, com a diferença que aqui o elemento ativo do ciclo é a água. Durante todos esses anos de mapeamento, foi possível ver lagos diminuírem de tamanho até desaparecerem totalmente durante épocas em que a lua se aquecia. Para depois reaparecer em épocas de temperaturas mais amenas. Em outras palavras, era possível o ciclo de evaporação e chuva do metano em Titã! Foi possível, inclusive, ver a ação desse ciclo hidrológico no terreno, através da erosão provocada no leito dos rios de metano e na mudança nos campos de dunas. As imagens da Cassini por vezes mostravam a formação de nuvens de metano que iam desaparecendo aos poucos, conforme se dissipava com o vento ou mesmo com a precipitação. "Titã tem um ciclo hidrológico ativo baseado em metano que formou uma paisagem geológica complexa, fazendo de sua superfície a mais diversa em termos geológicos do Sistema Solar," disse Lopes em entrevista. Ela acrescentou, ainda, que mesmo com diferenças grandes de temperatura, pressão, gravidade e principalmente de substância ativa, as semelhanças entre rios, lagos e vales encontrados na Terra e em Titã mostram que o processo geológico que os criou deve ser o mesmo. Fotos mostram pedaço de ilha desaparecendo em lago de metano em Titã Nasa/ESA Além do interesse geológico, Titã também é de interesse na busca por vida. Para que ela surja e se desenvolva, um dos pré-requisitos é haver um meio líquido. A vida como se conhece é baseada na água, mas metano e etano líquidos poderiam ser esse meio aquoso. É claro que a vida baseada em hidrocarbonetos líquidos seria muito diferente da vida baseada em água e provavelmente não haveria estruturas muito mais complexas do que seres unicelulares. Ainda assim, seria vida e motivo de todo o interesse da ciência.
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18/11 - Conferência internacional discute mudanças no acesso ao aborto legal nos últimos 25 anos
No período, alguns países legalizaram aborto enquanto outros criminalizaram a prática. 97% dos abortos não seguros acontecem em países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina. Manifestantes protestam contra legalização do aborto durante ICPD25, em Nairóbi, no Quênia AFP O acesso ao aborto seguro progrediu no mundo desde a década de 1990, mas também deu alguns passos atrás em países onde a prática é criminalizada. Na Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (ICPD25, na sigla em inglês), organizada em Nairóbi, no Quênia, ativistas e pesquisadoras apresentaram estimativas sobre o aborto no mundo. Um dos objetivos da conferência é estabelecer medidas para reduzir a mortalidade materna. Em 1994, 179 países adotavam um programa sobre direitos reprodutivos das mulheres, segundo dados da ICPD organizada no Cairo naquele ano. Hoje, o número de países com acesso ao aborto legal aumentou, mas as organizações não possuem dados precisos de quantos lugares legalizaram a prática. Grupo pró legalização do aborto monta tenda após vítima de estupro ser agredida em frente a hospital público em SP 41% dos brasileiros são contra qualquer tipo de aborto, diz pesquisa "Vinte e cinco anos se passaram desde a conferência do Cairo e o aborto seguro segue sendo uma meta incompleta", disse Shilpa Shroff, da ONG Campanha Internacional pelo Direito das Mulheres ao Aborto Seguro, durante o evento. "Muitos países legalizaram o aborto, eu diria então que sim", responde a epidemiologista indiana quando questionada se a situação melhorou em relação ao acesso ao aborto seguro um quarto de século atrás. No entanto, "algumas leis foram revogadas", afirma. "Mas pelo menos as pessoas começaram a falar sobre isso, neste ponto avançamos. (Há 25 anos) era um tabu". Aborto pelo mundo Manifestantes pró e contra o direito ao aborto fazem manifestação em frente à Suprema Corte em Washington, nos Estados Unidos, em janeiro deste ano. Saul Loeb/AFP Segundo estimativas da organização, 56 milhões de abortos foram realizados todos os anos no mundo entre 2010 e 2014, dos quais cerca de metade - aproximadamente 25 milhões - ocorreu sem segurança. Essas práticas, realizadas por pessoas não qualificadas ou com poucas equipes médicas, contribuem para a mortalidade materna, cuja erradicação é um dos principais objetivos da ICPD25. A grande maioria desses abortos "não seguros" (97%) ocorre em países em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina, acrescenta Shilpa Shroff. A ativista afirma que "tornar o aborto ilegal não reduz o número de abortos, só faz com que sejam mais perigosos". Na América Latina, o aborto só é totalmente descriminalizado no Uruguai, Cuba e na Cidade do México. Em outros países, como o Brasil, o acesso é limitado e só é possível interromper a gravidez em caso de estupro, risco de vida para a mãe ou malformação grave do feto. Primavera árabe Desde 1994, o saldo é desigual na Ásia, onde apenas cinco países, incluindo a China, legalizaram totalmente a interrupção da gravidez. A situação também é inconstante no Norte da África e no Oriente Médio onde, por exemplo, o Iraque e a Argélia aumentaram as restrições ao aborto, dizem especialistas. Atualmente, no Oriente Médio, "80% das mulheres em idade fértil vivem em um país que restringiu o acesso ao aborto", declarou Hedia Belhadj, presidente da associação tunisiana Tawhida Bem Cheikh, que milita pela defesa da saúde das mulheres. Segundo ela, a primavera árabe, apesar de autorizar maior liberdade de expressão, também permitiu que "lobbies conservadores" usassem redes sociais contra os direitos das mulheres. Na África, as leis em torno desse assunto são consideradas muito restritivas em um quarto dos países. Seis deles, como a República Democrática do Congo e o Senegal, proibiram a prática completamente, independentemente das circunstâncias, de acordo com um relatório da Federação Internacional para o Planejamento Familiar (IPPF, na sigla em inglês), publicado em junho de 2018. "Nosso maior desafio é que o aborto está criminalizado. Uma mulher pode ser presa por isso. O que nós procuramos não é a legalização, mas a descriminalização", conta à AFP Ernest Nyamato, responsável para a África da ONG IPAS. "A barreira mais importante é a religião", assegura o médico queniano. "Outra luta é que, mesmo em países onde é legalizado, como na África do Sul, existem obstáculos: o sistema de saúde não oferece esse serviço, os profissionais não são qualificados."
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18/11 - 'Vícios têm origem em traumas e não estamos atacando as causas do problema', diz médico canadense
O médico Gabor Maté acredita que nossa abordagem sobre a dependência química está errada e precisa mudar. Ele explica à BBC o porquê. Gabor Maté defende abordagem que procure causas da dor emocional que leva ao abuso de substâncias e outros vícios BBC Qual é a sua opinião sobre dependência química? O médico canadense Gabor Maté acredita que precisamos repensar nossa abordagem ao assunto. O especialista e escritor best-seller ficou conhecido por seu trabalho sobre saúde mental com pacientes que sofrem com abuso de substâncias na área central de Vancouver. Alcoolismo: como o álcool altera nosso DNA e nos faz querer beber ainda mais Vício em videogame? Saiba como identificar Essa região da cidade canadense apresenta a maior concentração de uso de drogas na América do Norte. Em 2018, ele recebeu a Ordem do Canadá, a mais alta condecoração civil do país, por seu trabalho. No centro de sua abordagem, está a ideia de que todo vício tem origem em um trauma — e nem sempre é possível identificá-lo. Maté elenca, em suas próprias palavras, cinco pontos que nós não entendemos sobre o problema. 'Nós não estamos tratando a causa real do problema' Falta de vínculos, sentimento de isolamento, excesso de estresse são alguns dos estados emocionais que Gabor Maté relaciona ao alcoolismo BBC Para entender o que leva ao vício, é necessário observar seus benefícios. O que ele faz por você? As pessoas costumam dizer que o vício "oferecia um alívio para a dor, uma saída para o estresse, dava um senso de conexão, uma noção de controle, de significado, a sensação de estar vivo, entusiasmo, vitalidade". Em outras palavras, o vício preencheu uma necessidade humana que era essencial, mas que não tinha sido satisfeita na vida daquela pessoa. Todos esses estados — da ausência de conexão e do isolamento até o estresse no dia a dia — eram de dor emocional. Então, o que se deve perguntar sobre dependência química não é "qual é o vício?" mas sim "qual é a dor?". Quando se olha para uma população de dependentes químicos, o que se observa é que quanto mais adversidades na infância, maior o risco de dependência. Então, o vício está sempre relacionada ao trauma e às adversidades na infância — o que não significa que todas as pessoas traumatizadas se tornarão dependentes, mas que todos os dependentes passaram por traumas. O tratamento para isso exige muita compaixão, muita ajuda e muita compreensão, em vez de consequências severas, medidas punitivas e exclusão. Você imaginaria que, com a falha da maioria dos tratamentos, nós tomaríamos consciência e nos perguntaríamos, "será que entendemos de fato essa condição?". Mas isso não acontece muito no mundo médico. Nós não estamos encarando sua real natureza, como resposta ao sofrimento humano. Não estamos ajudando as pessoas a lidar com seus traumas e resolvê-los. O típico estudante de medicina nos Estados Unidos não participa de uma aula sequer sobre trauma emocional. Nós continuamos a perguntar "o que está errado com você?", quando deveríamos perguntar "o que aconteceu com você?". O vício não é uma escolha Gabor Maté afirma que 'ninguém escolhe sentir dor' BBC Outro mito sobre dependência química é de que seria uma escolha das pessoas que sofrem com ela. Todo o sistema legal baseia-se nessa ideia, então vamos puni-las para impedir outras de fazer essa escolha. Ninguém que eu conheça acordou em uma manhã e disse "meu objetivo é me tornar um dependente químico". O vício não é uma escolha que se faça, é uma resposta à dor emocional. E ninguém escolhe sentir dor. O vício não é genético O vício não é genético BBC Um dos maiores mitos sobre dependência é de que seria algo genético. Sim, isso vem de família. Mas por quê? Se eu sou alcoólatra e grito com meus filhos, que crescem e também recorrem ao álcool, eu transmiti isso a eles geneticamente? Ou isso se trata de um comportamento que eles desenvolveram porque eu reproduzi as mesmas condições em que cresci? Ter algo do tipo na família não diz nada sobre uma causa genética. Pode haver uma predisposição genética, mas isso não é o mesmo que uma predeterminação — ou seja, não significa que você seja geneticamente programado para ter um vício. Dependência química é comum A dependência química é comum e alarmante em nossa cultura, diz Gabor Maté BBC Outro mito é o de que o vício está restrito ao dependente químico, ou a alguns fracassados na nossa sociedade. Mas ela é comum e alarmante em nossa cultura. Quando observo essa sociedade, vejo vícios em quase todos os níveis, diversas compulsões. Mais do que isso, vejo toda uma economia baseada em atender a esses vícios. Você pode se viciar em praticamente qualquer coisa — até mesmo em música clássica 'Em um único dia, gastei 8 mil dólares em CDs', admite Maté BBC A dependência se manifesta em qualquer comportamento em que a pessoa encontre um prazer ou alívio temporário, e que passe a desejar intensamente. A pessoa, então, sofre as consequências negativas como resultado, mas não para — ou não consegue parar — apesar dos desdobramentos ruins. Isso pode incluir drogas, álcool, substâncias de todos os tipos. Também pode se relacionar a sexo, a jogos de azar, a compras, ao trabalho, a poder político, a jogos online... Praticamente todas as atividades podem ser viciantes, dependendo da nossa relação com elas. Contanto que haja constante desejo e alívio, com consequências negativas a longo prazo, e dificuldade de simplesmente parar, você tem um vício. Eu tive dois grandes vícios. Um deles era o trabalho, que me levou a ignorar minhas próprias necessidades e as da minha família para buscar sucesso e satisfação profissional. Essa dependência baseava-se em um sentimento profundo de que eu não era bom o bastante, de que precisava me provar, e em uma crença inconsciente de que eu não poderia ser amado e querido. O mundo, então, recompensa esse "workaholic altruísta". Eu também tive um vício em compras, em especial de CDs de música clássica. Em um único dia, gastei 8 mil dólares em CDs. Meu vício não era a música em si. Sim, eu amava a música, mas era viciado no ato de comprar. Não importava quantas coleções eu tivesse de um determinado compositor, eu tinha de comprar outra e mais outra. Por esse vício, eu cheguei a deixar uma das minhas pacientes em trabalho de parto, fui comprar um CD e perdi o nascimento do bebê. Esse era o impacto que a dependência tinha em mim. Talvez você pense que essa comparação é risível — como poderia comparar tal vício ao de pacientes dependentes de heroína? Mas meus próprios pacientes não riam quando eu contava a eles sobre isso. Eles balançavam a cabeça e diziam "é, doutor, a gente entende, você é como todos nós". O ponto é que assim somos todos nós. Ilustrações feitas por Neil Evan/easyanimal
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18/11 - 'Passei minha vida com medo de ser chamada de gorda, até descobrir o movimento Body Positivity'
Megan Jayne Crabbe tinha cinco anos quando ela entrou em uma guerra com seu corpo. Hoje, ela uma ativista de um movimento de positividade corporal. Megan Jayne Crabbe diz que o movimento de positividade sobre o corpo abriu seus olhos Natalie Lam Megan Jayne Crabbe tinha cinco anos de idade quando entrou em guerra com seu corpo. Em vez de fazer amigos em seu primeiro dia de aula, ela ficou se comparando a suas colegas e dizendo para si mesma que ela era "gorda". Agora, com mais de um milhão de seguidores no Instagram, ela recentemente foi ao Parlamento britânico defender que a gordofobia deve ser reconhecida como uma forma de preconceito. Demorou quase duas décadas para que Megan aceitasse seu corpo. Até então, ela saía e entrava de dietas, passou por anorexia e ficou um tempo internada em um hospital psiquiátrico. Aos 21, tendo abandonado a faculdade, ela chegou ao peso que queria. Mesmo assim, "odiava tudo" sobre si mesma. "Sabia que não importava o peso que eu atingisse, nunca seria o suficiente", diz Megan, agora com 26 anos. "Não podia continuar com aquela vida. Eu sabia que tinha de ter mais. Meu distúrbio alimentar tomou tanto de mim — perdi muito tempo, e me recusei a permitir que meu distúrbio tomasse mais de mim." "Deparei com a imagem de uma mulher no Instagram usando um biquíni e falando sobre aceitar seu corpo, sem fazer dietas e vivendo sua vida como ela era. Nunca tinha pensado que tinha essa opção." Initial plugin text Megan começou a publicar mensagens e fotos de positividade sobre seu corpo na conta de Instagram Bodyposipanda, ganhando milhares de seguidores. Ela se refere a si mesma como "chubby" (algo como "gordinha") nas publicações e quer que seguidores abracem esse tipo de linguagem. "A palavra "gorda" tinha o poder de me derrubar. Passei a vida toda com medo de ser chamada de gorda, não conseguia nem ver essa palavra", ela diz. "Quando eu encontrei o movimento 'body positivity', meus olhos se abriram para toda uma forma de ver isso. É só uma palavra, uma forma de descrever seu corpo e precisamos nos apropriar disso." "Body positivity" significa "positividade sobre o corpo". Megan passou a maior parte da sua vida odiando seu próprio corpo Megan Jayne Crabbe Mudança de percepção Megan começou a fazer dieta aos 10 anos de idade, dizendo a seus pais que ela queria ser mais saudável. Mas logo eles descobriram que isso se tornou algo perigoso. Quando ela tinha 14 anos, foi diagnosticada com um distúrbio alimentar. Aos 20, odiar seu corpo ocupou tanto a cabeça que ela abandonou sua formação e passou só a cuidar de sua irmã Gemma, que tem paralisia cerebral. Ela agora se descreve como uma ativista, modelo e autora que recentemente completou uma turnê pelo Reino Unido em que cantou, dançou e debateu a cultura de dietas para um público total de 2 mil pessoas. Recentemente, ela foi entrevistada por Fearne Cotton, uma apresentadora de TV e rádio inglesa. Cotton disse depois que sua conversa com Megan mudou como ela vê a vida. "Não consigo descrever como aquela conversa me transformou." "Eu fiquei refletindo sobre cada palavra sua e foi uma mudança na minha percepção. Percebi o quão cruel eu estava sendo comigo mesma", afirmou Fearne ao podcast britânico How to Fail With Elizabeth Day. "Fui passar férias na praia depois por uma semana e normalmente eu odiaria usar biquíni, me penitenciando sobre isso ou aquilo, mas apenas não liguei. Foi tão maravilhoso." Megan foi recentemente convidada para ir ao Parlamento debater com o departamento de Igualdade do Governo britânico sobre imagem corporal, chamando a atenção para a gordofobia, que ela defende que seja reconhecida como uma forma de preconceito. "Não podemos ter uma conversa sobre imagem corporal sem discutir a gordofobia. Tantas das nossas inseguranças nascem do medo de sermos muito gordos, e para as pessoas que existem em corpos maiores a gordofobia resulta em discriminação e assédio na vida real todos os dias." Megan às vezes recebe críticas online de pessoas que dizem acreditar que fotos de gordura e celulite promovem uma vida pouco saudável. Ela diz que debates sobre saúde não devem girar em torno de peso, e defende o fim do IMC (índice de massa corporal), que faz um cálculo que indica a gordura corporal total de uma pessoa. Para ela, esse cálculo não está correto. Ela diz, também, que pesar as crianças em escolas é "assustador e humilhante". "Não espero que as pessoas necessariamente amem seus corpos, mas ao menos tentem respeitá-los. Eu me sinto sortuda por ter encontrado o movimento de positividade sobre o corpo na idade em que encontrei, porque recebi muitas mensagens de mulheres mais velhas que passaram suas vidas odiando seus corpos e só agora aprenderam a se aceitar." Embora algumas pessoas categorizem Megan como uma "influencer", ela prefere evitar essa descrição porque "muitas pessoas fazem isso só para seu próprio benefício". Acima de tudo, ela quer mudar a cultura de dietas e espera ajudar as pessoas a construírem uma vida baseada em mais do que só aparência. Megan trabalha como cuidadora de sua irmã Gemma, que tem paralisia cerebral Megan Jayne Crabbe "Foi um processo muito longo pegar tudo o que eu acreditava sobre peso, beleza e valor e me forçar a questionar isso. Tive de chegar a um ponto de respeito básico pelo meu corpo. Agora quero ajudar meu corpo a alcançar isso." "Aos cinco anos, pensei que ser gorda fosse a pior coisa possível. Internalizei isso quando era muito jovem e hoje sei que foi um longo caminho até aqui. Passei a vida com ódio de mim mesma e não quero que mais ninguém se sinta assim." Megan recebe mensagens de mulheres mais velhas que passaram a vida odiando seus corpos e só agora aprenderam a se aceitar Megan Jayne Crabbe
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18/11 - 'Fiz laqueadura aos 25 anos e realizei um sonho'
Auxiliar administrativa carioca Karoline Alves compartilhou história para incentivar outras mulheres que desejam fazer procedimento 'a correr atrás dos direitos'; legislação obriga planos de saúde e SUS a oferecerem cirurgia. A laqueadura é um metódo anticoncepcional praticamente irreversível Getty Images/BBC A assistente administrativa Karoline Alves queria fazer uma laqueadura — cirurgia para não ter mais filhos — desde que soube que o procedimento existia, quando ainda era adolescente. "Sempre tive a certeza de que não queria ter filhos", conta ela à BBC News Brasil. "Mesmo usando outros métodos anticoncepcionais, toda vez que atrasa a menstruação a gente fica preocupada." "Nunca me vi sendo mãe, nunca me vi tendo filhos, e fazer uma cirurgia para isso seria uma preocupação a menos na vida", afirma. No entanto todas as histórias que ela ouvia sobre a dificuldade de fazer o procedimento a desanimavam. "Eu sempre ouvia que tinha que ter dois filhos para poder fazer. Mas não faz sentido. E quem não quer ter filho nenhum?", diz ela, hoje com 26 anos. Quando tinha 25 anos, Karoline resolveu checar por si mesma quais eram, de fato, os requisitos legais para o procedimento. E descobriu que 25 anos é justamente a idade mínima exigida pela legislação para mulheres que quiserem fazer a cirurgia de esterilização — e que mulheres mais jovens também podem fazer o pedido se tiverem pelo menos dois filhos. "Eu até levei a lei impressa na médica caso algum dos médicos fosse mal informado", diz ela, que ficou positivamente surpreendida ao perceber que não teria resistência. "Era a primeira vez que eu ia nessa médica, do plano de saúde que tenho no trabalho. Demora, mas nenhum dos médicos que eu passei falou que eu não poderia fazer por causa da minha idade ou por não ter filhos", diz Karoline. "Foi um alívio. Eu achei sinceramente que seria mais difícil." Depois de fazer a cirurgia, a jovem compartilhou seu relato no Facebook. O post teve 20 mil curtidas e mais de 16 mil comentários — boa parte dos quais fazendo perguntas sobre o caminho para o procedimento ou querendo tirar dúvidas sobre como é passar por ele. "Eu quis compartilhar minha história para que outras mulheres com o mesmo desejo saibam que é possível, para que elas não desanimem", diz a jovem. "A gente tem que correr atrás dos nossos direitos." "Teve alguns comentários criticando, mas, para ser sincera, depois de um tempo eu parei de acompanhar, estou só respondendo quem me mandou dúvidas por mensagem." Quais as exigências para fazer laqueadura? A Lei de Planejamento Familiar, de 1996, estabelece que a esterilização só é permitida em pessoas capazes, maiores de 25 anos, ou, se forem mais jovens, que tenham pelo menos dois filhos vivos. "Como é um ato definitivo, praticamente sem volta, existe uma cautela na lei para evitar a realização em mulheres muito jovens", explica a advogada Renata Farah, presidente da Comissão de Direito à Saúde da OAB-PR (Ordem dos Advogados do Brasil). "Mas a maioria das dificuldades que as pessoas encontram não são entraves legais, mas da cultura do hospital, do Estado, etc", afirma. A partir dessa idade, as únicas exigências são quanto aos procedimentos que precisam ser seguidos: é preciso um intervalo mínimo de 60 dias entre a pessoa manifestar a vontade ao médico pela primeira vez (por escrito) e o procedimento, e a pessoa precisa ser informada dos riscos da cirurgia, dos possíveis efeitos colaterais, da dificuldade de revertê-la e das outras opções de contracepção existentes. "A médica conversou comigo, perguntou se eu tinha certeza, disse que é um método muito radical e a reversão é difícil, eles explicam tudo", conta Karoline. "Ela explicou que, mesmo com a cirurgia, ainda há chance de falha, já que nenhum método é 100% seguro." "Mas como eu tinha muita certeza ela me encaminhou para a cirurgia", diz Karoline, que também precisou se submeter aos vários exames pré-cirúrgicos de praxe e passou por um atendimento psicológico nesses dois meses. "O que eu digo para quem me pergunta é que é preciso ter muita certeza, porque a psicóloga vai te questionar muito." Initial plugin text Como mora com namorado, a auxiliar administrativa teve a opção de pedir o procedimento como solteira ou como parte de uma união estável. "Acabei fazendo como pessoa em união estável porque achei que seria mais fácil de ser aprovado", diz ela. "Durante o procedimento, ficaram me perguntando qual a opinião do meu namorado, o que ele acha. Ele também não quer ter filhos, mas esse não é o ponto, é uma decisão que é minha." Em casos de homens e mulheres casados ou com união estável, a lei exige que se apresente também a autorização do cônjuge para a realização da cirurgia. "Eu acho super errado, porque o corpo é meu, a decisão é minha, mas como queria evitar ter problemas e tinha essa opção, acabei levando a autorização do meu namorado", diz ela. Após o encaminhamento da ginecologista, da psicóloga e do cirurgião, o plano de saúde aprovou o procedimento. Após todas as burocracias, Karoline foi levada pelo pai e pelo namorado ao hospital, onde ficou um dia internada para a cirurgia. "Meus pais sempre aceitaram de boa que eu não quero ter filhos, é algo que eles sempre souberam e sempre me deram muito apoio", conta. "É gente de fora [da família] que diz, 'ah, mas você vai se arrepender, vai mudar de ideia'. Pessoas que acham que a verdade delas é a verdade de todo mundo." "Eu tenho amigas que têm filhos e não queriam ter, é uma situação muito difícil", diz. "O corpo é meu, a vida é minha, eu sempre tive certeza. Não acho que vou me arrepender", afirma ela, que diz que realizar o procedimento foi a "realização de um sonho". A laqueadura é uma cirurgia um pouco mais complicada que a vasectomia, procedimento de esterilização feito em homens. É caracterizada pelo corte e ligamento cirúrgico das tubas uterinas, impedindo o processo de fecundação. Mas Karoline não teve problemas na recuperação. "No dia, eu não podia levantar e tive um pouco de dor, mas passou com os remédios", diz a jovem, que continuou tomando remédios e anti-inflamatórios nos dias seguintes. "Também tive que limpar os pontos três vezes ao dia, mas foi só. Saí andando do hospital." Karoline diz que sempre ouvia relatos de pessoas que não conseguiram fazer o procedimento Isadora Alves/Arquivo pessoal Teoria e Prática Karoline fez o procedimento pelo plano de saúde — os planos são obrigados por determinação da Agência Nacional de Saúde a oferecer laqueadura, vasectomia e implantação do DIU desde 2008, quando foram incluídos na lista de cobertura mínima obrigatória. Mas nem todo mundo tem a mesma facilidade que ela, com relatos de pessoas que tiveram o procedimento negado por motivos não relacionados a questões médicas ou legais, como "questões religiosas". Uma resolução da ANS determina que mesmo que não haja médico ou hospital no plano que esteja disponível para realizar o procedimento, a operadora do plano é obrigada a indicar um "profissional ou estabelecimento mesmo fora da rede conveniada do plano e custear o atendimento". O Estado também tem, por lei, o dever de oferecer o procedimento de esterilização através do Sistema Único de Saúde — o SUS realizou mais de 67 mil laqueaduras em 2018 e um número parecido em 2017. Pelas regras do Ministério da Saúde, a cirurgia pode ser feita de graça em qualquer hospital público que tenha serviço de obstetrícia e ginecologia. Em 2017, foram realizadas 67.525 laqueaduras, e, em 2018, 67.056 procedimentos. No entanto, são frequentes os relatos de pacientes que tiveram muita dificuldade de conseguir fazer a cirurgia e diversos que não conseguiram. Um estudo publicado neste ano pela pesquisadora Amanda Muniz Oliveira, da Universidade Federal de Santa Catarina, mostra que, embora o procedimento seja garantido por lei, há frequentes recusas na realização da cirurgia no Estado, o que "gerou judicialização de diversos pedidos". A pesquisa mostra que decisões judiciais sobre o assunto em Santa Catarina ora ignoram e ora salientam os requisitos da lei. Segundo o estudo, frequentemente, quando o procedimento é garantido pela Justiça, não é "sob o fundamento de que se trata da vontade da mulher, e, sim, porque a mulher é hipossuficiente financeiramente", diz Oliveira, na pesquisa. "Os Estados, municípios e hospitais podem ter procedimentos locais diferentes, mas não podem restringir direitos que são garantidos pela legislação nacional", afirma a advogada Renata Farah.
