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18/11 - Como falar sobre o câncer com filhos e netos
Mesmo que a notícia vá causar apreensão e angústia, não finja que está tudo bem Além de ser um dos maiores desafios pessoais que se possa enfrentar, o câncer também traz um impacto enorme na vida familiar. Quando os filhos são adultos, supõem-se que vão reagir com maturidade e ajudar, embora nem sempre isso ocorra. Mas como abordar a questão com crianças e adolescentes? Mesmo que a notícia vá causar apreensão e angústia, não finja que está tudo bem. É o que prega a cartilha do National Cancer Institute, entidade norte-americana que é referência para a doença. Até os pequenos percebem quando há algo errado, portanto não piore a situação com uma mentira que não se sustentará por muito tempo. Também não se afaste de seus netos, nem deixe que seus filhos interrompam essa convivência, a não ser quando estiver cansado/a demais por causa do tratamento. Todos poderão ter que assumir novos papéis e responsabilidades, é fundamental abordar o problema abertamente. ConversaSobre o câncer: crianças percebem quando há algo errado, portanto não piore a situação com uma mentira que não se sustentará por muito tempo https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Chemotherapy#/media/File:Chemotherapy_iv.jpg O que as crianças devem saber: em primeiro lugar, que não têm qualquer culpa – o câncer não aconteceu por causa de algo que fizeram ou disseram. Explique que estar doente não significa que você vai morrer e que, além disso, os cientistas trabalham para descobrir novos remédios para combater a doença. Faça com que entendam que é normal se sentir triste, zangado ou com medo, que os sentimentos não precisam ser reprimidos e devem ser compartilhados. Em alguns casos, a criança pode se ressentir de não receber a mesma atenção de antes e apresentar regressão no comportamento, ou ir mal na escola. Não se furte de pedir auxílio em casa: filhos ou netos podem lavar a louça, arrumar seus quartos ou simplesmente fazer companhia. Como os adolescentes podem se retrair, sugira que conversem com outras pessoas do seu círculo: amigos ou adultos que possam dar esclarecimentos. Não deixe que se sintam excluídos e, na medida do possível, faça com que participem das decisões. Voltando aos filhos que são adultos, principalmente aqueles que sempre viram pai e mãe como autênticas fortalezas à prova de qualquer intempérie: às vezes também é difícil para os pais pedirem ajuda, esse é um aprendizado para os dois lados. Eles devem ficar cientes do tratamento, dos medicamentos e efeitos colaterais, para que tenham a real dimensão do tempo e cuidado que devem dispensar. O Inca (Instituto Nacional do Câncer) estima que, entre 2018 e 2019, o Brasil tenha 1,2 milhão de novos casos de câncer. Apesar de tantas emoções envolvidas, pense em suas diretivas antecipadas de vontade: como gostaria de ser cuidado pela equipe médica se a doença evoluir para um quadro incurável e terminal. Embora 90% das pessoas digam que é importante conversar com os familiares sobre os cuidados no fim da vida, apenas 27% afirmam tê-lo feito.
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17/11 - O prejuízo bilionário da saída do Mais Médicos para a 'medicina de exportação' de Cuba
Economista cubano estima que país deve perder mais de R$ 1,1 bilhão por ano, valor superior a todas as exportações anuais de charutos da ilha caribenha, que sofre com novo arrocho dos EUA. Saída do Mais Médicos foi anunciada após críticas do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Médica cubana atende paciente em casa na cidade baiana de Itiuba Ueslei Marcelino/Reuters A saída de Cuba do programa Mais Médicos, recém-anunciada pelo governo cubano em resposta a críticas feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, vai representar um importante baque nas exportações de serviços de saúde da ilha socialista – sua principal fonte de renda internacional. Bem mais lucrativo que a exportação de produtos produzidos na ilha, como açúcar, tabaco, rum ou níquel, o envio de profissionais de saúde para o exterior responde por 11 bilhões de dólares dos 14 bilhões de dólares que Havana arrecada por ano com exportações de bens e serviços, segundo dados da Organização Mundial do Comércio e da imprensa estatal cubana. Com o fim do acordo selado na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2013, o regime cubano deve perder 332 milhões de dólares (ou mais de R$ 1,1 bilhão) por ano. O valor supera as exportações de charutos (259 milhões de dólares por ano, segundo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e cria mais um desafio econômico para o país, que há 56 anos sofre um duro embargo comercial dos Estados Unidos. A estimativa do prejuízo é do economista cubano Mauricio De Miranda Parrondo, professor titular da Pontifícia Universidade Javeriana de Cali, na Colômbia. "As alternativas (à perda econômica do Mais Médicos) são muito escassas", diz Parrondo em entrevista à BBC News Brasil. "As opções mais visíveis aparecem no turismo cubano, mas não se espera que o vácuo deixado pela renda vinda do Brasil possa ser coberto com isso." Tradicionais carros-chefes do comércio local, as indústrias açucareira e de níquel amargam uma crise que vem se agravando nos últimos anos. O turismo rende atualmente 2,8 bilhões de dólares anuais para a ilha, mas está sob a mira do presidente americano Donald Trump, que incluiu na última sexta-feira 16 hotéis cubanos na lista de empresas cubanas com as quais os americanos não podem fazer negócios. Para cobrir o buraco deixado pelo fim dos aportes do Mais Médicos, o turismo de Cuba precisaria crescer 10% - uma meta impossível enquanto houver sanções dos EUA, segundo especialistas. Programa Mais Médicos foi criado pelo governo de Dilma Rousseff - na imagem, tirada em 2016, Dilma lança nova fase do programa e é cercada por profissionais, alguns cubanosA presidente Dilma Rousseff anúnciou nesta sexta (29) a prorrogação do Programa Mais Médicos Dida Sampaio/Estadão Conteúdo Aluguel de médicos, escravidão ou exportação de serviços? Os norte-americanos foram os primeiros a comentar o afastamento diplomático entre Brasil e Cuba. Em novo gesto de simpatia, a Casa Branca parabenizou Bolsonaro nesta sexta-feira (16) "por tomar posição contra o regime cubano por violar os direitos humanos de seu povo, incluindo médicos alugados no exterior em condições desumanas". Se o americano descreve a oferta de serviços médicos como "aluguel", o novo governo brasileiro vai além e fala em "escravidão", argumentando que o governo cubano ficaria com 75% dos mais de 3 mil dólares pago a cada médico por mês. "Isso é trabalho escravo. Não poderia compactuar", disse Bolsonaro. Analistas internacionais estimam que a fatia recolhida pelo governo cubano em serviços prestados por seus médicos em 67 países das Américas, da África, da Ásia e da Europa varie entre metade e três quartos dos salários, dependendo do país (parte dos serviços oferecidos por Cuba é gratuita – ou seja, os médicos recebem direto do governo cubano, enquanto o país apoiado não precisa pagar nada – como em casos de desastres naturais e humanitários). Mas, no termo técnico assinado entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), órgão ligado à ONU que atua como intermediário no envio de recursos do programa Mais Médicos, não existem números oficiais sobre o percentual do salário que é de fato repassado para os médicos cubanos no Brasil. Segundo o acordo, os médicos são funcionários do governo da ilha, que por sua vez presta serviços remunerados ao Brasil. Mesmo com os descontos, a fatia de salário recebida pelos profissionais no Brasil é muito superior aos rendimentos dos que trabalham nos arredores de Havana: a renda mensal de um médico em Cuba é estimada entre 25 e 40 dólares, ou o equivalente a R$ 94 e R$ 150. Totalitarismo e Saúde Universal Para a ONG americana Cuban Archive, o modelo de exportação de serviços médicos de Cuba "só é possível em um governo totalitário". "Com o Estado como único empregador, os profissionais de saúde estão proibidos de deixar o país sem permissão. Quando são enviados para uma missão estrangeira, eles devem deixar suas famílias para trás como reféns para seu retorno", aponta a instituição, que faz oposição ao governo socialista. Já Cristian Morales, representante em Havana da Opas, defende publicamente a proposta, argumentando que ela "permite a Cuba receber recursos internacionais importantes para garantir o funcionamento de seu próprio sistema de saúde universal". Entrevistado em 2016 por um conjunto de pesquisadores de universidades do Brasil, da Alemanha e da Espanha, um médico cubano ficou com o meio termo. "Em Cuba tudo é de graça, a população não tem que pagar por estudos, esportes e nem mesmo por serviços saúde. Para conseguir tudo isso, o dinheiro precisa vir de algum lugar, então estamos comprometidos com o povo dessa maneira, para manter as coisas como estão no nosso país", afirmou. "Mas, falando claramente, nós podemos ter esse compromisso de ajudar o nosso povo, mas também não é justo receber 30% (do salário) pelo resto de nossas vidas [...] Eu trabalhei no Haiti e ganhava 20% [...] As pessoas também tem que entender que precisamos viver, nós também temos nossos sonhos." 'Mobiliei toda a minha casa' Se, no Brasil, a medicina é uma carreira de prestígio e seus profissionais podem ganhar salários bem mais altos que a média nacional, qual é o status social dos médicos em Cuba? "Os médicos são profissionais altamente reconhecidos pela sociedade cubana", responde o economista cubano Mauricio Parrondo. "Mas esse reconhecimento não está relacionado à sua renda por meio dos salários, que são insuficientes para cobrir necessidades essenciais, como acontece com os outros trabalhadores que recebem do Estado cubano. O alto prestígio tem a ver com a importância percebida pela população." O especialista diz que muitos dos profissionais que trabalham no exterior sob contratos estaduais acabam levando uma vida de "austeridade exagerada" para serem capazes de enviar recursos para familiares e melhorar o padrão de vida na ilha, "o que não seria possível com a renda de seus salários em Cuba". Em entrevista à BBC em 2013, ano de lançamento do programa, uma médica cubana ilustrou esta tese. "Não tinha absolutamente nada. Graças à missão, mobiliei toda minha casa." Paradoxo da saúde cubana A importância da medicina na sociedade de Cuba retoma uma discussão conhecida como o "paradoxo da saúde cubana" e ilustrada frequentemente por um ditado popular da ilha: "Nós vivemos como pobres, mas morremos como ricos". É que, apesar do PIB modesto e do isolamento financeiro patrocinado pelos EUA, Cuba consegue manter uma expectativa de vida mais alta que a dos americanos (por volta de 80 anos), mesmo investindo menos de um décimo do que os americanos gastam com saúde. Segundo o Banco Mundial, Cuba investe 813 dólares por pessoa anualmente com serviços de saúde, enquanto os EUA gastam 9,4 mil dólares. Mas a conta se inverte quando a avaliação leva em conta o percentual do PIB investido em saúde: Cuba investe 10,57% de sua riqueza no setor, valor muito superior ao dos americanos ou europeus como Alemanha e França. Além do bem-estar da população, a prioridade no investimento também se justifica pela perspectiva diplomática da saúde como elemento de integração econômica e cultural entre Cuba e o resto do mundo, desde a Guerra Fria. Cubanos atuando no programa Mais Médicos no Brasil Alexandre Mauro/G1 Ilustrada pela parceria que agora chega ao fim com o governo brasileiro, a "diplomacia médica" cubana garante a entrada de moedas fortes como o dólar, importantes para as reservas do país, além de poder de influência e legitimidade no exterior. Nos últimos 55 anos, Cuba recebeu e treinou sem custos mais de 35 mil profissionais de saúde de 138 países. Segundo o ministério de Saúde Pública, a ilha realizou 600 mil missões de saúde pública em 164 países neste período, incluindo contribuições importantes na luta contra o vírus Ebola na Libéria, Serra Leoa e Guiné, contra a catarata na América Latina e no Caribe e contra a cólera no Haiti. Em 1985, Cuba foi o primeiro país a desenvolver uma vacina efetiva contra a meningite B. Mais tarde, inovou novamente com uma vacina contra o câncer de pulmão. Em 2015, se tornou a primeira nação do mundo a eliminar a transmissão materno-infantil de HIV e sífilis. Hoje, 8.332 dos 16 mil médicos que atuam no Mais Médicos são cubanos. Enquanto o Brasil organiza uma força-tarefa para recrutar profissionais dispostos a substituí-los em regiões pobres e remotas do país e manter a qualidade do atendimento (aprovado por 95% dos pacientes, segundo pesquisa feita pela UFMG), Cuba se esforça para enfrentar mais um importante revés econômico em sua história recente – e encontrar outras fontes de renda para compensar o prejuízo do fim da lua de mel com o governo brasileiro.
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17/11 - Quando é preciso retirar as amígdalas e por que tantas crianças são operadas sem necessidade
Estudo realizado na Inglaterra descobriu que 9 em cada 10 operações do tipo são desnecessárias e sinalizou que o procedimento cirúrgico poderia estar causando mais danos do que benefícios às crianças. Pesquisa realizada na Inglaterra mostra que nove em cada 10 operações do tipo são desnecessárias GETTY IMAGES/BBC Milhares de crianças são submetidas todos os anos a cirurgias para retirada das amígdalas sem que haja necessidade. Um estudo realizado na Inglaterra descobriu que 7 de cada 8 operações do tipo realizadas em crianças do país dificilmente trariam alguma vantagem. As amígdalas, localizadas próximo a base da língua, desempenham um papel importante no sistema imunológico, ajudando a proteger o organismo contra vírus e bactérias que entram pela boca ou pelo nariz. Mas são um daqueles órgãos que não são considerados indispensáveis para a sobrevivência. Segundo o estudo, o procedimento cirúrgico pode estar causando mais danos do que benefícios às crianças. Sem contar o gasto que representa para o sistema público de saúde inglês, o NHS - que já informou que planeja reduzir o número de operações de retirada de amígdala e outros tratamentos "ineficientes", nos quais os prejuízos sejam maiores do que os ganhos. Critérios para retirada das amígdalas De acordo com os pesquisadores, a remoção das amígdalas é indicada apenas quando atende a um dos critérios abaixo: Mais de sete episódios de dor ou inflamação da garganta por ano; Mais de cinco episódios de dor ou inflamação da garganta por ano, durante dois anos consecutivos; Três episódios de dor ou inchaço da garganta ao ano durante três anos seguidos. O estudo da Inglaterra, publicado no The British Journal of General Practice, analisou os registros de mais de 1,6 milhão de crianças inglesas entre 2005 e 2016. De cada mil crianças do país, duas ou três foram submetidas à cirurgia para retirada de amígdala. Porém, 88% (cerca de 7 em cada 8) não preenchiam os critérios acima. Apenas 12% das cirurgias realizadas no período foram clinicamente justificadas. No grupo de crianças que foi submetida à cirurgia sem preencher os critérios, 10% havia tido apenas um único episódio de dor de garganta ou inflamação. Com base nesses dados, o estudo estimou que 32,5 mil das 37 mil amigdalectomias infantis realizadas no Reino Unido entre 2016 e 2017 foram desnecessárias, custando £ 36,9 milhões (o equivalente a quase R$ 180 milhões) ao sistema público de saúde. Tom Marshall, professor do Instituto de Pesquisa em Saúde Aplicada da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e um dos autores do estudo, afirma que a cirurgia pode ser justificada no caso de pacientes mais seriamente afetados. "A pesquisa sugere que crianças com menos dores ou inflamações na garganta não vão se beneficiar o suficiente para justificar a cirurgia, porque, de qualquer forma, a dor de garganta tende a desaparecer", diz. Estudo estima que 7 de cada 8 operações infantis do tipo realizadas no Reino Unido foram desnecessárias GETTY IMAGES/BBC Retirada de amígdalas pode gerar complicações Os especialistas também ressaltam que, como em todas as cirurgias, as amigdalectomias podem levar a complicações que, embora raras, podem ser graves. "Quando esta operação é realizada no grupo certo de crianças, pode reduzir significativamente as infecções da garganta, melhorar a qualidade do sono, diminuir o número de consultas médicas, o uso de antibióticos e, mais importante, melhorar a qualidade de vida da criança e da família ", afirmam especialistas da Escola de Medicina McGovern da Universidade do Texas, nos EUA. "No entanto, há uma morbidade associada à cirurgia que inclui hospitalização, custo financeiro, risco de anestesia, sangramento pós-operatório e cicatrização", acrescentam. "De fato, até 4% das crianças operadas podem ter que ser internadas novamente devido a complicações secundárias, o que significa que a tomada de decisão adequada para realizar essa cirurgia é de suma importância." Além disso, alguns estudos sugerem que a retirada das amígdalas na infância pode ter conquências no longo prazo, como aumento do risco de ataque cardíaco precoce e de doenças respiratórias, como asma, pneumonia e gripe na vida adulta. Epidemia de retirada de amígdalas O problema não é exclusivo do Reino Unido. Uma pesquisa publicada em 2014 pelo The Cochrane Review comparou estudos conduzidos em diversos lugares do mundo sobre a eficácia da cirurgia de remoção de amígdala, e constatou que um grande número de operações são feitas sem justificativa clínica suficiente. O levantamento não cita o Brasil. Aqui, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 33,8 mil cirurgias para retirada de amígdalas em 2017, sendo 31,1 mil em crianças (mais de 90%). Os Estados Unidos são o país com as taxas mais altas do procedimento. A cada ano, são realizadas mais de 500 mil amigdalectomias infantis - trata-se da terceira operação mais comum em crianças no país. As taxas são tão altas que o procedimento foi descrito como "uma epidemia". "É uma epidemia silenciosa de cuidados médicos desnecessários", disse em 2012 o especialista David Goodman, do Darthouth Atlas, banco de dados sobre cuidados de saúde do Instituto Darmouth para Política de Saúde e Prática Clínic, dos Estados Unidos. "Na maioria dos casos, (a retirada de amígdalas) é realizada em pacientes com sintomas muito menos recorrentes do o necessário para indicar o procedimento", disse Goodman.
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16/11 - Café ou chá? Escolha pode estar relacionada com seus genes, diz estudo
Pesquisa é baseada nos dados genéticos de cerca de 438 mil participantes britânicos e foi publicada na revista 'Nature'. Chá ou café? Pode ter alguma coisa a ver com seu DNA Pixabay Chá, ou café? O gosto parece estar determinado parcialmente pela genética, como aponta um estudo feito com britânicos e publicado na revista científica "Nature". "O estudo usou uma amostra muito ampla" para demonstrar que "a percepção do amargo influi no consumo de chá e de café", disse o coautor do estudo Daniel Liang-Dar Hwang, da Universidade australiana de Brisbane. Paradoxalmente, as pessoas com uma maior sensibilidade ao gosto amargo do café eram as que bebiam mais. Isso "sugere que os consumidores de café desenvolvem um gosto, ou uma capacidade para detectar a cafeína", afirmou a professora de Medicina Preventiva Marilyn Cornelis, também coautora do estudo. "A genética desempenha um papel ligeiramente mais importante na percepção do amargor do que do doce", explicou Liang-Dar Hwang. A percepção dos gostos também está influenciada por nossos comportamentos. "Mesmo que, de forma natural, os humanos não apreciem o amargor, podemos aprender a apreciar os alimentos amargos", afirmou o pesquisador. "Os bebedores de café são, geralmente, menos sensíveis do que os bebedores de chá ao amargor e têm, além disso, mais possibilidades de apreciar esse gosto em outros alimentos, como as verduras verdes", completou. Baseado nos dados genéticos de cerca de 438 mil participantes britânicos, o estudo por enquanto "não é generalizável para outros países e culturas", advertem os autores.
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16/11 - Estudo aponta eficácia de meditação como tratamento para pacientes com estresse pós-traumático
Pesquisa publicada na revista 'Lancet Psychiatry' foi feita com ex-soldados americanos. Meditação é eficaz no tratamanto de vítimas de estresse pós-traumático, aponta estudo Shahariar Lenin/Pixabay A meditação pode ser tão eficaz para tratar as vítimas de estresse pós-traumático (ESPT) quanto as terapias que já são usadas atualmente, de acordo com um estudo realizado com ex-soldados americanos publicado na revista científica "Lancet Psychiatry" nesta sexta-feira (16). O ESPT pode ocorrer depois que uma pessoa vive uma experiência traumática relacionada, por exemplo, com a morte, a violência, ou uma agressão sexual. Caracteriza-se, sobretudo, por recordações repetitivas, pesadelos, tentativas de evitar tudo o que possa lembrar o acontecimento, estado de irritabilidade e depressão. Acontece principalmente entre vítimas de atentados e soldados, e calcula-se que 14% dos militares americanos que serviram no Iraque ou Afeganistão sofram de ESPT. Entre os tratamentos atuais destaca-se a terapia por exposição. Esta consiste em expor gradualmente o afetado a situações, lugares, imagens, sensações, barulhos e cheiros associados ao evento traumático para que o seu organismo "se acostume" a não reagir de maneira tão intensa, reduzindo pouco a pouco o estresse. Mas esta técnica é dolorosa para as vítimas de ESPT e entre 30% e 45% dos pacientes abandonam o tratamento, segundo o estudo. Meditação pode ajudar Como uma possível alternativa aos tratamentos disponíveis, pesquisadores de três universidades americanas testaram a meditação em um estudo que observou 203 ex-soldados afetados pela doença. Os militares, mulheres e homens, foram distribuídos em três grupos: um praticou a meditação, o segundo a terapia por exposição e o terceiro recebeu um curso teórico sobre ESPT. Dos ex-soldados que praticaram 20 minutos de meditação diariamente, 60% registraram uma melhora significativa dos sintomas, e este grupo foi o que mais pessoas chegaram até o final do estudo em relação aos que foram submetidos à terapia por exposição. A meditação consiste em concentrar o espírito em algo concreto, como a respiração ou um objeto, para conseguir se concentrar no presente, que é denominado estado de plena consciência. Desta maneira, pode-se afastar de pensamentos ou sentimentos dolorosos. Esta prática "pode ser feita sozinho, em praticamente todos os lugares e a qualquer momento, sem necessidade de um equipamento especializado ou de um apoio personalizado", indicou Sanford Nidich, autor principal do estudo. "Diante do crescente problema que o ESPT apresenta em Estados Unidos, Grã-Bretanha e outros lugares do mundo, as terapias alternativas, como a meditação, devem fazer parte das opções oferecidas pelas autoridades de saúde", afirmou.
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16/11 - Por que poucas mulheres venceram o prêmio Nobel
Mais mulheres estão garantindo um doutorado em ciência - então por que Donna Strickland foi a terceira mulher na Física a receber um Prêmio Nobel? Cinquenta e cinco anos depois de Goeppert-Mayer, Donna Strickland ganhou o Nobel de Física, compartilhado com os físicos Arthur Ashkin e Gerard Mourou Reprodução - Universidade de Waterloo Donna Strickland foi uma das ganhadoras do Prêmio Nobel de Física de 2018, anunciado em outubro. Trata-se um grande feito para qualquer cientista, mas o que mais chamou a atenção foi o fato de ela ser apenas a terceira mulher a receber o prêmio na história, depois de Marie Curie, em 1903, e Maria Goeppert-Mayer, em 1963. A percepção dessa raridade gerou um debate sobre a exclusão de mulheres na educação e em carreiras científicas. Pesquisadoras viram muitos avanços no último século, mas há inúmeras evidências de que elas continuam sub-representadas no chamado Stem, um acrônimo em inglês que agrega os campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Estudos têm mostrado que as cientistas que persistem na carreira enfrentam barreiras explícitas e implícitas no caminho. O preconceito é mais intenso em áreas predominantemente masculinas, onde as mulheres são mal representadas e geralmente vistas como ícones ou outsiders. Ou seja, quando as mulheres atingem os níveis mais altos em esporte, política, medicina e ciência, elas servem como modelos para todas nós, especialmente para meninas e outras mulheres. Mas a situação está melhorando em relação à igualdade de representação? E o que ainda impede que mais mulheres frequentem as salas de aula, laboratórios, tenham papéis de liderança e sejam vencedoras de prêmios como esse? Estereótipos enganosos Estereótipos tradicionais sustentam que as mulheres "não gostam de matemática" e "não são boas em ciência". Tanto homens quanto mulheres reforçam essas afirmações, que, no entanto, têm sido contestadas por pesquisas empíricas. Elas mostram que meninas e mulheres evitam a educação Stem não por incapacidade, mas pela pouca exposição e experiência com o Stem, assim como pela falta de modelos, políticas públicas educacionais e contexto cultural desfavorável. Nas últimas décadas, houve esforços para melhorar a representação de mulheres na ciência. Eles focaram no combate a estereótipos com reformas educacionais e programas que aumentem o número de meninas entrando e permanecendo no que é chamado de Stem Pipeline - o percurso desde a escola básica à pós-graduação na área científica. As ações têm funcionado. Mulheres estão cada vez mais propensas a expressar interesse por carreiras Stem e por buscar formações universitárias nos setores. Hoje, mulheres representam metade ou mais dos profissionais das áreas de psicologia e ciências sociais; e estão cada vez mais representadas na força de trabalho científica - com exceção das ciências computacionais e matemáticas. De acordo com o Instituto Americano de Física, mulheres ganharam cerca de 20% dos diplomas de graduação e 18% dos doutorados em Física em 2017, contra 10% e 5%, respectivamente, em 1975. Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel de Física, em 1903; ela compartilhou o prêmio com o marido Pierre Domínio público Mais mulheres estão se graduando em doutorados Stem e assumindo posições acadêmicas. Mas elas se deparam com abismos e tetos de vidro à medida que avançam em suas carreiras acadêmicas. 'Teto Stem' Mulheres enfrentam várias barreiras estruturais e institucionais em carreiras acadêmicas nas áreas Stem. Além de questões relacionadas às disparidades salariais entre os gêneros, a estrutura da ciência acadêmica dificulta o avanço de mulheres. Isso porque a ciência experimental requer anos de dedicação em um laboratório, e as imposições da carreira podem tornar difícil, senão impossível, o equilíbrio entre o trabalho e os cuidados familiares que geralmente recaem sobre elas. Além disso, trabalhar em um ambiente dominado por homens pode gerar uma sensação de isolamento para as mulheres – que se percebem como exceções e mais suscetíveis a assédios. As mulheres são frequentemente excluídas da cultura de trabalho e das oportunidades de networking e eventos sociais. Quando a representação das mulheres não chega a 15%, elas são menos empoderadas para advogar por suas causas e mais propensas a se perceberem como um grupo minoritário e como uma exceção. Quando estão na posição minoritária, as mulheres são mais propensas a assumir mais tarefas extras como "símbolos" do compromisso. Como há poucas colegas, as mulheres têm mais dificuldade de estabelecer relações com colaboradoras ou redes de apoio e aconselhamento. O isolamento pode se intensificar quando elas não conseguem participar de eventos de trabalho ou de conferências por causa de responsabilidades familiares. Universidades, associações profissionais e financiadores federais vêm trabalhando para dar uma solução a várias dessas barreiras estruturais. Esforços incluem criar políticas atentas às questões familiares, aumentar a transparência salarial, reforçar proteções legais à igualdade de gênero, garantir programas de mentoria e apoio a mulheres cientistas, proteger o período de pesquisa para as mulheres cientistas e selecionar mulheres em contratações e ações de fomento à pesquisa. Esses programas têm tido resultados variados. Por exemplo, pesquisas indicam que políticas de apoio à família, como licença ou local para crianças no espaço de trabalho, podem intensificar a desigualdade de gênero, resultando em aumento da produtividade de homens e mais obrigações para mulheres. Todos provavelmente têm uma ideia mental da aparência de um cientista ganhador do Prêmio Nobel. A imagem é predominantemente masculina, branca e mais velha – o que faz sentido, já que 97% dos ganhadores são homens. Este é um exemplo de um preconceito implícito: presunções subconscientes, involuntárias e naturais que todos nós, homens e mulheres, formamos sobre o mundo ao nosso redor. As pessoas tomam decisões baseadas nessas suposições, preferências e estereótipos – mesmo que essas presunções sejam contrárias às suas crenças explícitas. Preconceitos implícitos Estudos revelam que existem preconceitos implícitos difundidos contra mulheres vistas como especialistas ou cientistas. Eles se manifestam quando se atribui mais reconhecimento e se premiam mais homens do que mulheres com bolsas científicas, por exemplo. Preconceitos implícitos podem atrapalhar a contratação, o avanço e o reconhecimento do trabalho de mulheres. Por exemplo, mulheres que buscam empregos acadêmicos são mais propensas a serem vistas e julgadas com base em informações pessoais e na aparência física. Cartas de recomendação para mulheres são mais propensas a levantar dúvidas e a usar uma linguagem que tenha resultados negativos em sua carreira. O preconceito implícito pode afetar também a capacidade de a mulher publicar descobertas científicas e ganhar reconhecimento pelo trabalho. Homens citam seu próprio trabalho 56% mais vezes que as mulheres. Há ainda uma desigualdade de gênero no reconhecimento, na premiação e nas citações. As pesquisas conduzidas por mulheres têm menos chances de serem citadas por outros acadêmicos, e suas ideias são mais propensas a serem atribuídas a homens do que o contrário. As pesquisas assinadas apenas por uma mulher levam duas vezes mais tempo para avançar no processo de revisão. Poucas mulheres editam periódicos científicos, são pesquisadoras seniores, autoras principais ou revisoras de artigos. Essa marginalização na pesquisa em posições de controle dificultam a promoção de mulheres na ciência. Quando uma mulher se torna uma cientista reconhecida internacionalmente, preconceitos implícitos agem contra a probabilidade de que ela seja convidada como palestrante para compartilhar suas descobertas de pesquisa, diminuindo, assim, sua visibilidade no campo e, logo, a possibilidade de que ela seja indicada a prêmios. Nota-se esse desequilíbrio de gênero pela baixa frequência de mulheres especialistas sendo citadas em notícias sobre vários temas. As cientistas também são menos respeitadas e reconhecidas do que deveriam por suas conquistas. Pesquisas mostram que é mais comum tratar especialistas homens pelo sobrenome, e mulheres, pelo primeiro nome. Por que isso importa? Porque experimentos mostram que indivíduos citados pelo sobrenome são percebidos como famosos e importantes. Na realidade, um estudo descobriu que cientistas chamados pelo sobrenome são considerados 14% mais merecedores de prêmios da Fundação Nacional de Ciência dos EUA. Ambiente masculino Trata-se de uma grande conquista de Strickland ganhar o prêmio Nobel como professora associada de Física; chegar a esse patamar como uma mulher que certamente enfrentou mais barreiras do que seus colegas homens é monumental. Quando perguntada como ela se sente em ser a terceira mulher laureada pelo Nobel em Física, Strickland ficou surpresa ao se dar conta de que poucas mulheres haviam ganhado o prêmio. Em seguida, ponderou: "Mas, quer dizer, eu vivo em um mundo com a maioria de homens, então, ver principalmente homens, na realidade, não me surpreende", disse ela. A participação principalmente de homens tem traçado a história da ciência. Responder a preconceitos implícitos e estruturais evitará outra espera de meio século para que a próxima mulher seja reconhecida com um Prêmio Nobel por sua contribuição à Física. Aguardo ansiosamente o dia em que a atenção dada à mulher que receber o prêmio de maior prestígio na ciência se reflita apenas por seu trabalho e não pelo seu gênero.
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16/11 - Por que em 2019 1 kg não pesará 1 kg
Além do quilo, outras unidades de medidas básicas, como ampere, kelvin e mol, serão redefinidas. A partir de 2019, 1 kg deixará de ser o que era. Mas por quê? É que o quilo consiste em uma das quatro unidades de medida básicas - juntamente com ampere, kelvin e mol - que serão redefinidas nesta sexta-feira, em Paris, pela Conferência Geral sobre Pesos e Medidas (CGPM), no que representa a maior revisão do Sistema Internacional de Unidades (SI) desde a sua criação em 1960. O objetivo da mudança é relacionar essas unidades a constantes fundamentais e não arbitrárias, como tem sido até agora. Embora as mudanças não afetem nosso dia a dia, elas são de grande importância para pesquisas científicas que exigem um alto nível de precisão em seus cálculos. Imagem criada por computador mostra protótipo utilizado para calcular 1 kg BBC O novo quilograma O novo sistema, que entrará em vigor em maio de 2019, permitirá que os pesquisadores realizem várias experiências para relacionar as unidades de medida com as constantes. Tome, por exemplo, o caso do quilograma. Atualmente, essa unidade de medida é definida por um objeto: um quilograma é a massa de um cilindro de 4 centímetros de platina e irídio fabricado em Londres que é guardado pelo Escritório Internacional de Pesos e Medidas (BIPM) em um cofre na França desde 1889. Mas esse quilo original perdeu 50 microgramas em 100 anos. Isso ocorre porque os objetos podem facilmente perder átomos ou absorver moléculas do ar, então usar um para definir uma unidade SI é complicado. Como todas as balanças do mundo são graduadas de acordo com esse quilo original, quando calculam o peso, acabam gerando dados incorretos. Mesmo imperceptíveis na vida cotidiana, essas diferenças mínimas são importantes em cálculos científicos que exigem extrema precisão. A nova unidade, no entanto, será medida com a chamada balança de Kibble (ou de Watt), um instrumento que permite comparar energia mecânica com eletromagnética usando duas experiências separadas. Como o novo sistema funciona Eletroímãs geram um campo magnético. Eles costumam ser usados em guindastes para levantar e mover grandes objetos de metal, como carros, em ferro-velhos. A atração do eletroímã, ou seja, a força que ele exerce, está diretamente relacionada à quantidade de corrente elétrica que passa por suas bobinas. Existe, portanto, uma relação direta entre eletricidade e peso. Ou seja, a princípio, os cientistas podem definir um quilograma, ou qualquer outra unidade de peso, em termos da quantidade de eletricidade necessária para neutralizar sua força. Há uma grandeza que relaciona peso à corrente elétrica, chamada constante de Planck - em homenagem ao físico alemão Max Planck, representada pelo símbolo h. Mas h é um número incrivelmente pequeno e, para medi-lo, o cientista Bryan Kibble criou uma balança de alta precisão. A balança de Kibble, como ficou conhecida, tem um eletroímã que pende para baixo de um lado e um peso - digamos, um quilograma - do outro. A corrente elétrica que passa pelo eletroímã é aumentada até que os dois lados estejam perfeitamente equilibrados. As vantagens Essa maneira de medir o quilo não muda, tampouco pode ser danificada ou perdida, como pode acontecer no caso de um objeto físico. Além disso, uma definição baseada em uma constante - não um objeto - resultaria na medida exata do quilo, pelo menos em teoria, disponível para qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta e não apenas para aqueles que têm acesso ao quilo original guardado na França. Mas alguns cientistas, como Perdi Williams, do Laboratório Nacional de Física do Reino Unido, têm sentimentos contraditórios sobre a mudança. "Não estou nesse projeto há muito tempo, mas sinto um apego estranho com o quilograma", diz ele. "Estou um pouco triste com a mudança, mas é um passo importante, e o novo sistema vai funcionar muito melhor. É um momento muito emocionante, e mal posso esperar para que aconteça." Outras unidades A maneira de definir o ampere (unidade de corrente elétrica) também mudará. Passará a ser medido com uma bomba de elétrons que gera uma corrente mensurável, na qual os elétrons individuais podem ser contados. O kelvin (unidade de temperatura) será definido a partir do novo sistema com termometria acústica. A técnica permite determinar a velocidade do som em uma esfera cheia de gás a uma temperatura fixa. O mol, a unidade usada para medir a quantidade de matéria microscópica, é atualmente definido como a quantidade de matéria de um sistema que contém tantas partículas quantos átomos existem em 0,012 kg de carbono-12. No futuro, será redefinido como a quantidade precisa de átomos em uma esfera perfeita de silício puro -28.
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15/11 - Da chegada polêmica à saída anunciada por Havana: veja como foram os 5 anos da participação cubana no Mais Médicos
Cuba anunciou saída do acordo nesta quarta-feira (14). Governo Jair Bolsonaro diz que estrangeiros que pedirem asilo no Brasil serão recebidos. Foram, até aqui, cinco ministros e cinco anos de existência. O programa Mais Médicos surgiu em julho de 2013 no governo Dilma Rousseff. Mais conhecido por trazer milhares de profissionais de Cuba ao Brasil, causou polêmica por permitir que estrangeiros trabalhassem no país sem passar pela prova de revalidação de diploma, o Revalida. No entanto, desde o início foi apresentado pelo governo como um programa que priorizaria médicos brasileiros. Nesta quarta-feira (14), o governo cubano anunciou que pretende desfazer o acordo com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e retirar seus profissionais do país. Mais de 8 mil cubanos trabalham pelo programa no Brasil. Veja abaixo uma linha do tempo que mostra os principais momentos desses 5 anos de Mais Médicos: Alexandre Padilha era ministro da saúde do governo Dilma Lançamento O governo de Dilma Rousseff, com Alexandre Padilha no Ministério da Saúde, lança o programa Mais Médicos. O objetivo era aumentar o número de profissionais na rede pública de saúde em regiões carentes. O governo prevê 10 mil postos de emprego para médicos em regiões mal atendidas; Médicos do programa recebem bolsa de R$ 10 mil. Os cubanos, contratados com a Opas como intermediária, recebem cerca de 30% do valor, já que a maior parte fica com o governo de Cuba; Ciclo de atividades no Brasil dura 2 anos. Após isso, o médico pode renovar o contrato ou voltar para o país de origem; Já no lançamento, Dilma Rousseff afirmou que brasileiros teriam prioridade para ocupar as vagas. Os estrangeiros ficariam com as vagas remanescentes. Entidades médicas protestam contra o programa Mais Médicos Médicos condenam No mesmo dia do lançamento, uma carta assinada pela Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam) condena o Mais Médicos e afirma: "É inaceitável que nosso país, cujo governo anuncia sucessivos êxitos no campo econômico, ainda seja obrigado a conviver com a falta de investimentos e com a gestão ineficiente no âmbito da rede pública". Denúncia de boicote O governo federal anuncia novas regras na entrega de documentação e para o caso de desistência dos candidatos. O motivo: denúncias de boicote ao programa. Médicos fazem paralisação Médicos protestam contra o Mais Médicos em várias capitais do Brasil. Consultas e cirurgias são canceladas nas unidades de saúde. Médicos fazem protesto em várias capitais do país 11% das vagas preenchidas O governo divulga novo balanço e mostra que apenas 11% das vagas foram preenchidas. Faltam mais de 13 mil profissionais para atender municípios. Grupo de médicos cubanos desembarca no Recife Luna Markman e Karina Almeida/G1 Cubanos no país Chegam ao Brasil os primeiros médicos cubanos. Em Fortaleza, há um episódio de cubanos sendo hostilizados ao chegar. Tentativa de fraude O esquema foi revelado em uma operação da Polícia Federal: um grupo era suspeito de fraudar diplomas e documentos de medicina para participar do Mais Médicos. Lei publicada A lei é publicada no Diário Oficial da União. O Ministério da Saúde passa a emitir registros provisórios para profissionais estrangeiros. Sai Alexandre Padilha Arthur Chioro é nomeado como ministro da Saúde. Aumento de salário Ministério da Saúde anuncia aumento no valor repassado para os cubanos, mas eles continuam recebendo menos do que os outros médicos estrangeiros. Em valores da época, os cubanos ganhavam US$ 400 (R$ 940) por mês para trabalhar no Brasil. Com o novo ajuste, eles passaram a ganhar US$ 1.245 por mês (quase R$ 3 mil). A mudança ocorre após denúncias do Jornal Nacional. Cubanos do "Mais Médicos" vão passar a receber um salário maior Arthur Chioro, ministro da saúde no governo Dilma Mateus Rodrigues/G1 e Karina Almeida/G1 Novo edital Novo edital, apresentado pelo Ministro da Saúde da época, Arthur Chioro, divulga 4.146 vagas para o programa - 95% para brasileiros. No interior, aumenta a cobertura O Profissão Repórter visita cinco estados para saber como estão trabalhando os médicos estrangeiros. Em Serra do Ramalho, na Bahia, só 38% do município tinha cobertura do programa Saúde da Família. Com a chegada dos médicos de Cuba, o índice chegou a 98%. Profissão Repórter visita estrangeiros do programa Mais Médicos Mais 11 anos Com 2 anos de programa, o ministro Arthur Chioro prevê que médicos estrangeiros continuem no Brasil até 2026. Ele apresenta balanço: 18.240 médicos atuavam no programa, sendo 11.429 cubanos contratados via convênio com a Organização Pan-americana da Saúde (Opas), 1.537 formados no exterior e 5.274 brasileiros. Marcelo Castro assume ministério da Saúde Karina Almeida/G1 Chioro fora Dilma informa a Arthur Chioro que ele deixará Ministério da Saúde. Marcelo Castro assume no lugar. Médicos abandonam postos em Guarujá Prefeitura de Guarujá/Karina Almeida/G1 Cubanos somem Médicos contratados pelo programa largam postos em Guarujá, no estado de São Paulo, e partem para viver nos Estados Unidos. O nome dos profissionais não é revelado. Ricardo Barros foi ministro da saúde no governo Michel Temer NBR/Karina Almeida/G1 Dilma afastada e Barros ministro Senado abre processo de impeachment e afasta Dilma Rousseff. Ricardo Barros é nomeado para o Ministério da Saúde do governo Michel Temer. Mais 3 anos Câmara aprova prorrogação do Mais Médicos por mais três anos. Texto segue para o Senado. Prorrogação Senado aprova medida provisória que prorroga o programa. Texto segue para a sanção presidencial em meio à turbulência do processo de impeachment de Dilma. Temer assume a presidência após impeachment Karina Almeida/G1 Temer no poder Senado aprova impeachment de Dilma Rousseff, e Michel Temer assume a presidência do Brasil. Temer prorroga O presidente Michel Temer assina lei que prorroga o Mais Médicos por mais 3 anos. O texto havia sido enviado para o Congresso como medida provisória ainda no governo de Dilma Rousseff. Ricardo Barros, ministro da saúde de Temer Karina Almeida/G1 Menos cubanos O ministro da Saúde Ricardo Barros diz que pretende reduzir o número de médicos cubanos no Mais Médicos. Ele aponta uma redução de 35% entre os profissionais do país. Levantamento no JN Jornal Nacional divulga levantamento do Ministério da Transparência que aponta que muitas prefeituras usam o Mais Médicos para demitir médicos que já trabalham e reduzir custos. Prefeituras usam Mais Médicos para cortar gastos, diz levantamento Barros ao lado de médicos do Mais Médicos Karina Almeida/G1 Atraso de salário Salário de 700 médicos é atrasado. De acordo com o Ministério da Saúde, o atraso aconteceu devido a erros no preenchimento dos dados dos médicos no sistema administrativo. Mais brasileiros Governo anuncia que participação dos brasileiros no Mais Médicos cresceu 44%. Cubanos pedem para ficar Com a preferência do governo Michel Temer por médicos brasileiros, profissionais cubanos entram na Justiça por direito a salário integral e pedido para ficar no Brasil. STF mantém regras Por 6 votos a 2, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou o programa Mais Médicos, lançado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff. No julgamento, a Corte analisou duas ações apresentadas por entidades de classe do setor que contestavam várias disposições, entre elas as que dispensam a revalidação do diploma de profissionais estrangeiros e que preveem salários menores para participantes cubanos. Cuba decide sair do programa TV Redes Mares/Karina Almeida/G1 Cuba sai do programa Cuba decide sair do programa e cita declarações de Bolsonaro. O governo do país citou "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no Brasil. "O Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde [Opas] e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam a iniciativa", diz a nota do governo. Governo de Cuba anuncia a saída do programa Mais Médicos O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou pelo Twitter que o governo cubano não aceitou as condições estabelecidas para manter o programa Mais Médicos. “Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos à aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou”, escreveu. Initial plugin text
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15/11 - ‘Meu marido sofre de obsessão sexual – devo perdoá-lo?'