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18/11 - Por que o uso de antibióticos na agropecuária preocupa médicos e cientistas
Estudo global revela que o Brasil é um dos países com situação preocupante no monitoramento e resistência a antibióticos em alimentos de origem animal. Cientistas têm tentado detalhar os caminhos pelos quais bactérias resistentes passam dos alimentos de origem animal aos humanos Getty Images Há quatro anos, em uma fazenda de criação intensiva em Xangai, na China, um exame feito em um porco prestes a ser abatido encontrou uma bactéria resistente ao antibiótico colistina. O achado acendeu um alerta que ecoou pelo mundo — cada vez mais temeroso com a capacidade que micro-organismos têm demonstrado em driblar tratamentos à base de antibióticos. Como reduzir a ingestão de resíduos de antibióticos nas carnes A bactéria resistente encontrada no suíno, uma Escherichia coli, levou os cientistas da China a aprofundar os exames — agora, também em frangos de fazendas de quatro províncias chinesas, nas carnes cruas desses animais à venda em mercados de Guangzhou, e em amostras de pessoas hospitalizadas com infecções nas províncias de Guangdong e Zhejiang. Eles encontraram uma "alta prevalência" do Escherichia coli com o gene MCR-1, que dá às bactérias uma alta resistência à colistina e tem potencial de se alastrar para outras bactérias, como a Klebsiella pneumoniae e Pseudomonas aeruginosa. O MCR-1 foi encontrado em 166 de 804 animais analisados, e em 78 de 523 amostras de carne crua. Já nos humanos, a incidência foi menor, mas se mostrou presente — em 16 amostras de 1.322 pacientes hospitalizados. "Por causa da proporção relativamente baixa de amostras positivas coletadas em humanos na comparação com animais, é provável que a resistência à colistina mediada pelo MCR-1 tenha se originado em animais e posteriormente se alastrado para os humanos", explicou em 2015 Jianzhong Shen, da Universidade de Agricultura em Pequim, um dos autores do estudo, cujos resultados foram publicados no periódico The Lancet Infectious Diseases. Mas como esse material genético resistente pode ter passado dos animais para os humanos? O caminho de "transmissão" de microrganismos (bactérias, parasitas, fungos e etc) resistentes é uma incógnita não só para o caso dos porcos, frangos e pacientes na China, mas para o uso veterinário e médico de antibióticos como um todo. Pode ser que esses microrganismos ou resquícios de antibióticos (restos dos medicamentos que, em contato com os micróbios, podem estimular sua resistência) possam estar se alastrando pelos alimentos, ou ainda através do lixo hospitalar, lençóis freáticos, rios e canais de esgoto — e a investigação para desvendar as rotas de bactérias tem motivado inúmeras pesquisas no Brasil e no mundo (veja detalhes sobre esses estudos abaixo). "As bactérias não têm fronteiras: a resistência pode passar de um lugar a outro sem passaporte e de várias formas", explica Flávia Rossi, doutora em patologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Grupo Consultivo da OMS para a Vigilância Integrada da Resistência Antimicrobiana (WHO-Agisar). "Com a globalização, não só o transporte de pessoas é rápido, como os alimentos da China chegam ao Brasil e vice-versa. Essa cadeia mimetiza o que acontece com o clima: estamos todos interligados. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem trabalhando com o enfoque de 'One Health' ('Saúde única' em português, a perspectiva de que a saúde das pessoas, dos animais e o ambiente estão conectados)." Agora, a dimensão global do problema ganhou um mapeamento inédito juntando pesquisas já feitas medindo a presença de microrganismos resistentes em alimentos de origem animal em países de baixa e média renda — e o Brasil aparece no grupo de lugares com situação preocupante. Não quer dizer que o estudo considere o país como um todo, mas pontos que já foram submetidos a pesquisas, como abatedouros de bois em cidades gaúchas ou em uma fazenda produtora de leite e queijo em Goiás. Sul brasileiro: foco de resistência microbiana Ovos, leite, carnes... A ciência tem hoje métodos para detectar microrganismos resistentes nos alimentos, mas poucos países fazem esse monitoramento sistematicamente Getty Images China e Índia foram, segundo os autores do estudo, publicado na revista Science, "claramente" os lugares em que os maiores níveis de resistência foram encontrados. Mas o Sul do Brasil, leste da Turquia, os arredores da Cidade do México e Johanesburgo (África do Sul), entre outros, se destacaram também como hotspots, ou focos de resistência microbiana em animais destinados à alimentação, principalmente bovinos, porcos e frangos (com níveis elevados de P50, percentual acima de 50% de amostras de microrganismos resistentes a determinados antibióticos). As maiores resistências observadas foram relacionadas a alguns dos antibióticos mais usados na produção animal, como as tetraciclinas, sulfonamidas e penicilinas. Entre aqueles importantes para tratamento também em humanos, destacaram-se a resistência à ciprofloxacina e eritromicina. Os autores reuniram ainda dados que apontam para focos de resistência emergentes, ou seja, em que a resistência dos microrganismos a antibióticos está crescendo. Aí, o Brasil também aparece, tanto o Sul quanto o Centro-Oeste. Após ler o estudo, a pesquisadora brasileira Silvana Lima Gorniak, professora titular da Faculdade de Medicina Veterinária da USP, liga o destaque ao Sul justamente a uma maior criação de aves e suínos na região, animais para os quais há maior uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento (entenda os diferentes usos de antibióticos veterinários e seus impactos abaixo). A situação da América do Sul é particularmente preocupante por causa da carência de dados, diz o estudo: "Considerando que Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil são exportadores de carne, é preocupante que haja pouca vigilância epidemiológica da resistência microbiana disponível publicamente para esses países. Muitos países africanos de baixa renda têm mais pesquisas desse tipo do que os países de renda média na América do Sul. Globalmente, o número de pesquisas per capita não se correlacionou com o PIB per capita, sugerindo que a capacidade de vigilância não é impulsionada apenas por recursos financeiros." Buscando ampliar, em partes, o acesso a esse tipo de informação, os autores do estudo lançaram um banco de dados colaborativo para cadastro de pesquisas sobre o tema em todo o mundo, o "Resistance Bank". "O Brasil precisa urgentemente de dados de vigilância disponíveis publicamente sobre a resistência microbiana. É um grande exportador de carne, todos comemos frango brasileiro, seria bom saber o que há nele", escreveu por e-mail à BBC News Brasil Thomas Van Boeckel, um dos autores do estudo e pesquisador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), na Suíça. Em nota enviada à BBC News Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) afirmou que, "em relação ao estudo da revista Science", está "ciente sobre a importância da resistência aos antimicrobianos". "Trata-se de um dos maiores desafios globais de saúde pública e que deve ser abordado pelos países atendendo ao conceito de Saúde Única, exigindo ações imediatas de todos os envolvidos". A pasta garante que o país está correndo atrás para ter um sistema de vigilância, por meio do Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária (PAN-BR AGRO), cujo prazo previsto para implementação vai de 2018 a 2022. Segundo fontes consultadas pela reportagem, o cronograma do plano tem sido cumprido. Já foram detectadas em alimentos de origem animal bactérias resistentes que representam grandes riscos para os humanos Getty Images Um de seus pontos-chave, e já o colocado em prática, é a realização de testes oficiais de rotina para detecção de micróbios resistentes em animais e alimentos com essa origem. São amostragens aleatórias de ovos, leite, mel e de animais encaminhados para abate sob inspeção federal, mas o que se busca são resquícios de antibióticos, e não microrganismos resistentes. Em 2018, o relatório apresentado pelo ministério mostra que o percentual de amostras com resquícios de antibióticos em conformidade ficou na casa dos 99%. "Para ser seguro para consumo alimentar, a presença de determinadas bactérias tem que estar dentro de limites estabelecidos pelas agências de saúde de cada país, o que já é feito. Mas mais do que saber, por exemplo, a presença de Salmonella (gênero de bactérias) em galinhas ou porcos, é possível testar sistematicamente a suscetibilidade dela aos antibióticos — que é realmente o que nos permite saber se as bactérias são ou não resistentes", aponta João Pedro do Couto Pires, também coautor do estudo e pesquisador do ETH Zurich. Frangos com Salmonella resistente em Estados brasileiros Ainda que não tenha hoje um levantamento sistematizado, o Brasil já teve experiências pontuais na medição da resistência microbiana em alimentos de origem animal. Uma análise feita entre 2004 e 2006 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em amostras de frangos congelados vendidos em 14 Estados brasileiros, detectou bactérias Salmonella e Enterococcus resistentes a vários antimicrobianos. Das 250 cepas de Salmonella analisadas, por exemplo, 77% foram consideradas multirresistentes (resistentes a duas ou mais classes de antibióticos). O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento destacou ainda que vem progressivamente proibindo medicamentos veterinários usados com o objetivo principal de fazer os animais engordarem, os chamados melhoradores de desempenho. Já foram proibidas substâncias do tipo como os anfenicóis, as tetraciclinas e as quinolonas. "Na criação animal, há basicamente três tipos de uso de antimicrobianos. O primeiro é o terapêutico, como ocorre com o ser humano. A segunda maneira é a preventiva, como no desmame dos suínos — esse animal provavelmente vai passar por estresse, vai ter uma imunossupressão (redução da atividade do sistema imunológico), e ela pode levar à infecção por várias bactérias, então se faz preventivamente o tratamento", explica Silvana Lima Gorniak, da USP. "A terceira maneira é a mais polêmica, a mais discutida na ciência, que é a administração (de antimicrobianos) como melhorador de desempenho. Nesse caso, o animal não tem nenhuma doença, provavelmente não vai ficar doente, e o antimicrobiano é empregado com a finalidade de promover o crescimento. Não se sabe exatamente como, mas o animal de fato cresce." A colistina, aquela a que bactérias em porcos na China mostraram resistência no estudo publicado no The Lancet Infectious Diseases em 2015, foi uma das substâncias proibidas para uso como melhorador de desempenho em rações no Brasil, em 2016. Seu uso para o tratamento de doenças, como diarreias, continua, no entanto, permitido por aqui. Proibições foram impostas também em outros países, como a própria China, Índia e Argentina. Ao mesmo tempo, esta substância é colocada pela OMS no grupo mais crítico entre os antibióticos que precisam urgentemente de substitutos — já que são o último recurso para o tratamento de algumas doenças para as quais outros antibióticos não funcionam mais, são amplamente usados na medicina humana e já se mostraram altamente vulneráveis à resistência microbiana. Antimicrobianos passaram a ser mais significativamente usados na criação de animais para consumo nos anos 1950 em países de alta renda, algo que foi se estendendo para países de baixa e média renda — onde hoje, inclusive, projeções mostram que o uso desses medicamentos aumentará, já que a produção e consumo de carne nesses países tem crescido. O elo entre precariedade e uso de antibióticos Produção em larga escala de animais com fins alimentícios está associada ao uso de antibióticos Getty Images Thomas Van Boeckel destaca que, no mundo, o uso excessivo de antibióticos está associado à criação intensiva de animais, a produção industrial, "mas não em todos os países, algumas exceções existem, como a Holanda e a Dinamarca", aponta. Sandra Lopes, diretora da organização Mercy for Animals no Brasil, vê o uso de antibióticos como uma das práticas degradantes impostas aos animais. "O uso de antibióticos força esses animais a seguirem produzindo em um sistema completamente cruel, onde os animais não podem exercer nenhum de seus comportamentos naturais", aponta a representante da ONG, dedicada ao bem estar de animais ditos de produção, aqueles destinados ao consumo alimentício. Como exemplos, ela menciona criações com confinamento intensivo em gaiolas. As galinhas poedeiras, confinadas em uma área análoga ao que seria passar a vida inteira dividindo um elevador com outras 12 pessoas, segundo a ONG, não têm espaço para exercer comportamentos naturais como abrir as asas ou ciscar. Sem forças nas pernas por não movimentá-las, essas galinhas podem sofrer fraturas com o peso do próprio corpo. Isso leva a um ciclo em que o uso de antibióticos se faz necessário. Há ainda a debicagem, quando os bicos dessas aves são retirados para evitar, entre outros, o canibalismo — intensificado pelo estresse vivido pelos animais. É algo que leva também ao corte dos rabos dos porcos, procedimentos esses que muitas vezes exigem também o emprego de antibióticos. Lopes menciona ainda a falta de ventilação, a lotação de animais ou ainda o contato com excrementos como características da realidade da produção em escala que podem debilitar a saúde dos animais. Por isso, a ONG defende, entre outras medidas, a melhor regulamentação de várias etapas da criação de animais, a certificação de produtos gerados em práticas consideradas satisfatórias (como existe no caso das galinhas poedeiras criadas fora de gaiolas) e, como recomendação aos clientes, a redução do consumo de produtos de origem animal. Silvana Lima Gorniak destaca que a ligação entre precariedade na produção e uso excessivo de antibióticos fica mais evidente, uma vez mais, no caso dos melhoradores de desempenho. "As condições sanitárias impactam diretamente no uso de antimicrobianos. Os melhoradores de desempenho têm um efeito muito benéfico naqueles lugares onde as condições sanitárias não são tão adequadas. Em locais com higiene adequada, é claro que há benefícios, mas ele é diluído", explica a pesquisadora. Já os autores do artigo publicado na Science destacam que o cenário de precariedade e consequente uso de antibióticos pode ser uma faca de dois gumes para os produtores: "Uma consequência fundamental desta tendência é um esgotamento do portfólio de tratamento para animais doentes. Essa perda tem consequências econômicas para os agricultores, porque os antimicrobianos acessíveis são usados como tratamento de primeira linha, e isso pode eventualmente se refletir em alimentos com preços mais altos." Entidade veterinária pede maior controle de vendas de medicamentos no setor "É como para a gente, humanos: os antibióticos resolveram muitas questões, mas se a gente abusa, vai chegar uma hora que eles não serão mais eficazes", resume Fernando Zacchi, assessor técnico da presidência do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Zacchi diz que a entidade está empenhada em educar a categoria para um uso mais racional de antibióticos e tornar mais rigoroso o acesso a antimicrobianos veterinários — hoje, ele explica ser necessária a apresentação, mas não retenção, da receita. "Aí está uma fragilidade: estamos trabalhando com outros órgãos para a obrigatoriedade da retenção e escrituração", aponta, lembrando que entra na questão ainda o uso de antimicrobianos em animais domésticos. Outro ponto é o cumprimento da exigência de um responsável técnico nos pontos de venda destes medicamentos, algo que é fiscalizado pelo próprio CFMV — a BBC News Brasil pediu dados sobre multas e autuações relacionadas a essas regras, mas não teve a solicitação atendida. "Embora o conselho e o Mapa entendam que deve haver um responsável técnico nesses estabelecimentos, o Judiciário está eventualmente dispensando este profissional, cuja presença garante mais controle e rastreabilidade." Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), nos últimos cinco anos, os antimicrobianos abocanharam cerca de 16% das vendas de tratamentos veterinários (que incluem ainda as categorias antiparasitários; biológicos; suplementos e aditivos; terapêuticos). A reportagem pediu valores — e não apenas percentuais — por categoria, mas não teve a demanda atendida. Em nota enviada à BBC News Brasil, a Aliança para Uso Responsável de Antimicrobianos, que representa várias entidades do setor produtivo, afirmou também que no ramo a questão "é tratada com responsabilidade por todos os elos da cadeia produtiva". "Contra achismos, a Aliança busca construir um debate pautado pelo pensamento científico e pela transparência. É formada por organizações nacionais da bovinocultura de corte e leite, avicultura, suinocultura, aquicultura e pescado." A Aliança defende que há controle interno, com análises diárias feitas pelas próprias empresas sobre a questão e que o "Brasil cumpre rigorosamente as determinações técnicas de todas as nações importadoras". Em relação à produção em escala, a entidade aponta que o país "segue as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para o alojamento dos animais". "Na produção industrial, o sistema produtivo é isolado em controles restritivos de acesso, o que evita a circulação de doenças. Em situações de produção precária, sem as devidas salvaguardas técnico-veterinárias, os riscos de enfermidades e o uso inadequado de antibióticos são maiores", acrescentou. E agora, o que fazemos em casa? Estudo recém-publicado na Science alerta: uso de antibiótiocos em países de baixa e média renda como o Brasil deve aumentar nos próximos anos Getty Images "Sou um cavaleiro do apocalipse", brinca Victor Augustus Marin, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). À frente do Laboratório de Controle Microbiológico de Alimentos da Escola de Nutrição (Lacomen), ele e seus alunos e orientandos têm desenvolvido uma metodologia própria para encontrar bactérias resistentes em alimentos minimamente processados, aqueles prontos para consumo, como frutas e queijos. Um resumo do que eles têm encontrado até aqui: muitas bactérias resistentes. Em sua dissertação de mestrado orientada por Marin, Cristiane Rodrigues Silva, por exemplo, buscou bactérias resistentes em amostras de queijo minas frescal. Todos exemplares estudados apresentaram algum conjunto de bactérias resistentes — em 13%, a resistência foi constatada para todos os antibióticos testados e em 80%, para 8 a 10 diferentes antibióticos. Foi constatada ainda resistência em 87% dos queijos aos carbapanêmicos, tipo de antibiótico potente que é considerado uma das últimas alternativas na luta contra microrganismos muito resistentes. Agora, Silva, Marin e o resto da equipe estão estudando outros tipos de queijo, como minas padrão, parmesão, ricota e cottage; além de frutas compradas no comércio comum, como manga, laranja e caju. Eles também querem verificar se outras formas de produção, como a orgânica, podem alterar a presença de microrganismos resistentes. "Comprovamos não só que as bactérias nos alimentos estudados até agora têm alguma resistência, como genes de resistência", aponta Marin, acrescentando que, embora em escala muito menor do que na pecuária ou entre humanos, antibióticos são usados também na agricultura. "Como essa bactéria chegou ao queijo? Tem que voltar ao campo: a vaca come capim, que tem dentro dela bactérias endofíticas, que vivem dentro das plantas. A vaca ingere a planta, produz leite e o leite vai para o queijo. Mas é difícil falar quem originou a bactéria primeiro — elas evoluem junto com os humanos e animais. Também são promíscuas: trocam material genético." As diversas variáveis que influenciam a resistência dos micróbios são justamente o que representa um desafio para as pesquisas: para traçar o caminho dos microrganismos através dos animais, humanos e do ambiente, seriam necessários grandes volumes de amostras desses elementos. E em tempo real, lembra João Pedro do Couto Pires, já que muitas vezes é diagnosticada alguma infecção em uma ponta, mas sua origem muitas vezes já se perdeu no tempo. Por isso, o alarme tocado pelo artigo na Science traz um porém: "Está além do escopo deste estudo tirar conclusões sobre a intensidade e a direcionalidade da transferência de resistência microbiana entre animais e humanos — aspectos que devem ser investigados com métodos genômicos robustos". Enquanto a ciência busca decifrar o caminho percorrido pelas bactérias, o que nós, humanos e consumidores de alimentos podemos fazer? Flávia Rossi, patologista da USP, lembra de procedimentos básicos de saneamento e higiene que cortam a circulação de microrganismos, como lavar as mãos; o uso de água potável na cozinha; e o armazenamento adequado de alimentos. O cuidado deve ser redobrado com pessoas mais vulneráveis, como hospitalizados, imunossuprimidos ou transplantados. "As bactérias também nos protegem, estão no nosso intestino, na nossa pele... Mas elas nos atacam quando há um desequilíbrio", diz. João Pedro do Couto Pires brinca que, hoje, nossas casas são mais perigosas do que restaurantes por haver menos cuidado com questões sanitárias. Ele destaca ações a serem evitadas: misturar alimentos crus e cozidos; ou carnes e vegetais, como, por exemplo, no refrigerador ou no uso de uma mesma faca ou tábua para esses dois tipos de alimentos. Essas misturas levam a fluxos de microrganismos que, no caso de alimentos crus, como vegetais em uma salada, acabam sendo ingeridos pela pessoa que está comendo. Marin garante que não se trata de parar de comer alimentos como os estudados por sua equipe, como queijos e frutas, mas de aprofundar investigações sobre como a resistência microbiana se expressa neles — para, aí sim, fazer-se uma escolha entre custos e benefícios. Por exemplo, algo a ser levado em conta, segundo descobriu sua equipe, é que queijos mais úmidos exigem maior cuidado no assunto. "O queijo, além de ter bactérias com resistência, também tem outra microbiota — outras bactérias — que combatem as que têm resistência. Ninguém é demônio e ninguém é anjo, inclusive entre as bactérias. Por isso a visão holística (multifatorial) é tão importante", diz.
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17/11 - Pessoas passam cada vez mais tempo sozinhas e isso afeta comportamento social, diz estudo
Segundo os pesquisadores, a tendência é um fenômeno cultural crescente que pode ter um impacto prejudicial e aumentar o problema da alienação social. Quando se sentem sozinhos, indivíduos experimentam uma capacidade reduzida de confiar nos outros Wikimedia Cada vez mais as pessoas passam muito tempo sozinhas e isso está causando um impacto no comportamento social, de acordo com um estudo científico da Universidade Israelense de Bar Ilan, divulgado pela agência Efe. Esse fenômeno pode afetar especialmente as pessoas com pouca estabilidade emocional. "Na sociedade de hoje, pesquisas mostram que as pessoas passam entre um terço e metade do tempo sozinhas por dia", informou a universidade em comunicado. O estudo, baseado em testes realizados com 700 pessoas, revela que algumas pessoas que passam muito tempo sozinhas sentem-se negligenciadas pelo seu entorno social. Assim, elas se sentem mal e são induzidas a pensar que só podem confiar em si mesmas, o que leva a um comportamento cada vez mais egocêntrico e egoísta. Isso dificulta a capacidade de reintegração em atividades sociais e aumenta as chances de essas pessoas serem rejeitadas. Segundo os pesquisadores, a tendência é um fenômeno cultural crescente que pode ter um impacto prejudicial e aumentar o problema da alienação social. "Quando se sentem sozinhos, esses indivíduos experimentam uma capacidade reduzida de confiar nos outros, o que aumenta seu nível de desconfiança em relação ao mundo social", argumenta Liad Uziel, médica do Departamento de Psicologia da Universidade de Bar Ilán e co-autora do estudo Para reverter essa situação, apontam os pesquisadores, é importante reconhecer a dinâmica entre a necessidade de se relacionar socialmente e a experiência de estar sozinho entre aqueles com um equilíbrio emocional bastante baixo, o que pode ajudar a criar mecanismos para melhorar seu bem-estar pessoal.