Mulher conta como ficou sabendo da vida sexual secreta do homem com quem vivia há mais de 20 anos e com quem tinha dois filhos. KAREN CHARMAINE CHANAKIRA/BBC Há quem duvide que exista vício em sexo, mas com certeza existem pessoas que tiveram suas vidas afetadas por comportamentos sexuais compulsivos. A jornalista Sangita Myska, apresentadora do podcast da BBC Viciados em Sexo, entrevistou algumas dessas pessoas: uma delas é uma mulher que, após 20 anos de casamento, descobriu que seu marido tinha uma vida secreta. Abaixo, contamos sua história por meio da transcrição de sua entrevista à BBC. Ela pediu que seu nome não fosse revelado. "Sempre pensei que tinha um casamento bastante normal. Nós namoramos por alguns anos, depois nos casamos e ficamos juntos por duas décadas. Tivemos filhos. Meu marido era um homem de negócios bem sucedido, que viajava bastante a trabalho. Eu ficava muito em casa, sozinha, cuidando das crianças. Ele voltava nos finais de semana. Sempre achei que tínhamos uma relação normal. Ele parecia feliz quando estava em casa. Eu não tinha noção do que estava acontecendo. Então um dia precisei entrar em seu escritório para procurar alguma coisa. Seu notebook estava aberto. Eu nunca tinha olhado nada no computador dele, mas a tela estava aberta em seus e-mails, e vi uma mensagem que mostrava uma reserva em um hotel em Londres. A reserva estava marcada para um dia depois que eu tinha planejado sair com uns amigos, de férias. Pensei: 'Isso é estranho. Por que ele reservou um quarto de hotel?' Não conseguia entender. Passei todo o dia pensando sobre o que eu tinha visto. Mais tarde, quando eu fui deitar, aquilo ainda estava na minha cabeça. Tomei coragem e perguntei a ele sobre aquela reserva de hotel. E ele não respondeu. O silêncio dele me mostrou que havia algo terrivelmente errado. Pareceu uma eternidade. Depois do que achei ser meia-hora, mas talvez tenha sido apenas dois minutos, eu me levantei e perguntei: 'O que está acontecendo?'. KAREN CHARMAINE CHANAKIRA/BBC Não me recordo exatamente quais foram as palavras dele, mas basicamente ele se desculpou e disse que estava se encontrando com outra pessoa. Nesse ponto, peguei meu roupão e saí do quarto, descendo as escadas. Eu não podia mais ficar no mesmo quarto que ele. Comecei a chorar. Logo depois, ele desceu e se sentou na minha frente. Disse o quanto ele estava arrependido. Ele contou que havia começado a frequentar clubes de striptease há algum tempo e que havia conhecido uma dançarina, e acabaram ficando próximos. Ele disse que havia reservado o quarto porque iria encontrá-la, a fim de levar o relacionamento adiante. Perguntei se eles já havia feito sexo. Negou, dizendo que havia algumas "provocações", mas nada mais do que isso. Eu queria acreditar nele. Acho que estava absolutamente desesperada para acreditar nele. Eu estava terrivelmente triste, mas pensei: 'ok, podemos superar isso, ele é apenas um homem de meia-idade em um momento de loucura. Vamos passar por isso'. Como eu iria passar alguns dias fora com meus amigos, pensei que poderia ser um bom momento longe dele para processar meus pensamentos. Não contei nada a meus amigos, queria guardar essa história comigo mesma. Foram dias muito, muito difíceis: não conseguia dormir nem comer direito. Olhando para trás, não sei como consegui passar por aquilo. Quando voltei para casa, conversamos bastante. Chorei muito. Mas a verdade é que sempre achei coincidência demais o fato de eu encontrar um e-mail de um hotel pouco antes de uma relação sexual se concretizar. Foi mais que mera coincidência. Então, duas ou três semanas depois de ler o e-mail, eu o pressionei a me olhar nos olhos e dizer se ele realmente não havia feito sexo com aquela mulher. Ele não conseguiu mentir. Admitiu que eles tinham transado e que esse relacionamento já durava algumas semanas ou meses. KAREN CHARMAINE CHANAKIRA/BBC Olhei para aquele homem que eu conhecia há anos e pensei: 'Como você pode esconder isso? Como nunca percebi que havia algo errado?' Não conseguia entender como o homem que eu conhecia há décadas tinha feito aquilo, era algo que não soava verdadeiro para a pessoa que eu conhecia. Então comecei a vasculhar todos os e-mails dele. Encontrei outras reservas de hotel. Voltei alguns anos na caixa de e-mails e achei outras reservas que não correspondiam à data em que, segundo ele, tinha conhecido a dançarina. O ponto de virada aconteceu quando um dia saímos para caminhar. Eu disse a ele: 'Preciso saber tudo. Vou continuar te pressionando porque acho que não sei de tudo'. Ameacei olhar todos os extratos bancários e todos os e-mails dele. Disse que eu realmente precisava saber a verdade. Ele respondeu: 'Você tem certeza que quer seguir por esse caminho?' E eu pensei: 'Oh, não, há muito mais do que já descobri'. Mas eu não tinha ideia do que ele iria me dizer e que seria tão devastador para mim. Ele transava com prostitutas durante todo o nosso casamento. Ele também contou que assistia a muitos filmes pornôs, por horas a fio. E que frequentava clubes de striptease, clubes de sexo e cinemas pornôs quando viajava para o exterior. Eu não falei mais nada. Um ou dois amigos notaram que eu estava muito quieta e perguntaram se eu estava bem. Eu dava alguma desculpa: 'só estou cansada; não tenho dormido muito bem; deve ser a menopausa; minha mãe não tem passado muito bem'. Eu estava com vergonha do que aconteceu. Imaginava o que as pessoas pensariam quando eu contasse a elas, o que pensariam dele e de mim. Presumi que as pessoas julgariam nosso casamento como algo falso. Também senti que poderiam pensar que eu não era boa suficiente para ele, que não era bonita nem sexy o suficiente. Sempre fui uma pessoa relativamente confiante. Não era o tipo de mulher que fazia as unhas todas as semanas nem colocava botox. Sou uma mulher de meia-idade, um pouco acima do peso, estou ficando velha, ganhando rugas, mas achei que era algo normal para minha idade. Essa história destruiu minha autoestima. Eu questionava se eu era uma pessoa divertida para estar com ele. Comecei a usar mais maquiagem e me certificar que eu parecia bem. Perdi alguns quilos - demorei bastante tempo para voltar a comer normalmente. Comprei novas roupas, fiz o cabelo mais vezes e coloquei botox. KAREN CHARMAINE CHANAKIRA/BBC Mas eu também pensava que havia algo de errado com a psique do meu marido - alguma doença. Achava que ele precisava de ajuda, e que essa era eu quem deveria dar. Quando fui a uma clínica, me explicaram que o comportamento dele era provavelmente o de um viciado em sexo. Acreditei naquilo e pensei: 'Ótimo, existe um rótulo, é isso, ele é doente. Há algo de errado com ele'. Eu queria acreditar naquilo, porque eu sempre poderia dizer para mim mesma: 'Não, você não tinha o que fazer, essas coisas iriam acontecer de qualquer jeito'. Mas um dia ele voltou de uma sessão de aconselhamento e disse que não tinha certeza se era viciado em sexo ou se tinha apenas feito más escolhas. Achei isso muito difícil de ouvir e fiquei mal por alguns dias. Quando começamos a terapia, lembro claramente de ele dizer que, antes de eu descobrir tudo, a vida dele era como estar em um túnel escuro segurando um segredo, tentando escondê-lo de mim, mentindo. Ele disse que agora podia ver uma luz no fim do túnel. Lembro de olhar para ele e pensar: 'Isso é ótimo para você, mas agora eu sou a única a viver na escuridão total. Tudo para mim agora é sombrio, e estou mantendo esse segredo, não posso contar para ninguém o que está acontecendo'. Senti o quanto aquilo era injusto comigo. Não quero contar minha história para as pessoas porque não quero ser julgada. Por exemplo, eu estava assistindo a Ryder Cup (competição de golfe entre Europa e Estados Unidos) e vi o Tiger Woods (um dos maiores jogadores de golfe da história, acusado de ter várias amantes enquanto era casado). Ele estava com a namorada. Fiquei imaginando o que as pessoas pensavam dela: 'Olha, essa é a mulherzinha dele, o capacho. Ele provavelmente pisa nela. Ela sabe que ele é viciado em sexo, que ele não respeita as mulheres'. Pessoas julgam pessoas. De várias maneiras meu casamento hoje é melhor do que antes. Parece uma loucura dizer isso. Mas passamos muitos meses indo para a terapia de casal. Estamos muito mais abertos um com o outro. Conversamos muito mais e, atualmente, temos falado sobre nossos sentimentos, não apenas sobre o que estamos fazendo hoje ou o que planejamos fazer no futuro. Realmente falamos sobre sentimentos, tantos os bons como os ruins. Ainda há algumas ocasiões em que fico abatida, mas, na maioria das vezes, sinto que nosso casamento está em equilíbrio e que emocionalmente também estou em equilíbrio. Como eu consegui perdoá-lo? Isso é algo que conversei com os terapeutas. Realmente não sei o que é perdão. Não acho que vou perdoá-lo pela dor que ele causou em mim, algo tão profundo. Não acho que poderia perdoá-lo, mas… Quero ficar com ele, eu o amo. A vida é boa com ele. Isso é perdão? Não sei dizer. Acho que, no fim das contas, estamos bem juntos. Somos bons amigos. Eu ainda o amo, e ele garante que ainda me ama, que sempre me amou. Eu também odiaria que meus filhos descobrissem o que aconteceu. Acho que eles perderiam todo o respeito que têm pelo pai. E minha família adora meu marido. Se você o conhecesse, também iria adorá-lo. Ele não parece ser a pessoa que faria o que fez. Ele seria a última pessoa que eu suspeitaria de fazer algo tão estúpido quanto o que ele fez."
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15/11 - Parkinson: cantar diminui estresse e melhora funções motoras
Ocupando o segundo lugar entre as doenças neurodegenerativas no mundo, ele afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos. Se cantar não espanta todos os males, pelo menos alivia alguns sintomas. Pesquisadores da Iowa State University comprovaram que, além de aumentar a capacidade respiratória e o controle da deglutição, o canto também traz benefícios para o estado de espírito e as funções motoras de pacientes com Doença de Parkinson. O estudo ainda apontou para a redução de sinais fisiológicos de estresse. Embora tenha feito a ressalva de que são dados preliminares, a professora Elizabeth Stegemöller afirmou que a melhora observada é comparável ao resultado obtido com medicamentos – ela apresentou o trabalho na conferência anual da Sociedade para a Neurociência, realizada no começo do mês. Doença de Parkinson: a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 1% da população acima dos 65 sofra com a enfermidade RIDC/NeuroMat - https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=63906615 O trabalho é pioneiro por ter monitorado indicadores como batimentos cardíacos, pressão arterial e nível de cortisol – hormônio relacionado ao estresse – dos participantes antes e depois das sessões de cantoria, que tinham a duração de uma hora. Todos diziam estar se sentindo menos ansiosos e tristes. Os estudiosos agora se empenham em medir outros indicadores relacionados ao bem-estar, como o nível de oxitocina, hormônio ligado à sensação de prazer. Essa é uma ótima notícia, considerando que a expectativa é de que a prevalência da Doença de Parkinson vá dobrar nos próximos 20 anos. Para quem quiser conferir, há um vídeo de 2017 de uma sessão comandada pela professora. O Parkinson ocupa o segundo lugar entre as doenças neurodegenerativas no mundo. Afeta a capacidade do cérebro de controlar os movimentos, levando a tremores, rigidez muscular, lentidão de movimentos e alterações de marcha e equilíbrio. Normalmente começa a se manifestar por volta dos 60 anos, é mais comum entre os homens e o risco de desenvolvê-lo aumenta com a idade: a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 1% da população acima dos 65 sofra com o problema. No Brasil, a Rede Amparo é uma das entidades que reúne doentes, familiares, cuidadores e profissionais de saúde para melhorar a qualidade de vida das pessoas que convivem com a enfermidade. Para fechar, voltando à questão de soltar a voz. Em São Francisco, nos Estados Unidos, um programa de corais para idosos tem se mostrado eficaz para reduzir a solidão. Trata-se de uma iniciativa da prefeitura, em parceria com o San Francisco Community Music Center, que foi monitorada entre 2012 e 2015 por pesquisadores da Universidade de Califórnia. O repertório foi idealizado para atender ao gosto e às habilidades dos participantes, que inclusive fazem apresentações. Durante o período do estudo, os idosos se submeteram a testes de memória, coordenação e equilíbrio, além de responder a questionários sobre seu estado de bem-estar. Entre aqueles que haviam se engajado na atividade há pelo menos seis meses, houve melhora significativa em relação ao interesse pela vida, e o mais relevante é que os 12 corais criados na ocasião continuam ativos! Mariza Tavares Arte/G1
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14/11 - São Paulo e Bahia são os estados que perderão maior número de cubanos do Mais Médicos
O governo de Cuba anunciou nesta quarta-feira que decidiu sair do programa social. Paulistas têm 16% dos médicos cubanos estabelecidos. Veja mapa com distribuição dos profissionais por estado. Os estados de São Paulo e da Bahia têm o maior número de cubanos atuando pelo Mais Médicos e, por isso, são os que mais perderão médicos com o fim acordo. O governo de Cuba anunciou a retirada do programa nesta quarta-feira (14), citando "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos cubanos no Brasil. Cubanos atuando no programa Mais Médicos no Brasil Alexandre Mauro/G1 O estado de São Paulo tem 16% de todos os médicos. A Bahia, quase 10%. Eles devem perder a maior quantidade absoluta de profissionais, mas a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e o Ministério da Saúde ainda deverão fazer um relatório de impacto no Brasil. Não necessariamente os paulistas e os baianos deverão sofrer mais com o fim do programa: estados do Norte e Nordeste já apresentam uma menor quantidade de médicos pelo Sistema Único de Saúde, um dos motivos da criação do programa em 2013. Vale lembrar que, desde a chegada de Michel Temer ao governo, o Ministério da Saúde busca uma diminuição no número de médicos estrangeiros no programa. Os cubanos representam 45% dos 18.240 profissionais que trabalham no Mais Médicos atualmente. A saída A decisão de saída do programa Mais Médicos foi anunciada pelo governo de Cuba nesta quarta-feira. O país tem uma parceria com a Opas, que estabeleceu o acordo com o Ministério da Saúde brasileiro para enviar profissionais do país. O acordo foi estabelecido há 5 anos pelo governo de Dilma Rousseff. "O Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde [Opas] e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam a iniciativa", diz a nota do governo. O comunicado não diz a data em que os médicos cubanos deixarão de trabalhar no programa. A Opas disse apenas que foi comunicada da decisão por Cuba e informou o Ministério da Saúde. Sem dar mais detalhes, disse que está analisando a melhor forma de realizar a operação. Expulsão pelo Revalida Em agosto, ainda em campanha, Bolsonaro declarou que ele "expulsaria" os médicos cubanos do Brasil com base no exame de revalidação de diploma de médicos formados no exterior, o Revalida. A promessa também estava em seu plano de governo. Fora do Mais Médicos, os formados no exterior não podem atuar na medicina brasileira sem a aprovação no Revalida. Mas no caso do programa federal, todos os estrangeiros participantes têm autorização de atuar no Brasil mesmo sem ter se submetido ao exame. Após a decisão do governo cubano, Bolsonaro se manifestou pelo Twitter dizendo: "Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou." Bolsonaro disse ainda que "além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos". O presidente eleito acrescentou que "Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares". "Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável!", escreveu no Twitter. Initial plugin text Initial plugin text
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14/11 - Mães já infectadas pelo vírus da dengue têm maior risco de ter bebês com zika grave, diz estudo
Outra pesquisa mostra o inverso: testes em roedores que já tiveram zika mostram uma infecção posterior de dengue mais grave. Artigos foram publicados na revista 'Cell Host & Microbe'. Imagem microscópica mostra células dentro da placenta infectadas pelo zika Mehul Suthar e Matt Zimmerman/Emory University Dois estudos inéditos trazem evidências de que mulheres previamente infectadas pelo vírus da dengue têm uma maior chance de ter filhos com consequências graves da infecção pelo zika – e vice-versa. As pesquisas foram publicadas nesta quarta-feira (14) na revista científica "Cell Host & Microbe". Os vírus da zika e o da dengue são transmitidos com a ajuda do mosquito Aedes aegypti – são endêmicos no Brasil, com maior número de casos de suas respectivas doenças no verão. Eles são do mesmo gênero flavivírus. A ciência ainda busca criar uma vacina segura para proteger contra as duas infecções. Mosquito Aedes Aegypti é alvo de campanha em todo país para combater dengue, chikungunya e zika Paulo Whitaker/Reuters Estudos anteriores mostraram que, em alguns casos, o vírus da zika consegue ultrapassar o tecido da placenta da mulher durante a gestação e atingir o feto, causando uma síndrome congênita – um conjunto de problemas que atingem o bebê, como a microcefalia. As células de Hofbauer, mais numerosas no ínicio da gravidez na placenta da mãe, são os alvos do vírus da zika. Mehul Suthar, da Universidade Emory, em Atlanta (EUA), lidera uma das pesquisas publicadas nesta quinta. Ele lembra que ainda não está claro como o vírus da zika ultrapassa essa barreira da placenta para chegar ao bebê. Nem qual é o papel dos anticorpos – proteínas de defesa criadas pelo corpo em casos de infecção. Muitas vezes, existem reações cruzadas entre os anticorpos com a chegada de um vírus: uma doença pode ser mais intensa se a pessoa já foi infectada previamente por outro micro-organismo "primo" ou "irmão". Sabendo de tudo isso disso, Suthar e sua equipe da Emory resolveram investigar se a existência de anticorpos da dengue – resultado de uma infecção anterior – aumentaria a chegada do zika às células da placenta da mãe. E eles descobriram que, sim, uma infecção prévia por dengue pode ajudar no acesso da zika às células de Hofbauer. Consequentemente, um maior efeito do vírus sobre o feto durante o desenvolvimento. Como eles fizeram isso? Introduziram os anticorpos da dengue no tecido placentário e analisaram sua relação com o zika. Eles e o vírus se ligaram devido às semelhanças de suas proteínas, mas o estímulo do corpo de proteção contra a dengue não conseguiu barrar o zika. Muito pelo contrário: transportou até as células da placenta. "Nosso estudo revela que os flavivírus têm uma maneira potencialmente única de atravessar a barreira da placenta", disse Suthar. "Essa dependência dos anticorpos mostra um desafio para a prevenção de doenças". Ilustração mostra a estrutura do vírus da zika Kateryna Kon / Science Photo Libra / KKO / Science Photo Library Segunda pesquisa Sujan Shresta, imunologista do Instituto de Imunologia de La Jolla, em San Diego (EUA), é autor do outro artigo publicado com conjunto pela revista. Eles mostram o ponto de vista contrário: pegar antes o zika pode causar uma versão mais grave da dengue. Fihotes de ratos nascidos com mães com anticorpos do vírus da zika são mais propensos a morrer de dengue, mas eram mais protegidos contra a própria zika. "Aqui, a resposta imune atua como uma faca de dois gumes, protegendo contra uma infecção [zika] enquanto aumenta a outra [dengue]", disse Shresta. "Isso significa que devemos ter cuidado ao projetar vacinas, ou podemos prevenir contra uma doença enquanto podemos aumentar as chances de ter outra". Brasil e China Em fevereiro deste ano, pesquisadores brasileiros e chineses publicaram na "The Lancet" evidências que podem parecer conflitantes com as divulgadas agora. Eles apresentaram resultados que apontam que a infecção pelo zika pode imunizar contra a dengue. O estudo do Brasil, com pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), analisou dados coletados em Salvador. As análises publicadas em fevereiro foram feitas sem estudar a relação da transmissão de mãe para filho relacionadas com os vírus. O pesquisador Guilherme Ribeiro, da Fiocruz Bahia, realiza desde 2009 junto com um grupo de pelo menos outros dez cientistas, uma análise dos números de pessoas com doença febril aguda. Segundo ele, até março de 2015, cerca de 25% dos pacientes (484 de 1937) analisados estavam doentes devido à dengue. Essa confirmação ocorria por meio de testes laboratoriais. Nos dois anos seguintes, até 2017, a frequência da dengue foi reduzida para 3% (43 de 1334). O período coincide com a chegada da zika a Salvador. "Esta ideia faz sentido do ponto de vista biológico, porque o vírus da dengue e o da zika são relacionados. São da mesma família, eles têm uma estrutura semelhante, tanto do ponto de vista genético quanto do ponto de vista da estrutura física. Então, pode ocorrer a criação de uma resposta imune, em que os anticorpos da infecção do zika causem uma proteção contra a dengue", disse Ribeiro ao G1 em fevereiro. Além disso, o pesquisador lembrou que os casos de chikungunya, também transmitida pelo Aedes, continuaram ocorrendo e crescendo. O mosquito estava presente nessas regiões – o que descarta a hipótese de que a incidência da dengue tenha diminuído em Salvador por não haver mosquitos na cidade. De qualquer forma, todos os cientistas presentes nos quatro estudos - tanto os de fevereito, quanto os desta quinta-feira – apontam que ainda são evidências que precisam de confirmação. Pesquisas mais completas precisam analisar as relações entre os vírus do mesmo gênero flavivírus, incluindo também o da febre amarela.
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14/11 - Entenda o Sirius, o novo acelerador de partículas do Brasil
Primeira etapa do projeto, que pode revolucionar a pesquisa brasileira, foi inaugurada nesta quarta (14). A primeira etapa do Projeto Sirius, um laboratório de luz síncrotron, foi inaugurada em Campinas (SP) nesta quarta-feira (14). A estrutura, que é uma das mais modernas do mundo, será capaz de analisar diferentes materiais em escalas de átomos e moléculas. Ela pode revolucionar a pesquisa brasileira e internacional em várias áreas, como saúde, agricultura e exploração do petróleo. Os pesquisadores vão começar a trabalhar no laboratório no segundo semestre de 2019, e a conclusão total da obra está prevista para 2020. Veja abaixo como funciona o Sirius. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 Mapa - Onde fica o projeto Sirius Igor Estrella/G1
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14/11 - Sirius inaugura 1ª etapa e diretor vê otimismo na continuidade da obra após troca de governo
Maior estrutura científica do Brasil, localizada em Campinas, vai deixar país competitivo pelos próximos anos, afirma diretor do CNPEM. Presidente Michel Temer acompanhou inauguração. Sirius tem 68 mil metros quadrados de área construída, em Campinas Reprodução/EPTV A primeira etapa da obra do Sirius, laboratório de luz síncrotron de 4ª geração que compõe a maior estrutura científica do Brasil, foi inaugurada nesta quarta-feira (14), em meio ao otimismo pela continuidade dos trabalhos em 2019, após a troca de governo, para início das pesquisas. O investimento total é orçado em R$ 1,8 bilhão. Entenda como funciona o Sirius. Diretor geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e diretor do projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva espera que os R$ 270 milhões previstos no projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) pelo atual governo sejam aprovados sem emendas pela Câmara dos Deputados, uma vez que o valor é o necessário para a conclusão das obras do ano que vem, com abertura do equipamento aos pesquisadores com seis linhas ativas no segundo semestre. Silva mostra otimismo de que o próximo governo mantenha o investimento nas áreas de ciências e tecnologia, principalmente pelo fato de o presidente eleito, Jair Bolsonaro, já ter indicado o futuro ministro da pasta. "O que eu entendo com isso [indicação do Marcos Pontes],é um reconhecimento que o presidente eleito está dando para a área", destaca. "As primeiras declarações do ministro indicado Marcos Pontes é que ele também dá a entender que reconhece a importancia da ciência e tecnologia para o desenvolvimento do país, e com isso a gente fica com a esperança que ele apoie não somente o projeto, mas toda a comunidade de ciência e tecnologia", completa o diretor. Entenda como funciona o Sirius, o Laboratório de Luz Síncrotron Infográfico: Juliane Monteiro, Igor Estrella e Rodrigo Cunha/G1 1ª etapa A inauguração da 1ª etapa teve a presença do presidente da República Michel Temer e do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação, Gilberto Kassab (PSD). Este ano, R$ 70 milhões referentes a uma verba suplementar foram aplicados no Sirius, além da dotação orçamentária. Entenda como funciona o Sirius "Nós estamos neste momento já com o feixe circulando nos dois primeiros aceleradores e montando o terceiro acelerador, que os recursos foram assegurados pra isso. A gente deve, até o final do ano, atingir a energia final no sistema de injeção. E, no início do ano que vem, injetar elétrons no acelerador principal", explica o diretor. Presidente Michel Temer esteve em Campinas para inauguração do projeto Sirius. Fernando Evans/G1 O equipamento extremamente sofisticado com milhares de componentes está sendo montado, e a programação é de que em 2020 o Sirius tenha 13 linhas ativas para pesquisas. O prédio foi projetado para ter entre 600 e 800 pessoas quando estiver na capacidade máxima, e 40 estações experimentais simultâneas. Mapa - Onde fica o projeto Sirius Igor Estrella/G1 "A gente construiu um prédio e um equipamento pensando nas próximas décadas, e não somente no hoje. É um equipamento que vai deixar o Brasil competitivo pelos próximos anos e, portanto, ele tem capacidade de expansão em todas as suas características". Comparado ao Maracanã dos laboratórios pelo presidente Michel Temer e pelo ministro Gilberto Kassab, durante a inaguração, o Sirius, na opinião de Antônio José Roque da Silva, entra em campo "ganhando de goleada". "O Brasil marcou um grande golaço. Eu poderia até brincar aqui. Nesse estádio aqui, o Brasil está ganhando de 7 a 1." Presidente Michel Temer e ministro Gilberto Kassab com cientistas do CNPEM na inauguração do laboratório Sirius Fernando Evans/G1 Atualmente há apenas um laboratório da 4ª geração de luz síncrotron operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. O Sirius foi projetado para ter o maior brilho do mundo entre as fontes com sua faixa de energia. Quando o Sirius estiver em atividade - substituindo a atual fonte de luz usada no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) -, estima-se que uma pesquisa que atualmente é feita em 10 horas nos equipamentos mais avançados do mundo poderá ser concluída em 10 segundos. Maior obra científica do Brasil, Sirius fica no CNPEM, em Campinas (SP) Cesar Cocco Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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14/11 - Cuba decide deixar programa Mais Médicos no Brasil e cita declarações 'ameaçadoras' de Bolsonaro
País manda profissionais para o Brasil desde o início do programa, em 2013 , em meio a polêmica sobre diploma e salários. Na campanha, Bolsonaro disse que expulsaria médicos cubanos com base na prova Revalida. Nesta quarta, afirmou que 'ditadura cubana' demonstra 'irresponsabilidade' e explora seus cidadãos. 'Mais Médicos' chegaram ao Ceará em 2013 com contrato de trabalho de três anos TV Verdes Mares/Reprodução O governo de Cuba informou nesta quarta-feira (14) que decidiu sair do programa social Mais Médicos, citando "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no Brasil. O país caribenho envia profissionais para atuar no Sistema Único de Saúde desde 2013, quando o governo da então presidente Dilma Rousseff criou o programa para atender regiões carentes sem cobertura médica. "O Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde [Opas] e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam a iniciativa", diz a nota do governo. O comunicado não diz a data em que os médicos cubanos deixarão de trabalhar no programa. A Opas disse apenas que foi comunicada da decisão, sem dar mais detalhes. Expulsão pelo Revalida Em agosto, ainda em campanha, Bolsonaro declarou que ele "expulsaria" os médicos cubanos do Brasil com base no exame de revalidação de diploma de médicos formados no exterior, o Revalida. A promessa também estava em seu plano de governo. Fora do Mais Médicos, os formados no exterior não podem atuar na medicina brasileira sem a aprovação no Revalida. Mas no caso do programa federal, todos os estrangeiros participantes têm autorização de atuar no Brasil mesmo sem ter se submetido ao exame. "Nós juntos temos como fazer o Brasil melhor para todos e não para grupelhos que se apoderaram do poder e [há] mais de 20 anos nos assaltam e cada vez mais tendo levado para um caminho que nós não queremos. Vamos botar um ponto final do Foro de São Paulo. Vamos expulsar com o Revalida os cubanos do Brasil", declarou Bolsonaro em pronunciamento realizado em Presidente Prudente (SP). “Qualquer estrangeiro vindo trabalhar aqui na área de medicina tem que aplicar o Revalida. Se você for para qualquer país do mundo, também. Nós não podemos botar gente de Cuba aqui sem o mínimo de comprovação de que eles realmente saibam o exercício da profissão. Você não pode, só porque o pobre que é atendido por eles, botar pessoas que talvez não tenham qualificação para tal”, justificou. Após a decisão do governo cubano, Bolsonaro se manifestou pelo Twitter dizendo: "Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou." Bolsonaro disse ainda que "além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos". O presidente eleito acrescentou que "Cuba fica com a maior parte do salário dos médicos cubanos e restringe a liberdade desses profissionais e de seus familiares". "Eles estão se retirando do Mais Médicos por não aceitarem rever esta situação absurda que viola direitos humanos. Lamentável!", escreveu no Twitter. Initial plugin text Decisão do STF Em novembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou o Mais Médicos e autorizou a dispensa da validação de diploma de estrangeiros ao julgar ações que questionavam pontos do programa federal, como acordo que paga salários mais baixos para médicos cubanos. A atuação dos médicos cubanos no Brasil gera polêmica desde a criação do Mais Médicos. No entanto, o programa contrata profissionais de várias nacionalidades, e não apenas cubanos. No Mais Médicos, pouco mais da metade – 8.556 dos 16.707 participantes – vêm de Cuba, de acordo com dados obtidos pelo G1. Todos os profissionais, independentemente do país de origem, precisam ter diploma de medicina expedido por instituição de ensino superior estrangeira, habilitação para o exercício da profissão no país de origem e ter conhecimento de língua portuguesa, regras de organização do SUS e de protocolos e diretrizes clínicas de atenção básica. Veja pontos do programa Mais Médicos Foi criado em julho de 2013 para ampliar o atendimento médico principalmente em regiões mais carentes. Em agosto de 2013, fechado acordo com a Opas para participação de médicos cubanos. Participação de brasileiros formados no Brasil aumentou 38% entre 2016 e 2017, de acordo com o Ministério da Saúde. Programa tem 18.240 vagas em mais de 4 mil municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Atende cerca de 63 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde. Participação de cubanos no programa tinha sido renovada no início deste ano por mais cinco anos. Levantamento do governo divulgado em 2016 apontou que o programa é responsável por 48% das equipes de Atenção Básica em municípios com até 10 mil habitantes. Em 1.100 municípios atendido pelo programa, o Mais Médicos representava 100% da cobertura de Atenção Básica, de acordo com dados divulgados em 2016. Veja abaixo a íntegra da nota do governo cubano, publicada no jornal "Granma": "Declaração do Ministério da Saúde Pública O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, declarou e reiterou que modificará os termos e condições do Programa Mais Médicos, desrespeitando a Organização Panamericana de Saúde. O Ministério da Saúde Pública da República de Cuba, comprometido com os princípios solidários e humanistas que durante os 55 anos guiaram a cooperação médica cubana, participa desde o inicio de agosto de 2013 no Programa Mais Médicos para o Brasil. A iniciativa Dilma Rousseff, na época presidente da República Federativa do Brasil, teve o nobre propósito de garantir assistência médica para o maior número da população brasileira, em consonância com o princípio da cobertura universal de saúde promovida pela Organização Mundial da Saúde. Esse programa previa a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para atuar em áreas pobres e remotas daquele país. A participação cubana no mesmo é feita através da Organização Pan-Americana da Saúde e se distinguiu pela ocupação de lugares não cobertos por médicos brasileiros ou de outras nacionalidades. Nestes cinco anos de trabalho, cerca de 20 mil colaboradores cubanos atenderam 113.359.000 pacientes em mais de 3.600 municípios, chegando a cobrir um universo de 60 milhões de brasileiros na época em que constituíram 80% de todos os médicos participantes do programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história. O trabalho dos médicos cubanos em locais de extrema pobreza nas favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador de Bahia, nos 34 Distritos Especiais Indígenas, especialmente na Amazônia, foi amplamente reconhecido pelos governos federal, estaduais e municipais daquele país e de sua população, que lhe concedeu 95% de aceitação, segundo estudo encomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais. Em 27 de setembro de 2016, o Ministério da Saúde Pública, em uma declaração oficial, informou perto da data de expiração do contrato e no meio dos eventos relacionados ao golpe de Estado legislativo-judicial contra a presidenta Dilma Rousseff, que Cuba "continuará a participar no acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde para a aplicação do Programa Mais Médicos, desde que mantidas as garantias oferecidas pelas autoridades locais ", o que foi respeitado até agora. O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com refetrências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, disse e reiterou que modificará os termos e condições do Programa Mais Médicos, desrespeitando a Organização Pan-Americana da Saúde e o que esta acordou com Cuba, ao questionar o preparo de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título e como única forma de se contratá-los a forma individual. As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis e violam as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificadas em 2016 com a renegociação da cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e o Convênio de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba. Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença de profissionais cubanos no Programa. Portanto, diante desta triste realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e o comunicou à diretora da Organização Pan-Americana da Saúde e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam essa iniciativa. Não é aceitável questionar a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, prestam atualmente serviços em 67 países. Em 55 anos, 600 mil missões internacionalistas foram realizadas em 164 países, envolvendo mais de 400 mil trabalhadores de saúde, que em muitos casos cumpriram essa honrosa tarefa em mais de uma ocasião. Destacam-se as façanhas da luta contra o ebola na África, a cegueira na América Latina e no Caribe, a cólera no Haiti e a participação de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias "Henry Reeve" no Paquistão , Indonésia, México, Equador, Peru, Chile e Venezuela, entre outros países. Na esmagadora maioria das missões concluídas, as despesas foram assumidas pelo governo cubano. Da mesma forma, em Cuba, 35.613 profissionais de saúde de 138 países foram treinados gratuitamente, como expressão da nossa solidariedade e vocação internacionalista. Os funcionários tiveram seus postos de trabalho e 100% de seu salário em Cuba mantidos, com todas as garantias trabalhistas e sociais, como o resto dos trabalhadores do Sistema Nacional de Saúde. A experiência do Programa Mais Médicos para o Brasil e a participação cubana demonstram que um programa de cooperação Sul-Sul pode ser estruturado sob os auspícios da Organização Pan-Americana da Saúde para promover seus objetivos em nossa região. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde qualificam-no como o principal exemplo de boas práticas na cooperação triangular e na implementação da Agenda 2030 com os seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Os povos da nossa América e do resto do mundo sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais. O povo brasileiro, que fez do Programa Mais Médicos uma conquista social, que contou desde o início com os médicos cubanos, aprecia suas virtudes e aprecia o respeito, sensibilidade e profissionalismo com que o atenderam, poderá entender sobre quem recai a responsabilidade que nossos médicos não podem continuar fornecendo sua contribuição solidária nesse país. Havana, 14 de novembro de 2018".
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14/11 - Quais as funções do pâncreas?
O pâncreas é uma glândula que fica na região do abdômen, atrás do intestino. Você sabe dizer o que o pâncreas faz? E quais os sinais de que alguma coisa não vai bem com ele? O pâncreas é uma glândula que fica na região do abdômen, atrás do intestino. Mede 15 cm, tem formato de folha e é dividido em cabeça, corpo e cauda. O pâncreas tem duas funções principais: produzir enzimas (função exócrina) e produzir hormônios (função endócrina). Para conversar sobre o assunto, o Bem Estar convidou a endocrinologista Cíntia Cercato e o gastroenterologista e hepatologista Luiz Carneiro. Os sintomas de câncer de pâncreas que muitas vezes passam despercebidos Diabetes: os cinco erros mais comuns O pâncreas tem duas funções principais: produzir enzimas e produzir hormônios. Augusto Carlos/TV Globo Função exócrina Faz parte do sistema digestivo. As células produzem o suco pancreático que tem enzimas. Essas enzimas vão quebrar a gordura, proteína e carboidrato para serem absorvidos pelo organismo. Alguns sintomas podem indicar que a função exócrina não está funcionando: Diarreia Cocô com oleosidade e boiando Dor forte na barriga que vai para as costas Náusea Vômito Empachamento Dieta restritiva pode aumentar gordura no fígado? Função endócrina A principal função é controlar a glicose no sangue. Por isso, são produzidos dois hormônios – insulina e glucagon. Biossensor pode indicar o risco de câncer de pâncreas Câncer de pâncreas e pancreatite A pancreatite é a inflamação do pâncreas. Ela ocorre por alguns motivos: Nas mulheres, a principal causa é a pedra de vesícula que se desloca Remédios Vírus Abuso de álcool Já o câncer de pâncreas, diferente da pancreatite, começa num pedacinho e cresce. Por isso, é uma doença silenciosa. O diagnóstico não é tão fácil. Os sinais de alerta são os mesmos da pancreatite. Hábitos saudáveis e ‘cuidar bem’ do pâncreas estão entre os preventivos. Transplante de pâncreas é indicação em alguns casos de diabetes Transplante de pâncreas Não é uma solução comum, mas para quem tem diabetes gravíssima, descontrolada, a única saída pode ser o transplante de pâncreas. O Bem Estar conversou com duas mulheres sobre o assunto, a assistente administrativo Jéssica Freire Francisco e a profissional de educação física Silvia da Rocha Caldas. As duas sofreram com a diabetes tipo 1, doença provocada por uma falha no funcionamento do pâncreas. O órgão é responsável pela produção da insulina, que regula a taxa de açúcar no sangue. “Eles ficaram doentes na infância e adolescência. Quando chegam aos 30, 40 anos, metade deles terão complicações de diabetes. Passamos a entender diabetes 1 na sua forma mais grave”, explica o cirurgião de aparelho digestivo Marcelo Perosa. Na adolescência, a Jéssica não entendia a gravidade da doença e comia o que não podia, como chocolates, leite condensado, e foi internada várias vezes. As consequências foram sérias e graves. “Tive retinopatia diabética. Tive problema cardíaco, insuficiência cardíaca e também começou a afetar os rins”, conta. Ela precisou também de remédios para o coração e sessões de hemodiálise para filtrar do sangue o que o rim já não conseguia fazer. Ela teve indicação de transplante duplo: pâncreas e rim, na mesma cirurgia. A Silvia, na diabetes conhecida como hiperlábil, tinha apagões repentinos. Ela também recebeu um pâncreas. Depois da cirurgia, a diabetes de uma vida inteira não existe mais. “Estou mais forte, com sensação de que posso fazer tudo”. Reveja o programa desta quarta: Bem Estar - Edição de quarta-feira, 14/11/2018
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14/11 - O que a ciência diz sobre a importância de ser parecido com o parceiro para que relacionamento dê certo
Pesquisadores investigam se casais que se parecem são mais ou menos felizes. Um casal de noivos posta durante o eclipse lunar total em Brasília Ueslei Marcelino/Reuters Das muitas espécies monogâmicas encontradas na natureza, como alguns pássaros e peixes, estudos têm mostrado um padrão: pares semelhantes são mais bem-sucedidos na reprodução de sua linhagem. Blog Mariza Tavares: Casar (inclusive de novo) pode ajudar a proteger o coração Pela lógica, essa vantagem evolutiva também poderia ocorrer no caso de humanos. E, de fato, psicólogos e outros especialistas têm defendido há tempos que semelhanças entre casais são provavelmente benéficas, uma vez que os parceiros compartilham dos mesmos valores, objetivos de vida e visões de mundo. No entanto, por mais intuitiva que essa ideia pareça, as tentativas de comprovar cientificamente essa hipótese falharam. Agora uma equipe de psicólogos da Universidade de Amsterdam, na Holanda, acredita ter a resposta. O grupo desenvolveu uma abordagem bem mais sofisticada e mais atenta a nuances do que as pesquisas anteriores. A pesquisa se baseia no modelo dos "Big Five" (ou Os Cinco Grandes Fatores) da personalidade humana. Trata-se de uma teoria comumente aplicada pela psicologia que mede os níveis de cinco características do indivíduo: "extroversão" (extraversion), "neuroticismo" (neuroticism), "agradabilidade" (agreeableness), "conscienciosidade" (consciousness) e "abertura a experiências" (openness). Os resultados mostram que a semelhança entre parceiros realmente importa - especialmente na característica de "agradabilidade" -, mas que, em alguns casos, a "combinação perfeita" não é a que traz maior bem-estar ao casal. Sobre o quanto essas semelhanças afetam os relacionamentos, a pesquisadora-chefe Manon van Scheppingen e seus colegas explicam que quase todas as pesquisas anteriores tiveram uma abordagem do "tudo ou nada", sem levar em conta algumas questões mais sutis. Por exemplo, o senso comum sugere que, se ambos os parceiros têm alta "conscienciosidade" (ligada à autodisciplina), a semelhança nesse caso é benéfica. Mas se um dos cônjuges tem um nível mais baixo dessa característica, segundo a especialista, talvez seja melhor para o relacionamento que o outro tenha o traço mais acentuado, promovendo uma espécie de efeito compensatório benéfico para o casal. Semelhança e bem-estar A equipe de Van Scheppingen analisou informações como traços de personalidade, bem-estar e satisfação de milhares de casais americanos em relacionamento duradouros. Eles levaram em conta a pontuação relativa dos indivíduos em cada um dos cinco traços de personalidade básicos. Assim como em outras pesquisas, esse grupo mostrou que o mais importante no bem-estar do casal é o efeito direto da personalidade de cada um. Ou seja, indivíduos tendem a ser mais felizes se o parceiro ou ele próprio for mais agradável, colaborativo e menos neurótico (o que é consistente com o que se sabe da correlação entre traços de personalidade e níveis de felicidade). No entanto, ao contrário de pesquisas anteriores, isso não conta a história toda. A equipe descobriu que a comparação entre os níveis das características do casal também pesa de forma moderada, mas relevante. Ou seja, uma combinação muito perfeita das características geralmente não é benéfica. Por exemplo, ter o mesmo nível de extroversão que o parceiro ou parceira não é o ideal para o bem-estar do casal - o mais adequado é que um seja mais extrovertido do que o outro. Casais com baixa conscienciosidade também podem encontrar dificuldades - o ideal é que pelo menos um deles tenha um nível relativamente alto do traço. A exceção, apenas no caso das mulheres, é a agradabilidade: um traço associado a confiar no outro e ter mais empatia. A maior similaridade com o parceiro é vista como a situação ideal, de forma que ela sinta mais apoio no relacionamento. Um fator menos decisivo, mas que afeta ambos os sexos, é o grau de semelhança para "abertura": um traço associado a aproveitar novas experiências e apreciar arte e cultura. Van Scheppingen e sua equipe acreditam que essa semelhança seja benéfica porque a abertura tem relação com valores e política (quanto maior a abertura, mais forte a sua orientação liberal, por exemplo). A semelhança, dessa forma, poderia garantir "menos conflitos nas visões e ações dos cônjuges, o que poderia promover mais bem-estar na relação", escreveram os pesquisadores. Semelhança e duração Um artigo de 2013 avaliou a semelhança de casais e a duração dos relacionamentos. Sem dúvida, a longevidade da relação é uma medida mais objetiva do que a percepção de bem-estar e a sensação de apoio do parceiro. Beatrice Rammstedt, do Instituto Gesis Leibniz para Ciências Sociais na Alemanha, aplicou quase cinco mil questionários de personalidade de casais alemães e os acompanhou por cinco anos. Sua equipe descobriu que os casais que eram mais parecidos em traços de abertura tinham mais chances de permanecer juntos. Esses não são os únicos estudos que revelam algum benefício na semelhança dos casais. Uma pesquisa publicada em 2017 no Journal of Research in Personality mostrou que mulheres se beneficiam quando os níveis de abertura são semelhantes aos de seus parceiros - a situação ótima era quando ambos tinham níveis moderados de abertura. Outra pesquisa do mesmo periódico descobriu que a semelhança entre casais era útil no caso de indivíduos ansiosos por vínculo - aqueles que temem ser abandonados. Outros fatores para além dos traços de personalidade são relevantes. Paulina Jocz e sua equipe da Universidade de Varsóvia mostraram, por exemplo, que casais são mais felizes se compartilham do mesmo cronotipo - ou seja, se são ambos diurnos ou noturnos. Os casais demonstraram mais satisfação sexual, inclusive, se se assemelham em que período do dia ou da noite preferem fazer sexo. Outro estudo mostrou que as mulheres eram mais felizes em seus relacionamentos quando compartilhavam da mesma orientação política que seus parceiros. E tanto homens quanto mulheres eram mais satisfeitos se o casal desse o mesmo peso a valores como liberdade e independência. Esses estudos buscam comparar a semelhança de companheiros da forma mais objetiva possível. Mas claro que as percepções subjetivas e o sentimento pelo parceiro são tão importantes quanto - talvez até mais. Com relação a isto, psicólogos têm analisado a sensação de compartilhar a identidade com seu parceiro ou sua parceira, ou o que Courtney Walsh e Lisa Neff, da Universidade do Texas, em Austin, chamam de "fusão de identidade". Em um experimento que estuda os recém-casados, elas descobriram que os indivíduos que sentiam um senso de identidade compartilhado com o do cônjuge tendiam a ter mais confiança no relacionamento e a lidar de maneira mais construtiva com as turbulências conjugais. Seria interessante saber como as percepções de uma identidade compartilhada interagem com a semelhança entre casais. Afinal, se for possível chegar a um nível de companheirismo em que você e seu parceiro se tornaram um, parece provável que as questões de semelhança e diferença se tornarão secundárias.
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14/11 - Como estas bolinhas para lavadora de roupas podem reduzir a contaminação dos oceanos
Microfibras plásticas ameaçam transformar os oceanos em 'sopas de plástico'. Felizmente, a tecnologia pode ajudar. A Cora Ball retém até um terço das microfibras que se desprendem das roupas durante a lavagem Luke McSweeney/Divulgação A contaminação dos oceanos - e de outros ecossistemas - com plástico e pequenas partículas de materiais sintéticos preocupam cada vez mais. Será que a tecnologia poderia ajudar a resolver este problema? Em outubro de 2009, a instrutora de windsurfe Rachael Miller estava ajudando a limpar uma ilha na costa do Maine, no nordeste dos EUA, que tinha sido atingida por uma forte tempestade. "Encontramos a praia repleta de detritos", ela recorda. Em sua maioria, os dejetos eram provenientes de equipamentos de pesca feitos de plástico. Seu marido estava indignado. "Lixo marinho é uma das poucas coisas que me deixam realmente irritado", disse ele. Foi ali que Miller, que tinha estudado arqueologia subaquática, decidiu fazer algo mais para evitar que os resíduos plásticos chegassem ao oceano. Nos anos seguintes, ela se dedicou a desenvolver um dispositivo que batizou de Cora Ball, uma bolinha feita de borracha reciclada com 10 centímetros de diâmetro, cuja estrutura imita a de algumas espécies de corais dos oceanos. À venda desde abril, ele captura pedacinhos minúsculos de microfibra, que se soltam da nossa roupa durante a lavagem na máquina - aqueles "pelinhos" que aparecem quando você deixa cair uma camiseta escura na máquina repleta de roupas claras, por exemplo. 'Grande sopa de plástico' Imogen Napper, pesquisadora de ciências marítimas da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, afirma que até 700 mil partículas de microfibra podem se desprender em uma lavagem de roupas doméstica. Muitas dessas fibras, que podem medir até três micrômetros (a milésima parte do metro), são pequenas demais para serem eliminadas pela rede de tratamento de esgoto e vão parar nos oceanos. Um único metro cúbico de água do mar pode conter até 100 mil destas partículas, a depender do local. Parte desse material acaba sendo ingerido pela fauna marinha - um dos caminhos pelos quais as micropartículas "voltariam" para os seres humanos. Nesse sentido, Lisbeth Van Cauwenberghe, da Universidade de Gante, na Bélgica, afirma que podemos estar ingerindo 11 mil partículas de plástico por ano somente ao comer frutos do mar. Mais de dois terços das espécies de peixe à venda em mercados da Califórnia (EUA), por exemplo, contêm algum tipo de microfibra, ressalta Chelsea Rochman, professora de ecologia aquática da Universidade de Toronto (Canadá). Rachael Miller, fundadora da empresa Cora Ball, se dedica a evitar a contaminação por microplástico dos oceanos David A. Seaver/Divulgação Além do contato com a fauna, as micropartículas podem ainda "se grudar" a contaminantes orgânicos também presentes nos oceanos e criar uma amálgama com efeitos bastante danosos para o meio ambiente marinho. Assim, junto com outras fontes de contaminação dos oceanos, nossas roupas estariam convertendo os mares em uma "grande sopa de plástico", resume Napper. Esse é um problema que tem chamado cada vez mais atenção - não à toa, antes mesmo do lançamento, em 2017, a Cora Ball tinha 15,5 mil encomendas no site de crowdfunding Kickstarter. O produto, contudo, que retém entre um terço e um quarto das microfibras que se desprendem das roupas em uma lavagem, é apenas uma dentre várias invenções desenvolvidas por pequenas empresas que trabalham para manter os microplásticos longe dos oceanos. Segundo a pesquisadora Imogen Napper, as microfibras têm grande impacto negativo no meio ambiente Arquivo pessoal A bolsa GuppyFriend Outras duas pessoas que trabalham para manter as microfibras fora do mar são Alexander Nolte e Oliver Spies, ambos surfistas amadores que moram em Berlim, na Alemanha. Os dois inventaram uma bolsa para a máquina de lavar roupas chamada GuppyFriend. O invólucro acomoda a roupa durante a lavagem de forma que solte menos fibras plásticas - e também segura as que se soltam, diz Nolte. "Se a bolsa estiver com roupas feitas de tecidos sintéticos, 86% menos de fibras se soltam. E as que saem ficam retidas na bolsa", afirma. A bolsa GuppyFriend recolhe parte das microfibras que se soltam durante uma lavagem GuppyFriend Da mesma forma que a Cora Ball, os dois começaram com uma campanha de crowdfunding, que foi encerrada em dezembro passado. A princípio, os dois achavam que a bolsa era uma "ideia bem divertida" e que podiam levá-la ao mercado muito rapidamente, diz Nolte. "Mas nós estávamos enganados." O maior desafio, disse, era permitir que o tecido da bolsa tivesse o tamanho correto para deixar entrar a água, mas sem permitir que as microfibras saíssem. "É bastante fácil fazer uma bolsa, mas fazê-la de forma que reduza a liberação de fibra é algo que requer alta tecnologia", conta. Filtrando os esgotos Na Dinamarca, 60% de todo o lodo dos esgotos é "usado na agricultura", segundo Lars Monster, do grupo KD, uma companhia de tecnologia de águas residuais da cidade de Vejle, no sul do país. Os restos sólidos do processo de tratamento de esgoto são distribuídos nas lavouras, para serem usados como fertilizante. O problema é que o plástico presente no lodo, dessa forma, também acaba entrando na cadeia alimentícia. A maioria das estações de tratamento de esgoto não foi planejadas para eliminar as microfibras, em grande parte porque a legislação atual não o exige. Assim, a empresa para a qual Monster trabalha desenvolveu uma nova tecnologia de filtragem que pode eliminar até 90% dos microplásticos do lodo. A expectativa é que esta taxa chegue a 96% em breve. O objetivo final é reciclar todos os plásticos retirados do lodo, diz Monster, e "chegar ao ponto em que os microplásticos sejam um recurso".