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17/11 - Diabetes é desconhecido por 46% dos brasileiros com doença, alerta membro de órgão internacional
Enfermidade que atinge 16,8 milhões está associada a hábitos não saudáveis e aumento da longevidade, diz professor da USP de Ribeirão Preto (SP) que integra Federação Internacional. Atlas do Diabetes: estudo internacional aponta aumento de 300% em 20 anos Em torno de 7,7 milhões de pacientes do Brasil têm diabetes e não sabem, alerta o representante brasileiro da Federação Internacional de Diabetes (IDF), o professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP) Laércio Franco. O número, que coloca o país na sexta colocação do ranking mundial, equivale quase à metade (46%) dos 16,8 milhões de adultos entre 20 e 79 anos com a doença, segundo o Atlas do Diabetes de 2019, publicado pela IDF na quinta-feira (14), considerado o dia mundial da doença. O diagnóstico tardio, segundo o especialista, vem acompanhado de complicações que podem ser irreversíveis. "Só vai saber que tem diabetes quando aparecer uma complicação tipo doença cardíaca, lesão na retina, lesão do rim, disfunção erétil, ou seja, o diabetes já evoluiu quase dez anos silenciosamente e não foi detectado. Então precisa ter um alerta para as pessoas buscarem o diagnóstico precoce porque se pode prevenir ou retardar o crescimento dessas complicações", afirma. Laércio Franco, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP) e integrante da Federação Internacional de Diabetes Reprodução/EPTV Atlas do Diabetes Divulgado a cada dois anos pela IDF, o Atlas apresenta dados de 138 países e aponta que 463 milhões de pessoas têm a doença no mundo, um crescimento de 300% desde o início da pesquisa em 2000. Com um a cada nove adultos com diabetes, o Brasil aparece como um dos 50 em que a doença tem apresentado crescimento e um dos cinco onde a incidência mais se elevou, perdendo apenas para China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. O documento estima que 16,8 milhões de adultos, o equivalente a 11,4% desse público, sejam portadores da doença, uma alta de 31% em comparação com o estudo anterior realizado em 2017. Para 2030, a projeção do Atlas é de que 21,5 milhões de pessoas sejam diabéticas. Paciente com diabetes monitora glicemia em Ribeirão Preto (SP) Reprodução/EPTV Segundo Franco, esse crescimento está atrelado a hábitos de vida não saudáveis e à maior longevidade da população, o que afeta diretamente o atendimento em saúde, que hoje concentra 24,2% dos gastos com a doença no país. "Estamos com a vida mais sedentária, uma alimentação não saudável e estamos cada vez desenvolvendo menos atividade física. Com isso, pelo progresso da medicina, estamos vivendo mais, estamos tendo uma sobrevida maior, inclusive as pessoas com diabetes também estão vivendo mais. O conjunto disso tudo faz com que seja um aspecto epidêmico do diabetes nos dias atuais. É um importante problema pra se pensar em cuidados com a saúde, uma carga muito grande para o nosso sistema de saúde", afirma. A jornalista Sâmara de Jesus Azevedo descobriu há 14 anos que é diabética. Por causa de um diagnóstico tardio, ela conta que quase perdeu a visão, além de ter outras complicações no organismo. "Se eu tivesse tido diagnóstico precoce eu não teria passado mal no início da descoberta. Eu fiquei com a visão confusa, conturbada, quase fiquei cega, tive alguns problemas que tive que reverter ao longo do tempo e graças a Deus consegui ficar 14 anos sem nenhuma complicação", diz. Hoje, ela tem uma rotina regrada e saudável para lidar com a doença. "Não depende só de alimentação e exercício físico. Depende também de uma série de fatores como a gestão da emoção, o estresse, o dia a dia", conta. Diabetes em crianças e jovens O Atlas também aponta que o Brasil é o terceiro país do mundo tanto em prevalência do diabetes tipo 1 entre crianças e jovens, com 51,5 milhões de casos, quanto em novas incidências, com 7,3 milhões, somente atrás de Índia e Estados Unidos. O professor da Faculdade de Medicina também demonstra preocupação com relação à elevação nos casos relacionados ao tipo 2 da doença, antes considerado mais comum entre adultos. "Até duas décadas atrás o diabetes tipo 2 era chamado o diabetes da maturidade, que aparecia após os 40, 45 anos de idade, mas atualmente já estamos observando diabetes tipo 2 em adolescentes e mesmo crianças. Nesses casos a gente vê que está associada a pessoas com excesso de peso, muito sedentárias, e com um agravante: quando o diabetes começa a aparecer muito precocemente, o risco de apresentar complicações é muito maior", diz. Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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16/11 - Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto usa prótese alemã para tratar aneurisma cerebral
Stent fabricado com material especial permite ao paciente usar menos medicamentos para "afinar o sangue". Ao todo, 140 pacientes passarão por procedimento gratuitamente pelo SUS. Hospital das Clínicas da USP usa prótese alemã para tratar aneurisma cerebral Um estudo realizado pelo Hospital das Clínicas (HC-RP) da USP em Ribeirão Preto (SP) em parceria com cientistas alemães permitirá que 140 pacientes com aneurisma cerebral sejam submetidos a um procedimento que promete ser revolucionária e ainda não está disponível no país. O tratamento consiste na utilização de um stent, uma espécie de prótese – fabricada em material especial e diferente da que existe hoje – sobre o coágulo no interior da veia. Com isso, o paciente usará uma quantidade menor dos conhecidos medicamentos para “afinar” o sangue. Coordenador do serviço de Neurorradiologia Terapêutica e Radiologia Intervencionista do HC-RP, Daniel Abud explica que essa “nova geração” de stents poderá ser aplicada em situações mais complexas, como, por exemplo, quando o aneurisma cerebral se rompe. “Para esses pacientes a gente não pode, geralmente, colocar uma carga muito grande de um remédio que vai afinar mais o sangue porque tem risco de sangrar de novo. Com essa nova geração de dispositivo, isso vai ser possível”, afirma. A dona de casa Maria Auxiliadora Montana Bressiani passa por procedimento no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Ronaldo Gomes/EPTV Abud destaca que não se trata de um material experimental, mas já aprovado e também sendo testado na Europa. A equipe brasileira, inclusive, conta com a colaboração do professor Hans Henkes, chefe do serviço de neurorradiologia intervencionista de Stuttgart, na Alemanha. “Ele [o stent] tem um revestimento especial na malha metálica que é hidrofílico. Então, o sangue adere menos ao metal do que no dispositivo direcionador de fluxo normal, convencional. O sangue não trombosa quando passa por ele”, explica o médico. Abud afirma que a implantação do stent alemão é feita da mesma forma dos demais: um cateter extremamente fino é colocado no vaso sanguíneo pela virilha do paciente e levado ao local do aneurisma no cérebro, onde a prótese é aplicada. Stent é implantado com cateter em vaso sanguíneo no cérebro do paciente no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Ronaldo Gomes/EPTV Os pesquisadores estimam que, usando uma quantidade menor de antiagregante plaquetário, popularmente chamado de “remédio para afinar o sangue”, o paciente terá menos complicações, como sangramentos e hematomas frequentes. “Outra limitação é que durante esse primeiro ano [a pessoa] fica limitada para realização de cirurgias, como tirar um dente, porque pode causar um sangramento mais volumoso, porque o paciente está tomando remédio para finar o sangue”, diz. Otimismo O HC-RP selecionou pacientes cujos diagnósticos são considerados mais complexos e de maior risco para serem submetidos ao novo tratamento. Desde a última semana, 11 pessoas já passaram pelo procedimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Estou bem, mas vou sair melhor ainda, com a certeza de que vai dar tudo certo. Como estou em tratamento no HC, confio na equipe e tinha certeza de que iriam dar um jeito nessa situação. Estou muito satisfeita e ansiosa”, diz a dona de casa Mara Regina Brasil. A dona de casa Maria Auxiliadora Montana Bressiani estava em um pesqueiro, quando uma folha de coqueiro caiu sobre a cabeça dela. Uma tomografia apontou dois aneurismas cerebrais. Ela foi submetida ao novo tratamento e está otimista com os resultados. “Um [aneurisma] tem dois milímetros e o outro tem três. Se não caísse a folha, não descobriria”, diz. “Estou bem otimista, tenho muita fé. Aqui eu me sinto bem, já estive internada, fui muito bem tratada”, completa. Implantação de stent em vaso sanguíneo no cérebro do paciente no Hospital das Clínicas em Ribeirão Preto Ronaldo Gomes/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Ribeirão Preto e Franca
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16/11 - Infecções sexualmente transmissíveis estão em alta no Brasil; saiba quais são e como se proteger
Sífilis, HIV/Aids e hepatites estão entre as doenças 'silenciosas' com índices crescentes no país; 'por não sentirem nada, as pessoas não procuram o médico e não descobrem que estão infectadas'. Segundo a OMS, todos os dias são contabilizados no mundo mais de 1 milhão de casos de ISTs curáveis entre pessoas de 15 a 49 anos Getty Images via BBC Todos os dias, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são contabilizados no mundo mais de 1 milhão de casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) curáveis entre pessoas de 15 a 49 anos. E essas doenças estão em alta no Brasil, segundo dados coletados pelo Ministério da Saúde. A sífilis é o caso mais gritante: foram 158 mil notificações da doença em 2018, levando a uma taxa de 75,8 casos para cada 100 mil habitantes — em 2017, eram 59,1 casos/100 mil habitantes. Mas há indicativos também de que estejam aumentando as hepatites virais, enfermidades altamente perigosas, pois podem evoluir para cirrose e câncer de fígado e até levar à morte. Se de 2008 até 2018 o Brasil registrou quase 633 mil casos dessas infecções, só no ano passado foram cerca de 43 mil, somadas as hepatites A, B C e D. Dados do Unaids, programa das Nações Unidas especializado na epidemia, indicam que o Brasil apresentou aumento de 21% no número de novos casos de infecções por HIV de 2010 a 2018, o que vai na contramão mundial, já que, no mesmo período, a queda foi de 16% no planeta. E não são apenas essas ISTs que estão em alta. As que que não são de notificação obrigatória, como gonorreia e HPV, também estão crescendo no país. Para Mauro Romero Leal Passos, coordenador do setor de DST da Universidade Federal Fluminense (UFF) e fundador da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST), a principal razão é que muitas dessas doenças são silenciosas, podendo ficar meses ou anos sem apresentarem sinais e sintomas. "Por não sentirem nada, as pessoas não procuram o médico e não descobrem que estão infectadas. Sem saberem, a chance de transmissão do vírus ou da bactéria para os parceiros, com sexo sem proteção, é muito maior", comenta o médico. O melhor método de prevenção ao HPV é a vacina Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde Outro ponto importante, segundo ele, é a diminuição no uso dos preservativos, sobretudo entre os jovens. Para se ter uma ideia, pesquisa realizada em 2017, com 1,5 mil pessoas em todo o Brasil, pela organização sem fins lucrativos DKT International, identificou que 47% dos entrevistados com idade entre 14 e 24 anos não usam camisinha nas relações sexuais. Essa negligência acontece porque os tratamentos contra as doenças sexualmente transmissíveis estão mais eficazes e porque muita gente não acredita estar em perigo e nem se considera parte de grupos de risco. Ainda persistem as desculpas de que camisinha reduz o prazer, prejudica a ereção e é difícil de colocar. "E não adianta usar o preservativo uma vez ou até se sentir seguro com o parceiro. É preciso se proteger em todas as relações", acrescenta Passos. Outros fatores apontados por especialistas para a alta incidência de ISTs são os baixos índices de educação sexual e de cobertura vacinal (no caso de doenças que podem ser prevenidas por vacinas). O que são infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)? As ISTs são causadas por mais de 30 vírus e bactérias e transmitidas, principalmente, por relação sexual vaginal, anal e oral desprotegida, ou seja, sem o uso de preservativo, com uma pessoa infectada. Também podem ser passadas da mãe para a criança durante a gestação, no parto ou na amamentação. Algumas são transmitidas pelo contato de mucosas e pele com secreções corporais contaminadas, sangue infectado e uso de drogas injetáveis. No geral, essas doenças causam lesões nos órgãos genitais. Mas também podem provocar câncer, complicações na gravidez e no parto, aborto, infertilidade, problemas neurológicos e cardiovasculares e até a morte. "Há ainda as sequelas emocionais e sociais, que muita gente esquece. Não é incomum o portador desenvolver distúrbios psiquiátricos e ter problemas no relacionamento", analisa Passos. Outro fator bem preocupante é que essas patologias deixam os pacientes mais vulneráveis a adquirir o HIV. A estimativa é que elevam em até 18 vezes a chance de infecção pelo vírus da Aids. Tanto clamídia quanto gonorreia são curadas com o uso de antibióticos - os parceiros também devem tomar o medicamento, mesmo que não apresentem sinais e sintomas Getty Images via BBC Isso porque quem já tem alguma IST tem mais risco de contrair outra. "Se a pessoa tem uma inflamação, ferida, tumor, verruga, laceração ou secreção, sua resistência geral ou local está diminuída, então, quando ela entra em contato com outro agente, a entrada é facilitada", complementa o coordenador do setor de DST da UFF. A seguir, saiba mais sobre as ISTs que estão em alta no Brasil, de sintomas à prevenção: Clamídia e gonorreia Causadas por bactérias, essas doenças estão associadas, e ambas podem atingir os órgãos genitais, a garganta e os olhos. As duas doenças são quase sempre assintomáticas. Porém, quando apresentam sintomas, os mais frequentes, nas mulheres, são corrimento vaginal com dor no baixo ventre e dor ou sangramento durante a relação sexual. Nos homens, é corrimento no pênis, com ou sem pus, ardor e esquentamento ao urinar e dor nos testículos. Se não tratadas corretamente, podem evoluir para Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e ainda causar infertilidade, dor crônica, gravidez tubária (nas trompas), aborto, endometrite e parto precoce. Tanto a clamídia quanto a gonorreia são curadas com o uso de antibióticos - os parceiros também devem tomar o medicamento, mesmo que não apresentem sinais. Durante o período de infecção, é aconselhável evitar contato sexual desprotegido, e a melhor forma de prevenção é justamente o uso de camisinha. 4 - A melhor maneira de evitar a contaminação pelo vírus HIV é adotar técnicas de prevenção, incluindo uso de preservativos e redução do risco de exposição Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde Hepatite viral Trata-se da inflamação do fígado, causada por vírus e classificada em A, B, C, D e E. Os tipos transmitidos por relação sexual são B, C e D. As hepatites B e D têm como sintomas principais dor abdominal, diarreia, náusea, vômito, intolerância a cheiros, pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, mal-estar e dor no corpo. O tratamento de ambas é feito com medicamentos antivirais, fundamentais para que a doença não evolua para cirrose e câncer de fígado. Geralmente silenciosa, até que atinja maior gravidade (mais uma vez, cirrose ou câncer), a hepatite C é tratada com antivirais de administração oral. A terapia é realizada de três meses a um ano e tem excelentes chances de cura, passando de 95%. A hepatite B tem vacina, oferecida para crianças (quatro doses; ao nascer, 2,4 e 6 meses) e adultos (três doses a depender da situação vacinal). Quem tem algum tipo de imunodepressão ou o vírus HIV precisa de um esquema especial, com dose em dobro. No caso da C, por não haver vacina, a melhor forma de se prevenir é não compartilhar objetos de uso pessoal e cortantes ou perfurantes (como alicates em salões de manicure), usar preservativo e, ao se submeter a qualquer procedimento, certificar-se de que os materiais usados são esterilizados e os descartáveis não estão sendo reaproveitados. No caso da D, a recomendação é evitar contrair a hepatite B, já que elas estão relacionadas. Herpes genital É provocada pelo vírus do herpes simples (HSV) e gera lesões na pele e nas mucosas dos órgãos genitais masculinos e femininos. Os sintomas começam com ardor, coceira, formigamento e gânglios inflamados. Depois, surgem as bolhas, dolorosas e cheias de líquido. Quando elas estouram, viram feridas, que criam casca e cicatrizam. A doença não tem cura e aparece e desaparece espontaneamente, estando ligada a fatores desencadeantes, como estresse, traumas na região genital, exposição ao sol, alterações hormonais, febre, infecção e uso de certos medicamentos. Também não existe uma droga específica para o seu tratamento. O que se usa, basicamente, são antivirais para reduzir os sintomas e o risco de surto. Fora isso, evitando os gatilhos é possível manter o herpes genital sob controle. Quanto à prevenção, o mais indicado é usar preservativo nas relações sexuais. HIV HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, causador da Aids, doença que ataca o sistema de defesa do organismo. É bom lembrar que ter o HIV não é a mesma coisa que ter Aids. O Ministério da Saúde comenta que "há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença", mas ainda assim podem transmitir o vírus para outras pessoas. A patologia tem várias fases. A primeira, chamada de aguda, se dá entre duas e quatro semanas após a infecção. Seus sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, incluindo febre e mal-estar. O próximo período é o assintomático. Nele, o HIV está ativo, mas reproduz em níveis muito baixos, assim, o paciente pode não apresentar nenhum dos sintomas e nem ficar doente. Com o frequente ataque do agressor, as células de defesa passam a funcionar com menos eficiência até serem destruídas. Os sinais mais comuns nesse estágio são febre, diarreia, suores noturnos e emagrecimento. A fase da infecção, a da Aids propriamente dita, ocorre quando o sistema imunológico está seriamente comprometido, permitindo o aparecimento de doenças oportunistas, como hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer. A doença não tem cura, mas tem tratamento, com medicamentos antirretrovirais (ARV), que agem inibindo a multiplicação do vírus no organismo e, consequentemente, evitam o enfraquecimento do sistema imunológico. A melhor maneira de evitar a contaminação é a prevenção, incluindo o uso de preservativos e redução do risco de exposição. HPV O HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) é um vírus que infecta pele ou mucosas (oral, genital ou anal), tanto de homens quanto de mulheres, e pode causar câncer de boca, esôfago, ânus, pênis, vulva, vagina e colo do útero. Em muitos casos não apresenta sintomas, ficando latente de meses a anos — as manifestações costumam ser mais comuns em gestantes e pessoas com imunidade baixa. O Ministério da Saúde explica que a diminuição da resistência do organismo desencadeia a sua multiplicação e, como consequência, provoca o aparecimento de lesões. Elas se apresentam como verrugas anogenitais (na região genital e no ânus), únicas ou múltiplas, de tamanho variável, achatadas ou papulosas (elevadas e sólidas). Em geral, são assintomáticas, mas é possível haver coceira no local. Há ainda as lesões subclínicas, não visíveis ao olho nu. Essas acometem vulva, vagina, colo do útero, região perianal, ânus, pênis (geralmente na glande), bolsa escrotal e/ou região pubiana. Menos frequentemente, aparecem em áreas extragenitais, como conjuntivas e mucosas nasal, oral e laríngea. O tratamento, cujo objetivo é destruir as feridas, é feito de acordo com suas características, como extensão, quantidade e localização. Ele pode ser químico ou cirúrgico. Às vezes também se faz necessário o uso de estimuladores da imunidade. Vale destacar que esses procedimentos não eliminam o vírus e, por isso, as lesões podem reaparecer. O melhor método de prevenção é a vacina, ressaltando que ela não é um tratamento e não apresenta eficácia contra infecções já existentes. É distribuída gratuitamente pelo SUS e indicada para meninas de 9 a 14 anos, meninos de 11 a 14 anos, pessoas que vivem com HIV na faixa etária de 9 a 26 anos e transplantados na faixa etária de 9 a 26 anos. Além disso, é importante o uso de preservativo e a realização anual, no caso das mulheres, do exame papanicolau. Sífilis Causada pela bactéria Treponema pallidum, apresenta várias manifestações clínicas e diferentes fases. Na primária, o principal sintoma é uma ferida, geralmente única, que aparece entre 10 e 90 dias após o contágio no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus e boca, por exemplo). A lesão não dói, não coça, não arde e não tem pus, e pode ser acompanhada de ínguas (caroços) na virilha. No estágio secundário, as manifestações se dão entre seis semanas e seis meses do surgimento e cicatrização da ferida inicial. Elas incluem manchas no corpo, febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas. A fase seguinte, a latente, é assintomática e dividida em latente recente (menos de dois anos de infecção) e latente tardia (mais de dois anos de infecção). A última é a terciária, que pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção. Nela, costumam ocorrer lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas. Se não tratada, pode levar à morte. A boa notícia é que a doença tem cura, com aplicação de penicilina benzatina (benzetacil). O uso correto e regular da camisinha feminina e/ou masculina é a medida mais importante de prevenção, e o acompanhamento das gestantes e das parcerias sexuais durante o pré-natal contribui para o controle da sífilis congênita. Tricomoníase Seu causador é o protozoário Trichomonas vaginalis, encontrado com mais frequência na genitália feminina. Na lista de sintomas estão corrimento amarelado, amarelo-esverdeado ou acinzentado, com mau cheiro. Às vezes também ocorre prurido, dor durante a relação sexual e sangramento após e dor ao urinar. Nos homens, costuma ser assintomática, mas pode provocar uretrite, com secreção espumosa ou purulenta. Facilitadora para a transmissão de outros agentes infecciosos agressivos, como gonorreia e clamídia — e, na gestação, quando não tratada, causadora de rompimento prematuro da bolsa —, a tricomoníase é tratada com antibióticos (via oral, creme vaginal ou óvulo). A terapia deve ser realizada pelo casal, independentemente de o parceiro ter ou não sintomas. A prevenção, mais uma vez, é o uso de preservativo.
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15/11 - A estranha criatura mexicana que se regenera sozinha e pode desvendar chave de imunidade ao câncer
Os axolotes têm atraído o interesse dos cientistas, mas estão ameçados de extinção em seu habitat natural. Aparência dos axolotes divide opiniões — para alguns, eles são adoráveis, para outros, criaturas bizarras Mindem Pictures/Alamy/BBC Frankie tinha perdido metade do rosto em decorrência de uma infecção fúngica. Mas, assim como outros axolotes, ele tinha um talento especial. A veterinária e pesquisadora de axolotes Erika Servín Zamora, que também era cuidadora de Frankie, disse que ficou impressionada ao ver a extraordinária capacidade de regeneração do animal que ela, até então, conhecia apenas dos livros. Em dois meses, Frankie ganhou um novo olho totalmente funcional, e a vida voltou ao normal em seu tanque no Zoológico de Chapultepec. 'Blob': o que é a misteriosa criatura com 720 sexos e sem cérebro 'Fungo zumbi' controlando besouro e outras fotos incríveis Mas não teve tanta sorte em seu habitat natural, a apenas 30 quilômetros ao sul do zoológico. O axolote, anfíbio nativo dos lagos da Cidade do México, apesar de ter ganhado força como símbolo da capital mexicana, e especificamente no bairro de Xochimilco, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco, está quase extinto na natureza — sobretudo por causa da proliferação de espécies invasoras de peixes e da poluição da água nos agitados canais da cidade. Para piorar a situação, Frankie é um axolote albino, o que significa que ele é rosa claro com brânquias plumosas rosadas saindo da sua cabeça — uma presa fácil para as tilápias invasoras nas águas escuras e turvas de Xochimilco. Muitas espécies de axolotes estão seriamente ameaçadas de extinção Ullstein Bild/Getty Images/BBC Conhecidos localmente como "monstros da água", os axolotes têm uma aparência que divide opiniões. Para alguns, essas criaturas de pele macia e 20 cm de comprimento são consideradas adoráveis, com um sorriso permanente no rosto. Para outros, esses anfíbios de quatro dedos são simplesmente estranhos. Apesar da aparência um tanto polêmica, eles despertam um interesse particular nos cientistas, que acreditam que axolotes como Frankie possam ensinar um dia aos seres humanos o segredo da regeneração. "Os cientistas estão tentando tirar proveito das propriedades regenerativas dos axolotes e aplicá-las em pessoas feridas em acidentes, guerras ou vítimas de doenças — pessoas que perderam membros", explica Servín Zamora. "Outros estão procurando maneiras de como a regeneração do axolote pode ajudar a cicatrizar órgãos humanos, como coração ou fígado". Os axolotes também estão ajudando Servín Zamora e outros cientistas a entender a aparente resistência ao câncer que todos os anfíbios parecem ter. "Em 15 anos, não vi nenhum caso de tumor maligno em axolotes, o que é interessante", diz ela. "Suspeitamos que sua capacidade de regenerar células e partes do corpo ajude nesse aspecto." Os cientistas querem desvendar e aplicar em seres humanos as propriedades regenerativas dos axolotes Robert Michael/Getty Images/G1 E não para por aí. Os axolotes têm sido usados ​​tradicionalmente em todo o México como remédio para algumas condições associadas à gravidez, fraqueza e doenças respiratórias. Um grupo de freiras em Patzcuaro, no México, cria legalmente uma espécie de axolote, Ambystoma dumerilii, e usa os animais como ingrediente de um xarope para tosse, embora tradicionalmente eles fossem consumidos como parte de um caldo. Eternos adolescentes — e representação do divino Frankie é um Ambystoma mexicanum, uma das 17 espécies de axolote no México. Encontradas principalmente nos estados do México, Puebla e Michoacán, várias estão seriamente ameaçadas. Algumas espécies se transformam em salamandras que vivem na terra, perdendo as caudas semelhantes a girinos e as brânquias da cabeça. No entanto, isso também depende do ambiente. Frankie, por exemplo, vivendo em cativeiro e, portanto, a salvo de predadores, permanecerá um "eterno adolescente". Ou seja, axolotes como ele nunca vão se transformar em salamandras — vão manter a cauda que desenvolveram como larva e viverão sempre debaixo d'água. "Basicamente, eles decidem se vão completar a metamorfose, com base em fatores de pressão ambiental", diz Zamora. "Se eles decidirem que é melhor viver fora d'água, vão passar pela mutação em salamandras, mas pode ser uma empreitada estressante, pois eles param de comer completamente durante esse período." "A teoria atual é que, por razões evolutivas, o Ambystoma mexicanum permanecerá jovem (em algum estágio entre um girino e uma salamandra), uma vez que há muita comida na água (como pequenos peixes de água doce) e poucos predadores, ou seja, poucas razões para emergir." Algumas espécies de axolotes se transformam em salamandras que vivem na terra Patrick Guenette/Alamy/BBC Devido a essa tendência de mudar de forma, os axolotes têm uma presença forte na mitologia asteca. Eles costumam ser reconhecidos como uma representação de Xolotl, deus do submundo que é o irmão gêmeo do mal de Quetzalcoatl, frequentemente representado pelo Sol. Quando vários deuses foram convidados a fazer um sacrifício para criar o mundo, Xolotl fugiu para a água. Por sua covardia e relutância em ajudar, ele foi condenado a viver para sempre na água e a sofrer da eterna juventude. Para os astecas, a morte era transcendente — e não concluir esse ciclo significava ser impedido de alcançar uma esfera superior. Uma atração turística Apesar de o axolote estar ameaçado de extinção, imagens de Frankie e seus amigos estão espalhadas por toda a Cidade do México — seja na forma de grafite nos muros da capital ou de bichos de pelúcia em loja de souvenir. O novo ônibus de turismo oficial da Cidade do México exibe a imagem de um axolote albino Megan Frye/BBC Além disso, o Ambystoma mexicanum vai estampar a nota de 50 pesos que será lançada em 2022. E os novos ônibus de turismo da cidade apresentam a imagem de um axolote albino pintado na lateral. Anos atrás, se você quisesse encontrar um axolote, tudo o que você precisava fazer era procurar um canal. A Cidade do México foi construída sobre o leito do que outrora era um lago enorme, onde os astecas costumavam criar canais — além de chinampas, ilhas flutuantes feitas de árvores e lama que eram usadas para cultivar alimentos — para fins de navegação e transporte. Embora o lago e grande parte do sistema de canais tenham sido drenados ao longo dos anos para abrir espaço para uma população crescente, ainda há mais de 183 km de canais no bairro de Xochimilco — e 165 hectares de terra e água estão localizados na área protegida do Parque Ecológico de Xochimilco. Mas, em vez de axolotes, é mais provável que os visitantes encontrem hoje inúmeras espécies de aves migratórias e guias nos barcos nos canais. A área se tornou altamente turística, sendo mais conhecida como um lugar para dar um passeio nas icônicas traineiras coloridas, onde barcos menores passam repletos de mariachis ou vendendo cerveja. Ameaças ambientais Como as traineiras são barcos sem motor, não têm, a princípio, um impacto negativo nos axolotes. No entanto, as chinampas não estão conectadas ao sistema de esgoto da cidade; e os resíduos costumam acabar nos canais. Outras ameaças aos anfíbios incluem o rápido crescimento de plantas aquáticas ornamentais não nativas e a poluição de fertilizantes industriais, além de espécies invasoras, como carpas e tilápias, que foram introduzidas pelo governo na década de 1970 para fornecer alimento para a antiga área rural. A última iniciativa foi bem-intencionada, diz Servín Zamora, mas não tão bem planejada, uma vez que a carpa e a tilápia se deliciam com os jovens axolotes. "Os problemas que Xochimilco enfrenta não são apenas ambientais, mas também sociais", acrescenta. Nos canais de Xochimilco, uma das atrações é o passeio nas icônicas traineiras coloridas Megan Frye/BBC "As pessoas não obtêm renda suficiente com suas chinampas ou com o ecoturismo, então tendem a construir suas casas lá (no terreno das chinampas, o que é uma opção acessível, pois elas já são donas da propriedade) e, por esse motivo, a urbanização aumentou muito naquelas áreas. Infelizmente, todo o esgoto dessas casas vai diretamente para os canais, e isso causou uma tremenda poluição." Em 2017, a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) fez um estudo monitorando os canais. Embora os resultados ainda estejam sendo analisados, foi demonstrado que a poluição da água é muito grave nas zonas urbanas de crescimento rápido de Xochimilco. Servín Zamora disse que há esperança de recuperar espaços ainda dedicados à agricultura e, portanto, menos propensos a serem contaminados pela poluição causada pela superpopulação. "Se trabalharmos duro com educação, pesquisa e trabalho diretamente na área, podemos resgatá-lo, mesmo que seja apenas uma parte." Ainda assim, o estudo encontrou apenas um axolote vivendo na natureza em Xochimilco. Salvando o axolote Hoje, a maioria dos axolotes vive em cativeiro. Yanin Carbajal é cofundadora da Casa del Axolotl, um museu e aquário dedicado a educar o público sobre os axolotes, localizado na cidade de Chignahuapan, em Puebla. O projeto dela começou anos atrás, com tanques de criação no rancho de sua família, nas colinas das montanhas da Sierra Madre Oriental. O espaço do museu localizado na cidade foi inaugurado no ano passado, exibindo de 15 a 20 axolotes de quatro espécies diferentes. Carbajal conta que se sentiu motivada a cuidar dos axolotes por causa do seu forte vínculo com a história pré-colombiana do México, seus importantes efeitos para a saúde humana e o objetivo de preservar as espécies e melhorar seus habitats. Ela adverte, no entanto, que criar axolotes não é uma tarefa fácil. Embora seja permitido em todo o mundo mantê-los como animais de estimação, no México só é autorizado obter axolotes de um viveiro credenciado pela Secretaria de Meio Ambiente (equivalente a um ministério no Brasil). "A ignorância é um grande problema, com pessoas tirando (os axolotes) da natureza, mantendo como animais de estimação ou, em alguns casos, vendendo", afirma Carbajal. "Se as pessoas conseguem fazer com que se reproduzam, é positivo. Mas, do contrário, não ajuda as espécies. Como eles vivem nas águas tranquilas de lagos e lagoas, as temperaturas tendem a não flutuar tão rápido quanto em cativeiro." A Cidade do México tem poucos lugares onde os axolotes podem ser vistos em cativeiro hoje — entre eles, o Zoológico de Chapultepec, o Zoológico Los Coyotes e a sede das operadoras de turismo Axolotitlán e Umbral Axochiatl, ambas em Xochimilco. Pamela Valencia é fundadora da Axolotitlán, operadora da Cidade do México que tem como objetivo educar moradores e turistas sobre o delicado ecossistema de Xochimilco e a necessidade de se apoiar a causa dos axolotes, por meio de passeios com uma cooperativa de chinamperos (agricultores das chinampas) no parque ecológico. "O axolote é um tema no México que tem a ver com política, sociedade, uso de recursos, educação ambiental e sistematizada", avalia Valencia. "É um tópico que perpassa todas as vertentes da sociedade, de uma maneira ou de outra. Acreditamos que o axolote é o segredo para salvar nossa cidade, nosso país e provavelmente o mundo. É um animal incrivelmente importante que pode inspirar as pessoas a parar de fazer coisas que estamos fazendo há muito tempo como sociedade (como poluir) e sermos melhores de várias maneiras." Dionisio Eslava, presidente da Umbral Axochiatl, que trabalha em parceria com a Axolotitlán organizando passeios em Xochimilco, para que os visitantes entendam melhor a natureza do bairro, acredita que diminuir a diferença geográfica, cultural e socioeconômica entre a população da Cidade do México e os agricultores do sul é uma maneira de ajudar a limpar a área e incentivar, assim, os axolotes a voltarem para a região. "Os ecossistemas são um tipo de segurança, não apenas para alimentos, mas também para água, oxigênio e um aliado para enfrentar as mudanças climáticas", afirmou. "As grandes cidades devem apoiar nossos ecossistemas nos visitando e nos acompanhando neste tesouro que é uma grande herança de toda a humanidade." Essa pequena criatura, muitas vezes esquecida, pode não só nos guiar na proteção do planeta, como também é potencialmente a chave para desvendar alguns mistérios científicos. Frankie viveu até os oito anos (embora os axolotes em cativeiro possam viver 12 anos ou mais), morrendo de causas naturais no Zoológico de Chapultepec em 2010. Ele ocupa até hoje um lugar cativo no coração Servín Zamora, já que foi um dos primeiros axolotes de quem ela cuidou e ela diz ter aprendido muito com ele — esperamos que o resto do mundo também aprenda.
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15/11 - O que é a fusão nuclear, que promete ser a energia limpa que o mundo procura
Cientistas dizem que produção de energia através de fusão nuclear é uma questão de tempo — resta saber se a tempo de nos salvar do aquecimento global. O reator do tipo 'tokamak' deve ser usado no projeto internacional de cooperação para fusão nuclear, o Iter Iter/Divulgação/BBC As perspectivas para o desenvolvimento de fusão nuclear como fonte de energia na Terra melhoraram de forma significativa, dizem especialistas. O governo do Reino Unido anunciou recentemente um investimento de 200 milhões de libras para desenvolvimento de um reator de fusão nuclear até 2040. Empresas privadas disseram à BBC que querem ter protótipos sendo testados em cinco anos. Críticos afirmam que, com o preço da energia eólica e solar caindo cada vez mais, essas energias renováveis já existentes podem fornecer um método de lidar com as mudanças climáticas mais econômico que a fusão — e no tempo certo, já que o aquecimento global é um problema urgente. A fusão nuclear é um tipo de energia nuclear diferente do processo de fissão nuclear que é usado desde 1950 nos reatores de energia atômica. Na fusão, a energia é gerada a partir da união de átomos, enquanto na fissão a energia é gerada pela divisão de átomos. A fusão é o mesmo processo que acontece no Sol, e exige calor e pressão extremos, sendo muito mais difícil de controlar do que a fissão. Tudo o que você precisa saber sobre as usinas nucleares de Angra 1 e 2, e por que são diferentes de Chernobyl Como é viver ao lado de uma antiga usina nuclear soviética Mas o processo não gera o lixo radioativo produzido pelos reatores de fissão, que é um dos principais problemas atravancando o uso de energiar nuclear atualmente. A fissão também é um método muito caro e gera preocupações quanto à segurança e à proliferação de armas. O sistema de compressão do reator da General Fusion tem enormes pistolas de pressão General Fusion/Divulgação/BBC O que é exatamente a fusão nuclear A fusão é o processo que ocorre no Sol continuamente, responsável pelo seu calor e sua luz. A cada segundo, bilhões de toneladas de átomos de hidrogênio colidem uns com os outros em condições de temperatura e pressão extrema dentro de nossa estrela. Isso os força a quebrar suas ligações químicas e se fundirem, formando um elemento mais pesado, o hélio. A fusão solar gera quantidades enormes de calor e luz. Por décadas pesquisadores vêm tentanto replicar esse processo na Terra, produzir "um sol na caixa", como dizem alguns físicos. A ideia é pegar certo tipo de gás de hidrogênio, aquecê-lo a mais de 100 milhões de graus Celsius até formar uma nuvem de plasma, e controlá-lo com um poderoso campo magnético até que os átomos se fundam e liberem energia. Potencialmente, a energia da fusão nuclear é muito limpa: não gera CO² como subproduto, não gera lixo tóxico (já que o resultado da reação é o hélio, que não é radioativo), não gera riscos de explosão. Mas até agora a tecnologia para obter energia através do processo ainda não existe. Para tentar desenvolvê-la, diversos países concentraram seus esforços em projeto de cooperação internacional chamado Iter. Grande avanço ou elefante branco? Trinta e cinco países participam do projeto Iter, que no momento está construindo um reator de teste gigante no sul da França. O plano é ter o primeiro plasma produzido em 2025. No entanto, da produção do plasma até a obtenção de energia ainda há um longo caminho. O projeto também foi prejudicado por longos atrasos e estouros no orçamento que fazem com que seja improvável que haja uma usina nuclear de fusão até 2050. "O que estamos fazendo é desafiar as fronteiras do que é conhecido no mundo da tecnologia", diz o físico Ian Chapman, presidente da Agência Britânica de Energia Atômica. "E é claro que você encontra obstáculos e precisa superá-los, o que fazemos o tempo todo." "O Iter vai ser bem sucedido, eu tenho certeza total disso", diz ele. Até o Iter estar funcionando em 2025, o chamado JET (Joint European Torus), no Reino Unido, continuará sendo o maior experimento com fusão nuclear existente. O JET tem financiamento da União Europeia até 2020, mas o que vai acontecer depois disso não está claro. A participação do Reino Unido no Iter após a provável saída do país da União Europeia também ainda não foi acertada. Mas o governo do país recentemente anunciou um investimento de 220 milhões de libras para o desenvolvimento de uma usina de fusão até 2040. Durante os próximos quatro anos, pesquisadores vão desenvolver projeto para uma usina de fusão chamada Tokamak Esférico para Produção de Energia, ou Step, na sigla em inglês (Tokamak é um tipo de reator experimental de fusão). Essa base do Iter no sul da França quer ter seu primeiro plasma produzido em 2025 Iter/Divulgação/BBC Como funciona um reator de fusão? O método mais conhecido de fusão envolve o reator do tipo Tokamak, que tem uma câmara de vácuo em formato de donut. Nela, o hidrogênio é aquecido a 100 milhões de graus Celsius, e então se torna um plasma. Um campo magnético fortíssimo é usado para confinar o plasma para que ele não derreta o reator e encaminhá-lo para que a fusão ocorra. No Reino Unido, pesquisadores desenvolveram um tipo diferente de Tokamak, que parece mais uma maçã do que um donut. Chamado de Tokamak esférico, ele tem a vantagem de ser mais compacto, potencialmente permitindo que usinas futuras sejam localizadas e áreas urbanizadas. "Se você olha para algumas unidades, com as grandes máquinas que precisamos instalar, pode ver que a tarefa de encontrar um local para colocá-los por si só já é difícil", diz Nanna Heiberg, da Agência de Energia Atômica do Reino Unido. "O ideal é colocá-las perto de onde a energia é usada. E se você conseguir criar reatores em espaços menores, você pode colocá-los mais próximos a usuários e criar mais deles pelo país." De onde vem a empolgação com a fusão? Enquanto governos internacionais tentam fazer o Iter ir para a frente, alguns países também têm suas iniciativas nacionais. A China, a Índia, a Rússia e o Estados Unidos estão trabalhando no desenvolvimento de reatores comerciais. O Banco de Investimento da Europa também está colocando centenas de milhões de euros em um programa de produção de energia de fusão nuclear italiano que prevê operações a partir de 2050. A marinha americana já registrou a patente de um "dispositivo de fusão de plasma por compressão", que usaria campos magnéticos para criar uma rotação acelerada e produzir energia para o funcionamento de navios e submarinos. A ideia é criar reatores pequenos o suficiente para que sejam portáteis. Há muitas dúvidas sobre a possibilidade de que isso seja possível na prática. A General Fusion acredita que seu método poderá ser testado em cinco anos General Fusion/Divulgação/BBC Fusão no setor privado Talvez a maior expectativa venha do setor privado. São empresas menores, mais ágeis, e se desenvolvem cometendo erros e aprendendo com eles rapidamente. Hoje, há dúzias delas no mundo todo, levantando fundos e avançando com abordagens diferentes das tradicionais. A First Light, por exemplo, surgiu na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e envolve lançar um projétil em um alvo que contém átomos de hidrogênio. A onde de choque do impacto pressiona o combustível e produz o plasma. A Commonwealth Fusion Systems (CFS) foi criada por ex-funcionários do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e conseguiu levantar mais de US$ 100 milhões. Seu objetivo é desenvolver um reator Tokamak com imãs supercondutores que permitiriam produzir um reator menor e mais barato. A TAE Technologies, da Califórnia, conseguiu investimento de empresas como o Google e quer usar um tipo diferente de combustível: uma mistura de hidrogênio e boro, ambos elementos abundantes e não-radioativos. O protótipo deles é um reator cilíndrico que forma dois anéis de plasma que são unidos e mantidos juntos com raios de partículas não reagentes para que fiquem mais quentes e durem mais. Uma bola de metal líquido Uma das empresas mais competitivas é a empresa canadense General Fusion. Sua abordagem atraiu bastante atenção ao ser apoiada por bilionários como o criador da Amazon, Jeff Bezos. A General Fusion nomeou o seu sistema de "magnetised target fusion", algo como "fusão magnetizada direcionada", em inglês. O método funciona inserindo plasma quente injetado em uma bola de metal líquido dentro de uma esfera de aço. A mistura então é comprimida por gigantescas pistolas de pressão, mais ou menos como um motor a fissão. "As pistolas disparam simultaneamente e colapsam a cavidade com o combustível dentro", diz Michael Delage, diretor de tecnologia da empresa. "No pico da compressão, quando a reação acontece, ela está cercada por todos os lados por metal líquido, então a energia vai para o metal, que depois é usado para ferver água e produzir vapor, que por sua vez é usado para produzir energia elétrica. A General Fusion diz que espera que seu protótipo esteja funcionando em cinco anos. Porque ainda não conseguimos produzir energia por fusão? Apesar das altas expectativas, ninguém até hoje conseguiu obter mais energia de um experimento de fusão do que gastou viabilizando-o. Os cientistas têm confiança de que a ideia vai funcionar, mas acreditam que é uma questão de escala. Para fazer dar certo, você precisa que o experimento seja grande. "A fusão precisa de recursos para realmente funcionar", diz Ian Chapman, da agência britânica de energia atômica. "O experimento pode ser feito por um país ou pela iniciativa privada, o que você precisa é da escala e dos recursos." "Quando o Iter funcionar, e eu digo 'quando' e não 'se', vai ser um grande avanço para a fusão e você um investimento massivo no campo", afirma Chapman. Há décadas, os cientistas tentam replicar a reação química que acontece no Sol Getty Images/BBC A energia renovável vai tornar a fusão irrelevante? Em 2018, o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) relatou que as emissões de CO² precisam ser reduzidas em 45% até 2030 para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5° C. Para atingir esse objetivo é preciso que se faça uma rápida "descarbonização" do setor de produção de energia, ou seja, que a produção de energia não produza mais tanto CO² como subproduto. O Reino Unido se compremeteu a, até 2050, atingir "zero emissões líquidas" de carbono (quando a produção de carbono é balanceada com a retirada de carbono do ambiente), o que vai exigir o uso de energia solar e eólica em grande escala. Algumas pessoas argumentam que isso deveria ser a prioridade do país, em vez de gastar grandes quantias de dinheiro em reatores experimentais de fusão. "O custo de energias renováveis caiu, enquanto o custo do projeto de fusão internacional, o Iter, subiu", diz o físico britânico Chris Llewellyn Smit, que já foi presidente do conselho do Iter. "Agora parece bem improvavél que consigam completar o projeto sem novas ideias." "Eu não acho que isso seja motivo para desistir da fusão, há maneiras de torná-la mais barata, mas não é algo que estará disponível para nós imediatamente quando precisarmos." Outras pessoas na indústria, no entanto, têm uma visão diferente. "Se você é um país como a Malásia, que tem um sistema energético altamente dependente de carbono, e você está tentando mudar sua matriz energética baseada em queima de carvão, não há muitas opções hoje em dia", diz Chris Mowry, presidente da empresa General Fusion. "Este é o tipo de aplicação na qual focamos. E até países como o Canadá, que têm uma quantidade razoável de energia renovável, ainda não conseguem ser 100% renováveis." "Então precisamos de uma fonte de energia livre de carbono para complementar as renováveis no futuro", afirma Mowry.
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15/11 - O que é a peste pulmonar e por que sua aparição na China preocupa
Se não for tratada, a doença tem uma taxa de letalidade próxima a 100%, segundo especialistas. A peste geralmente é transmitida por ratos Getty Images/BBC A forma mais rara, porém mais letal de peste, apareceu na China. Duas pessoas foram hospitalizadas em Pequim após contraírem a peste pulmonar ou pneumônica - uma variante altamente infecciosa da doença e muitas vezes fatal - confirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quarta-feira (13). Peste bubônica: entenda o que é a doença Os ratos são inocentes: pesquisa aponta que humanos espalharam a peste negra, epidemia mais mortal da história Os dois pacientes, originários da Mongólia Interior - região do norte da China - foram colocados em quarentena após serem diagnosticados com a doença, segundo autoridades de saúde do distrito de Chaoyang, a leste da capital chinesa. Segundo a OMS, o governo chinês está tentando conter e tratar os dois casos e aumentou sua vigilância. Uma variante perigosa A peste pulmonar é uma doença que afeta humanos e outros mamíferos. Ela é causada pela bactéria Yersinia pestis. Os seres humanos geralmente se contagiam pela picada de pulgas infectadas, que vivem em pequenos mamíferos como ratos, ou ao manipular um animal infectado com a doença. Sua taxa de mortalidade pode ser alta, mas o tratamento com antibióticos é eficaz se administrado até 24 horas depois do contágio. Segundo a OMS, existem três formas de infecção por peste: a bubônica - a mais comum, que afeta os gânglios linfáticos -, a septicêmica - ocorre quando a infecção se propaga pelo fluxo sanguíneo - e a pulmonar, quando afeta os pulmões. A peste pneumônica é causada pela bactéria Yersinia pestis Getty Images/BBC A bubônica, também chamada de peste negra, é talvez a mais famosa, já que na Idade Média ocasionou um dos surtos mais mortais da história da humanidade. Menos comum, ela é a forma mais virulenta de peste. Geralmente ocorre devido à disseminação para os pulmões de uma infecção bubônica avançada e geralmente é transmitida por ratos, embora também seja possível passar de uma pessoa para outra através de uma simples tosse. Se não for tratada, a peste pulmonar tem uma taxa de letalidade próxima a 100%. As autoridades de saúde chinesas disseram que todas as pessoas em risco de exposição à doença foram localizadas e tratadas, e que os hospitais intensificaram o monitoramento de pessoas com sintomas semelhantes. Eles acrescentaram ainda que o risco de um surto de peste pulmonar no país é mínimo. Outros casos Os surtos na China não são frequentes, mas grande parte da cidade de Yumen, no Noroeste, foi colocada em quarentena em 2014, depois que um morador de 38 anos morreu de peste bubônica. As populações de roedores aumentaram na Mongólia Interior após secas persistentes, agravadas pelas mudanças climáticas. Na vizinha Mongólia, duas pessoas morreram na primavera passada depois de comer marmota crua, um alimento que pode transportar a bactéria Yersinia pestis. Em Madagascar, um surto de peste em 2017 deixou mais de 200 mortos.