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14/11 - Pesquisadores descobrem associação entre trauma na infância e problemas psicológicos após câncer
Trabalho da Unesp de Araçatuba pode ajudar no tratamento da doença. De acordo com o trabalho, quem sofreu trauma na infância teve 12 vezes mais chances de desenvolver problema psicológico após diagnóstico de câncer. Pesquisa feita pela Unesp de Araçatuba pode ajudar no tratamento do câncer Uma pesquisa feita na Unesp em Araçatuba (SP) pode ajudar o trabalho das equipes que acompanham os pacientes que estão em tratamento do câncer. A pesquisa foi feita em pacientes com câncer de boca e pescoço ao longo de cinco anos. Os pesquisadores descobriram que quem sofreu algum trauma na infância teve 12 vezes mais chances de desenvolver um problema psicológico depois de receberem o diagnóstico de câncer. Bruna Amélia Moreira Sarafim é psicóloga e aluna de mestrado da Unesp de Araçatuba. Ela analisou a relação dos traumas na infância como fator de risco para desencadear problemas psicológicos em pacientes que descobriram o câncer. "O que observamos é que os pacientes que tiveram sintomas depressivos e ansiedade, eram justamente os pacientes com maior ocorrência com eventos traumáticos durante a infância", diz Bruna. Segundo ela, esse estudo é o primeiro no mundo a relacionar traumas da infância com dados clínicos, comportamentais como o consumo do álcool e cigarro e psicológicos de pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Segundo pesquisa, pacientes que tiveram trauma na infância têm mais chances de ter depressão ao ser diagnosticado com câncer Reprodução/TV TEM A pesquisa, que foi publicada na principal revista científica de câncer dos Estados Unidos, mostra que pacientes que sofreram traumas na infância tiveram 12 vezes mais chances de ter problemas psicológicos depois de descobrirem o câncer. Esse é o caso do marceneiro Edson Arlindo de Moraes. Abandonado pelo pai na infância, o marceneiro teve depressão após o diagnóstico de câncer de boca. “Choca muito porque você leva um impacto muito grande que não sabe a gravidade. O bom ou ruim eu não filtro muito”, diz. Edson foi um dos 110 pacientes acompanhados pela psicóloga durante a pesquisa, que já tem mudado o tratamento oferecido no Centro de Oncologia da Unesp da cidade. “A gente sabe que o diagnóstico do câncer pode trazer ou agravar um quadro depressivo ou de ansiedade, e a gente, muitas vezes, foca no sentimento que tem agora, em decorrência do diagnóstico, com os medos, porém o nosso olhar tem de ser ampliado”, diz a psicóloga do centro Gabrielle Dias Duarte. Daniel Galera Bernabé é o orientador da pesquisa e acredita que o estudo pioneiro é um avanço para a comunidade oncológica do mundo inteiro. “Vamos compreender com maior profundidade como um paciente desenvolve sintomas de depressão e ansiedade e isso tem a ver com o que ele passou na infância. O trauma na infância pode ser fator importante que deve ser trabalhado pelas equipes”, diz. Pesquisa acompanhou pacientes com câncer na cabeça e na boca na Unesp em Araçatuba Reprodução/TV TEM Veja mais notícias da região em G1 Rio Preto e Araçatuba
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13/11 - Contra perseguição de esquerda e de direita, acadêmicos criam revista científica 'anônima'
O novo periódico vai permitir que os pesquisadores publiquem artigos em áreas controversas sob pseudônimo. Para Jeff McMahan, universidade precisa discutir de forma mais aberta John Cairns Um grupo de pesquisadores de várias universidades ao redor do mundo está organizando o lançamento de um novo periódico científico no qual os autores de artigos sobre temas sensíveis ou "polêmicos" poderão publicar os resultados de sua pesquisa protegidos por pseudônimos. Para os líderes da iniciativa, a livre discussão intelectual em assuntos sensíveis está sendo cerceada por uma cultura de medo e de autocensura. A nova revista científica foi batizada de "Journal of Controversial Ideas" (algo como "Periódico das Ideias Controversas", em tradução livre). Será lançada no começo de 2019. Jeff McMahan, professor de filosofia moral da Universidade de Oxford, é um dos organizadores. "(O periódico) permitirá às pessoas cujas ideias podem criar problemas com a direita, com a esquerda ou com as administrações de suas universidades que publiquem sob um pseudônimo", disse. Ele revelou os planos para o novo periódico numa entrevista para o University Unchallenged, um rádio-documentário da BBC Radio 4 sobre diversidade de pontos de vista na academia. "A necessidade de discussões mais abertas é aguda. Há muita inibição nos campi universitários em assumir certas posições, por medo das consequências", disse ele. "O medo vem da oposição sofrida pelos pesquisadores, tanto por parte da direita quanto da esquerda. As ameaças de fora da universidade tendem a vir mais da direita. E as ameaças à liberdade de expressão de dentro da academia costumam vir mais da esquerda", disse ele. Revisão por pares McMahan frisou que a nova publicação, que tratará de várias disciplinas científicas, adotará o procedimento padrão em periódicos do tipo, com revisão por pares. "O processo de avaliação será tão rigoroso quanto o de outros periódicos. O nível de qualidade será mantido", disse. O conselho editorial será composto por estudiosos de várias áreas e em vários países, com representação do pensamento de esquerda e de direita, bem como de intelectuais religiosos e seculares. O objetivo é evitar que o periódico seja identificado com algum ponto de vista específico. A primeira chamada para artigos deve sair em breve. Outros pesquisadores importantes estão participando da iniciativa, como o filósofo australiano Peter Singer e a estudiosa de bioética Francesca Minerva, da Universidade de Ghent (Bélgica). McMahan disse que os responsáveis veem a iniciativa como uma resposta ao "espírito do tempo". "Acredito que todos nós ficaríamos muito felizes se, e quando, a necessidade de um periódico desses desaparecesse. O quanto antes, melhor". "Mas, nas condições atuais, algo deste tipo é necessário", disse. O rádio-documentário University Unchallenged estará disponível no BBC Sounds depois de ir ao ar na noite desta segunda-feira (12).
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13/11 - O que podem ser os óvnis e luzes misteriosas avistados por pilotos de aviões na Irlanda
Pilotos de avião viram objetos que brilhavam muito e voavam muito rápido. Pilotos observaram um objeto voando muito rapidamente pelo céu na costa da Irlanda (imagem ilustrativa) Pixabay A Autoridade Irlandesa de Aviação está investigando relatos de luzes brilhantes e óvnis (objetos voadores não identificados) vistos na costa da Irlanda na semana passada. Na madrugada de sexta-feira, uma piloto da companhia aérea British Airways contatou o controle da tráfego aéreo na cidade da Shannon. Ela queria saber se havia exercícios militares sendo feitos na área porque havia algo se "movendo muito rápido". O controlador de voo disse que não havia exercícios do tipo. A piloto voava de Montreal, no Canadá, para o aeroporto de Heathrow, em Londres. Ela disse que havia uma "luz muito brilhante" e que o objeto não-identificado apareceu à esquerda da aeronave antes de "desviar-se rapidamente para o norte". Ela estava imaginando o que poderia ser, mas afirmou que o óvni não parecia estar em trajetória de colisão com o avião. Outro piloto da companhia Virgin também relatou ter visto óvnis e sugeriu que poderiam ser meteoros ou outros objetos entrando na atmosfera da Terra. Ele disse que havia "múltiplos objetos seguindo o mesmo tipo de trajetória" e que eles eram muito bilhantes. O piloto diz que viu "duas luzes brilhantes" à sua direita, que se afastaram com alta velocidade. Segundo ele, a velocidade era "astronômica, algo como um Mach 2" – ou seja, duas vezes a velocidade do som. O que poderia ser? O astrônomo Apostolos Christou, do Observatório e Planetário Armagh, no Reino Unido, disse que os pilotos provavelmente viram pedaços de poeira cósmica entrando na superfície da Terra a uma velocidade muito alta. "Era muito provavelmente o que é popularmente conhecido como estrela cadente", disse ele. "Parece que era extremamente brilhante, então, deve ter sido um pedaço de material bem grande." "Pela descrição dos pilotos não dá para ter certeza, mas deve ter tido o tamanho de uma maçã." O que os pilotos viram era provavelmente um meteoro, diz astrônomo Heinz-Peter Bader/Reuters O astrônomo diz que novembro tende a ser um mês muito ativo para esse tipo de atividade. "Também parece que havia pedaços saindo do objeto e voando perto da aeronave. Isso é o que você espera se uma rocha do espaço particularmente grande entra da atmosfera: ela tende a fragmentar." "Começamos uma investigação após relatos de um pequeno número de aeronaves na sexta sobre atividade incomum no ar", disse a Autoridade Irlandesa de Aviação. Um porta voz do aeroporto de Shannon disse que não era apropriado que o aeroporto comentasse o assunto já que há uma investigação da Autoridade Irlandesa de Aviação em andamento.
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13/11 - Estudos expõem ferida psicológica deixada por atentados de 2015 na França
Entre as consequências dos atentados, os entrevistados citaram nesta ordem "o sentimento de medo", "as medidas de segurança reforçadas", "uma ameaça às liberdades individuais" e "uma sociedade dividida". Soldados franceses armados são vistos em frente às pirâmides do Museu do Louvre, em Paris, após atentados que mataram 130 pessoas. REUTERS/Charles Platia/Arquivo Os atentados cometidos por extremistas islâmicos que sacudiram a França em 2015 marcaram profundamente os franceses, tanto no plano da saúde mental como da memória coletiva, atesta um compêndio de estudos publicados nesta terça-feira (13). Em 13 de novembro de 2015, 130 pessoas morreram em uma série de ataques jihadistas em Paris, quando a França ainda estava em choque pelos atentados de janeiro, o pior deles contra o semanário satírico Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos. Batizado de "13 de novembro", o programa da agência Saúde Pública França ilustra as cicatrizes de saúde, psicológicas e sociológicas deixadas por estes massacres. Entre as testemunhas e pessoas diretamente expostas aos atentados de novembro, 39% apresentavam oito meses depois estresse pós-traumático (ESPT), igualmente detectado em 20% das pessoas expostas aos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e em 11% dos afetados no ataque na ilha de Utoya, na Noruega. Destes 39%, quase um em cada dois (46%) declarou não ter se submetido a nenhum tratamento regular com psicólogo ou médico. No que diz respeito aos atentados de janeiro, 18% dos afetados sofriam ESPT e 20%, transtornos depressivos ou de ansiedade, segundo os estudos realizados 6 e 18 meses depois dos acontecimentos com 190 civis (reféns, feridos, testemunhas, familiares e amigos das vítimas). Cinquenta e três por cento deles receberam ajuda psicológica nas primeiras 48 horas, mas o estudo preconiza ampliar este apoio a todos os afetados, visto que os transtornos de saúde mental afetavam 40% deles. Os atentados de 13 de novembro tiveram repercussões para além do círculo mais próximo das pessoas afetadas. Pico nos serviços de emergência Na região de Ile-de-France, onde fica Paris, houve um pico sem precedentes de acessos aos serviços de urgência no dia seguinte aos atentados, seguido de outro no dia 16, sobretudo de pessoas na faixa de 15 a 44 anos. Os dois principais diagnósticos foram estresse pós-traumático e reação aguda ao estresse. Também registrou-se um aumento nas consultas no restante do país. "Fala-se demais" dos atentados Até mesmo para os franceses mais distanciados dos atentados, os ataques tiveram forte impacto. Sete meses depois do 13-N, quase todas as pessoas interrogadas pelo Centro de Pesquisas para o Estudo e a Observação das Condições de Vida (Crédoc) recordavam as circunstâncias precisas em que souberam da notícia, o que se denomina "flash bulb memory" (memória flash). Um quarto dos 2.010 franceses consultados pelo Crédoc afirmou ter um vínculo pessoal com uma vítima ou uma testemunha ou com um dos locais atacados, como o estádio de futebol de Saint-Denis, onde se disputava o jogo França-Alemanha, e sobretudo a casa de shows Bataclan. Os menores de 40 anos, com maior afinidade aos locais alvo dos ataques, parecem ter sido particularmente afetados. Além disso, três em cada quatro franceses asseguraram que precisavam continuar abordando o tema, mas 25% consideraram que se fala demais sobre ele. Entre as consequências dos atentados, os entrevistados citaram nesta ordem "o sentimento de medo", "as medidas de segurança reforçadas", "uma ameaça às liberdades individuais" e "uma sociedade dividida". Paralelamente a estes estudos, os especialistas realizam pesquisas - ainda em curso - para determinar como os atentados afetaram o cérebro das pessoas diretamente expostas.
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13/11 - A desconhecida carta em que Einstein previu os 'tempos obscuros' do nazismo
'Aqui estão sendo gestados tempos obscuros, econômica e politicamente', escreveu o físico para sua irmã mais nova, em 1922. Manuscrito acaba de ser revelado e será leiloado em Jerusalém. Carta manuscrita de Einstein, de 1922, em que fala sobre o antisemitismo e de sua saída de Berlim Kedem Auction House - Jerusalem "Aqui estão sendo gestados tempos obscuros, econômica e politicamente, por isso estou contente de poder ficar longe de tudo isso durante um semestre". Foi esse o relato do físico Albert Einstein para sua irmã mais nova, Maja, em uma carta escrita em 1922, apenas dois anos depois da fundação do partido nazista. O documento acaba de se tornar público. Na mensagem, o físico previa o terror que se avizinhava da Alemanha. Seu amigo Walther Rathenau, de origem judia e então ministro de Assuntos Exteriores alemão, havia sido assassinado pouco tempo antes por alemães antissemitas. O próprio Einstein havia sido advertido pela polícia de que sua vida corria perigo. O cientista se viu, então, obrigado a sair de Berlim. Acabou se mudando para Kiel, no norte da Alemanha – onde, acredita-se, teria escrito a carta para a irmã. Na mensagem, o físico ainda escreveu sobre o perigoso caminho que a Alemanha estava seguindo. Naquela altura, já estavam plantadas as sementes do antissemitismo como política de Estado. "Estou muito bem, apesar de haver antissemitas entre meus colegas alemães", disse para Maja. A carta manuscrita será leiloada nessa terça-feira, em Jerusalém, com preço inicial de 12 mil dólares (cerca de R$ 45 mil) - mas os leiloeiros acreditam que o valor pode alcançar 20 mil dólares (R$ 75 mil). Não é a primeira carta conhecida de Einstein em que o físico alerta sobre os nazistas, mas é a mais antiga. Isso a torna particularmente significativa. Advertências de Einstein sobre o nazismo A carta, revelada há pouco tempo, é a mais antiga já encontrada em que Einstein aborda o antissemitismo Kedem Auction House - Jerusalem Na carta, Einstein também revela detalhes de sua vida. "Estou recluso aqui, sem barulho e sem sentimentos desagradáveis, e ganho meu dinheiro independentemente do Estado. Assim, sou realmente um homem livre. Aqui, ninguém sabe onde estou e se acredita que eu esteja desaparecido." "Veja, estou a ponto de me converter em uma espécie de pregador itinerante. Isso é, em primeiro lugar, agradável, e, em segundo lugar, necessário. Não se preocupe comigo, eu também não me preocupo", escreveu. Naquele ano, Einstein acabaria indo ao Japão para dar uma série de conferências. Foi durante esta viagem, inclusive, que foi informado que havia recebido o Prêmio Nobel de Física. Quando os nazistas chegaram ao poder, em 1933, Einstein sentiu na pele a perseguição aos judeus. Os nazistas ignoraram a teoria da relatividade, que foi taxada de "física judia". Já quando Hitler chegou ao poder, Einstein renunciou a sua nacionalidade alemã. Depois de passar por França, Bélgica e Reino Unido, Einstein se instalou nos Estados Unidos. Lá, trabalhou em Princeton até sua morte, em 1955. Anos antes dos nazistas chegarem ao poder na Alemanha, Einstein já relatava episódios de antisemitismo AFP/Getty
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13/11 - O que a fusão de várias galáxias com buracos negros diz sobre o futuro da Via Láctea
Equipe de pesquisadores registrou pela primeira vez pares de buracos negros supermassivos, cada um ocupando o centro de suas respectivas galáxias, se aproximando uns dos outros antes de se fundirem em um único buraco negro gigante. Os pesquisadores registraram pares de buracos negros supermassivos se aproximando uns dos outros antes de se fundirem como um buraco negro gigante NASA, ESA, and M. Koss (Eureka Scientific, Inc.) Uma equipe de astrônomos conseguiu observar pela primeira vez os estágios finais da fusão entre vários pares de galáxias. Este é um evento sobre o qual havia teorias, mas que até então não tinha sido registrado de maneira direta. A equipe liderada por Michael Koss, pesquisador da Eureka Scientific Inc - empresa americana fundada por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley -, examinou centenas de galáxias próximas usando imagens do Observatório WM Keck, no Havaí, e do Telescópio Espacial Hubble, da Nasa. Os pesquisadores capturaram pares de buracos negros supermassivos, cada um deles ocupando o centro de suas respectivas galáxias, aproximando-se uns dos outros antes de se fundirem em um único buraco negro gigante, informou a Nasa em um comunicado. Imagem registrada pelo Telescópio Espacial Hubble mostra a fusão de duas galáxias NASA, ESA, and M. Koss (Eureka Scientific, Inc.) Um dos eventos mais violentos No centro da maioria (se não de todas) as galáxias há buracos negros supermassivos com uma massa bilhões de vezes maior que a do Sol ou da Terra. O buraco negro supermassivo no centro da nossa galáxia, a Via Láctea, é chamado de Sagitário A * (Sgr A *) e tem o peso de 4,3 milhões de sóis. As fusões de galáxias eram mais frequentes na fase inicial do universo. Portanto, essas imagens fornecem uma visão rara de um dos eventos mais violentos do universo. Elas também prenunciam o que provavelmente acontecerá quando a Via Láctea se fundir com a galáxia vizinha, Andrômeda. As duas galáxias contêm buracos negros supermassivos em seus centros, que acabarão por colidir e se fundir em um buraco negro maior. Fusão galáctica Uma fusão de galáxias é um processo lento, que dura mais de um bilhão de anos. Sob a inexorável força da gravidade, duas galáxias vão se aproximando lentamente até que finalmente se unem. Em suas análises, a equipe da Eureka Scientific Inc. confirmou que os buracos negros das galáxias crescem mais rápido quando estão se aproximando da colisão. "O fato de os buracos negros crescerem mais rápido à medida que avança o processo de fusão nos indica que esses encontros entre galáxias são realmente importantes para a compreensão de como esses objetos se tornam tão monstruosamente grandes", disse a colaboradora do estudo, Laura Blecha, da Universidade da Flórida, no comunicado da Nasa. A equipe de pesquisadores se concentrou em galáxias localizadas a, em média, 330 milhões de anos-luz da Terra, relativamente próximas em termos cósmicos. Muitas dessas galáxias são semelhantes em tamanho às galáxias da Via Láctea e de Andrômeda. No total, a equipe analisou 96 galáxias observadas com o telescópio Keck e outras 385 galáxias do arquivo do Hubble. A Via Láctea está se aproximando atualmente da galáxia de Andrômeda a uma velocidade média de 300 km/s, por isso, em algum momento elas irão se fundir em uma única grande galáxia. Mas você não precisa se preocupar com isso agora: os especialistas preveem que a fusão ainda vai demorar vários bilhões de anos.