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15/11 - ‘Eu pensava que merecia’: Como a ioga ajudou mulher a superar estupro, trauma e depressão
Aos três anos de idade, Natasha Noel viu a mãe cometer suicídio; aos sete, foi estuprada. Os traumas geraram falta de confiança imensa e um quadro de depressão clínica. Hoje, ela pratica ioga que diz proporcionar força física e mental. Natasha acredita que praticar ioga a ajudou a lidar com situações de estresse Arquivo pessoal/Natasha Noel/BBC A jornada de Natasha Noel em busca de cura começou aos 21 anos de idade. O namorado dela havia terminado a relação e saído de sua vida. Era o momento de repensar seu caos interior, mas suas cicatrizes eram profundas. Aos três anos e meio de idade, ela viu a mãe atear fogo em si própria. Seu pai, que sofria de esquizofrenia, foi enviado para uma casa de detenção, e ela passou a viver com os padrinhos. Aos sete anos, Natasha foi estuprada. O abusador a encurralou e atacou — mas ela não contou a ninguém. Por que professores de ioga podem sofrer de sérios problemas no quadril Ela também não disse nada depois, quando foi abusada e tocada de forma inadequada. "Minha infância foi marcada pela dor e por uma culpa muito grande. Eu sempre me culpava", conta ela à BBC. "Eu amava ser vítima, porque era algo tão próximo à dor. Eu pensava que merecia aquilo". Depois de anos sofrendo com inseguranças sobre o próprio corpo, ela encontrou a liberdade na dança. Assim, achou uma forma de se expressar de forma mais confiante. Ela treinou jazz, balé e dança contemporânea em um instituto local de Mumbai, maior cidade da Índia. Mas uma lesão no joelho colocou um fim aos treinos. Sua dislexia, combinada ao bullying que encarava na escola, também a afastou dos estudos em um período crucial. Quando conseguiu se formar, sua mãe adotiva sugeriu que ela seguisse carreira como professora, para garantir certa estabilidade. Natasha conta que sua nova família cuidava dela da melhor forma que podia, mas nada era suficiente. "O problema era eu, porque eu não estava pronta para essa aceitação e nunca me abria". "E eu definitivamente não estava pronta para um emprego como professora". Depois de um término de namoro, surgiu o desejo de mudança. "Eu sabia que tinha de melhorar", diz ela. Natasha lida com depressão e ansiedade há muitos anos Arquivo pessoal/Natasha Noel/BBC Preenchendo o vazio Foi uma fase que ensinou a ela uma grande lição: "você precisa cuidar da sua saúde mental, porque ninguém mais vai fazer isso". Natasha percebeu que estava lidando com anos de ódio a si mesma e de problemas com sua imagem corporal. "A depressão, para mim, era sobre comportamentos extremos. Eu comia até não conseguir mais respirar e depois vomitava, ou então me forçava a passar fome. Ou eu dormia o dia inteiro, ou simplesmente não dormia". Transtornos do tipo costumam ser negligenciados na Índia, devido ao estigma social e à falta de cuidados médicos. Estima-se que um quarto da população mundial sofrerá com algum transtorno ao longo da vida, segundo a Organização Mundial de Saúde — e a depressão está entre os quadros mais críticos. Natasha havia passado por terapia antes, quando mais nova. Dessa vez, entretanto, ela também optou por uma série de técnicas para autocuidado. A lista incluía um caderno para anotar momentos pelos quais se sentia grata, que a ajudava a ter mais perspectiva, e um caderno de metas que a encorajavam a agir. "Minha depressão e minha ansiedade me motivaram a sair dali", conta ela. "Na pior fase, eu definia apenas metas menores para cada dia, como escovar meu cabelo ou sair de casa para uma caminhada de cinco minutos". Nos dias em que não conseguia dar conta disso, ela decidia ser mais suave consigo mesma. "Eu aprendi a dizer a mim mesma que está tudo bem em falhar e tentar de novo amanhã. Eu tive de praticar o amor próprio até que se tornasse o único caminho". Essa foi a maior diferença na forma como lidava com diversos assuntos. "Eu me lembro de quando meu terapeuta me perguntava como eu estava, e eu respondia 'eu estou bem, e você?'." "Eu estava tão acostumada a dar amor aos outros, mas nunca a mim mesma", ela lembra. Cura por meio da ioga A meditação tornou-se uma grande parte da jornada de Natasha para lidar com depressão e ansiedade. Ao longo dos anos, ela recorreu também à ioga para melhorar sua força física e mental. "Depois da minha lesão, eu não pude mais dançar nem fazer qualquer atividade física. Mas comecei a ver mulheres do mundo todo mostrando poses de ioga nas redes sociais e pensei no quanto era incrível", diz ela. Ela queria chegar lá, um passo de cada vez. Esse caminho ia desde as posturas físicas (asanas) até as formas de controle da respiração (pranayama), para chegar à atenção plena. "Praticar ioga ajuda a me manter sã. O processo foi longo, mas o progresso passou a ser encorajador". Depois de cinco anos, ela se vê em um lugar melhor. "Hoje, não importa o que aconteça, eu pratico ioga nas primeiras horas do meu dia e tiro alguns minutos para meditar". Isso tornou os dias de estresse mais tranquilos e ajudou em sua prática do amor próprio, como ela nunca havia conseguido antes. Natasha decidiu transformar isso em um estilo de vida e passou pelo treinamento para se tornar uma instrutora de ioga. Lidando consigo mesma Aos 27 anos de idade, ela ainda tem dias ruins, mas aprendeu a continuar. Natasha é agora uma professora de ioga, defensora da conscientização sobre saúde mental e influenciadora digital. Ela explica que sua jornada começou com a autoaceitação. "As palavras que você diz sobre mim, eu já pensei sobre mim mesma e foi muito pior", diz seu perfil no Instagram. Natasha Noel fala sobre sua jornada, da infância dolorosa ao perdão Arquivo pessoal/Natasha Noel/BBC Ela promove a aceitação corporal para mais de 245 mil seguidores, enquanto os inspira a fazer ioga. O perfil na rede social também reflete muitas de suas experiências pessoais. "Eu repetia constantemente esse 'modo vítima' na minha cabeça. Mas me policiava sobre isso, porque eu mesma estava me puxando para baixo". Como influenciadora, ela continua a ser chamada por trolls de "mau caráter", "indigna", "fácil" ou "não tão bonita". Entretanto, Natasha não é mais acometida pela ansiedade. "Eu mudei minha perspectiva e trabalhei duro para melhorar". "Eu levei 20 anos para chegar aqui e ainda não terminei. Ainda estou me curando, um passo de cada vez". *O que é o 100 Women? Todos os anos, a iniciativa BBC 100 Women (100 Mulheres) nomeia 100 mulheres influentes e inspiradoras ao redor do mundo e compartilha suas histórias.
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15/11 - Laboratório da UFU lança novo tipo de exame de próstata em dezembro e solicita patente internacional
Segundo universidade, solução deve chegar ao mercado nacional e internacional em 2020. O objetivo é atingir a rede privada e SUS; saiba qual é o diferencial do exame. O sangue de pacientes com câncer de próstata passa pela centrífuga (à esquerda) e pelo citômetro de fluxo (à direita) Marco Cavalcanti/Divulgação Os pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) vão lançar em dezembro um novo tipo de exame de próstata no mercado da saúde. A informação foi divulgada nesta semana, dentro do mês de conscientização da doença, o Novembro Azul. Segundo a UFU, haverá uma nova forma de diagnóstico do câncer de próstata, na qual se analisa o sangue do paciente, que estava sendo desenvolvida pelos cientistas coordenados pelo professor Luiz Ricardo Goulart Filho, do Instituto de Biotecnologia (Ictec/UFU). O objetivo dos cientistas é que, além da rede privada, a tecnologia chegue ao Sistema Único de Saúde (SUS). O registro de patente brasileira, americana e europeia já foi solicitado pelo pesquisador. Segundo ele, a pesquisa está em estágio de conclusão. “Em dezembro, ele vai ser implantado em um laboratório privado como pesquisa de validação de estágio final clínico e, provavelmente em abril ou maio, ele será lançado no mercado definitivo nacional e no internacional a partir de junho ou julho”, explicou Goulart. Professor Luiz Ricardo Goulart Filho coordena desenvolvimento da biópsia líquida Marco Cavalcanti/Divulgação Diferencial Conforme os pesquisadores, o novo exame é chamado de biópsia líquida, pois se analisa o sangue do paciente. No laboratório, esse sangue passa por duas máquinas: uma centrífuga, que separa as suas partes, e um citômetro de fluxo, que conta e classifica essas partes. Assim, é possível observar a presença de células normais, que se desprendem dos órgãos no processo natural de renovação, e também a presença (ou não) de células tumorais. O resultado sai em menos de três horas, com uma precisão de 96% a 97% e a um custo aproximado de R$ 100 por paciente. Financiamento A pesquisa foi financiada por meio de uma parceria público-privada, envolvendo recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) e da empresa privada BioGenetics, de Uberlândia. Essa empresa começará a implantar o exame a partir de dezembro, mas Goulart espera que a tecnologia também chegue ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Depende de política pública. A gente tem que apresentar para o governo qual é o impacto econômico. Vai ter um impacto em termos cirúrgicos e de números de biópsias. Mais de 75% dos homens vão pra mesa cirúrgica fazer biópsia desnecessariamente”, afirmou. Custos Segundo a universidade, manter um laboratório como o de Nanobiotecnologia da UFU, que funciona há 30 anos, custa aproximadamente R$ 1,5 milhão por ano, sem considerar as bolsas dos pesquisadores, de acordo com Goulart. São 102 cientistas: 60 usuários permanentes e 42 que vêm de outras instituições. “É uma infraestrutura muito forte e muito cara. Para manter, precisa de muito investimento. Hoje, graças às empresas privadas que financiam aqui é que eu tenho condições de dar manutenção, senão, eu não teria, porque o governo não tem condições de dar manutenção para um laboratório desse porte”, analisou o professor. Uberlândia Segundo a Prefeitura de Uberlândia, até o final deste mês, as equipes da atenção primária da Secretaria Municipal de Saúde realizarão várias atividades nas unidades para reforçar a campanha Novembro Azul. Serão workshops, palestras e ações sobre assuntos relacionados à saúde do homem, bem como serviços, solicitação de exames e outras atividades. As atividades ocorrem para lembrar a importância do diagnóstico precoce, conforme aponta a coordenadora da atenção primária, Karina Kelly de Oliveira. “O trabalho é feito todos os dias, mas o mês de novembro é um marco, onde chamamos a atenção para a saúde do homem. Os números mostram que a doença está aí e eles precisam fazer os exames de prevenção, além de cuidar da saúde de uma forma geral”, destacou. Câncer de próstata Segundo o Ministério da Sáude, o câncer de próstata é o tumor que afeta a próstata, glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis. Esse tipo de câncer é o mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele. 2018 no Brasil As estimativas apontam 68.220 novos casos em 2018. Esses valores correspondem a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil homens, além de ser a segunda causa de morte por câncer em homens no Brasil, com mais de 14 mil óbitos.
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15/11 - A batalha solitária de um cosmólogo contra a teoria do 'Big Bang'
Peebles investigou a radiação cósmica de fundo ajudando a cimentar muitos dos detalhes e foi um dos premiados do Nobel da Física de 2019. O vencedor do prêmio Nobel de Física de 2019 James Peebles posa para uma foto enquanto fala com a imprensa em Princeton, em Nova Jérsei, nos Estados Unidos. Eduardo Munoz/Reuters James Peebles ganhou o Prêmio Nobel de Física deste ano por ajudar a transformar o campo da cosmologia em uma ciência respeitada, mas se há um termo que ele odeia ouvir, é a "Teoria do Big Bang". A principal explicação para o universo em seus primeiros períodos é dominante há décadas, com o trabalho inicial de Peebles que investigou a radiação cósmica de fundo ajudando a cimentar muitos dos detalhes. Trio leva Nobel de Física de 2019 por pesquisas sobre origem do Universo e descoberta de planeta Mas "a primeira coisa a entender sobre o meu campo é que o nome dele, Teoria do Big Bang, é bastante inapropriado", disse Peebles, de 84 anos, em um evento de homenagem aos vencedores do Prêmio Nobel dos EUA na Embaixada da Suécia em Washington na quarta-feira. "Isso conota a noção de um evento e uma posição, os quais estão completamente errados", continuou, acrescentando que não há evidências concretas de uma explosão gigante. O comitê do Nobel, no mês passado, homenageou Peebles por seu trabalho desde meados da década de 1960, que desenvolveu o atual quadro teórico predominante para o jovem universo. Mas ele é cuidadoso ao notar que não sabe sobre o "começo". O cientista James Peebles reage enquanto fala com a imprensa depois de ganhar o prêmio Nobel de Física em 2019. Eduardo Munoz/Reuters "É muito lamentável que se pense no começo, quando, na verdade, não temos nenhuma boa teoria de algo como o começo", disse à AFP em entrevista. Por outro lado, temos uma "bem testada teoria da evolução de um estado inicial" para o estado atual, começando com "os primeiros segundos de expansão" - literalmente os primeiros segundos de tempo, que deixaram assinaturas cosmológicas denominadas "fósseis". Fósseis na paleontologia são os restos preservados de seres vivos de épocas geológicas anteriores. Os fósseis cosmológicos mais antigos são a criação do hélio e de outras partículas como resultado da nucleossíntese, quando o universo estava muito quente e muito denso. Essas teorias são bem fundamentadas devido à preponderância de evidências e verificações, ao contrário das teorias da fase misteriosa anterior. "Não temos uma prova forte do que aconteceu antes", disse Peebles, professor emérito de Princeton. "Temos teorias, mas não testadas". 'Eu desisto' "Teorias e ideias são maravilhosas, mas para mim elas se estabelecem ao passar nos testes", continuou. "Teorias, é claro, qualquer físico brilhante pode inventar teorias. Elas podem não ter nada a ver com a realidade". "Você descobre quais teorias estão próximas da realidade comparando-as com as experiências. Nós simplesmente não temos evidências experimentais do que aconteceu antes". Uma dessas teorias é conhecida como "modelo da inflação", que sustenta que o universo primitivo se expandiu exponencialmente por uma minúscula fração de segundo antes da fase de expansão. "É uma bela teoria", disse Peebles. "Muitas pessoas pensam que é tão bonita que certamente está certa. Mas a evidência disso é muito escassa". Perguntado sobre qual termo ele preferiria ao "Big Bang", Peebles responde: "Desisti, uso Big Bang, não gosto". "Mas, durante anos, alguns de nós tentaram convencer a comunidade a encontrar um termo melhor, sem sucesso. Então é 'Big Bang'. É lamentável, mas todos sabem esse nome. Então eu desisto".
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14/11 - Transporte marítimo propagou câncer infeccioso entre mexilhões, diz estudo
A neoplasia, ou leucemia dos mexilhões, foi detectada em espécies do Canadá, da França, da Holanda, do Chile e da Argentina. Mexilhão visto na França Antoine Lorgnier/Only France/Arquivo AFP Um câncer infeccioso se propagou entre duas espécies de mexilhões de ambas as partes do oceano Atlântico, segundo um estudo que aponta o transporte marítimo como vetor da doença. O câncer só é infeccioso em algumas ocasiões. "O diabo-da-tasmânia, os cães e os bivalves desenvolvem cânceres que podem se propagar de um indivíduo a outro, agindo como um agente patógeno ou um parasita", segundo Marisa Yonemitsu, do Instituto de Pesquisa Pacific Northwest de Seattle, coautora do estudo publicado na revista científica eLife. ‘O mar é minha vida, não posso ver esse horror e fazer nada' Navio liberiano está na rota dos 'fantasmas' suspeitos por óleo no Nordeste Uma dessas doenças, chamada neoplasia ou leucemia dos mexilhões, foi detectada entre os Mytilus trossulus, no Canadá, mas também nos M. edulis da França e da Holanda e nos M. chilensis do Chile e da Argentina. Os pesquisadores descobriram que as células cancerosas "extraídas dos mexilhões da Europa e da América do Sul eram geneticamente quase idênticas, sugerindo uma mesma origem". O "ancestral" comum desta doença é "provavelmente um único mexilhão (M. trossulus)", segundo um comunicado. Mas como estes não se encontram nas zonas tropicais, Michale Metzger, coautor do estudo, estimou que os moluscos infectados "foram acidentalmente transportados por um barco de transporte marítimo internacional". "Nosso estudo mostra que esses cânceres infecciosos entre os bivalves são agentes patógenos muito disseminados e que os humanos podem ser responsáveis por sua introdução em novas espécies vulneráveis", segundo Metzger, também do mencionado instituto de Seattle.
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14/11 - Brasil concentrou maior número de casos de dengue na América Latina, diz relatório da Opas
Com dois milhões de registros de dengue nesse ano, o país se destacou na região que vive em 2019 um recorde histórico. A Organização Pan-Americana da Saúde alertou nesta quinta-feira para alta incidência da doença em países da América Central. Fêmea do Aedes aegypti é responsável pela transmissão da febre amarela, dengue, chikungunya e zika vírus Pixabay/Divulgação O Brasil concentrou em 2019 o maior número de casos de dengue da América Latina, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). A região teve, nesse ano, um recorde histórico. Em relatório divulgado na quinta-feira (14), a entidade alertou também para a alta incidência da infecção em países da América Central. Nova técnica esteriliza mosquito da dengue com radiação A espécie invasora mais famosa do Brasil: o Aedes aegypti Entre janeiro e outubro, período levado em conta pelo estudo, foram mais de 2,7 milhões de casos de dengue registrados no continente latino. Do total, ao menos 22.127 foram registrados como casos graves e 1.206 mortes. América Central tem maior incidência As maiores taxas de incidência, que relacionam o número de casos por 100.000 habitantes, ficaram concentradas em países da América Central. Segundo o relatório, Nicarágua (2.271), Belize (1.021), Honduras (955,5) e El Salvador (375) apresentaram índices preocupantes. Com maior número de casos absolutos, o Brasil registrou uma incidência de 711,2 casos a cada 100.000 habitantes. Incidência de casos de dengue na América Latina G1 Natureza A dengue é uma infecção viral transmitida por mosquitos que pode ser fatal e apresenta sintomas semelhantes aos da gripe. O número total de 2.733.635 casos de dengue até agora em 2019 está 13% acima do registrado em 2015, quando ocorreu a última epidemia dessa doença. Cinco países com mais casos de dengue: Brasil, 2.070.170 México, 213.822 Nicarágua, 157.573 Colômbia, 106.066 Honduras, 96.379 Dado o aumento dos casos de dengue e dengue grave, a Opas, escritório regional da Organização Mundial da Saúde (), solicitou aos países que intensificassem a vigilância da doença, bem como o controle dos mosquitos que a transmitem. "Dada a alta infestação por Aedes aegypti e a presença de Aedes albopictus na região, recomenda-se que medidas de prevenção e controle tenham como objetivo reduzir a densidade do vetor, com a aceitação e colaboração da população local" – Boletim epidemiológico da Opas. A dengue, típica das áreas tropicais e subtropicais, se concentra principalmente nos países do sudeste da Ásia e do Pacífico Ocidental. Porém, nos últimos anos, a incidência e a gravidade da doença aumentaram rapidamente na América Latina e no Caribe, segundo a OMS, que atribui o aumento mundial à urbanização, aos movimentos rápidos de pessoas e bens, às condições climáticas favoráveis e à falta de pessoal capacitado.
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14/11 - Dinamarca e Suécia têm menos suicídios de homossexuais após casamento gay
Levantamento na Dinamarca e na Suécia associa legalização do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo à redução de suicídios entre população LGBT+. Mas gays ainda se matam mais frequentemente do que heterossexuais. Milhares de pessoas participaram da Parada do Orgulho Gay na Suécia Reuters A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo reduziu as taxas de suicídio entre homossexuais na Suécia e na Dinamarca, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira (14). Entretanto, a pesquisa aponta que gays e lésbicas divorciados, viúvos ou casados ainda são mais propensos ao suicídio do que heterossexuais. O levantamento, realizado pelo Instituto Dinamarquês de Prevenção do Suicídio e pela Universidade de Estocolmo, comparou taxas de suicídio de cônjuges em casamentos do mesmo sexo e em matrimônios heterossexuais nos períodos de 1989 a 2002 e de 2003 a 2016. Na contramão da tendência mundial, taxa de suicídio aumenta 7% no Brasil em seis anos O trabalho, publicado no "Journal of Epidemiology and Community Health", revelou ter ocorrido uma queda de 46% na taxa de suicídios de homossexuais casados, contra 28% na de casais heterossexuais. Os autores do levantamento acreditam que a redução do estigma entre as minorias sexuais pode ter contribuído para a queda nas mortes. A pesquisa foi baseada em dados oficiais de milhares de casais do mesmo sexo nos dois países, que estão entre os primeiros no mundo a legalizar o matrimônio gay. Alexandra Ejnerstam (esquerda) e Asa Andersson se casamento no parque Humlegarden, em Estocolmo, na Suécia, em 2009, após o país aprovar lei sobre o casamento gay Bob Strong/Reuters "Ser casado protege contra o suicídio", diz a chefe do estudo, Annette Erlangsen, do Instituto Dinamarquês de Pesquisa para Prevenção do Suicídio. "Legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo e outras medidas legislativas podem realmente reduzir o estigma em torno das minorias sexuais." Entretanto, membros de uniões homossexuais ainda se mataram com frequência mais de duas vezes maior do que os membros de casamentos heterossexuais em ambos os períodos, reforçando pesquisas de outros países, que apontam para uma maior incidência de tentativas de suicídio entre pessoas LGBT+. O estudo analisou dados de mais de 28 mil cidadãos vivendo em uniões do mesmo sexo por uma média de 11 anos. Também constatou-se que lésbicas casadas tinham 2,8 vezes mais chance de se suicidarem do que mulheres em uniões heterossexuais, e ligeiramente mais chance do que homens heterossexuais casados. Já homens heterossexuais com parceiros teriam uma tendência maior de se matarem. "Ainda existe um grau considerável de homofobia, particularmente contra homossexuais masculinos", ressaltou Morten Frisch, da entidade de pesquisa Instituto Statens Serum da Dinamarca. "Pouco menos de um em cada três homens ainda considera moralmente inaceitável que dois homens façam sexo um com o outro", afirmou, citando uma pesquisa com mais de 62 mil dinamarqueses divulgada em outubro. Dinamarca foi o primeiro país do mundo a permitir uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. torben7400/Pixabay Em 1989, a Dinamarca se tornou o primeiro país do mundo a permitir uniões civis do mesmo sexo. A Suécia seguiu o exemplo em 1995. O casamento gay foi legalizado na Suécia em 2009 e na Dinamarca, em 2012. Os dois países são vistos como líderes globais em relação aos direitos LGBT+. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal em 27 países, 16 deles na Europa. O Equador se tornou a mais recente nação a entrar nesta lista, em junho. Com a decisão, o país se juntou, na América Latina, a Brasil, Argentina, Costa Rica, Uruguai e Colômbia, que também reconhecem os direitos civis dos homossexuais. Os jovens LGBT+ têm pelo menos três vezes mais chances de tentarem suicídio do que jovens heterossexuais, de acordo com 35 estudos de 10 países coletados por pesquisadores em 2018. A legislação que promove os direitos LGBT+ pode contribuir para redução do risco de suicídio – mesmo para quem ainda não tem idade para se casar. Tentativas de suicídio de estudantes do ensino médio dos Estados Unidos caíram 7% em estados que permitem o casamento do mesmo sexo – aponta um estudo de 2017 da Universidade de Harvard – e 14% entre os alunos que se identificam como lésbica, gay ou bissexual. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) é responsável por promover apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo gratuitamente, sob total sigilo, por telefone (188), e-mail e chat 24 horas todos os dias.
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14/11 - OMS adota técnica de radiação que esteriliza mosquito da dengue
Projeto envolve liberar grandes quantidades de mosquitos machos estéreis da espécie 'Aedes aegypti'. Objetivo é reduzir a população do inseto ao longo do tempo nos países mais afetados. Programa é parceria com a FAO e a AIEA. A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta quinta-feira (14) a adoção de uma técnica de esterilização que usa radiação contra o mosquito causador de doenças como a dengue, a zika e a chikungunya. O processo se chama "Sterile Insect Technique" (SIT), ou "técnica do inseto estéril", em português. O método envolve criar e liberar milhares de mosquitos machos incapazes de se reproduzirem. Soltos na natureza, mesmo que eles se acasalem com as fêmeas, serão inférteis e, portanto, não terão prole. A espécie invasora mais famosa do Brasil: o Aedes aegypti A ideia é que, ao longo do tempo, a população de mosquitos da espécie Aedes aegypti possa diminuir, especialmente nos países tropicais, mais afetados pelas doenças. As fêmeas do mosquito são as que picam pessoas e animais e, assim, transmitem doenças. Fêmea do Aedes aegypti é responsável pela transmissão da febre amarela, dengue, chikungunya e zika vírus Pixabay/Divulgação O programa é uma parceria da OMS com o Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A técnica foi desenvolvida pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), visando ao combate de insetos e pestes que atingem o setor agropecuário. Atualmente, já vem sendo usada na agricultura em seis continentes. Segundo o entomologista Jérémy Bouyer, da divisão conjunta de técnicas nucleares em alimentos e agricultura da FAO e da AIEA, "o uso dessa técnica no setor agrícola nos últimos 60 anos mostrou que é um método seguro e eficiente". Aedes Aegypti, o mosquito da dengue, é a espécie invasora mais famosa do Brasil Metade do mundo em risco Em comunicado divulgado à imprensa, o cientista-chefe da OMS afirma que metade do mundo enfrenta os riscos da dengue. "E, apesar dos nossos grandes esforços, não está sendo suficiente", diz Soumya Swaminathan. "Precisamos desesperadamente de novas abordagens e esta iniciativa é promissora e empolgante", acrescenta. De acordo com a OMS, doenças transmitidas pelo Aedes, como malária, dengue, zika, chikungunya e febre amarela, correspondem a 17% de todas as doenças infecciosas que ocorrem em todo o mundo. Isso quer dizer que causam mais de 700 mil mortes por ano. Saiba como combater a proliferação do Aedes aegypti em casa
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14/11 - USP desenvolve kit com lâmpadas de LED que permite cultivar jardim em casa sem iluminação
Sistema hidropônico é instalado em paredes sem necessidade de reforma e reutiliza a água. Lâmpada usada ainda teve custo reduzido em cerca de 60% pela fabricante. Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) desenvolveram um kit que permite ter um jardim em ambientes com pouca iluminação. O material utiliza a luz de LED e fibras sintéticas para instalar o sistema verticalmente sem precisar de reforma na casa. Além disso, a lâmpada utilizada no kit teve o custo reduzido em 60% no mercado. Pesquisa desenvolveu jardim vertical com LED para cultivo em ambientes sem luz Esalq-USP/Divulgação O professor Paulo Hercilio Viegas Rodrigues, do Departamento de Produção Vegetal da Esalq em Piracicaba (SP), explica que esse modelo de cultivo foi desenvolvido em parceria com empresas do setor de agricultura para uso em plantas ornamentais. Ele foi testado com Sunpatiens, Mini lantana, Lambari de sol, Iresine, Gerânio, Samambaia Americana, Jibóia Verde, Samambaia Amazônica, Peperomia Scandens e Bromélia. A iluminação de LED já é usada em cultivos de hortas e jardins, mas a diferença é que os pesquisadores conseguiram manter a vegetação em ambientes sem nenhuma luminosidade, permitindo ter o kit em apartamentos pouco iluminados pela luz solar, por exemplo. Pesquisadores da Esalq montaram kit pra cultivar horta doméstica em lugares mal iluminados “Nós procuramos trazer as plantas ornamentais para dentro da residência. Nós testamos diferentes tipos de LED, que fazem a substituição completa da luz solar, na escuridão total. E a luz de LED vai fazer com que a planta faça a fotossíntese”, explica. As plantas foram fixadas na parede com a ajuda de uma fibra sintética e uso de irrigação hidropônica, além da iluminação de LED de cor mais neutra. A ideia era mudar a cor do LED para que o ambiente ficasse mais aconchegante. Segundo ele, em quase quatro meses de pesquisa, as plantas verdes tiveram uma resposta muito boa, já permitindo o cultivo em casa. O próximo passo é testar a tecnologia para cultivo de temperos, permitindo que as pessoas possam ter uma horta mesmo em imóveis que não têm iluminação ideal para este tipo de cultura. Sistema desenvolvido na USP em Piracicaba usa lâmpadas de LED com cores mais 'aconchegantes' João Alvarenga/EPTV Todo este cultivo é feito em um painel vertical que faz a rega hidropônica das plantas sem que a água escorra da área. Para isso, ela corre para uma canaleta, que “devolve” a água para um tambor e ela é reutilizada no próprio sistema. Com isso, os pesquisadores também conseguiram reduzir o consumo de água, já que ela deve ser trocada somente entre uma semana a 15 dias – dependendo do tipo de planta. Os pesquisadores lembram que só é necessário o acréscimo de nutrientes para o desenvolvimento da vegetação. Sem reformas e mais barato O sistema desenvolvido na universidade permite ainda que este jardim seja instalado em paredes sem a necessidade de reforma. O painel tem duas barras de alumínio atrás. Elas são parafusadas sobre a parede e os painéis são encaixados sobre essas barras. "Com esse sistema, se consegue em quase todas as paredes colocar ele porque é um sistema bem mais leve. Por isso que a gente optou por usar esse painel. Vem ganhando bastante mercado por causa dessa característica de fácil instalação, ser leve e ter uma alta durabilidade", explica o pesquisador Christian Aparecido Demetrio. LED usado em cultivo pela Esalq/USP torna jardim cerca de 60% mais barato em pesquisa de Piracicaba João Alvarenga/EPTV O sistema desenvolvido na Esalq também vem se tornando mais barato. Uma empresa brasileira que vem desenvolvendo lâmpadas para esse sistema, baixou de R$ 1 mil para R$ 400 o valor de cada lâmpada usada pelos pesquisadores. Essa empresa, no entanto, ainda não disponibilizou seu produto no mercado. Para a pesquisa, cada item teve o custo de R$ 700. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba
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14/11 - O que é energia escura, um dos grandes mistérios do Universo
Os astrônomos agora têm um novo e poderoso instrumento para estudar essa energia escura, elemento que constitui a maior parte do universo. A aceleração da expansão do universo não pode ser explicada, no contexto da relatividade geral de Einstein, sem a existência de uma forma desconhecida de energia Nasa A energia escura, maior componente do universo em que vivemos, ainda é um enigma para nós. Os átomos compõem tudo o que é conhecido: os planetas, as estrelas e nós, seres humanos. Mesmo assim, tudo isso representa apenas 5% de todo o universo. O restante é formado pelo que os cientistas chamam de energia escura (a maior parte) e de matéria escura. A teoria do fluido escuro, que tenta explicar a base de 95% do universo Vencedor do Nobel de Física 2019 elevou a cosmologia à ciência de fato Os astrônomos agora têm um novo e poderoso instrumento para estudar essa energia escura, o Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (conhecido como Desi, na sigla em inglês). Esse equipamento vai permitir a produção de um mapa mais detalhado do universo depois de observar cerca de 35 milhões de galáxias em cinco anos. Mas o que se sabe até agora sobre a energia escura e como o Desi vai estudá-la? A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, conversou com um dos especialistas que realizará a tarefa, o astrônomo argentino Ariel Sánchez, PhD em astronomia e pesquisador do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, com sede em Garching, na Alemanha. Confira a entrevista abaixo. Ariel Sánchez é PhD em astronomia pela Universidade Nacional de Córdoba, na Argentina, e desde 2008 é pesquisador científico do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre em Garching, na Alemanha Ariel Sánchez/Arquivo Pessoal BBC - A previsão inicial era de que a expansão do universo que começou após o Big Bang se tornaria mais lenta devido à gravidade. Mas está acelerando. Como você explica esse fenômeno? Ariel Sánchez - A evolução do universo em suas maiores escalas é controlada pela gravidade. Atualmente, a melhor descrição da gravidade que nós temos foi dada por Albert Einstein em sua teoria da relatividade geral. A aplicação das equações de Einstein ao universo como um todo são soluções de universos dinâmicos, ou seja, eles se expandem ou se contraem. Desde que (o astrônomo americano) Edwin Hubble fez suas observações por volta de 1930, sabemos que nosso universo está se expandindo. De acordo com Einstein, a matéria contida no universo tende a desacelerar essa expansão. Isso ocorre porque a expansão do universo, que tenta aumentar a distância entre dois pontos no espaço, deve lutar contra o efeito da atração gravitacional da matéria que ele contém, o que tende a aproximá-los. No final do século 20, os astrônomos tentaram medir essa taxa de desaceleração de expansão usando observações de supernovas em galáxias distantes. O resultado foi surpreendente. A expansão do universo não está em desaceleração. Pelo contrário, ela está se acelerando. As distâncias entre galáxias longínquas estão aumentando em uma taxa crescente. BBC - Isso indica a presença da energia escura? Sánchez - Esse resultado mudou drasticamente nossa compreensão do universo. No contexto da relatividade geral de Einstein, isso não é possível se o universo contiver apenas matéria. Isso indica a existência de um componente adicional, uma forma de energia desconhecida que tem pressão negativa e que neutraliza o efeito atrativo da gravidade, impulsionando a expansão acelerada do universo. Decifrar a natureza desse componente que denominamos energia escura é um dos problemas em aberto mais importantes da física atual. BBC - Como é possível saber que a energia escura constitui uma grande parte do universo? E qual é a porcentagem disso? Sánchez - Um dos objetivos da cosmologia (ramo da astronomia que estuda a origem e a formação do universo) é fazer um inventário detalhado da energia que o universo contém, listando todos os seus componentes e a fração da energia total que cada um representa. Para chegar a isso, usamos observações astronômicas da distribuição de matéria e luz no espaço. Graças a essas observações, sabemos que a idade do universo é de cerca de 14 bilhões de anos e que, aproximadamente quatro bilhões de anos atrás, sua expansão começou a se acelerar. Esse ponto corresponde ao momento da história do universo em que a energia escura começou a dominar a matéria. Isso indica que a energia escura é atualmente o principal componente deste inventário cósmico e que ela constitui aproximadamente 70% da energia total no universo. 'Desde que Edwin Hubble fez suas observações por volta de 1930, sabemos que nosso universo está se expandindo', diz Sánchez Science Photo Library BBC - Como a energia escura difere da matéria escura? Sánchez - No inventário, o próximo componente em importância é a matéria escura, uma vez que constitui cerca de 25% da energia total do universo. A matéria escura é uma forma de matéria que não interage com a luz. Sua presença é detectável apenas por seus efeitos gravitacionais na formação e evolução de estruturas no universo, como galáxias e aglomerados de galáxias. Existem inúmeras evidências da existência de matéria escura. A matéria comum, feita de átomos, constitui menos de 5% da energia total do universo. E outros componentes, como neutrinos ou fótons, têm contribuições muito menores. O Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (Desi, na sigla em inglês) está localizado na cúpula do telescópio Mayall, no Kitt Peak Observatory, no Arizona (EUA) P.MARENFELD AND NOAO/AURA/NSF BBC - Quais são as propriedades da matéria escura que a tornam diferente da energia escura? Sánchez - Embora a natureza da matéria escura não seja conhecida exatamente, as observações astronômicas nos permitem ter uma boa ideia de suas propriedades. Como a matéria comum, a matéria escura ajuda a retardar a expansão do universo; isto é, o efeito oposto da energia escura. Outra diferença importante entre esses componentes é sua distribuição no espaço. A matéria escura apresenta flutuações em sua densidade que crescem com o tempo, com áreas mais densas adquirindo cada vez mais matéria devido à sua atração gravitacional. A energia escura, por outro lado, parece seguir uma distribuição uniforme, com a mesma densidade no espaço. BBC - A energia escura será estudada com um novo e poderoso instrumento, o Desi. Por que as pessoas estão dizendo que ele tem 5 mil mini telescópios? Sánchez - O Instrumento Espectroscópico de Energia Escura contém um conjunto de 5 mil fibras ópticas, cada uma delas controlada por um pequeno braço robótico que as coloca na posição correta para receber luz de uma galáxia. Ele está instalado no telescópio Mayall do Observatório Kitt Peak, no Arizona, nos Estados Unidos, e tem quatro metros de diâmetro. Seu design permite cobrir em cada observação um grande campo no céu. E isso, juntamente com a possibilidade de 'enxergar' 5 mil galáxias simultaneamente, faz com que ele seja uma máquina perfeita para construir um grande catálogo em um curto espaço de tempo. Projetos anteriores criaram catálogos de galáxias semelhantes, mas o Desi levará esses esforços a um novo nível, observando cerca de 35 milhões de galáxias em cinco anos. BBC - Como o Desi vai capturar a luz de 5 mil galáxias simultaneamente e como essa luz vai medir suas distâncias? Sánchez - Quando olhamos para uma galáxia no céu, não sabemos a que distância ela está de nós. Mas a expansão cósmica nos ajuda a inferir isso. Quando as ondas de luz se propagam pelo espaço, a expansão do universo as "estica", alterando seu comprimento de onda e tornando-as mais avermelhadas. Esse processo é conhecido como "desvio para o vermelho". Se separarmos a luz das galáxias distantes nas cores que as compõem, semelhante ao que pode ser feito com um prisma, podemos reconhecer o efeito do desvio para o vermelho. Quanto mais distante a galáxia, maior será o seu desvio para o vermelho. Dessa forma, podemos estimar a distância para as galáxias. O Desi vai observar cerca de 35 milhões de galáxias para medir seus desvios para o vermelho. Juntamente com suas posições no céu, essas distâncias nos permitirão construir um mapa tridimensional da distribuição de galáxias em um grande volume do universo. Um detalhe importante é que quanto mais distante uma galáxia, mais sua luz viaja em nossa direção. Portanto, ao observar galáxias a diferentes distâncias de nós, podemos estudar a evolução do universo ao longo do tempo. O interior da cúpula do telescópio Mayall no Kitt Peak Observatory MARILYN CHUNG/BERKELEY LAB BBC - Como esse mapa o ajudará a entender o que é energia escura? Sánchez - Os dados do Desi nos permitirão reconstruir com precisão a história da expansão do universo e a taxa de formação da estrutura ao longo de um período de 11 bilhões de anos. Esses dados vão permitir caracterizar as propriedades da energia escura com grande precisão. Todos os dados que temos hoje são consistentes com o modelo cosmológico padrão, no qual a energia escura corresponde à "energia de vácuo". Essa é uma energia de origem quântica, pequena, mas irredutível, que é uma propriedade do próprio espaço, mesmo na ausência de matéria. Esse componente aumenta continuamente o espaço, impulsionando a expansão acelerada do universo. De qualquer forma, podemos esperar uma caracterização muito mais precisa da energia escura quando tivermos os dados do Desi, o que nos aproximará um pouco das respostas às grandes questões abertas da cosmologia. BBC - Por que o Desi ajudará a testar a teoria da gravidade de Einstein? Sánchez - No contexto da relatividade geral, a expansão acelerada do universo implica na existência de energia escura. Alternativamente, isso poderia ser interpretado como a indicação de um problema na teoria de Einstein, evidência de que ela não descreve corretamente o modo como a gravidade se comporta em escalas cosmológicas. A distribuição de galáxias no universo que será observada pelo Desi nos permitirá testar as previsões da relatividade geral em escalas cosmológicas, muito maiores do que as usadas em outros testes. Os dados do Desi nos ajudarão a distinguir entre os dois cenários possíveis para a origem da expansão acelerada do universo: a existência de energia escura ou a necessidade de modificar a teoria da relatividade geral de Einstein. A Teoria da Relatividade de Albert Einstein é um pilar da física moderna que transformou o entendimento sobre espaço, tempo e gravidade. A existência de energia escura é um dos cenários possíveis para a origem da expansão acelerada do universo Domínio público BBC - Como você decidiu se dedicar ao estudo da energia escura? Sánchez - Desde a adolescência, eu já sabia que queria me dedicar à cosmologia. A descoberta da aceleração cósmica ocorreu logo após o início dos meus estudos. A importância dessa descoberta foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Física de 2011. Ela revolucionou o campo da cosmologia para torná-la uma das áreas mais dinâmicas da física. Tive a sorte de começar minha carreira a tempo de fazer parte desse desenvolvimento. Me considero muito sortudo por poder contribuir com meu trabalho para a tarefa de entender nosso universo com mais detalhes. BBC - O que você sente quando pensa que nós só conhecemos 5% do universo? Sánchez - Isso gera ainda mais curiosidade em mim. O desejo de conhecer nosso universo e as leis que o controlam com mais detalhes é a principal motivação do meu trabalho e de muitos de meus colegas.
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14/11 - 'Epidemia esquecida': pneumonia mata uma criança de até 5 anos a cada 39 segundos
O Dia Mundial da Pneumonia foi comemorado em 12 de novembro; doença é a principal causa de morte em crianças de até 5 anos de idade. Dia 12 de novembro é dia mundial de combate à pneumonia Semevent de Pixabay A pneumonia é uma "epidemia esquecida", alerta a Unicef, a agência da ONU para a Infância, e outras cinco organizações, incluindo a ONG Save the Children, em comunicado divulgado nesta terça-feira (12). Em 2018, a doença respiratória matou uma criança de menos de 5 anos a cada 39 segundos, informa o texto. Os sintomas muitas vezes ignorados da pneumonia, a doença que mais mata crianças com menos de cinco anos Ao todo, mais de 800 mil crianças dessa faixa etária morreram no ano passado, vítimas da infecção. "A maioria das mortes afeta crianças de menos de dois anos, sendo que 153 mil delas faleceram em seu primeiro mês de vida", indicam as organizações. O comunicado faz um apelo por uma "ação mundial" contra a pneumonia. Infecção respiratória aguda A infecção respiratória aguda, que afeta os pulmões, pode ser provocada por bactérias, vírus ou fungos microscópicos. Em caso de pneumonia, os alvéolos pulmonares ficam cheios de pus e líquido, o que torna a respiração dolorosa e limita a absorção de oxigênio. Existe vacina contra a pneumonia bacteriana. Os médicos lembram que se a doença for diagnosticada e tratada de forma adequada, dificilmente acontece um agravamento do quadro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pneumonia é responsável por 15% do total de falecimentos de crianças de menos de cinco anos no planeta. A doença mata mais do que a Aids, a malária e o sarampo juntos. "É uma epidemia mundial que precisa de uma resposta internacional urgente. Milhões de crianças morrem por falta de vacinas, de antibióticos e de tratamentos de oxigênio", disse Kevin Watkins, da Save the Children. Mais da metade das mortes de crianças provocadas pela pneumonia se concentram em cinco países: Nigéria (162 mil), Índia (127 mil), Paquistão (58 mil), República Democrática do Congo (40 mil) e Etiópia (32 mil). No Brasil, a pneumonia é a doença infeciosa que mais mata. Em 2015, a taxa de mortalidade verificada no país em crianças menores de 5 anos era de 1,5 por 1 mil nascimentos. Um fórum mundial sobre a pneumonia infantil será realizado em janeiro de 2020, em Barcelona (Espanha).
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13/11 - Ministro da Saúde diz que Tesouro vai ter que 'alocar recursos' para compensar verba do DPVAT no SUS
Segundo Luiz Henrique Mandetta, mínimo constitucional da Saúde garantirá reposição de verbas por meio de outros tributos já existentes. "O que se perder será compensado por meio de outras fontes", destacou. Luiz Henrique Mandetta falou sobre possíveis impactos do DPVAT no SUS Antonio Cruz/Agência Brasil O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, minimizou os possíveis impactos que a extinção do Seguro DPVAT (Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) poderá ter sobre o orçamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, o valor mínimo constitucional garantido para a pasta vai impedir que haja redução no atendimento. “A saúde é financiada pelo que chamamos de mínimo constitucional. Por isso, se perdemos uma fonte como o DPVAT, o próprio Tesouro vai alocar recursos de outras fontes para garantir que esse mínimo seja mantido”, disse Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde. As afirmações foram feitas na manhã desta quarta-feira (13), durante participação no 15º Encontro Nacional de Aleitamento Materno e 5º Encontro Nacional de Alimentação Suplementar Saudável, realizados em conjunto no Rio de Janeiro. O DPVAT foi extinto na segunda-feira (11) por meio da Medida Provisória 904. A extinção vale a partir de 2020. Também conhecido como "seguro obrigatório", ele cobre casos de morte, invalidez permanente ou despesas com assistências médica e suplementares por lesões de menor gravidade causadas por acidentes de trânsito em todo o país. Entenda o Seguro DPVAT No ano passado, o governo federal arrecadou R$ 4,669 bilhões com o pagamento do seguro obrigatório. Desse valor, 45% (R$ 2,101 bilhões) foram usados para o financiamento do SUS. O ministro não confirmou a informação dada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) de que o repasse de cerca de R$ 2 bilhões anuais do DPVAT para o SUS corresponderia a apenas 1% do total de verbas do sistema. “Podemos fazer um levantamento para saber o quanto o DPVAT representa no orçamento do SUS, mas repito: o que se perder será compensado por meio de outras fontes. Outros tributos já existentes serão usados para complementar a conta – o Tesouro Nacional faz esse trabalho", disse Mandetta. "Neste ano vimos contingenciamento em áreas como a educação e cultura. Isso não vai acontecer com a Saúde por conta do mínimo constitucional que mencionei. Essa situação tem que ser respeitada para que não se cometa improbidade, o que não vai acontecer” - Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde. O ministro informou que este ano, o mínimo constitucional para a Saúde é de R$ 131 bilhões. Em 2020, com a correção pela inflação, a expectativa é que o valor chegue a R$ 133 bilhões.