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13/11 - Taxas altas de triglicérides são sinais da síndrome metabólica
Quando o triglicérides aumenta, ele faz o colesterol ruim se “desintegrar” em moléculas menores, mais fáceis de entupirem as artérias. Triglicérides alto dificulta o trabalho do colesterol bom. Augusto Carlos/TV Globo Triglicérides alto é um dos indicativos de risco para diabetes. É ele que mostra que a insulina não está agindo. Quando o triglicérides está em excesso na corrente sanguínea também contribui para risco de entupimento das artérias. O Bem Estar abordou o tema com o cardiologista e consultor Roberto Kalil e a endocrinologista Erika Parente. Bem Estar - Edição de terça-feira, 13/11/2018 Diabetes: os cinco erros mais comuns Quando o triglicérides aumenta, ele faz o colesterol ruim se “desintegrar” em moléculas menores, mais fáceis de entupirem as artérias. Ele também dificulta o trabalho do colesterol bom. Campanha ajuda pessoas diabéticas Síndrome metabólica Triglicérides alto é um dos sinais da síndrome metabólica, caracterizada também por HDL (colesterol bom) baixo, glicose acima de 100, pressão alta e cintura acima de 94 cm para homens e acima de 80 cm para mulheres. Bastam dois sinais e a cintura grande para caracterizar a síndrome, que pode levar ao infarto, derrame e diabetes. Aprendi com o Bem Estar: telespectadora identifica sintomas de infarto Síndrome metabólica é fator de risco para infartos e derrames
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13/11 - A razão pela qual tomar vitamina D sem receita médica pode não ser boa ideia
Acredita-se que a vitamina D ajude a combater o cansaço, a depressão e até câncer - mas alguns especialistas argumentam que os suplementos não são úteis para pessoas saudáveis. Quando os dias começam a encurtar no inverno do hemisfério norte, aumentam as preocupações sobre a falta de luz solar – e uma possível deficiência de vitamina D. Para muitos, a saída é tomar suplementos. Os comprimidos de vitaminas D2 e D3 estão disponíveis sem prescrição médica - no Brasil e em vários países - e têm sido associados à melhora da imunidade e de sintomas como cansaço, fraqueza muscular, dor no osso e até de depressão. Acredita-se que eles também ajudem a evitar câncer e sintomas do envelhecimento. Uma pesquisa da consultoria de mercado Mintel indica que um terço dos adultos britânicos inclui a vitamina D em seu coquetel de suplementos diários - mas seu uso indiscriminado causa controvérsia na comunidade científica. A maioria dos especialistas reconhece os benefícios da vitamina D para a saúde dos ossos, já que ela contribui na regulação do cálcio e do fosfato no corpo. É por isso que aqueles que têm deficiência da vitamina são encorajados a ingeri-la via suplementos. E esse número é maior do que muitos imaginam: um estudo estima que cerca de 20% da população do Reino Unido tem uma profunda deficiência de vitamina D, por exemplo. No Brasil, dados de 2011 do IBGE apontam que mais de 90% da população não ingere a quantidade recomendada de vitamina D – o que não significa que todos tenham deficiência. O que alguns médicos defendem é que, para pessoas saudáveis, a vitamina D não é uma forma de prevenir doenças. Assim, quem estivesse com níveis normais da vitamina não precisaria dos comprimidos. Então, qual é recomendação? Indicado apenas para quem tem risco de deficiência Apesar do nome, a vitamina D não é uma vitamina. É na verdade um hormônio que promove a absorção de cálcio pelo corpo. O desafio é que, com exceção de alguns alimentos como peixes oleosos (entre eles o salmão), a vitamina D é difícil de encontrar em um dieta normal. Mas ela pode ser produzida pela pele quando em contato com raios ultravioleta B - os raios solares. A vitamina D é encontrada apenas em poucos alimentos, como salmão Unsplash Há dois tipos de vitamina D. O primeiro é o D3, encontrada em animais, incluindo os peixes, e é o tipo que a pele produz quando exposta ao sol. O segundo é o D2, que vem de alimentos vegetais, incluindo os cogumelos. Estudos mostraram que o D3 é mais eficiente, e as conclusões de uma meta-análise de 2012 afirmam que essa é a escolha preferida para a suplementação. Hoje, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia não indica a suplementação de vitamina D para toda a população, e sim para aqueles com risco de deficiência. Há recomendações específicas para indivíduos com esse risco, entre eles idosos, pacientes com osteoporose, obesos, grávidas e outros. Há outros países que seguem diretrizes similares. Essas diretrizes e a onda de alimentos fortificados com a vitamina, como o leite, surgiram na esteira do combate ao raquitismo em meados do século 20. Sabemos que baixos níveis de vitamina D reduzem os níveis de cálcio do corpo, o que leva à redução da densidade óssea e pode causar raquitismo em bebês e crianças. Também se sabe que baixa vitamina D pode causar fraqueza muscular e fadiga. Um estudo publicado no North American Journal of Medical Sciences descobriu que os baixos níveis eram comuns em pessoas com cansaço extremo e que os sintomas melhoraram depois de cinco semanas de ingestão de suplementos de vitamina D. Outro estudo da Universidade de Newcastle descobriu que os baixos níveis podem reduzir a eficiência das mitocôndrias, produtoras de energia. Estudos com pacientes com câncer mostraram efeitos semelhantes. A vitamina D pode estimular a regulação do sistema imunológico ao remover bactérias. Ossos frágeis Apesar da importância da vitamina D, seus benefícios não necessariamente implicam que pessoas com níveis saudáveis do hormônio precisem suplementá-lo. Mais que isso, especialistas como Tim Spector, professor de epidemiologia genética da King's College London, afirmam que mesmo as diretrizes atuais para suplementação de vitamina D - indicada para fortalecer os ossos e evitar fraturas - foram baseadas em estudos "provavelmente falhos". Algumas dessas pesquisas, por exemplo, envolviam populações idosas que viviam em asilos - pessoas que não se expunham com frequência ao sol e que estavam mais propensas a sofrer fraturas e osteoporose do que a população em geral. É verdade que as evidências não são claras. Uma meta-análise publicada em agosto de 2018 concluiu que o aumento de níveis de vitamina D na população em geral não necessariamente reduziria o risco de fraturas nos ossos em pessoas saudáveis. E uma meta-análise com 81 estudos descobriu que a suplementação de vitamina D não previne fraturas e quedas, nem melhora a densidade mineral do osso. Os pesquisadores concluíram que as diretrizes deveriam ser atualizadas para refletir esse resultado. Mas Sarah Leyland, consultora de enfermagem em osteoporose pela Sociedade Nacional de Osteoporose, diz que os suplementos de vitamina D são úteis para grupos de risco que não têm nenhuma exposição ao sol. De acordo com o NHS, o serviço de saúde britânico, as pessoas só precisam ficar do lado de fora por um curto período de tempo, com mãos e antebraços descobertos e sem proteção solar entre março e outubro - meses com os dias mais longos no hemisfério norte - para garantir vitamina D suficiente pelo resto do ano. "Sabemos que as pessoas saudáveis não vão reduzir o risco de fratura tomando suplementos de cálcio ou vitamina D", diz Leyland. "Entretanto, pessoas que não estejam absorvendo o suficiente da vitamina, como aquelas que não podem sair de casa ou vivem em acomodações protegidas, podem se beneficiar desses suplementos." Ainda assim, os pesquisadores também não encontraram evidências claras disso. Uma meta-análise examinou a prevenção de fraturas em pessoas de moradias tradicionais, asilos ou paciente em hospitais e concluiu que a vitamina D, sozinha, provavelmente não previniria fraturas nas doses e formulações testadas até agora em idosos. D de doença Há ainda pesquisas conflitantes sobre o relacionamento entre a vitamina D e outras doenças. Uma das principais alegações é que os suplementos de vitamina D estimulam o sistema imunológico. Adrian Martineau, professor de infecção respiratória e imunidade na Escola de Medicina e Odontologia da Universidade Queen Mary de Londres, que coordena um grupo de pesquisa sobre os efeitos da vitamina D sobre a saúde, descobriu que ela tem um papel no combate a infecções respiratórias. Ao analisar dados brutos de 25 testes clínicos envolvendo 11 mil pacientes de 14 países, ele descobriu um pequeno benefício em ingerir diária ou semanalmente suplementos de vitamina D para reduzir o risco de infecções respiratórias, ataques de asma e bronquite. Embora o artigo tenha atraído várias críticas, Martineau ressalta que a redução do risco, mesmo que leve, ainda é significativa e comparável aos efeitos de outras medidas. Em relação ao envelhecimento, um artigo que analisou a relação entre a vitamina D e a expectativa de vida descobriu que a vitamina D3 pode ajudar na homeostase proteica - o processo de regulação das proteínas dentro das células. "Nossa observação de que a D3 melhora a homeostase proteica e, com isso, desacelera o envelhecimento ressalta a importância de se manter os níveis apropriados da vitamina D", escreveram os pesquisadores. Mas outros estudos foram menos conclusivos. Uma meta-análise concluiu que mais pesquisas são necessárias para esclarecer o efeito da vitamina D na mortalidade. A relação entre doenças cardiovasculares e a vitamina D também já foi bem estabelecida: a relação mostra que a doença cardíaca poderia causar baixos níveis de vitamina D, e não o contrário. Correlação ou causa? Essa é uma questão que perpassa quase todos os estudos que relacionam os baixos índices de vitamina D com doenças. Ian Reid, professor de medicina da Universidade de Auckland, acredita que as doenças é que provocam a redução dos níveis de vitamina D, já que a enfermidade pode impedir que o indivíduo passe tempo suficiente ao ar livre e exposto ao sol - e não o contrário. "Se observarmos qualquer grupo de pacientes com qualquer doença, seus níveis de vitamina D serão mais baixos do que os níveis dos indivíduos saudáveis. Isto tem levantado a hipótese de que baixa vitamina D provoca doenças, mas não há evidências que provem isso", ele afirma. Pesquisadores descobriram que níveis mais altos de vitamina D estão associados com baixos riscos de câncer colorretal - ela teria um papel na formação de novos vasos sanguíneos e no estímulo à melhor comunicação entre as células. A vitamina D também ajudaria, segundo a pesquisa, a manter níveis normais de cálcio no cólon, o que desacelera o crescimento de células não-cancerosas, mas de alto risco. Outros estudos, incluindo a relação entre a vitamina D e os cânceres de fígado, mama e próstata, sugerem que há razões para acreditar que a baixa vitamina D estimula a disseminação de células cancerígenas. E, pela lógica, ingerir o suplemento poderia prevenir o câncer. Mas uma recente meta-análise falhou em estabelecer a relação entre o suplemento e a redução do risco de câncer. D de depressão Outra condição frequentemente discutida é o transtorno afetivo sazonal (SAD, na sigla em inglês), um distúrbio do humor causado pela queda sazonal da exposição ao sol. A relação entre a exposição ao sol e o SAD está bem estabelecida. Mas, de novo, uma ligação direta com a vitamina D tem sido difícil de comprovar. Evidências sugerem que existe uma relação entre o SAD e a vitamina D, já que o composto está associado com os níveis de serotonina, um importante regulador do humor, e a melatonina, que regula o sono. Baixos níveis desse hormônio poderiam contribuir para os sintomas da SAD. Mas pesquisadores ainda precisam conduzir um ensaio clínico randomizado definitivo sobre essa relação. Além disso, o mecanismo exato pelo qual a vitamina estimula o hormônio é desconhecido. Uma teoria é que os receptores da vitamina D - encontrados em várias partes do cérebro e concentradas no hipotálamo, uma região relacionada ao sistema circadiano - tem influência no controle dos níveis hormonais do corpo. Pesquisas mostraram ainda que a vitamina D tem um grande papel em nossa saúde mental, como na depressão e esquizofrenia, assim como no desenvolvimento do cérebro, mas não se sabe como isso ocorre. Uma meta-análise publicada no início do ano mostrou que, embora exista uma correlação entre baixos índices de vitamina D e depressão, isto não significa que, necessariamente, o composto cause depressão. É possível, por exemplo, que pessoas deprimidas simplesmente saiam menos e, portanto, se exponham menos à luz do sol. A influência do sol Mas, se estudos são inconclusivos, isto talvez não tenha relação com a importância da vitamina D. Talvez isso ocorra porque a maioria das investigações se baseia em suplementos, e não na luz do sol. Alguns cientistas argumentam que obter vitamina D a partir de suplementos não é tão eficaz quanto absorvê-la diretamente do sol, já que o processo que acontece antes que o corpo produza vitamina D a partir da exposição solar é mais benéfico. Pesquisas mais conclusivas sobre isto estão sendo realizadas. Ainda assim, a maioria dos especialistas tende a concordar que os suplementos de vitamina D podem beneficiar aqueles que têm níveis muito baixos do composto. A pesquisa Martineau sugere que indivíduos com níveis muito baixos de vitamina D têm mais benefícios no uso do suplemento para prevenir doenças respiratórias, enquanto que os efeitos são bem mais modestos para indivíduos com níveis apenas moderadamente baixos. Reid reforça que estudos têm mostrado benefícios para aqueles com baixos índices de vitamina D. Mas, como a maioria não tem deficiência, elas não veriam benefícios na ingestão do suplemento. O problema é que não é fácil prever quem tem risco de sofrer com baixa vitamina D. Como a historiadora médica Roberta Bivins, da Universidade de Warwick, ressalta, a quantidade de vitamina D não depende apenas do tempo que a pessoa passa ao ar livre. "É muito individual o quanto de exposição ao sol uma pessoa precisa durante o verão, depende desde a pigmentação da pele à quantidade de gordura no corpo e o quão rápido seu corpo produz um osso novo. É incrivelmente complicado", ela diz. É por isso que a melhor forma de estabelecer se você tem baixa vitamina D não é apenas pelos sintomas, mas por um exame de sangue prescrito pelo médico. Níveis de suplementos A partir daí, a outra questão é estabelecer o nível de suplementação que cada pessoa precisa. Reid diz que "não há perigo" de tomar vitamina D sem receita médica em menos de 25 nanomols (nmol) por dia - pessoas com deficiência da substância têm níveis abaixo de 30 nmol/l. Mas com suplementos oferecendo doses altas como 62,5 microgramas sem receita, há preocupações sobre o risco de ingestão excessiva de vitamina D, o que pode, em casos raros, causar efeitos colaterais, incluindo náusea e vômito. Em longo prazo, alguns estudos sugerem que o excesso de vitamina D pode aumentar o risco de doença cardiovascular, embora a pesquisa não seja conclusiva. Outros argumentam, porém, que até mais vitamina D é necessária. Em 2012, a diretora-médica do Reino Unido (cuja função é aconselhar o governo em questões de saúde), Sally Davies, escreveu uma carta a clínicos gerais pedindo que eles recomendassem suplementos de vitamina D a todos os grupos de risco e afirmando que uma "proporção significativa" das pessoas no país provavelmente tem níveis inadequados de vitamina D. Em junho de 2018, pesquisadores do Instituto de Metabolismo e Pesquisa de Sistemas, da Universidade de Birmingham, afirmaram que a morte de um bebê por falência do coração causada por deficiência grave de vitamina D e sérias complicações de saúde em outros dois bebês era apenas "a ponta do iceberg" nas deficiências da vitamina D entre os grupos de risco. Suma Uday, coautora do artigo e doutoranda da universidade, diz que essas deficiências ocorrem porque os programas infantis de suplementação de vitamina D são mal implementados e não são monitorados no Reino Unido. "Nas crianças que descrevemos, a deficiência ocorreu porque a suplementação de vitamina D não foi recomendada ou monitorada. Qualquer criança desprovida de vitamina D por períodos prolongados pode desenvolver baixos níveis de cálcio, o que pode resultar em complicações potencialmente fatais, como convulsões e insuficiência cardíaca ", diz ela. Com esses resultados conflitantes, não é surpresa que os próprios especialistas médicos tenham visões bastante divergentes sobre os benefícios da suplementação disseminada. Alguns chegam a argumentar que os interesses escusos estão sustentando a indústria bilionária da vitamina. E Spector chega a chamar o suplemento de vitamina D uma "pseudo-vitamina para uma pseudo-doença". Enquanto o debate continua, muitos especialistas estão de olho no Hospital Brigham and Women's, afiliado da Escola Médica de Harvard, em Boston. Seus pesquisadores conduzem o aguardado teste clínico VITAL, que investiga se suplementos de vitamina D e ômega 3 têm algum efeito sobre câncer, derrame e doenças do coração em 25 mil adultos. Espera-se que esses resultados, previstos para serem publicados no final deste ano, levarão o debate rumo a uma resolução.
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13/11 - A clínica que está devolvendo esperança de ter filhos a mulheres que sofreram infartos
Uma clínica em Londres está ajudando mulheres que têm uma doença cardíaca rara e que, em geral, ouvem dos médicos que não podem ter filhos. Hayley Martin, de 47 anos, lembra bem da manhã em que sua vida mudou para sempre. "Acordei me sentindo muito mal. Botei a mão na testa e vi que estava suando muito. Percebi na hora que estava tendo um infarto", disse ela a um programa da BBC. Ela era uma mulher saudável de 38 anos quando teve um ataque cardíaco causado por uma doença chamada dissecção coronária espontânea, ou Scad, na sigla em inglês - uma condição rara e, com frequência, não diagnosticada. Além da crise coronária, as mulheres que sobrevivem a estes infartos passam por outro trauma: em geral, ouvem que não podem mais ter filhos por causa do risco de que outro ataque aconteça. Mas, com apoio de especialistas e clínicas específicas, esse quadro começa a mudar. A Scad é a principal causa de infartos em mulheres em idade fértil. Acontece quando uma das artérias coronárias se rompe repentinamente, impedindo a chegada de sangue ao coração. No hospital, Hayley temia pelo pior. "Lembro de perguntar a eles, 'estou morrendo?' E eles diziam, 'estamos tentando de tudo, mas nada dá certo'", conta. 'Me senti menos mulher' Ela sobreviveu, mas como muitas mulheres com essa doença, ouviu que uma gravidez traria o risco de outro infarto. "Era mais uma coisa que eu queria e que estava sendo tirada de mim, então, eu quase não me permito pensar nisso, porque pode me deixar bem triste", reflete. "Me senti menos gente, menos mulher, mais fracassada, como se a culpa fosse minha." O que é a doença? A dissecção coronária espontânea é uma doença cardíaca pouco diagnosticada e afeta principalmente mulheres, às vezes durante, ou logo após, uma gravidez. A menopausa, o estresse e o esforço físico também estão associados à ocorrência da doença. Durante o ataque, há um rompimento ou um hematoma numa das artérias coronárias, impedindo a chegada do sangue ao coração. Pode levar à morte, insuficiência ou parada cardíaca. Decisão da paciente Hayley é o tipo de mulher que a cardiologista Abi Al-Hussaini está tentando ajudar na sua clínica, no Chelsea and Westminster Hospital, em Londres. A doutora Al-Hussaini avalia o dano causado ao coração pela doença e analisa a medicação que a paciente está tomando - em geral, reduzindo as doses. Ela utiliza essas informações para aconselhar as pacientes sobre os riscos envolvidos numa gravidez. Isso, às vezes, significa que ela tem de dizer às mulheres que o risco é muito alto, mas o importante é que a paciente tome a decisão, e não que se siga automaticamente o aconselhamento comum de não engravidar. Se uma de suas pacientes decide levar a gravidez adiante, ela é encaminhada a uma "equipe de gravidez de alto risco" no hospital, que vai monitorá-la ao longo do processo. "Eu recebi muitas pacientes que reclamavam de terem ouvido que nunca mais poderiam ter filhos", diz ela. "Essa foi uma das razões pelas que eu decidi criar a clínica, para dar a essas pacientes a orientação adequada e deixar que ela tomem uma decisão informada." Ela acha que a falta de pesquisa sobre a doença explica por que muitos cardiologistas preferem apenas recomendar que a mulher não engravide. Dor forte Uma das primeiras mulheres orientadas pela clínica foi Julie Murphy, 40, de Ruislip, na Inglaterra. Logo antes da sua lua de mel, em 2013, ela começou a se sentir mal, como se estivesse gripada. Durante a viagem, para o Quênia, os sintomas pioraram. Um dia, enquanto nadava, sentiu uma dor forte no peito. Quando voltou de viagem, fez exames e, "no dia seguinte, descobri que tinha tido um infarto". Os dias e semanas seguintes foram difíceis. "Os remédios me deixaram muito devagar, eu não conseguia nem subir escada quando voltei do hospital. Foi difícil para mim", diz ela. Como Hayley, Julie foi informada, a princípio, de que não poderia ter filhos. Mas ela entrou para o programa de pesquisa da doutora Al-Hussaini e teve a primeira filha, Holly, em 2015. 'Equipe incrível' Ela se tornou uma das primeiras pacientes da clínica quando engravidou novamente. "Estava com medo de eles dizerem que não teria jeito, que seria perigoso demais tentar ter filho, que colocaria minha vida em risco", diz ela. A criança, Bella, nasceu em abril. "A equipe é incrível, você se sente muito bem cuidada", diz. Apesar de estar dando esperança a pacientes, a doutora Al-Hussaini diz que enfrenta resistência de médicos do mundo todo. "Nos Estados Unidos, eles são contra qualquer gravidez depois de um infarto, ou de dissecção coronária espontânea. Mas acho que isso é porque não houve muita pesquisa ainda. Isso está mudando."
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13/11 - As mentes por trás do maior acelerador de partículas do Brasil
Projeto Sirius possibilitará que cientistas desenvolvam estudos com tecnologia inédita em diversas áreas, como saúde, energia, tecnologia, agricultura e meio ambiente. Poucas pessoas que observam a estrutura gigante erguida em uma área rural de Campinas, a 93 km de São Paulo, fazem ideia do que se trata. A construção circular e envidraçada lembra um shopping center ou as novas arenas de futebol brasileiras. Nem mesmo alguns funcionários do local sabem explicar o que é o Projeto Sirius, obra do governo federal estimada em R$ 1,8 bilhão. "Até já me falaram, mas eu não sei te dizer. É melhor você perguntar para um cientista", disse um operador de empilhadeira à reportagem da BBC News Brasil. O Sirius, construído e mantido pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), será a maior e mais avançada fonte de luz síncrotron, um tipo de radiação eletromagnética de alto fluxo e alto brilho produzida quando partículas carregadas, aceleradas a velocidades próximas à velocidade da luz, têm sua trajetória desviada por campos magnéticos. Mas por que isso é tão importante e custa tão caro? De maneira simplificada, o Sirius, único no mundo, é um ultra-aparelho de radiografia capaz de analisar de forma detalhada a estrutura e o funcionamento de estruturas micro e nanoscópias, como nanopartículas, átomos, moléculas e vírus. Cientistas explicaram à reportagem que isso é essencial para fazer pesquisas de maneira inédita. Isso pode levar, por exemplo, à criação de uma bateria para celular que, quando carregada apenas uma vez, dure cinco anos. Hoje, o Brasil tem um acelerador de partículas chamado UVX, mas que, segundo cientistas, já está defasado. O UVX também fica no CNPEM, no terreno ao lado do Sirius. A inovação no novo acelerador será expressiva: um processo que hoje demora horas para ser feito no UVX, por exemplo, será feito em poucos segundos no Sirius. Liu Lin (à esq.) com a mãe e o irmão mais novo quando deixaram a China para morar no Brasil Arquivo pessoal/Liu Lin Para a construção bem-sucedida do Sirius, dezenas de cientistas e engenheiros estão há décadas dedicados ao desenvolvimento de fontes de luz do tipo síncrotron, que têm dimensões colossais, mas exigem uma precisão milimétrica. Um deles é a chinesa Liu Lin, de 54 anos, que nasceu em Hong Kong e veio para o Brasil aos 2 anos de idade. Como cientista, ela se dedica há 33 anos ao desenvolvimento dos aceleradores de partículas brasileiros. "Eu comecei nesse projeto antes mesmo dele ser criado. O Brasil queria construir um síncrotron e eu viajei com a primeira equipe formada por quatro brasileiros em 1985 para Stanford, nos EUA (para estudar o acelerador americano)", conta. No ano seguinte, os cientistas começaram a projetar o primeiro acelerador brasileiro em uma sala na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Depois, ele foi transferido para uma casa e passou para um galpão, onde começaram a ser construídos os componentes do acelerador do UVX, do tamanho de um ginásio esportivo, onde atualmente trabalham centenas de pessoas, entre cientistas, engenheiros, técnicos e funcionários administrativos. Liu Lin ao lado de outros cientistas brasileiros durante visita a acelerador de partículas nos EUA Arquivo pessoal/Liu Lin Lin tinha 22 anos e era a única mulher na equipe que foi aos Estados Unidos em 1985. "A gente ficou três meses lá, aprendemos bastante e, quando a gente voltou, o projeto ficou indefinido. Não sabíamos se teria mesmo". A pesquisadora terminou o mestrado, ganhou um bolsa para fazer doutorado nos EUA e já estava com passagem comprada quando foi anunciada a decisão de que fariam um acelerador em Campinas. "Eu fiquei num dilema. Acabei optando por ficar no projeto e fiz meu doutorado na USP", lembra. A família dela não concordou com a decisão e achou que ela deveria ter ido estudar no exterior. Lin diz que não se arrepende. 'É como se você passasse da TV antiga de tubo para uma ultra HD 4K', explica cientista sobre inauguração do Sirius Felix Lima/BBC News Brasil "Eu acho que tomei a decisão correta. Aqui, a gente aprendeu muito fazendo. Foi diferente de uma carreira acadêmica normal", diz ela, que hoje é a líder do Grupo de Física de Aceleradores do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), um dos quatro laboratórios nacionais do CNPEM. O UVX, atual acelerador de partículas em funcionamento no Brasil, já está defasado e é classificado como um aparelho de segunda geração. O Sirius será o segundo do mundo de 4ª geração, mas será o mais moderno por diversos fatores, principalmente por emitir luz com o brilho mais intenso. Sirius é capaz de fazer uma radiografia detalhada de estruturas micro e nanoscópias, como nanopartículas, átomos, moléculas e vírus Felix Lima/BBC News Brasil É como se os pesquisadores pudessem tirar um raio-x em três dimensões, e em movimento, de materiais e partículas extremamente pequenas e densas, como pedaços de aço e rocha, e até de neurônios. O aparelho será capaz de analisar os detalhes e funcionamento dos materiais de forma inédita. Será possível, por exemplo, desenvolver plantas que necessitam de menos água para crescer e novos remédios para tratar doenças crônicas. Tudo graças a um brilho superpotente produzido pela circulação de elétrons na velocidade da luz (cerca de 300 mil km/s). Isso possibilita que pesquisadores estudem até mesmo neurônios de seres vivos de maneira inédita, sem precisar "fatiá-los", como é feito hoje. Por isso, o aparelho é tido como a grande aposta científica brasileira para as próximas décadas. Bolsista e filho de caminhoneiro Além de Liu Lin, o Projeto Sirius envolve outras dezenas de físicos e engenheiros de diversas áreas. Tamanho esforço é feito para que os cientistas e pesquisadores possam trabalhar sem problemas nas saídas das linhas de luz. Narcizo Neto estudou parte de sua vida em escolas públicas em Campina Grande Arquivo pessoal/Narcizo Neto Um deles é o paraibano Narcizo Marques de Souza Neto, de 40 anos, que trabalha com experimentos de raio-x em condições extremas de pressão e temperatura. Nascido na cidade de Malta, de 5 mil habitantes, ele conheceu o CNPEM em 2001, quando foi selecionado para um programa de bolsa de verão e viajou de avião pela primeira vez. Depois de conhecer Campinas, ele fez mestrado e doutorado na Unicamp e pós-doutorado em Chicago, nos EUA, onde morou durante três anos. Lá, ele desenvolvia uma técnica para testar materiais sob alta pressão, quando recebeu uma proposta para trabalhar como pesquisador na fonte de luz síncrotron americana. Narcizo Neto (à dir.) fez parte da primeira turma de física da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba Arquivo pessoal/Narcizo Neto Mesmo com um salário maior nos EUA, ele preferiu voltar para o Brasil para colaborar na formação de cientistas do país e fugir do frio. A construção do Sirius também foi um fator decisivo na sua escolha, já que ele poderá fazer seus estudos no melhor aparelho do mundo, de acordo com o que dizem os cientistas. Uma das possíveis aplicações das pesquisas de Neto no Sirius é no desenvolvimento de trens de alta velocidade. Outra possibilidade seria desenvolver baterias e dispositivos eletrônicos com baixíssimo consumo de energia. "Você pode pensar que, daqui 50 anos, por exemplo, você teria um celular cuja bateria carregada apenas uma vez durasse dez anos", afirma. Narcizo foi o primeiro pesquisador da América Latina a ganhar o prêmio Dale Sayers Award, da Sociedade Internacional de Absorção de Raios-x Arquivo pessoal/Narcizo Neto Hoje, ele já faz seus estudos no UVX, mas diz que suas condições de trabalho vão melhorar significativamente quando o Sirius estiver pronto. A intensidade de luz que ele usa vai aumentar em mais de mil vezes e com um feixe de luz mil vezes menor, o que possibilita um sinal com baixíssimo ruído e um estudo mais preciso. No novo acelerador de partículas, o pesquisador paraibano ainda poderá testar materiais sob uma pressão semelhante à encontrada no núcleo de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar. "O Sirius será o primeiro laboratório no mundo a atingir essas condições. Em alguns lugares do mundo, já é possível chegar à (pressão) do centro da Terra, mas a de Júpiter é pelo menos cinco vezes maior", explica. Em 2015, Neto foi o primeiro pesquisador da América Latina a ganhar o Dale Sayers Award da Sociedade Internacional de Absorção de Raios X (IXAS, por sua sigla em inglês). Esse é considerado um dos mais importantes prêmios na área de espectroscopia por absorção de raios-x (XAS). De acordo com a instituição, ele foi premiado devido a suas "contribuições para o desenvolvimento de XAS para estudos de matéria sob condições extremas". Fabricava os próprios brinquedos Mas suas condições de estudo nem sempre foram boas. Na infância, o físico estudou em escola pública durante alguns anos e tinha poucos brinquedos para se divertir em casa. O mais importante, lembra ele, era ter uma imaginação fértil. Na infância, Narcizo Neto inventava seus próprios brinquedos com pedaços de madeira Arquivo pessoal/Narcizo Neto "Eu inventava brinquedos. Usava pedaços de madeira para construir um carrinho, juntava um monte e imaginava que era um volante, uma marcha. Eu poderia ficar num canto brincando com pedras e madeiras e imaginar que era um brinquedo", conta Neto. Estudar nem sempre foi fácil para Neto. Filho de um caminhoneiro e uma dona de casa, seus pais passaram por "sérias dificuldades" para pagar as mensalidades de sua escola e as cartas de cobrança do colégio chegavam com frequência na sua casa. Mesmo quando chegou na universidade, ele não sonhava em trabalhar num laboratório tão importante. "Meu sonho era ser professor na Universidade Federal de Campina Grande. Hoje, mesmo distante, eu consigo colaborar com o pessoal de lá. Neste ano, um mestre se formou com a minha orientação, por exemplo", conta ele. O pesquisador ainda se orgulha ao falar que não se arrepende de ter voltado ao Brasil e que hoje seus amigos pesquisadores americanos tratam o Sirius como uma referência a ser estudada e alcançada. Pesquisador recusou proposta para trabalhar no acelerador de partículas em Michigan para voltar ao Brasil Felix Lima/BBC News Brasil A mãe de Neto morreu, mas ele diz que seu pai está muito orgulhoso de sua profissão. "Com 82 anos, ele viajou pela primeira vez de avião para visitar o neto aqui (em Campinas). Tudo o que ele queria em relação à educação funcionou e deu frutos." Como funciona o Sirius? Localizado em um terreno de 150 mil m² — o equivalente a sete campos de futebol — o túnel principal por onde os elétrons circulam tem 518 metros. A circulação constante das micropartículas é importante para gerar o feixe de luz síncrotron 24 horas por dia. Seu piso é feito de uma camada de 90 centímetros de concreto armado em cima de uma camada de quatro metros de terra compactada com cimento, e sob 13 estacas fincadas a 13 metros de profundidade no solo. A área ainda é isolada do prédio principal por um vão para evitar vibrações externas. Como funcionará o Sirius BBC News A reportagem da BBC News Brasil visitou as instalações do Sirius, inclusive a área onde os elétrons vão circular em alta velocidade. Um desnível de 0,5 centímetro nos mais de 500 metros de túnel pode desregular toda a circulação dos elétrons e interromper o funcionamento do Sirius, previsto para operar 24 horas. As paredes do túnel têm uma espessura entre 80 centímetros e 1,2 metro para impedir a propagação da radiação emitida durante a circulação dos elétrons. Mas todo o processo começa numa sala ao lado desse corredor de concreto e encanamentos. Uma máquina gera os elétrons, que são acelerados por um conjunto de equipamentos até ele ser transferido para um segundo acelerador. Máquina responsável por gerar elétrons, que são acelerados até atingirem a velocidade da luz e formar a luz síncrotron Felipe Souza/BBC News Brasil A ideia é "arrumar" os elétrons antes de eles serem desviados para o acelerador principal, onde são guiados por forças magnéticas geradas por centenas de ímãs que os fazem atingir a energia final de operação. Ao longo desses 518 metros, os ímãs de alta precisão são posicionados de maneira a pressionar os elétrons para que eles fiquem cada vez mais concentrados. Isso faz com que o feixe de luz que sai do acelerador de partículas, chamado de luz síncrotron, seja 30 vezes mais fino que um fio de cabelo. Primeira sala onde os elétrons são acelerados antes de serem guiados para o acelerador principal do Sirius Felipe Souza/BBC News Brasil Esse processo, aliado à circulação de elétrons a quase 300 mil km/s, gera uma luz tão potente que é capaz de fazer uma radiografia detalhada até mesmo de um pedaço de rocha. Mas a precisão exigida na região do túnel é tão rígida que a temperatura do local não pode variar mais de 0,1ºC para mais ou menos. Quando fica pronto? A conclusão da montagem dos aceleradores do Sirius está prevista para o final de 2018 e o início da operação, para 2019. Já a conclusão do projeto, incluindo 13 estações de pesquisa, é previsto para 2020. Sua estrutura, porém, tem capacidade para abrigar até 40 saídas de linhas de luz. Cada uma delas com um feixe de radiação eletromagnética específico, como raio-x e ultravioleta. Cada um possibilita o desenvolvimento de estudos em diferentes condições. O Sirius foi erguido com apenas 15% de peças e mão-de-obra trazidos de outros países. Algumas empresas brasileiras inclusive investiram em pesquisa para produzir alguns componentes. Os ímãs, por exemplo, foram desenvolvidos e construídos pela empresa WEG, de Santa Catarina, especificamente para o Sirius. Outras 280 empresas nacionais estão envolvidas no fornecimento de peças e componentes. Qual a importância do Sirius para o Brasil? Com a inauguração do Sirius, o Brasil terá uma das mais avançadas ferramentas de pesquisa do mundo, segundo cientistas. Isso possibilitará que os pesquisadores do país possam desenvolver estudos com tecnologia inédita em diversas áreas, como saúde, energia, tecnologia, agricultura e meio ambiente. Na saúde, poderão ser estudados vírus e bactérias para a descoberta de substâncias com potencial para dar origem a novos medicamentos e tratamentos. O diretor-geral do CNPEM e diretor do Projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva, explica que o cérebro poderá ser analisado de acordo com os estímulos que recebe ou doenças que possui. "(Será possível) entender doenças degenerativas ou problemas ligados ao cérebro. Para isso, eu preciso entender desde a escala de comunicação entre os neurônios, onde eles trocam os neurotransmissores, até chegar à organização espacial deles, como eles estão arrumados no cérebro e ver a diferença de um cérebro normal para um com doença", afirma Silva. Diretor do Sirius diz que fonte de luz síncrotron foi projetada para ser uma ferramenta na fronteira do conhecimento Felix Lima/BBC News Brasil No setor alimentício, poderão ser pesquisados alimentos e suas propriedades, visando o melhoramento, além do estudo de sementes e outras estruturas vegetais. Isso pode resultar no desenvolvimento de espécies mais resistentes à falta d'água e ataques de pragas. Tudo isso por causa da qualidade e da potência do brilho da luz que sai nas estações. A física Liu Lin diz que é como se você conseguisse enxergar as micropartículas em sua constituição mais básica. "É como se você passasse da TV antiga de tubo para uma ultra HD 4K. Fora que a luz produzida lá vai ter um grau de coerência maior. É como se você comparasse usar uma lanterna a um laser. É uma luz muito mais concentrada que faz toda a diferença", afirma Lin. Uma ferramenta tão moderna deve atrair pesquisadores estrangeiros para o Brasil. Como o Sirius é financiado por recursos públicos, qualquer cientista pode apresentar um projeto de pesquisa e, se aprovado, usar o acelerador de partículas brasileiro. O diretor do Sirius diz que ele foi projetado para ser uma ferramenta na fronteira do conhecimento. Nas palavras dele, com o "que há de mais moderno do mundo, com tecnologia brasileira, feito por pesquisadores brasileiros, ajudando a sociedade brasileira a resolver suas questões de futuro". "Em pesquisa, é como se você estivesse andando por uma região com vales e morros. Dependendo do tipo de pergunta que você encontra, é como se você estivesse numa área com uma rugosidade pequena e conseguisse passar por ela a pé ou com um carro pequeno. Mas tem horas que eu vou me deparar com um grande vale. Nesse momento, ou eu tenho uma ponte para cruzá-lo, ou fico parado. O Sirius será essa grande ponte dos pesquisadores brasileiros", explica o diretor do projeto. Confira o vídeo do Sirius no original da BBC
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13/11 - Cresce o número de mulheres que caem a partir dos 40 anos
Estudo mostra que ações de prevenção devem ser postas em prática na meia-idade Embora associemos as quedas ao envelhecimento, esse é um problema que vem crescendo a partir dos 40 anos – e principalmente entre as mulheres. O alerta é do Trinity College Dublin, na Irlanda, que comparou dados irlandeses e também de Austrália, Grã-Bretanha e Holanda, relativos a mais de 19 mil indivíduos entre 40 e 64 anos. A prevalência de quedas entre mulheres é significativa: 9% entre 40 e 44 anos; 19% entre 45 e 49; 21% entre 50 e 54; 27% entre 55 e 59; e 30% entre os 60 e 64 anos. O estudo mostra que a meia-idade talvez seja o período crítico no qual as ações de prevenção devem ser postas em prática. Entre os idosos, um em cada três cai pelo menos uma vez ao ano, sendo que, a partir dos 80 anos, a proporção é de um em cada dois. A médica Rose Anne Kenny, professora do Trinity College e coautora do estudo sobre o risco de quedas em mulheres de meia-idade Divulgação As complicações de saúde resultantes de quedas são sérias: além de fraturas, ferimentos na cabeça, convívio social reduzido e declínio da independência. A médica holandesa Geeske Peeters, uma das autoras do trabalho, comentou: “embora médicos e pesquisadores sempre tenham utilizado a premissa de que esse é um problema que afeta as pessoas com mais de 65 anos, o estudo mostra que a prevalência de quedas já é muito alta a partir dos 50 anos, quando também vemos o aumento do número de casos de diabetes e artrite”. O quadro de maior fragilidade tem relação com o período pós-menopausa, que exige atenção especial das mulheres. Na opinião da especialista, a atual estratégia de prevenção não é eficaz porque é posta em prática muito tarde: “basicamente esperamos que os pacientes tenham desenvolvido os fatores de risco, quando seria melhor se preveníssemos esses fatores, ou se pudéssemos detectá-los num estágio inicial para reduzir suas consequências”. Rose Anne Kenny, professora do Trinity College e coautora do relatório, ressaltou mais um efeito colateral de uma queda: o medo de que outras ocorram pode levar a pessoa a restringir suas atividades, num círculo vicioso que só vai piorar o baixo condicionamento físico. “Essa é uma característica presente em um em cada quatro indivíduos acima dos 50. Quem teme sofrer uma queda ou já caiu deve participar de programas para aumentar o equilíbrio e a força muscular”. Pesquisas anteriores já demonstraram que se exercitar regularmente pode reduzir a taxa de quedas em até 32%. Além da idade e da baixa aptidão física, é preciso avaliar efeitos colaterais de medicamentos que podem afetar o equilíbrio, por isso é tão importante conversar com seu médico.
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13/11 - Cientistas mulheres pedem inclusão de período de licença-maternidade no currículo Lattes
Cientistas argumentam que meses após o parto têm menor fluxo de publicações e acabam perdendo competitividade frente a pesquisadores homens. Mulheres cientistas comentam sobre como conciliar maternidade, trabalho e pesquisas Um grupo de pesquisadoras enviou ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) uma carta com diferentes reivindicações para trazer mais igualdade de acesso e concorrência das mulheres às bolsas e financiamentos científicos no Brasil. Um dos pedidos é a inclusão do período de licença-maternidade no currículo Lattes, uma forma de sinalizar um possível "buraco" na produção durante o período pós-parto e evitar qualquer comparação injusta com os homens cientistas em processos seletivos. O documento foi assinado pela professora Pâmela Mello Carpes, da Unipampa, que chamou a atenção dos colegas ao colocar a seguinte frase no Lattes: "Mãe de um filho de 14 anos, é atuante na causa das mulheres na ciência". Currículo Lattes de Pâmela Mello Carpes Reprodução/Plataforma Lattes A pesquisadora faz parte de um grupo de mulheres cientistas que está tentando chamar a atenção para uma queda iminente na produção científica durante o período de licença-maternidade – e como isso pode influenciar negativamente na carreira de pesquisadoras. Eloah Rabello Suarez fez pós-doutorado na Universidade Harvard. Pesquisa uma das áreas mais promissoras no tratamento de câncer no mundo: a terapia genética. Isso não foi o suficiente porque ela tem um "buraco" na publicação de artigos científicos. Essa queda na produção coincide com outra parte importante de sua vida: ela é mãe de primeira viagem e, para os órgãos de financiamento de projetos, o tempo em que não produziu para cuidar do bebê interfere na hora de concorrer com outros pesquisadores, mesmo que sejam homens. Eloah apresentanto trabalho em encontro da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe) Carolina Dantas/G1 "A gente percebe que não existe uma compreensão muito grande das mulheres no meio científico com relação à licença-maternidade. A gente tem até vergonha de falar às vezes", disse Eloah. Pamela, a pesquisadora que chamou a atenção por colocar sua licença no Lattes, acabou sendo modelo para outras cientistas. Elas viraram um grupo que passou a acrescentar o período de licença-maternidade no currículo Lattes – a primeira tentativa de sinalizar para órgãos de financiamento porque há uma queda nas publicações por seis meses. Em palestra sobre o assunto em setembro deste ano, Pamela lembra outros dados do IBGE de 2017 sobre as horas de trabalho doméstico de homens e mulheres no Brasil. Independente da renda e da idade, as mulheres cuidam mais da casa que os companheiros, pais, irmãos. São tarefas como cozinhar, lavar, cuidar das roupas, limpar, fazer compras. Quando a renda não chega a R$ 1 mil, elas chegam a trabalhar mais de 10 horas por dia. E com a chegada da maternidade, manter a rotina científica fica ainda mais difícil. Pesquisa inédita Uma pesquisa inédita, ainda com resultados preliminares, analisou o impacto da maternidade na produção de mães cientistas: 81% delas dizem que ter um filho causa um impacto negativo ou muito negativo na carreira acadêmica. O estudo brasileiro foi liderado pela pesquisadora Fernanda Staniscuaski, que apresentou dados preliminares em um simpósio no início do ano e, mais recentemente, no evento anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe). Ela chamou o projeto de "Parent in Science". Outro dado apresentado por Fernanda é o de que 54% das mães cientistas são as únicas responsáveis por cuidar dos filhos. Em 34% dos casos, os dois pais cuidam. Foram 1.299 docentes mulheres entrevistadas, 141 docentes de pós-graduação, 21 pós-doutorandas e 88 pais (maridos/companheiros de cientistas mulheres). Veja os resultados: Além disso, 40% dos entrevistados disseram que não conseguiram cumprir com os prazos para submissão dos trabalhos. O impacto da maternidade na carreira científica não é positivo: Foi assim, com base na pesquisa e em conversas com grupos de pesquisadoras, que Fernanda, Pâmela e outras colegas decidiram pedir oficialmente que o tempo de licença passe a ser incluído na plataforma Lattes, meio mais utilizado para expôr a produção científica e usado como base para financiamento de projetos. Em resposta às perguntas enviadas pelo G1, o CNPq disse que "está sensível à questão e recebeu a demanda do grupo "Parent in Science", encaminhada à Diretoria da agência para avaliação e discussão." Disse, também, que "já oferece prorrogação das bolsas de mestrado, doutorado, pós-doutorado e produtividade em pesquisa para as bolsistas que se tornam mães, por meio biológico ou por adoção, durante a vigência do auxílio. Há, ainda, a reivindicação de que esse benefício se estenda para todas as modalidades de bolsa do CNPq."
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12/11 - Unicamp faz diagnóstico de 60 casos de AVC infantil por ano; médica faz alerta
Apesar de desconhecido, especialistas dizem que o problema é comum e causado por má formação vascular, alterações no sistema imunológico ou infecções. Cerca de 60 crianças recebem o diagnóstico de AVC todos os anos na Unicamp O Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp identifica pelo menos 60 casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) em crianças por ano. Apesar de desconhecido, especialistas dizem que o problema é comum e tem como causa má formação vascular, além de alterações no sistema imunológico ou infecções como meningite e varicela. Os médicos alertam para a necessidade do diagnóstico antecipado para evitar as sequelas. O número é do grupo de pesquisa de Anormalidades Neurovasculares na Infância e Adolescência (Anvia), que tem parceria com universidades internacionais. De acordo com a neuropediatra Kátia Maria Ribeiro Schmutzler, o AVC perinatal é ainda mais comum que o AVC infantil porque atinge o bebê ainda dentro da barriga da mãe e pode ocorrer até o primeiro mês de vida da criança. “Se tem algum fator de risco, que seria, a mãe estar com infecção, a mãe estar com pressão alta, se houve alguma intercorrência, essa mãe deve questionar o médico se no ultrassom está tudo bem”, explicou. Por conta do desconhecimento da população sobre o assunto, uma ONG criou um site com conhecimentos gerais da doença. “Principalmente para as crianças obterem um diagnóstico o mais precoce possível e receber uma intervenção o quanto antes”. Tratamento O filho de Maria Selma dos Santos teve suspeita de AVC aos seis meses. Atualmente com um ano e meio, ele frequenta o ambulatório da Unicamp para fazer fisioterapia. Segundo a mãe, depois da fisioterapia ele começou a engatinhar, andar e teve um desenvolvimento muito avançado. Já a fisioterapeuta afimou que, no começo, o menino tinha dificuldades de usar o lado direito do corpo. “Ele não ficava em pé, negligenciava um dos lados, agora a evolução dele já é muito grande”, disse Gerusa Perlatto Bella. David teve suspeita de AVC com seis meses e frequenta fisioterapia Pedro Amatuzzi/G1 Veja mais notícias da região no G1 Campinas
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12/11 - Estudo do Instituto do Cérebro da UFRN descobre método que pode contribuir para curar cegueira
Pesquisa é do ICe/UFRN, em parceria com o Instituto Metrópole Digital e o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ. Pesquisa foi desenvolvida no Instituto do Cérebro da UFRN, sob coordenação do neurocientista Marcos Costa José de Paiva Rebouças Retinopatias são lesões não inflamatórias da retina ocular. Assim como o glaucoma, a neurite óptica, entre outras, são doenças que não têm cura. Alguns tratamentos e cirurgias impedem o avanço, mas não recuperam a visão perdida. Isso só acontece, em alguns casos, através de transplante. Porém ciência tem apostado na regeneração celular como solução contra a cegueira. Muito já foi divulgado sobre o assunto, mas um estudo publicado por pesquisadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (ICe/UFRN), em parceria com o Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) e o Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da UFRJ, representa um grande passo nesta corrida. Com o título “Evidência da conversão de Müller glia em células ganglionares da retina usando Neurogenin2”, a pesquisa publicada no jornal suíço Frontiers in Cellular Neuroscience mostra ser possível converter células gliais de Müller (MGCs) em neurônios com características típicas de neurônios da retina, tais como fotorreceptores e células ganglionares. O avanço dessa pesquisa poderá contribuir, futuramente, segundo os pesquisadores, para o desenvolvimento de terapias gênicas em humanos, oportunizando possíveis tratamentos contra as cegueiras ocasionadas por retinopatias degenerativas. As glias de Müller, tipo de células gliais da retina que levam esse nome por terem sido descritas em 1851 por Heinrich Müller, são encontradas na retina de vertebrados e têm papel de suporte dos neurônios da retina. Os pesquisadores indicam que estudos anteriores haviam demostrado que as MGCs podem retomar a proliferação em retinas lesionadas de camundongos adultos. Contudo este processo é muito lento se comparado à reparação tecidual na retina de peixes adultos, em que as MGCs praticamente regeneram toda a retina após uma lesão. O novo estudo, o do ICe, mostrou que as MGCs de roedores adultos e recém-nascidos podem ser geneticamente reprogramadas em neurônios através da expressão de um único gene exógeno. “Nós e outros laboratórios conseguimos transformar MGCs em neurônios da retina utilizando apenas um fator de transcrição, conhecido como Ascl1. As MGCs que recebem este fator de transcrição adquirem características de fotorreceptores, células bipolares e amácrinas, mas não de células ganglionares, principal célula perdida no glaucoma. Agora, identificamos outro gene capaz de fazer isso”, afirmou o neurocientista Marcos Costa, coordenador da pesquisa. O resultado do estudo, desenvolvido exclusivamente no Instituto do Cérebro da UFRN durante seis anos, indica que outro fator de transcrição – a Neurogenina 2 – induz a reprogramação de MGCs de roedores pós-natais em células ganglionares da retina in vitro, e retoma a geração deste tipo neuronal a partir de progenitores tardios da retina em animais vivos. "Essas observações colocam a Neurogenina 2 na lista de genes candidatos para futuras terapias gênicas visando o tratamento da cegueira", acrescentou Marcos. O próximo passo, segundo o neurocientista, é mostrar isso em animais modelo para o estudo de glaucoma.
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12/11 - OMS denuncia o mau uso dos antibióticos
Aumento ou baixo consumo pode levar ao surgimento de 'superbactérias'. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta segunda-feira (12) sobre o perigoso aumento do consumo de antibióticos em alguns países, como também sobre o baixo consumo em outras regiões, o que pode levar ao surgimento de "superbactérias" mortais. O relatório da OMS, baseado em dados de 2015 recolhidos em 65 países e regiões, mostra uma importante diferença de consumo, que vai de 4 doses diárias definidas (DDD) em cada 1.000 habitantes por dia no Burundi a mais de 64 na Mongólia. "Essas diferenças indicam que alguns países consomem provavelmente antibióticos demais enquanto outros talvez não tenham acesso suficiente a esses medicamentos", apontou a OMS em comunicado. Descobertos nos anos 1920, os antibióticos salvaram dezenas de milhões de vidas, lutando de maneira eficaz contra doenças bacteriológicas como a pneumonia, a tuberculose e a meningite. No entanto, ao longo dos anos, as bactérias se modificaram para resistir a esses medicamentos. A OMS advertiu em muitas ocasiões que o número de antibióticos eficazes está diminuindo no mundo. No ano passado, a agência das Nações Unidas pediu aos Estados e aos grandes grupos farmacêuticos que criassem uma nova geração de medicamentos capazes de lutar contra as "superbactérias" ultrarresistentes. "O consumo excessivo assim como o consumo insuficiente de antibióticos são as maiores causas de resistência aos antimicrobianos", afirmou Suzanne Hill, diretora de Medicamentos e Produtos Sanitários Essenciais na OMS, em um comunicado. "Sem antibióticos eficazes e outros antimicrobianos, perderemos nossa capacidade para tratar infecções tão estendidas como a pneumonia", advertiu. As bactérias podem se tornar resistentes quando os pacientes usam antibióticos que não precisam ou quando não terminam seus tratamentos. A bactéria tem assim mais facilidade para sobreviver e desenvolver imunidade. A OMS também se preocupa com o escasso consumo de antibióticos. "A resistência pode se desenvolver quando os doentes não podem pagar um tratamento completo ou só têm acesso a medicamentos de qualidade inferior ou alterados", diz o relatório. Na Europa, o consumo médio de antibióticos é aproximadamente de 18 doses diárias definidas por 1.000 habitantes por dia. A Turquia lidera a lista (38 doses diárias definidas), ou seja, cerca de cinco vezes mais que o último da classificação, Azerbaijão (8 doses diárias definidas). A OMS reconhece, contudo, que seu relatório é incompleto porque inclui apenas quatro países da África, três do Oriente Médio e seis da região da Ásia-Pacífico. Os grandes ausentes deste estudo são Estados Unidos, China e Índia. Desde 2016, a OMS ajuda 57 países com renda média e baixa a coletar datos para criar um sistema modelo de acompanhamento do consumo de antibióticos.