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13/11 - Pesquisa da Unicamp testa vírus da zika contra câncer de próstata e aponta redução de tumores
Células tumorais tiveram uma inibição de crescimento de até 50%. Cientistas usaram vírus inativo no combate à doença. Pesquisadores da Unicamp estudam combate ao câncer de próstata a partir do vírus da zika Uma pesquisa da Unicamp testou a utilização do vírus da zika para tratamento do câncer de próstata. Segundo os cientistas, o vírus aplicado foi o inativo e as células tumorais tiveram uma inibição de crescimento de até 50%. Agora, o próximo passo é continuar os estudos em camundongos e humanos. A pesquisa, publicada em uma revista internacional, foi a primeira a utilizar o vírus da zika, que, segundo apontam cientistas, tem relação direta com a microcefalia, no aparelho reprodutor. O mesmo laboratório da Unicamp já tinha feito a experiência no tratamento de tumores no cérebro e também registrou diminuição da doença. "Todas as coisas envolvendo sistema biológico e natureza têm seu ladro destrutivo, mas também têm o lado benéfico. O que a gente encontrou? Justamente uma aplicação do lado benéfico disso para o câncer de próstata", disse o pesquisador Rodrigo Catarino. Segundo outra pesquisadora da Unicamp responsável pelo estudo, como o vírus usado foi o inativo, ele funcionou da mesma maneira que uma vacina. "Ao expor as células de câncer de próstata ao zika inativado, nós chegamos a uma redução dessas células tumorais", explicou Jeany Delafiori. O câncer de próstata é o segundo que mais mata homens no Brasil, com média de 14 mil óbitos por ano. Segundo especialistas, a melhor forma de prevenção é fazer exames de ultrassom e toque a partir dos 45 anos, além de ter hábitos de alimentação saudáveis e praticar atividades físicas. Pesquisa da Unicamp utilizou vírus da zika no tratamento do câncer de próstata Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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13/11 - Como a gentileza no dia a dia pode fazer você viver mais e servir de antídoto à polarização
Um novo instituto de pesquisa foi criado para investigar como ser gentil pode 'ser contagioso', fazer bem à saúde e ajudar a pacificar um mundo em que conflitos interpessoais e entre povos estão se intensificando. Um novo instituto de pesquisa foi criado para investigar como ser gentil pode 'ser contagioso' BBC/Getty Images O que a gentileza pode fazer por você? Talvez lhe dê um conforto ou sensação de bem-estar? Embora isso possa ser verdade, cientistas de um novo centro de pesquisa dizem que a gentileza pode fazer muito mais: é capaz de prolongar sua vida. "Nossa observação parte do ponto de vista científico. Estamos falando da psicologia, da biologia e das interações sociais positivas", diz Daniel Fessler, diretor do instituto Bedari Kindness da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos. A noção de gentileza chegou às manchetes recentemente. Foi uma parte essencial do elogio do ex-presidente americano Barack Obama ao veterano parlamentar democrata Elijah Cummings, após sua morte no mês passado. Os alimentos que podem ajudar o cérebro a funcionar melhor Como mudar sua dieta pode proteger o planeta "Ser um homem forte inclui ser gentil. Não há nada de fraqueza na bondade e na compaixão. Não há nada de fraqueza em cuidar dos outros. Você não é um otário por ter integridade e tratar os outros com respeito", disse Obama. A comediante e apresentadora Ellen DeGeneres falou sobre gentileza ao tratar de sua amizade com o ex-presidente americano George W. Bush: "Quando digo: 'Sejam gentis uns com os outros', não quero dizer com apenas as pessoas que pensam da mesma maneira que você. Quero dizer: 'Sejam gentis com todos'." Então, no Dia Mundial da Gentileza, 13 de novembro, examinamos o que realmente significa ser gentil — e perguntamos: por que isso é importante? 'Vivemos em uma época nada gentil' Isso pode ser uma questão de vida ou morte, dizem especialistas do instituto Bedari Kindness. Em seu trabalho, Fessler analisou como as pessoas podem ser motivadas a serem gentis, simplesmente testemunhando atos de bondade e descobrindo quem é afetado por essa "gentileza contagiosa". "Acho justo dizer que vivemos em uma época nada gentil. Tanto nos Estados Unidos quanto no mundo, estamos vendo um crescente conflito entre indivíduos que têm visões políticas diferentes ou seguem religiões diferentes." A gentileza beneficia 'o sistema imunológico e a pressão sanguínea e ajuda as pessoas a viver mais e melhor', diz a médica Kelli Harding BBC/Getty Images A gentileza, diz ele, são "os pensamentos, sentimentos e crenças associados a ações que pretendem beneficiar os outros, em que beneficiar os outros é um fim em si mesmo, não um meio para um fim". E a falta de gentileza reflete, por outro lado, "uma falta de valorização do bem-estar dos outros". É algo familiar para quem já foi alvo de ataques nas redes sociais. Embora isso não seja "uma novidade", Fessler diz que "as pessoas ficam mais propensas a serem agressivas e menos propensas a valorizar as preocupações e o bem-estar de outras pessoas quanto mais anônimas elas estão". O instituto que ele dirige foi fundado graças a uma doação de US$ 20 milhões (R$ 83,4 milhões) da Fundação Bedari, criada pelas filantropos Jennifer e Matthew Harris. Harris diz que são necessárias pesquisas "para entender por que a gentileza pode ser tão escassa neste mundo moderno" e para "superar a divisão entre ciência e espiritualidade". Alguns dos projetos do instituto incluem examinar antropologicamente como a bondade se espalha entre as pessoas, analisar sociologicamente como aqueles que se comportam mal podem ser persuadidos a serem gentis e pesquisar pelo viés da psicologia como a gentileza pode melhorar o humor e reduzir os sintomas de depressão. Também oferece treinamento sobre atenção plena a alunos e comunidades carentes de Los Angeles. Fessler diz que já sabemos como o estresse pode ser ruim, quando nos paralisa em uma situação desafiadora, em oposição ao estresse "bom" de atividades desafiadoras, mas satisfatórias, como a escalada. "Viver com pessoas que o tratam, na melhor das hipóteses, com desrespeito ou falta de preocupação e, na pior das hipóteses, com hostilidade aberta, é ruim para você. Encurta sua vida, literalmente", diz ele. "Por outro lado, receber gentileza e bondade dos outros é a antítese da situação de estresse tóxico. E isso é bom para você." Mesmo interações aparentemente triviais, como um barista de uma cafeteria sorrindo e perguntando como uma pessoa está, podem melhorar o bem-estar de alguém. "Ser gentil, pensar em como você pode ser gentil com os outros, reduz a pressão arterial. Tem benefícios terapêuticos e para o tratamento de depressão e ansiedade", diz Fessler. 'Mensagem urgente' A médica da Universidade de Columbia Kelli Harding examinou o fenômeno em seu livro The Rabbit Effect (O efeito coelho, em tradução livre). Ela diz que a gentileza beneficia "o sistema imunológico e a pressão sanguínea, e ajuda as pessoas a viverem mais e melhor". "É incrível, porque existe uma fonte inesgotável e gratuita deste benefício e não há como exagerar na dose." Explicando o título de seu livro, ela afirma: "Ouvi falar de um estudo sobre coelhos, feito na década de 1970. Um conjunto de coelhos teve melhores resultados, e (os cientistas) queriam descobrir o que estava acontecendo. No fim, os coelhos que estavam se saindo melhor estavam sob os cuidados de um pesquisador realmente gentil. Como médica, fiquei absolutamente chocada. Parecia que havia uma mensagem urgente a se passada ali". A gentileza, diz ela, pode "mudar e ajudar as pessoas a encarar o mundo". Muitas vezes, é mais fácil ser gentil com os outros do que com nós mesmos, segundo Harding. "Existem muitas maneiras de promover a gentileza para conosco e os outros. No local de trabalho, na escola e em casa, ser gentil leva a melhores resultados", diz ela. "Na medicina, a tecnologia pode estar melhorando, mas você nunca pode replicar a gentileza de um cuidador solidário. A conexão entre saúde mental e saúde física é crítica." Dicas para viver uma vida mais gentil Gabriella Van Rij, especialista em gentileza Comece a ouvir realmente os outros (em vez de já formular a resposta em sua cabeça); Responda a grosserias com gentileza (se alguém estiver extremamente irritado com você, diga em tom amigável "você teve um dia difícil?"); Inclua alguém que esteja marginalizado. Ao fazer isso, você valorizou esta pessoa — é desumano passar a vida sentindo-se invisível, indesejado e não amado; Ação/reação. Entenda que, quando há falta de gentileza, a culpa não é sua. Quando você for alvo disso, respire fundo e dê um passo para trás. Darnell Hunt, reitor do departamento de ciências sociais da UCLA, diz que a ideia do novo instituto seria de um "antídoto para a atual política mundial, a violência e o conflito" que estão "enraizados em trabalhos acadêmicos sérios". "Acho que estamos vivendo um tempo em que há uma necessidade direta de explorar as coisas que nos tornam humanos e que têm potencial de levar a sociedades mais humanas", diz ele. "Estamos vivendo um momento de polarização política nos Estados Unidos e em outros lugares, com o aumento da urbanização levando a interações menos diretas entre as pessoas." Quando as pessoas veem atos gentis, são inspiradas a replicá-los, diz ele — mas ainda estamos tentando entender os mecanismos da gentileza. "Não é o caso de nos colocarmos em uma torre de marfim. Queremos usar essa pesquisa sobre pessoas no mundo real para criar políticas concretas e fazer a diferença." E esse "momento histórico é o momento certo para fazer isso", diz ele.
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12/11 - Ministério da Saúde passará a destinar verbas a municípios com base em desempenho
Novo critério será baseado em 21 indicadores, incluindo número de cidadãos cadastrados. Com a mudança, governo espera registrar 40 milhões de novos usuários do SUS. Ministério da Saúde aumenta verba para prefeituras com bons indicadores O governo federal anunciou nesta terça-feira (12) que vai aumentar o repasse de verbas de saúde para municípios que tiverem melhores indicadores no setor. Entre os quesitos, está o aumento do número de cidadãos cadastrados no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o ministério, o orçamento para a chamada atenção primária passará de R$ 18,3 bilhões neste ano para R$ 20,4 bilhões em 2020 – um aumento de 11,4%. As regras para repassar esses R$ 2 bilhões adicionais serão baseadas em desempenho. Os R$ 2 bilhões para esse bônus de produtividade em 2020 virão, segundo o governo, de economias feitas no próprio Ministério da Saúde, em áreas como propaganda e contratos de terceirização. Atualmente, o dinheiro do governo federal que vai para cada prefeitura depende do número de habitantes daquela cidade, e dos serviços ofertados (se há centro cirúrgico ou tratamento de câncer, por exemplo). Pelo novo modelo, o número de pessoas efetivamente acompanhadas pelos serviços de saúde também vai entrar no cálculo. A adesão a programas específicos, como o de saúde bucal, também será levada em consideração. De acordo com o Ministério da Saúde, esses critérios serão um “estímulo” para que os municípios cadastrem 50 milhões de brasileiros que, hoje, estão fora dos sistemas. “Essa maneira [anterior] de repassar o recurso era muito justificada pela chamada universalidade. E realmente, não se pode perder de vista a universalidade. Mas ela criou, presidente, um mundo dos esquecidos”, afirmou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Segundo o ministro, se cada uma das 44 mil equipes do Programa Saúde da Família atendesse 3 mil habitantes, seria possível atingir 140 milhões de beneficiados. Hoje, diz Mandetta, a ação atende 90 milhões de pessoas. “Onde estão as pessoas? Nós fomos cruzar os cadastros e nós encontramos o cadastro do Bolsa Família, do BPC, do INSS, dos menores benefícios. São mais de 40 milhões esquecidas, quase metade delas as pessoas mais frágeis, que mais necessitam do cuidado do Saúde da Família.” Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, dessas quase 50 milhões de pessoas não atendidas pelo SUS, 30 milhões estão em outros cadastros do governo federal, como o que norteia o pagamento do Bolsa Família (CadÚnico). As regras constam em uma portaria a ser publicada pelo Ministério da Saúde e devem começar a valer em 2020. Até a publicação desta reportagem, o texto da portaria ainda não tinha sido divulgado. Segundo o secretário de Atenção Primária do Ministério da Saúde, Erno Harzheim, os municípios terão 12 meses para se adequar. O prazo para esse mutirão de credenciamento de usuários do SUS vai até abril, e os primeiros resultados devem ser divulgados em setembro de 2020. Daí em diante, a avaliação do desempenho dos municípios será realizada a cada quatro meses. Com as mudanças, o governo também espera um ganho na execução do orçamento da atenção básica – que muitas vezes é devolvido porque a prefeitura não consegue usar o recurso. Série de indicadores Quando a implementação for concluída, o Ministério da Saúde espera avaliar as equipes do Saúde da Família a partir de 21 critérios. Em 2020, serão considerados sete aspectos ligados à saúde das mulheres, das crianças, das gestantes e dos portadores de doenças crônicas. Outros sete começam a ser analisados em 2021, e os sete últimos, em 2022. De acordo com o governo, a taxa de vacinação e o número médio de consultas pré-natal por grávida, por exemplo, entrarão no cálculo do repasse. O município que apresentar os melhores resultados receberá a maior bonificação. Também devem entrar na fórmula iniciativas como o programa de saúde bucal, a informatização dos sistemas, as atividades de formação e residência média e as equipes de atendimento à população ribeirinha. O governo diz esperar que a atenção básica seja fortalecida nos municípios, desafogando os atendimentos de urgência e emergência nos hospitais. A ideia é controlar condições como o diabetes e a hipertensão e, com isso, reduzir os altos índices de amputação e infarto motivados por essas doenças, respectivamente. “Sabemos que ainda precisamos muito mais, porque o vácuo no financiamento da saúde pública do Brasil é grande. Mas essa medida vem muito bem para atender aos 5 mil municípios de maneira uniforme, e incluir esses brasileiros que ainda não tinham sido incluídos no sistema único”, afirma o presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Willames Freire.
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12/11 - 'Tomei a pílula do dia seguinte, mas engravidei mesmo assim': quando o método anticoncepcional falha
Contraceptivo oral de emergência nem sempre é eficaz — mas muitas mulheres não sabem disso. Pílula do dia seguinte tem algumas restrições de uso Pixabay Aviso: Este artigo contém referências a uma agressão sexual que você pode achar perturbadoras. "Não me ocorreu que a pílula do dia seguinte poderia não ser eficaz." Rachel (nome fictício) engravidou após ter sido estuprada enquanto tirava um ano sabático no Canadá. Ela tomou a chamada "pílula do dia seguinte" na mesma noite, como parte dos cuidados médicos que recebeu após o ataque. "Dois meses depois, quando descobri que estava grávida — além de ser uma situação bastante traumática —, foi um choque", relembra. "Nem me ocorreu que isso poderia acontecer." Rachel, hoje com 34 anos, diz que não foi informada que havia a possibilidade de engravidar mesmo depois de tomar o contraceptivo de emergência. "Não lembro de ter havido sequer uma conversa sobre o fato de (a pílula) poder não ser realmente eficaz." Estima-se que de 0,6 a 2,6% das mulheres que tomam a pílula do dia seguinte após fazer sexo sem proteção ainda engravidam. O que as pessoas sabem — e não sabem — sobre a pílula do dia seguinte veio à tona depois que uma das autoras do site Refinery29 contou ter engravidado apesar de ter tomado o contraceptivo de emergência. O artigo se tornou viral, e algumas pessoas argumentaram que o fato de que a pílula nem sempre funciona deveria ser mais amplamente divulgado. Como a pílula do dia seguinte funciona? Hormônios sintéticos impedem ou atrasam a ovulação (quando o óvulo é liberado pelo ovário); Se você já tiver ovulado antes de tomar a pílula e ainda estava fértil quando teve relações sexuais sem proteção, ela não vai impedir a gravidez; Isso significa que a pílula do dia seguinte pode não ser eficaz (mesmo que você tome corretamente), dependendo do seu ciclo menstrual; A ovulação geralmente ocorre na metade do seu ciclo (cerca de duas semanas antes da menstruação); Há dois tipos de pílula do dia seguinte: levonorgestrel e acetato de ulipristal; O levonorgestrel (Levonelle) deve ser tomado até 72 horas (três dias) após o sexo sem proteção; O acetato de ulipristal (ellaOne) deve ser usado dentro de 120 horas (cinco dias). Alguns medicamentos também podem alterar a eficácia da pílula, explica Caroline Cooper, especialista em saúde sexual e reprodutiva. "São remédios que podem interferir na maneira como o fígado processa a medicação", acrescenta. Entre eles, estão alguns medicamentos contra HIV, remédios para epilepsia e até alguns à base de ervas naturais. Outra razão pela qual a pílula do dia seguinte pode falhar é o peso da mulher, explica Cooper. Mulheres mais pesadas apresentam um risco maior de engravidar após tomar o contraceptivo. "E isso não é particularmente por estar acima do peso." Segundo ela, o levonorgestrel tem "muito mais chances de falhar" se a mulher pesa mais de 70 kg ou tem um Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 26 (de acordo com o NHS, serviço de saúde pública do Reino Unido, o IMC ideal para a maioria dos adultos é entre 18,5 e 24,9). 'Tão inesperado' Mas quantas mulheres sabem de tudo isso? Embora as bulas dos contraceptivos expliquem, em letras miúdas, que a pílula funciona atrasando a ovulação, essa informação é fácil de passar despercebida. As instruções também não falam explicitamente sobre o fato de que a eficácia varia dependendo da fase do seu ciclo menstrual. Mas por que nem todas as mulheres recebem essas informações quando são orientadas a tomar a pílula do dia seguinte? "Não esperava que (a pílula) não funcionasse", diz Harriet, de 26 anos, que engravidou apesar de ter tomado o contraceptivo de emergência, depois que a camisinha furou. Ela diz que "seguiu todos os passos corretamente e tomou (a pílula) imediatamente". Harriet acrescenta que foi informada de que a pílula às vezes não funciona, mas que o único fator de risco mencionado seria esperar tempo demais para tomar. Como ela tomou dentro de 24 horas, não se preocupou. Pouco tempo depois, descobriu que estava grávida. "Eu não mudaria o que aconteceu — meu filho tem 15 anos e eu não deixaria de tê-lo", afirma. "Mas na época... Me fez muito mal sentir que a gravidez foi tão inesperada." Pergunto a Cooper se as farmácias ou clínicas de saúde sexual costumam alertar as mulheres que seu ciclo menstrual faz diferença na eficácia da pílula do dia seguinte: "Acho que deveriam", diz. E acrescenta que, embora os farmacêuticos geralmente tenham muito conhecimento sobre o funcionamento da pílula do dia seguinte, "se estiverem ocupados, podem não entrar em todos esses detalhes". DIU de emergência O outro método contraceptivo de emergência disponível é o dispositivo intrauterino (DIU), que deve ser usado nos primeiros cinco dias após a relação sexual sem proteção. Enquanto a pílula do dia seguinte atrasa a ovulação, o DIU impede o óvulo fecundado de ser implantado na parede do útero e tem uma taxa de sucesso superior a 99%. Nem Harriet nem Rachel foram informadas que teriam como opção o DIU de emergência, como alternativa à pílula do dia seguinte. "Não acho que sempre é (sugerido) — se você for a uma clínica de saúde sexual, provavelmente será", diz Cooper. "Acho que, às vezes, é fácil para as pessoas fazerem suposições sobre o que as mulheres querem." Rebecca Pickerill, enfermeira especializada em saúde sexual que trabalha em uma clínica administrada pela Brook, instituição beneficente voltada para saúde sexual e bem-estar de jovens, diz que a equipe sempre oferece o DIU como a opção "de excelência". "Determinamos quando elas tiveram a relação sexual sem proteção, a data da última menstruação, a duração do ciclo e a data prevista da ovulação, o que obviamente é uma estimativa — em geral, as pessoas ovulam no meio do ciclo, mas obviamente esse não é o caso de todo mundo", explica. "Em seguida, discutimos as opções com elas, em termos dos dois contraceptivos orais diferentes e qual é mais apropriado... mas sempre enfatizando que o DIU é o (método) mais eficaz". Cooper diz que nunca viu o DIU falhar como contraceptivo de emergência. "Mas, sem dúvida, já vi mulheres que tomaram o contraceptivo oral de emergência, engravidaram, fizeram um aborto, voltaram para colocar o DIU e ficaram furiosas por ninguém ter mencionado isso para elas", acrescenta. 'Os homens também precisam saber' Jayne Kavanagh, especialista em saúde sexual e reprodutiva, acredita que as escolas deveriam ensinar como o contraceptivo de emergência funciona. "É ridículo que não ensinem sobre contracepção e o que fazer se tiverem feito sexo e houver risco de gravidez", diz. "Deveria ser padrão nas escolas." "Fiz uma pequena pesquisa com as amigas das minhas filhas adolescentes há alguns anos, elas tinham 14 ou 15 anos", conta. "Havia cerca de seis delas na sala, e eu perguntei: 'Quem sabe que é possível usar o DIU como contraceptivo de emergência'?, e ela era a única pessoa que sabia." De acordo com Harriet, não são apenas as jovens que precisam saber mais sobre contraceptivo de emergência. "Também acho que os homens precisam saber um pouco mais sobre isso", opina. "Alguns caras apenas dizem: 'Tudo bem, é só você ir ao médico pela manhã', e eu penso: 'Não!'." "É ótimo que você tenha a opção de escolher", diz Rachel. "Mas você não está realmente fazendo uma escolha consciente se, no momento em que escolher, não receber todas as informações."
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12/11 - A jovem norueguesa que monitora 450 perfis no Instagram para tentar evitar suicídios
Ela se sente compelida a agir, ao se dar conta de que muitas vezes é a última chance para aqueles que postam seu desespero online. Jovem norueguesa de 22 anos monitora 450 perfis no Instagram para tentar evitar suicídios BBC Enquanto dá uma olhada no seu feed de Instagram, Ingebjørg Blindheim, de 22 anos, explica por que lhe deram o apelido "a salva-vidas". "Vejo muitas pessoas que querem morrer", explica a jovem norueguesa. "Não vou apenas ficar vendo uma pessoa dizer que vai se matar, ignorar isso e esperar pelo melhor." Intervir para ajudar usuários suicidas do Instagram não é um papel Ingebjørg teria escolhido para si. Ela não trabalha para uma empresa de redes sociais, e ela não é paga pelo que faz. Ela tampouco é qualificada para oferecer ajuda, nunca recebeu treinamento em saúde mental. No entanto, ela se sente compelida a agir, ao se dar conta de que muitas vezes ela é a última chance para aqueles que postam seu desespero online. "Sinto que quando não estou ao telefone monitorando, as pessoas podem fazer algo com elas mesmas e ninguém verá", ela diz. Isso implica monitorar o Instagram constantemente, identificando aqueles que estão próximos de alertar a polícia e os serviços de ambulância. Ela admite que tem noites de insônia. Ela sabe que estar tão distraída pelo celular pode irritar familiares e amigos, mas ela se preocupa que, sem sua vigilância, alguém poderá morrer. "Acaba mal. Já acabou mal antes", ela diz. Atualmente, Ingebjørg monitora cerca de 450 contas privadas de Instagram — aquelas que precisam de aprovação dos donos para poder segui-las. A maioria delas pertence a jovens mulheres que publicam posts sobre seus sentimentos mais obscuros. Há alguns meninos também. É um mundo secreto de pensamentos privados, imagens e confissões governadas por uma regra não escrita de "não dedure". Quando ela liga para a polícia, toma cuidado para não dizer muito sobre a comunidade para não alienar seus membros. Ela diz que se sente como uma detetive, se esforçando para conseguir o máximo de informações possíveis sobre um usuário anônimo. No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) dá apoio emocional e prevenção do suicídio com atendimento voluntário e gratuito. As conversas se dão sob total sigilo, por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. A ligação é gratuita. O número é 18, válido para todo o Brasil. Também é possível acessar o site www.cvv.org.br para acessar o chat. A reação que ela recebe de profissionais é mista. Às vezes a agradecem por agir, outras vezes não acreditam nela. Mais cedo nesse ano, Ingebjørg diz ter tentado fazer com que a polícia interviesse no caso de uma garota que dizia que iria tirar a própria vida. Ela conta que os policiais disseram que a garota havia ameaçado fazer isso 16 vezes antes e eles não acreditavam nela. Mas ela relata que no dia seguinte, ligaram para Ingebjørg para dizer que a garota havia concretizado sua ameaça. "Eu implorei para eles checaram se ela estava OK, mas eles não me levaram a sério", ela diz. Essa jovem norueguesa sabe do poder de compartilhamento online por experiência própria. Como uma jovem adolescente lutando com distúrbios alimentares, ela começou a seguir contas do Twitter que postavam abertamente sobre sua anorexia e automutilação. "Vi que recebiam muita atenção de pessoas que entendiam e se importavam e eu queria a mesma coisa porque não sentia o mesmo em relação a minhas amigas", ela diz. Esse apoio é o que usuários pensam ser a parte positiva das comunidades online. Ingebjørg diz que podem ser um lugar para ouvir e ser compreendida por outros, especialmente quando adultos e profissionais de saúde às vezes aparentam não ligar ou ter julgamentos. Mas o que essas redes no Instagram não são é um lugar seguro. Qualquer coisa boa que as pessoas podem encontrar nelas acaba descompensada pelas coisas negativas, diz Ingebjørg. Há recompensas para postagem de pensamentos e imagens extremos — quando mais dark o pensamento, quanto mais profundo o corte, mais atenção você recebe, ela diz. Podem abrigar um senso de competição, e atuar como um manual de formas de se machucar ou até se matar. A jornalista Annemarte Moland mapeou uma rede de jovens que fazem posts incentivando o suicídio e a automutilação BBC "Eu acho que comunidades fazem as pessoas piores porque elas dão ideias sobre como você pode se matar, passar fome ou se livrar da comida que você come, e como você pode esconder sua doença das pessoas", diz Ingebjørg. Depois de postar fotos de seu corpo desnutrido no Twitter, Ingebjørg foi contatada por uma terapeuta que a alertou que as imagens estavam encorajando os outros. Ela diz que os automutiladores que ela conhecia migraram do Twitter para o Instagram e ficou mais fácil esconder o que estavam postando de pessoas das quais elas não queriam que vissem o conteúdo. Quatro anos atrás, Ingebjørg e sua melhor amiga de 15 anos estavam sendo tratadas por seus problemas de saúde mental. As duas receberam alta na mesma época. Ingebjørg estava confiante de que melhoraria, mas sua amiga ameaçou se matar caso fosse mandada para casa. A menina postou uma foto de trilhas de trem, e Ingebjørg ligou pra ela implorando que não fizesse nada. Sua amiga garantiu que não faria nada, mas horas depois, Ingebjørg recebeu a notícia de sua morte. "É por isso que estou fazendo as coisas que faço", diz. "Prometi para mim mesma que, depois que perdi minha melhor amiga, eu faria qualquer coisa para prevenir as pessoas de sentirem a mesma coisa que eu senti quando aquilo aconteceu", ela diz. A investigadora Enquanto Ingebjørg monitora sua rede de Instagram de casa, em Bergen, do outro lado da Noruega, na capital Oslo, uma jornalista investigativa também está monitorando esse mundo fechado e perturbador. Annemarte Moland trabalha para a emissora de rádio e TV do governo norueguês, a NRK, maior organização de mídia da Noruega. Ela se deparou com a comunidade online há um ano, quando viajou para uma pequena cidade norueguesa para pesquisar sobre o caso de três adolescentes que se mataram. Uma das garotas tinha uma conta privada do Instagram onde ela havia compartilhado pensamentos de suicídio e automutilação. "A polícia me contou que ela tinha 100 seguidores pelo país, mas não fizeram mais a respeito", diz Annemarte. "Eu pensei: que estranho. Cem seguidores? Quem são essas pessoas?" Heidi nunca havia visto o Instagram privado de sua filha, que tirou sua própria vida; quando abriu a conta, viu que ela havia documentado a própria morte BBC Depois que a história foi publicada, Annemarte foi abordada por uma jovem mulher que lhe contou que havia ao menos 10 outras garotas nessa mesma rede de Instagram que também haviam se matado. Percebendo que havia tropeçado em uma história muito maior, a jornalista tentou entrar em contato com essa rede secreta. No começo, ela criou um perfil falso usando imagens dark, mas sem violência, para se conectar com outras garotas. Annemarte ficou surpresa ao ver como o Instagram recomendou dezenas de perfis para que ela seguisse. As contas tinham material de automutilação e suicídio. 'Eu perdi minha filha' A jornalista seguiu em frente, tentando confirmar os suicídios, procurando e ligando para todos os familiares. Isso levou ela até Heidi, cuja filha, Andrine, havia tirado sua própria vida dois anos antes, pouco antes de seu aniversário de 18 anos. Quando Heidi disse que ainda tinha o celular de sua filha, mas não havia tocado nele desde sua morte, Annemarte se deu conta de que aquele poderia ser um caminho para entrar na rede. "Heidi disse: 'Sempre soube que havia algo no celular dela que eu não queria ver'", diz Annemarte, relembrando a cena. Annemarte estava em seu escritório em Oslo e Heidi em sua casa na cidade de Tromso, no norte da Noruega. A jornalista lhe aconselhou a não ligar e ver o celular sozinha, mas Heidi se sentiu compelida a fazê-lo. Ela sabia que sua filha havia tido uma vida secreta no Instagram porque alguns de seus amigos online haviam lhe contatado depois de sua morte. Mas ela não estava preparada para ver as imagens gráficas que sua filha havia postado. "Heidi me ligou e me disse que Andrine havia se matado online", diz Annemarte. "Ela documentou tudo —cada segundo de seu suicídio." Logo depois, Heidi viajou a Oslo para analisar a conta de Instagram de Andrine com Annemarte. "Eu encontrei fotos, vídeos, textos. Alguns eram engraçados. Em alguns, era bom ver o que ela vivia, porque ela era tão alegre, e mostrava essa parte sua ao lado da parte triste", diz Heidi. Mas outros posts foram muito tristes de ver, como um mostrando nada além de uma tela preta e o som de Andrine chorando. Heidi encontrou fotos de grave automutilação e vídeos em que Andrine dizia não aguentar mais, dizia querer morrer. Os posts mais difíceis de ver eram aqueles que documentaram as últimas horas antes do suicídio de Andrine. "Era quase como se ela estivesse gritando sua morte", diz Heidi. Do telefone de Andrine, Annemarte começou a construir uma ideia de como outras pessoas jovens eram dentro dessa rede obscura do Instagram. Os posts de Andrine mostrava seus lados alegres, mas também imagens de grave automutilação BBC Rede de suicídio Andrine tinha cerca de 130 seguidores, algo que Annemarte diz que é típico para uma conta norueguesa. Analisando os seguidores dos seguidores de Andrine, a jornalista conseguiu identificar 26 mil contas no total. Daqui, ela removeu todas as contas que eram públicas, reduzindo o número para 5 mil. Ela filtrou mais ainda sua pesquisa focando só nas contas que usavam imagens, palavras ou emojis depressivos. Ela diz então ter encontrado mais de mil contas depressivas similares, isso só a dois passos do perfil de Andrine. Isso inclui jovens mulheres e adolescentes de ao menos 20 países, incluindo a Dinamarca, Reino Unido, Alemanha, Austrália e Estados Unidos. Então, Annemarte e seus colegas analisaram essas contas e conseguiram identificar padrões. A maior parte das contas eram de jovens mulheres com idade média de 19. Muitas pareciam ter alguma espécie de problema de saúde mental, que vão desde sentir-se um pouco triste até depressão severa e ansiedade. Muitas já tinham sido internadas em hospitais. Um gráfico que a NRK produziu mostra a rede espalhada pelo mundo como uma teia de aranha, com Andrine no centro. Como Ingebjørg, Annemarte consegue ver por que é atrativo. Entre publicação de automutilação e morte, as garotas se comportam como adolescentes normais, compartilhando imagens de roupas novas ou vídeos seus dançando. "Há muito apoio e atenção", diz Annemarte. "Em comum, todas acreditam não conseguir ajuda em outros lugares. Então elas se encontram para tentar se ajudar e se apoiar em seus dias mais escuros." Mas a jornalista também consegue ver o perigo da rede. Ela notou como os materiais mais "dark", de suicídio, recebem mais atenção. Apoiadores postam emojis de coração e frases como "mantenha-se forte" e "segure firme". "É a versão contrária de dar apoio de fato porque são garotas doentes tentando ajudar garotas doentes. Estão no lugar reverso", diz Annemarte. Porque a rede é tão privada, não há vozes de fora moderando o conteúdo ou dando ajuda ou conselhos profissionais. Depois de passar um tempo dentro da rede, a jornalista começou a sentir que as meninas estavam sem querer encorajando umas às outras para agir em relação a seus pensamentos suicidas. "Senti que elas estavam empurrando umas às outras cada vez mais para perto do abismo. Mas quando elas chegam até à beirada, todas dizem: 'Ah, não, não faça nada. Fique viva'", ela diz. Heidi diz acreditar que esse comportamento de manada teve um efeito relevante em Andrine. "Eu acho que aquela comunidade era tudo para ela. Acabou mal porque, por ser jovem, ela era encorajada facilmente por outras pessoas", diz. Durante a investigação de um ano, Annemarte confirmou que ao menos 15 meninas da rede mapeada pela NRK tiraram suas próprias vidas. "Estão brincando com suas vidas", ela diz sobre a comunidade como um todo. "Se alguém se corta, ganha vários corações e curtidas. Como você pode curtir a foto de alguém que fez um corte profundo em seu próprio braço?" Ingebjørg quer poder tirar o peso de monitorar essas contas de Instagram que encontrou e seguir em frente com sua vida BBC Resposta do Instagram Desde fevereiro, o Instagram baniu todas as imagens com conteúdo violento de automutilação e restringiu vídeos e fotos com temas suicidas. A decisão se deu depois da morte de uma adolescente britânica, Molly Russell, que se matou em 2017 depois de ver conteúdo gráfico na plataforma. No mês passado, a empresa americana estendeu essa proibição e incluiu memes, desenhos e animações que promovem o suicídio ou mostram métodos de suicídio e automutilação. Para Annemarte, no entanto, essas medidas não vão muito longe. Embora haja menos conteúdo de violência gráfica no Instagram desde a proibição, ela diz que os membros da rede encontraram formas de burlar as restrições. "Ainda está no Instagram, mas mais 'underground'. É menos gráfico, mas ainda com mais tendências suicidas", ela diz. "Quando meninas postam suas tentativas de suicídio, elas postam imagens ilustrativas de seu dia a dia, talvez uma imagem delas mesmas deitadas na cama, em cima de um texto que diz: 'Esse é meu último dia. Não quero mais viver'." A jornalista também se preocupa porque o Instagram continua a recomendar usuários que postam conteúdo danoso a outros usuários — algo que o Instagram disse, em fevereiro, que deixaria de fazer. "Já vimos meninas tentando se matar e no mesmo dia sendo recomendadas a outras meninas com inclinações suicidas. Então a rede continua crescendo dessa maneira", diz Annemarte. O Instagram respondeu dizendo que reconhece que a questão de saúde mental é uma questão complexa, e que precisam abordá-la de maneira balanceada. "Acreditamos fundamentalmente que há um lugar no Instagram para se expressar, mesmo que você esteja passando por um mau momento", diz Tara Hopkins, chefe de políticas públicas para a Europa, Oriente Médio e África. "Mas temos que conseguir o equilíbrio correto entre garantir que há espaço para a expressão e garantir que estamos protegendo as pessoas de ver o que potencialmente pode ser danoso ou perturbador", ela diz. Hopkins diz que o Instagram está constantemente em contato com especialistas em saúde e ONGs que aconselham a empresa a remover todas as referências ao suicídio e automutiliação que poderia estigmatizar a saúde mental. Ao mesmo tempo, ela diz que o site usa uma combinação de moderação feita por seres humanos e por máquina (machine learning) para identificar e remover material danoso antes de reportá-lo. Hopkins diz que é essencial que usuários denunciem conteúdo perturbador para que a empresa aprenda com as reclamações. Em resposta à preocupação de Annemarte de que o Instagram está continuando a recomendar contas perigosas, Hopkins diz que, quando uma conta é marcada, ela não é recomendada a outros usuários. "Nosso trabalho nunca vai terminar porque escolhemos tomar medidas muito detalhistas e balanceadas", diz. "Estamos comprometidos no Instagram a acertar e garantir que temos o equilíbrio correto." Mas Heidi e outros pais dizem acreditar que suas filhas não estariam mortas se não tivessem utilizado o Instagram. "Quando eu vejo o que foi publicado e o quão ativa Andrine era na comunidade do Instagram, e ouço o que as outras garotas disseram, eu percebo que o Instagram basicamente tirou a vida da minha filha. É o que eu sinto", ela diz. "Porque todas as outras garotas no Instagram eram como seu público. Ela tinha alguém para quem mostrar tudo. Então sinto que se ela não tivesse Instagram, ela poderia ter buscado mais ajuda na vida real." Ingebjørg diz que tem uma questão maior para ser endereçada. Deletar contas de Instagram, diz ela, transferiria o problema para outras plataformas de redes sociais. "Apenas vai fazer elas encontrarem novas comunidades ou novos sites. Eu acho que o sistema de cuidado com a saúde tem que ser melhor para que as pessoas não sintam que têm que postar coisas. Podem falar com um terapeuta ou um membro da família em vez de postar." A NRK publicou sua investigação revelando a existência da rede, e o processo lançou luz sobre o trabalho de Ingebjørg. O Ministro da Saúde da Noruega disse à NRK que ele não tinha conhecimento sobre a rede de suicídio da plataforma, e disse que uma nova estratégia de prevenção ao suicídio teria que ser feita. Ele também disse que pediu às unidades psiquiátricas para consultar jovens sobre como melhorar a confiança em seus serviços. Ingebjørg quer poder tirar o peso que ela colocou sobre si. Ela queria seguir em frente com sua vida e concretizar sua ambição de virar uma enfermeira de pacientes com câncer. Heidi diz esperar que a publicidade sobre a investigação ajude a salvar vidas. "Não falava com Andrine sobre o Instagram porque tinha medo de que ela ficasse brava e se automutilasse mais. Mas me arrependo de não ter feito isso. Para outra mãe, eu diria: 'Não cometa o mesmo erro. Converse com a sua filha, converse sobre isso'." *Reportagem e entrevistas por Catrin Nye e Edward Main para o programa Victoria Derbyshire e para a BBC Trending. Texto online por Joanna Jolly. Investigação original da NRK conduzida por Annemarte Moland, Ruben Solvang, Even Kjolleberg e Ståle Hansen.
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12/11 - Alongamento de cílios pode causar queimaduras durante ressonância magnética; entenda
Post circula nas redes sociais com imagens de olho machucado após exame; G1 ouviu especialistas que confirmam o risco. Antes e depois do alongamento dos cílios Reprodução/TV Globo Uma fotografia circula entre as redes sociais de radiologistas mostrando um cílio destruído e a pele da pálpebra machucada. Os médicos afirmam que o material usado em alongamento de cílios (extensão fio a fio) pode causar um efeito de “metal no micro-ondas” durante o exame de ressonância magnética. Initial plugin text O G1 conversou com o autor do post, Hércules Fontes, de 31 anos, estudante de medicina na Ciudad del Este, no Paraguai. Ele disse que resolveu compartilhar a informação com os professores e também amigos médicos. Além dos fios usados em alongamento, ele disse que os cílios com imãs também causam problemas. "Os cílios que têm imãs podem ser perigosos. Tem maquiagem com presença de ferro na composição que também pode comprometer o exame, mas não chega a queimar", disse Fontes. Rafael Santiago, radiologista do Delboni Auriemo e representante médico do Núcleo de Segurança do Paciente da Dasa, afirma que recentemente os laboratórios passaram a perguntar se as pacientes têm cílios alongados antes de marcar o exame. Santiago disse que o equipamento de ressonância magnética é, de forma simplificada, um micro-ondas. Por isso, qualquer metal pode comprometer a segurança. "Existe dois tipos, um com cola, e também tem o tipo com imã. Inclusive uma reportagem do Reino Unido mostra, que como é um imã, e a máquina de ressonância magnética também é um grande imã, ela pode atrair e machucar também a pálpebra da paciente". "Com relação à queimadura, qualquer material que tenha alguma pigmentação, ou que tenha algum grau de ferro ou metal nela, você está exposto a um potencial risco de queimadura na ressonância magnética". O radiologista aponta que o risco é baixo, mas existe. Por isso, alguns laboratórios já incluíram em seu protocolo de segurança a pergunta: "Tem cílios postiços ou alongamento dos cílios?". Os laboratórios proíbem o procedimento em pacientes com cílios com imã. Ele/Ela precisa retirar antes de entrar no equipamento. Caso tenha o tipo com cola ou alongamento, a pessoa é avisada sobre o risco de esquentar e é orientada a apertar um botão se ocorrer desconforto. As tatuagens e a micropigmentação de sobrancelhas também podem trazer um risco durante o exame devido ao material da tinta. Santiago explica que pede que os pacientes esperem pelo menos 15 dias após o procedimento. "É qualquer metal. O metal do pigmento, ou o metal no fio. Não precisa ser 100% de metal, mas basta ter na composição. Isso pode potencializar o risco, mas não significa que vá acontecer". O alongamento de cílios passou a ser mais usado no Brasil após algumas celebridades, como Bruna Marquezine, Marina Ruy Barbosa e Isis Valverde. Cílios postiços são tendência, mas exigem cuidados especiais
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11/11 - ‘Minha família pensava que meu câncer era contagioso’
A britânica-paquistanesa Saj Dar recebeu um prato descartável de sua família, que temia que sua doença fosse infecciosa. A britânica-paquistanesa Saj Dar diz que seus parentes mais íntimos começaram a evitá-la por causa do câncer Saj Dar/Arquivo pessoal Saj Dar estava grávida de seu primeiro filho quando passou a mão sobre o peito direito e sentiu um nó. Ela sabia o que aquele tecido endurecido significava. E ela sabia que não poderia demorar a fazer o teste. Mas o medo de ser tratada "como uma leprosa" por sua comunidade paquistanesa local na cidade de Slough, em Berkshire, a dominou. Por semanas, ela se forçou a não pensar no assunto e se recusou a fazer um exame. Somente quando sua mãe reservou para ela uma consulta, a mulher de 32 anos foi testada e disseram que ela não tinha apenas um nódulo cancerígeno, mas três. Ela foi aconselhada a interromper a gravidez por causa dos efeitos do tratamento invasivo, mas recusou-se, e acabou perdendo o bebê. Dez anos depois, Dar relembra que recebeu um prato descartável durante uma reunião de família por causa do medo do dono da casa de que o câncer fosse infeccioso. "Você sabe que no fundo eles estão pensando: 'Não podemos usar os mesmos pratos que ela'", diz ela. "Você se sente como alguém excluído. A sala estava cheia de pessoas, mas era como se eu estivesse sozinha." Dar, mãe de três, se sentiu isolada Saj Dar/Arquivo pessoal Em outra ocasião, Dar ouviu um de seus parentes na cozinha dizendo: "Certifique-se de lavar os copos adequadamente". Ela atribui esse estigma à falta de educação e se preocupa que apesar da geração mais jovem ser mais esclarecida, muitos foram condicionados pelos mais velhos. Dar era casada desde 1999 e, tendo quebrado a convenção ao recusar um casamento arranjado em nome do amor, pensou que ficaria com ele "para sempre". No entanto, ela acredita que o diagnóstico de câncer contribuiu para um "colapso" em seu relacionamento. "Estávamos morando juntos, mas não como marido e mulher", diz Dar. O exame precoce pode ter um papel fundamental na detecção do câncer antes que seja tarde demais, mas os dados da instituição de caridade Macmillan mostram que as taxas de testes entre os negros e asiáticos são mais baixas do que na população branca. A instituição de caridade culpa a falta de conversa sobre câncer, barreiras linguísticas e "sensibilidades culturais". 'Amaldiçoada?' Anisha Vanmali, de Leicester, está com um câncer terminal. "Sinto que muitas pessoas não querem se aproximar de mim", diz ela. "Vejo pessoas sussurrando e quando olho para elas, elas desviam o olhar. E isso acontece o tempo todo." "O carma é algo forte entre nós, então eu sempre me senti como se tivesse feito algo para estar nessa posição. Imaginava que minha família me enviaria uma mensagem dizendo 'como vai você?' Não tenho notícias deles há anos. A comunidade asiática acha que não pode contrair câncer, mas isso não é verdade, infelizmente." A chefe da organização Comunidades de Câncer do BME, Rose Thompson, é uma paciente com câncer que perdeu sua mãe, irmã gêmea e irmã mais nova para o câncer de mama. Certa vez, ela, que é radiologista experiente, foi informada sobre um homem que achava que sua esposa poderia infectá-lo com câncer "se ela estivesse resfriada e espirrasse". Thompson diz que a conscientização das pessoas melhorou um pouco ao longo dos anos, mas esses mitos sobre o câncer persistem entre certas "comunidades fechadas onde as pessoas não têm acesso à informação". Falta de diversidade E a insensibilidade da comunidade médica não ajuda. Após a mastectomia, foi oferecida a Thompson uma prótese rosa, em vez de preta. "Se você fosse uma pessoa branca com uma perna preta, como se sentiria?" ela diz. A ativista de Nottingham culpa a "grande falta de diversidade" das forças de saúde e de caridade. "Até que você tenha pessoas que valorizam a diversidade na organização, isso continuará acontecendo", diz ela. "Ela precisa ser incorporado nas políticas e procedimentos dos serviços de saúde". A Macmillan lançou um programa piloto em Reading para resolver o problema, empregando 25 "ativistas do câncer" para informar as pessoas da mesma origem étnica sobre os riscos da doença. "Sabemos que existe uma falta de conscientização e compreensão do câncer entre as minorias étnicas e as comunidades carentes no sul de Reading", disse o Dr. Kajal Patel, chefe do departamento de câncer do centro de saúde Berkshire West Clinical Commissioning Group. "Muitas vezes isso significa que quando as pessoas dessas comunidades são diagnosticadas com câncer, é tarde demais, levando a taxas de sobrevivência mais baixas. Além do mais, elas tendem a não acessar os cuidados com o câncer que estão disponíveis para elas e de que precisam".
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11/11 - Pesquisadoras da UFSCar e do Cefet criam canudo biodegradável feito de mandioca
Produto é mais barato e resistente que os existentes e deve ser disponibilizado no mercado até o meio do ano que vem. Pesquisadores de São Carlos e de Minas Gerais desenvolvem canudo feito de mandioca Pesquisadoras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) desenvolveram um canudo feito com amido de mandioca que é biodegradável e mais barato que as opções existentes. Uma empresa está interessada em colocar o produto no mercado. O amido é polímero natural que vem sendo usado como matéria-prima de fonte renovável e baixo custo, mas não era usado em canudos devido a limitantes como ser de difícil processamento, absorver muita água, desfazendo-se em contato com líquidos, e de transformar-se em um material quebradiço com a passagem do tempo. Pesquisadoras da UFSCar e do Cefet criam canudinho feito de amido de mandioca Reprodução EPTV Com o desafio de deixar o material mais resistente, as professoras Alessandra de Almeida Lucas, do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da UFScar, e Patrícia Santiago de Oliveira Patrício, do Departamento de Química do Cefet, desenvolveram uma fórmula que mistura o amido e a glicerina para formar um plástico rígido o suficiente para ser usado em bebidas, mas que se degrada rapidamente. Ambas professoras pesquisam biopolímeros há mais de 10 anos, mas não se conheciam. O encontro aconteceu em uma reunião de um instituto vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Material feito de amido de mandioca desenvolvido pela UFSCar e Cefet é resistente e barato Reprodução EPTV "Naquela reunião, eu apresentei os avanços que já obtivera com o amido da mandioca, registrando que ainda faltava deixá-lo mais estável e a Patrícia, que até ali eu não conhecia, tinha a solução", contou Alessandra. A previsão é que o canudo de mandioca esteja disponível até meados de 2.020. De acordo com Alessandra, existem outros canudos biodegradáveis mercado, mas não tão resistentes quanto o feito de mandioca. “Tem [canudos] à base de macarrão e papel, mas custam mais caro e não tem a durabilidade da bebida deste que a gente fez”, afirmou. Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara.
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11/11 - Programa que vai integrar dados de usuários do SUS em todo o país é lançado em Alagoas
Conecte SUS vai permitir ao usuário da saúde pública acessar por meio do celular ou computador informações sobre vacinas, exames, internações e outros serviços utilizando apenas o CPF. Conecte SUS é lançado em Alagoas, no Palácio do Governo, com a participação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (o 3º a partir da esquerda) Michelle Farias/G1 O ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta lançou em Alagoas, nesta segunda-feira (11), o Conecte SUS, programa que vai permitir aos usuários da saúde pública em todo o país acessar por meio do celular ou computador informações sobre vacinas que já tomou, exames, internações e outros serviços, utilizando apenas o CPF. Alagoas é o primeiro estado a receber o projeto, que conta com a tecnologia para produzir e disponibilizar informações confiáveis da saúde pública. Serão investidos R$ 21,1 milhões até 2020 na implantação do sistema. “O Conecte SUS vai possibilitar ao cidadão saber toda a sua trajetória no SUS. Um problema que temos é que muita gente não sabe qual vacina tomou porque não está com o cartão de vacina. Com o programa, as pessoas vão saber quais vacinas foram aplicadas, os atendimentos realizados, exames, internação", afirmou o ministro Luiz Henrique Mandetta. Dos R$ 21,1 milhões que serão investidos para o auxílio à Informatização da Atenção Primária, R$ 2,1 milhões vão ser aplicados ainda neste ano, ficando o restante do investimento para o ano seguinte. Além do apoio financeiro, o Ministério vai realizar treinamento para uso do programa e suporte para sanar dúvidas do dia a dia. Os gestores locais serão os responsáveis por gerenciar os recursos que serão investidos. Além do Estado, os municípios também vão poder fazer adesão do programa para informatização das unidades de saúde da Atenção Primária. Na próxima terça (12), haverá uma reunião em Alagoas para começar dar início à implementação do programa. “Amanhã já tem uma reunião técnica para implementar já o programa. No curto prazo, nós já teremos muita informação. A gente espera que em dezembro ou janeiro o cidadão já tenha todo o histórico vacinal. E nós escolhemos o CPF como documento oficial, então nós vamos acabar com o cartão SUS em breve”, disse o ministro da Saúde. O governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), participou do lançamento do programa. “É muito gratificante ter Alagoas como pioneiro desse projeto com essa magnitude. Não vamos medir esforços para atender às expectativas do ministro da saúde”, disse Renan Filho. Veja mais notícias da região no G1 Alagoas
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