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12/11 - Fones de ouvido podem provocar a fadiga auditiva
Um som alto causa lesões nas células ciliadas, que têm a missão de proteger o ouvido. Som alto causa lesões nas células ciliadas, que têm a missão de proteger o ouvido. Augusto Carlos/TV Globo Aumentar o som libera neurotransmissores de prazer, mas também pode trazer riscos. Um desses problemas é a fadiga auditiva, uma sensação de ficar com o ouvido cheio, um zumbido, uma sensação de pressão no ouvido. Dependendo do tempo de exposição ao barulho, as células auditivas podem até morrer. A cóclea, parte interna do ouvido, tem entre 15 mil e 18 mil células ciliadas, que têm a função de transformar as ondas sonoras que chegam do ambiente ao ouvido em ondas elétricas e carregam informações para o cérebro. Você abusa do fone de ouvido? Um som alto causa lesões nas células ciliadas, que têm a missão de proteger o ouvido. Para se regenerar, o aparelho auditivo precisaria de 14 horas de descanso. Mas com a agressão constante, a lesão passageira vira um problema permanente. Para compensar a perda auditiva, células vizinhas passam a trabalhar em ritmo acelerado e isso provoca uma sobrecarga no cérebro. Essa sobrecarga pode causar: Zumbido Intolerância a sons que antes não incomodavam Menor compreensão das palavras Progressão da perda auditiva Perda de memória Apesar de liberar a endorfina (hormônio do prazer), o som alto pode lesar o ouvido de qualquer pessoa. Pais colocam fones de ouvido em bebês para proteger do barulho E como proteger os ouvidos? Evite ficar ao lado da caixa de som Não ouça música num volume alto Use fone de ouvido sem som ligado para minimizar o ruído externo em alguns ambientes, como shows, estádios Em lugares com música ao vivo, fique mais distante da banda Criança escolhe o tem 'implante coclear' para o aniversário de 8 anos
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12/11 - A puberdade está começando mais cedo?
O mundo parece ter mais pressa para tudo. As vinte e quatro horas de um dia parecem insuficientes ante tantas atividades — sejam elas de estudo, de trabalho ou de lazer- que “precisam” ser executadas. Perdeu-se a capacidade de saber esperar. Todos querem tudo imediatamente. Neste cenário, não é de estranhar que a puberdade esteja se antecipando e chegando mais cedo para muitas meninas que, mais precocemente, estão desenvolvendo suas características sexuais secundárias. O desenvolvimento mamário e os pelos pubianos estão surgindo mais cedo e progressivamente a menina vai se transformando em uma moça que — também mais cedo — irá apresentar sua primeira menstruação. A puberdade normalmente se inicia a partir de 8 anos de idade. No entanto, um estudo recentemente publicado nos Estados Unidos observou que 15% das meninas com 7 anos de idade já estava em puberdade. Aos 8 anos de idade este número aumentou para 25%. Por quais razões a puberdade está chegando mais precocemente, fazendo com que as meninas menstruem mais cedo? Isso seria uma vantagem ou uma desvantagem? Importante saber que não existe uma única causa que explique, de forma segura e confiável, as razões pelas quais isto está acontecendo. No entanto, especialistas apontam que a alimentação e o estilo de vida contemporâneos podem ter um papel causal relevante. É sabido que vivemos uma era em que crianças e adolescentes estão com índices alarmantes de sobrepeso e obesidade. A alimentação inadequada, com alto teor calórico, o estilo de vida mais sedentário e a diminuição das horas de sono são comuns nas crianças e adolescentes e isto tudo promove o excesso de peso. Sabemos que as células de gordura podem produzir o estrogênio, que é o hormônio sexual feminino. Meninas com excesso de gordura corpórea, portanto, podem ter a produção de estrogênio aumentada precocemente. Resultado: características pubertárias como desenvolvimento do tecido mamário, dos pelos pubianos e subsequentemente a menstruação, surgem mais cedo. Menstruar mais cedo parece não ser uma vantagem, pois estudos observaram que a menstruação precoce se relacionou à maior incidência de câncer de mama. O mundo contemporâneo, portanto, facilita a nossa vida, por um lado, e por outro produz fatores complicadores e de maior risco para a saúde. Por incrível que pareça, as três dicas de ouro para uma melhor qualidade de vida em todas as idades ainda estão valendo: comer saudável, praticar exercícios e dormir bem. Ana Escobar Arte/G1
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11/11 - “Há uma crescente subtração da voz de quem está envelhecendo”
Em seu terceiro livro, a juíza Andréa Pachá transforma casos vividos por idosos em ficção Os mais de 15 anos em Varas de Família deram à juíza Andréa Pachá uma bagagem enorme sobre conflitos onde reina a subjetividade: separações, guarda de filhos e por aí vai. No entanto, ela afirma que, mesmo com essa experiência, não estava preparada para o que enfrentaria na Vara de Órfãos e Sucessões, na qual atua há seis anos. Ali, as questões envolvendo idosos se tornaram parte do seu dia a dia: é onde, por exemplo, estão os processos relacionados a inventários, testamentos e curatelas – essas, um mecanismo de proteção para pessoas maiores de 18 anos que estejam sem condições de reger sua própria vida por alguma incapacidade mental, intelectual ou física. “Foi uma angústia enorme, porque o papel do juiz é limitado, acaba sendo de redução de danos dentro de um leque estreito de possibilidades”, conta. A juíza Andréa Pachá, autora do livro “Velhos são os outros” Divulgação/Leo Aversa Talvez porque tenha tido uma trajetória pouco convencional, uma vez que, antes de abraçar o direito, trabalhou com teatro e dramaturgia, o que ela fez foi um exercício de empatia, de se colocar no lugar do outro, transformando-se em ouvinte atenta. “Há uma crescente subtração da voz de quem está envelhecendo”, diz a juíza, que resgatou essas vozes em seu terceiro livro: “Velhos são os outros”. Nos dois primeiros, “A vida não é justa” e “Segredo de justiça”, ela relatava casos vistos nas Varas de Família e o material inclusive inspirou uma série no “Fantástico”. Agora, optou por uma narrativa ficcional, mas as histórias que estão nas 38 crônicas, entremeadas por dez perfis curtos de idosos, são universais e é impossível não se identificar com os personagens. Nem sempre o final é feliz, mas alguns nos surpreendem e todos emocionam. Há casos de abandono afetivo e material, mas também lições sobre autonomia e paixão. A juíza não esconde sua angústia com a perda de identidade do idoso, como escreve na obra: “uma das experiências mais tristes em processos de curatela, quando os velhos perdem a memória, é a constatação de que não se morre apenas quando o coração para de bater, mas quando se é apropriado, ainda respirando, por pessoas que desconsideram o passado e o respeito que uma vida merece”. Na sua opinião, essa geração que está na faixa dos 50 e 60 anos deve ter como missão revolucionar a forma como se encara a velhice: “a sociedade associa o envelhecimento à doença, mas estamos tratando do passar do tempo e das escolhas que todos deveriam ter o direito de fazer. Temos que estar atentos para evitar que idosos vulneráveis sejam vítimas de pessoas e agentes de mercado mal-intencionados, mas é preciso garantir sua autonomia”. No que diz respeito às complexas relações familiares, é comum que filhos tentem controlar a vida de pais que ainda são plenamente capazes de tomar suas próprias decisões. A juíza Andréa Pachá faz uma reflexão: “quem nunca teve uma história de amor infeliz? Quando se é jovem, todos acham normal, mas, se isso acontece com alguém mais velho, logo surgem questionamentos sobre sua capacidade”. Ela também adverte para o risco de suprimirmos temas como velhice e morte das nossas conversas, lembrando que “esses são dados da condição humana”. Faz um convite à discussão ao compartilhar seu “testamento” com 16 desejos no fim do livro. Selecionei três personagens e suas observações. O conselho de dona Maria é simples: “você se prepare para a sua velhice, porque a gente fica velho de uma hora para a outra. Nem percebe. Eu mesma, até os 85 anos, achava que não ia ficar velha nunca!”. Já Célia constata como foi excluída: “olho com consternação para essa gente apressada e impaciente. Já estive nesse lugar. Sei como é ser jovem e, felizmente, aproveitei minha juventude. Eles nunca estiveram onde estou. Por isso a arrogância. Pensam que sabem tudo, porém nem sonham que, se tiverem sorte para chegar aonde cheguei, vão andar devagarinho. E aprender a lidar com o desprezo, se não quiserem sofrer muito”. Por fim, Eurico dá uma lição aos que tentam mascarar a realidade: “se um dia eu descobrir quem foi o infeliz que inventou essa história de melhor idade, eu dou um soco no meio da cara dele!”.
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10/11 - Cinco descobertas surpreendentes sobre a solidão
Perfil da pessoa solitária é bem diferente daquele que povoa imaginário popular, conforme mostra pesquisa da BBC. O perfil da solidão é bem diferente daquele que povoa o imaginário popular. É o que mostra a pesquisa BBC Loneliness Experiment, que contou com 55 mil participantes ao redor do mundo. O estudo foi elaborado por acadêmicos de três universidades britânicas - Manchester, Brunel e Exeter - em colaboração com a Wellcome Collection. Confira abaixo cinco descobertas dos pesquisadores a partir dos dados coletados online: 1. Jovens se sentem mais sozinhos do que os mais velhos Quando você imagina uma pessoa solitária, o estereótipo que geralmente vem à mente é de alguém mais velho que mora sozinho e raramente recebe visitas. De fato, o BBC Loneliness Experiment mostrou que 27% dos participantes com mais de 75 anos sentem solidão com frequência ou muita frequência. É um percentual mais alto do que o registrado em outras pesquisas, mas como se trata de um questionário online, a amostra foi selecionada automaticamente e podem ter sido atraídas mais pessoas que se sentem sozinhas. Mesmo assim, as diferenças identificadas entre as faixas etárias são impressionantes. Os níveis de solidão mais altos foram registrados, na verdade, entre jovens de 16 a 24 anos - 40% declararam que com frequência ou muita frequência se sentem sozinhos. Mas por que tantos jovens se dizem solitários? Talvez estejam mais preparados para admitir esse tipo de sentimento do que os mais velhos, possivelmente mais preocupados em enfatizar sua independência. Os idosos não fazem parte da parcela da população que mais se identifica como solitária. Unsplash Mesmo quando perguntados sobre o momento em que se sentiram mais sozinhos, retrospectivamente, a resposta mais comum foi: no início da vida adulta. Então, não é necessariamente a vida moderna que faz os jovens se sentirem solitários. Há uma série de fatores importantes associados a essa etapa da vida. Embora a fase dos 16 a 24 anos remeta a um período associado à diversão, é também um momento de transição - de sair de casa, entrar na faculdade, começar a trabalhar - e tudo isso nos afasta dos amigos com quem crescemos. Ao mesmo tempo, esses jovens estão tentando descobrir quem são e seu lugar no mundo. Além disso, não estão acostumados ao sentimento de solidão e ainda não tiveram a experiência necessária para saber que muitas vezes isso passa, ou a chance de encontrar maneiras de lidar com essa sensação - seja se distraindo ou procurando companhia. 2. Mais de 40% das pessoas acham que a solidão pode ser positiva A constatação acima se encaixa na teoria de neurocientistas como John Cacioppo, que morreu em março deste ano. Ele afirmava que evoluímos para vivenciar a solidão porque pode ser útil, mesmo que seja tão desagradável. Mais de 40% das pessoas acham que a solidão pode ser positiva Unsplash Os seres humanos sobreviveram por meio da cooperação. Se as pessoas sentem que são excluídas de um grupo, o sentimento de solidão pode levá-las a se conectar com outros indivíduos, encontrar novos amigos ou reativar antigos relacionamentos. O problema é que isso pode se tornar crônico, levando a um sério impacto no bem-estar e até na saúde. Sentimentos de solidão crônica estão associados a um risco aumentado de depressão após um ano. Na pesquisa, embora 41% dos participantes tenham dito que a solidão poderia ser positiva, esse percentual cai para 31% entre aqueles que disseram que se sentiam sozinhos com frequência. A solidão pode ser tão infeliz e angustiante que, quando prolongada, fica difícil enxergar qualquer lado positivo. 3. Quem se sente sozinho tem habilidades sociais que não são melhores ou piores que a média Às vezes, parte-se do pressuposto de que quem se sente sozinho tem dificuldade de fazer amigos. Assim, aprimorar as habilidades sociais faria a diferença. Mas não foi isso que descobrimos. Um elemento-chave da interação social é a capacidade de dizer o que outras pessoas estão sentindo, para que você possa ajustar suas reações. Talvez elas estejam preocupadas com algo ou você as tenha ofendido sem querer. Quem se sente sozinho tem habilidades sociais que não são melhores ou piores que a média Unsplash Uma maneira de medir essa habilidade é mostrar uma série de fotografias de expressões faciais ou até mesmo só de olhares para avaliar se as pessoas conseguem identificar que tipo de emoção está representada. Não houve diferença entre a pontuação média daqueles que se sentiam sozinhos com frequência e dos que não se sentiam. Houve variação nas pontuações de neuroticismo (propensão a emoções negativas) - então talvez seja a ansiedade provocada por situações sociais que torne mais difícil lidar com esses eventos, se você se sente sozinho, em vez das habilidades sociais propriamente ditas. 4. O inverno não é mais solitário do que outras estações do ano Às vésperas do Natal, costumam aparecer campanhas de instituições de caridade com fotos de idosos solitários. É uma época do ano em que as famílias se reúnem para celebrar, então a ideia de passar a noite de Natal sozinho é algo que assusta muita gente. Na data, a comediante britânica Sarah Millican faz uma campanha no Twitter, promovendo a hashtag #joinin, para que aqueles que estão sozinhos possam conversar uns com os outros. E se você mora no hemisfério norte, o Natal também cai no meio do inverno, quando os dias são mais curtos e as pessoas ficam mais em casa, deixando você ainda mais isolado, caso se sinta sozinho. O inverno não é mais solitário do que outras estações do ano Unsplash Mas será que o inverno é a pior estação no que se refere à solidão? Perguntamos às pessoas em que época do ano e hora do dia se sentiam mais sozinhas. Mais de dois terços responderam que o inverno não era mais solitário do que qualquer outra estação do ano. A minoria das pessoas que disse que uma determinada época do ano é mais solitária, escolheu o inverno, mas algumas optaram pelo verão. No Natal, muitas famílias se esforçam para garantir que todos sejam incluídos, convidando os amigos para participar, caso saibam que podem não ter companhia. Mas no verão, se todos viajam de férias, você pode ser o único com o sentimento de ter sido deixado para trás. Então, talvez devêssemos começar a pensar se outras pessoas estão se sentindo sozinhas durante o ano todo, e não só no Natal. 5. Pessoas que se sentem sozinhas com frequência têm mais empatia Na pesquisa, foram medidos dois tipos de empatia. Um deles se referia à dor física - quão triste você fica por alguém que acidentalmente prendeu a mão na porta do carro, se queimou com a água fervendo do café ou foi picado por uma vespa. O outro relacionado à dor social - empatia por alguém que sofreu bullying na escola, não foi convidado para uma festa ou foi abandonado pelo parceiro. Pessoas que se sentem sozinhas com frequência têm mais empatia Unsplash Não houve diferença na empatia pela dor física entre as pessoas que se sentiam mais e menos solitárias. Mas no caso da empatia pela dor social, aquelas que declararam se sentir sozinhas com frequência e muita frequência apresentaram em média uma pontuação maior. Talvez por saberem o que é ficar de escanteio, elas se identifiquem mais com outras pessoas que se encontram na mesma situação.
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10/11 - Arqueólogos encontram tumbas com múmias de gato no Egito
Descoberta foi feita em Sacará, a 30km do Cairo. Também foram achadas estátuas de outros animais e múmias de escaravelhos dentro das tumbas, que são do Egito Antigo. Arqueólogos egípcios encontraram sete tumbas da Era dos Faraós com dúzias de múmias de gatos em Sacará — sítio arqueológico a cerca de 30km da capital do Egito, Cairo. A descoberta também inclui múmias de escaravelhos — as primeiras a serem encontradas no local, afirmou neste sábado (10) o Secretário-Geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Mostafa Waziri, à agência de notícias americana Associated Press (AP). Gatos mumificados dentro de uma tumba na necrópole perto das pirâmides egípcias, em Sacará. Arqueologistas locais descobriram sete tumbas da era farônica contendo dúzias de múmias de gato e estátuas de animais feitas de madeira. Nariman El-Mofty/AP O Egito Antigo — época em que os faraós reinaram — reverenciava os felinos e fazia adoração à deusa Bastet, que tinha a cabeça de gato. Além das múmias, também foram encontradas estátuas de madeira retratando outros animais — como um falcão, um leão e uma vaca. Outras 100 estátuas de gato em madeira dourada e uma estátua de bronze, dedicada a dedicada a Bastet, estão entre as descobertas, afirma a Agência France Presse [(AFP). Segundo a AFP, a descoberta ocorreu "em torno de uma área rochosa em torno do complexo funerário de Userkaf na necrópole (real) de Saqqara", que era a capital do Reino Antigo, disse o ministro de Antiguidades, Khaled El Enany. Três dessas tumbas, afirma o ministro "datam do tempo do Novo Império e foram usadas como uma necrópole para gatos". As outras quatro tumbas remontam ao tempo do Antigo Império (4.300 anos aC), "das quais a mais importante é a de Jufu-Imhat, guardião dos edifícios pertencentes ao palácio real, datando do final da Quinta Dinastia e do início do VI ", segundo o ministro. Saqqara é uma vasta necrópole da região da antiga Memphis, onde incontáveis tumbas e os primeiros faraós foram encontrados. O Egito vem aumentando a publicidade em torno de descobertas históricas, destaca a AP, na esperança de recuperar o setor de turismo no país — devastado pela turbulência que se seguiu às revoltas de 2011 que levaram à queda de Hosni Mubarak. Confira mais fotos da descoberta: Arqueologista recupera uma estátua dentro da tumba encontrada perto de Sacará Nariman El-Mofty/AP Artefatos em exposição na necrópole. Nariman El-Mofty/AP Arqueologistas recuperam uma estátua dentro da tumba encontrada perto de Sacará Nariman El-Mofty/AP Estátua de gato feita de bronze em exposição na necrópole. Nariman El-Mofty/AP Arqueologista recupera uma estátua dentro da tumba encontrada perto de Sacará Nariman El-Mofty/AP Arqueologistas recuperam uma estátua dentro da tumba encontrada perto de Sacará Nariman El-Mofty/AP Artefatos em exposição em uma caixa de vidro em frente às tumbas recém-descobertas na necrópole em Sacará. Nariman El-Mofty/AP Trabalhador carrega um artefato para fora da tumba na necrópole. Nariman El-Mofty/AP Papiro em exposição numa caixa de vidro na necrópole em Sacará. Nariman El-Mofty/AP Estátuas de gatos também foram encontradas na tumba REUTERS/Mohamed Abd El Ghany Equipes retiram gatos mumificados encontrados em tumbas no Egito REUTERS/Mohamed Abd El Ghany O líder da escavação segura uma estátua na tumba recém-descoberta em uma necrópole perto das pirâmides egípcias em Sacará, Giza, em 10 de novembro. O secretário egípcio de antiguidades diz que arqueologistas locaias encontraram sete tumbas da era faraônica contendo dúzias de múmias de gato e estátuas de madeira retratando outros animais. Nariman El-Mofty/AP
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10/11 - O especialista em cobras que documentou a própria morte após ser picado
Karl P. Schmidt era um famoso especialista em anfíbios e répteis e acabou mordido no dedo quando analisava espécie com característica incomum. Depois disso, anotou, hora a hora, os sintomas que via e sentia. Ele não procurou atendimento médico. Jornal publicou que, para Schmidt, veneno não seria fatal. Mas há quem aponte outra hipótese para ele não ter procurado atendimento Chicago Daily Tribune Em setembro de 1957, um funcionário do Lincoln Park Zoo, em Chicago, nos Estados Unidos, levou uma cobra de aproximadamente 76 centímetros ao Museu de História Natural da cidade, em busca de ajuda para identificar a espécie. Karl Patterson Schmidt, um famoso herpetologista, ou seja, profissional que se dedica ao estudo de anfíbios e répteis, trabalhava no museu e concordou em dar uma olhada no animal. Schmidt era um reconhecido especialista em cobras, de grande prestígio na área, e era tão bom em identificar espécies que chegou a batizar dezenas delas, diz Elizabeth Shockman, do programa de rádio sobre ciência "Science Friday", transmitido às sextas-feiras pela Public Radio Internacional (PRI), dos Estados Unidos. Em 25 de setembro o pesquisador registrou que a cobra era de origem africana, que estava coberta com padrões de cores vivas e que tinha um formato de cabeça semelhante a de uma boomslang, um tipo de cobra venenosa que vive na África sub-saariana. O herpetologista, no entanto, tinha dúvidas sobre se se tratava mesmo de uma boomslang, uma vez que, como escreveu em seu diário, a "placa anal da cobra não estava dividida". O que ele fez em seguida acabaria lhe custando a vida: ergueu a cobra para examiná-la mais detalhadamente. A cobra que matou o famoso herpetologista era uma boomslang Science Photo Library Enquanto a observava, impressionado com as características incomuns que via, acabou picado no polegar esquerdo. O animal o deixou com dois furos no dedo, sangrando, com três milímetros de profundidade. Schmidt começou a chupar a ferida e em vez de procurar atendimento médico, voltou ao diário de anotações e começou a registrar os efeitos do veneno sobre ele. Vinte e quatro horas depois, estaria morto. Seu último dia Uma das hipóteses levantadas na época é que Schmidt não acreditava que a mordida da cobra seria fatal. Ele pegou o trem para casa e continuou registrando no diário os efeitos que observava e sentia: "16h30 - 17h30 Forte enjoo, mas sem vômitos." Viagem para Homewood em um trem suburbano. 17h30 - 18h30 Muito frio e tremores, seguidos por uma febre de 38,7ºC. Sangramento das membranas mucosas na boca começou por volta das 17:30, aparentemente principalmente na gengiva. 18h30 Comi duas torradas. 21h00 às 12h20 Dormi bem. Urinei às 12:20 da manhã, principalmente sangue, mas uma pequena quantidade. Tomei um copo d'água às 4:30 da manhã, seguido de enjoo e vômitos violentos, sendo que o conteúdo do estômago era o jantar não digerido. Me senti muito melhor e dormi até as 6h30 da manhã. " Depois de acordar, Schmidt continuou sua manhã como de costume. Tomou café da manhã e seguiu registrando no diário suas reações ao veneno. "26 de setembro, 6h30 da manhã. Temperatura 36.8ºC. Comi cereais e ovos cozidos sobre torradas, molho de maçã e café no desjejum. Não há urina, mas cerca de 30 ml de sangue a cada três horas. A boca e o nariz continuam sangrando, não excessivamente". "Excessivamente" foi a última palavra que escreveu. Depois do almoço, por volta das 13h30, ele vomitou e ligou para a esposa. Quando a ajuda chegou, Schmidt estava inconsciente e seu corpo estava coberto de suor. Um médico tentou reanimá-lo até chegarem ao hospital. Às 15h, ele foi declarado morto devido à "paralisia respiratória". Sangramento O veneno da boomslang age rapidamente. Apenas 0,0006 miligramas podem matar uma ave em minutos. O veneno causa coagulação intravascular disseminada, fazendo com que as vítimas sangrem até a morte. Segundo o relatório da autópsia de Schmidt, pulmões, olhos, coração, rins e o cérebro dele estavam sangrando. O jornal Chicago Daily Tribune informou que Schmidt foi aconselhado a procurar ajuda médica algumas horas antes de morrer. Mas recusou, dizendo: "Não, isso alteraria os sintomas". Alguns acreditam que a morte de Schmidt foi um caso de "a curiosidade matou o cientista". Outros, no entanto, ressaltam que, sendo especialista em herpetologia, Schmidt certamente sabia que o antídoto para o veneno da boomslang só estava disponível na África. Em outras palavras, existe a possibilidade de ele simplesmente ter aceitado a própria morte. Qualquer que tenha sido o caso, Schmidt, à beira da morte, não recuou, observou o produtor do programa PRI Science Friday, Tom McNamara. Em vez disso, ele "saltou para o desconhecido".
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09/11 - Pesquisadores transplantam células-tronco para cérebro para tratar Parkinson
Um paciente homem com cerca de 50 anos será monitorado nos próximos dois anos no Japão. Cientistas do Japão estudam tratamento contra o Parkinson com a ajuda de células-tronco Sabine van Erp/Pixabay Pesquisadores japoneses disseram nesta sexta-feira (9) que transplantaram células-tronco para o cérebro de um paciente, em um ensaio inovador que busca curar o mal de Parkinson. A equipe de pesquisadores da Universidade de Kyoto injetou células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) – que têm o potencial de se desenvolver em qualquer célula do corpo – no cérebro de um paciente homem de cerca de 50 anos, informou a universidade em um comunicado à imprensa. O homem ficou estável depois da operação, que foi realizada no mês passado, e agora será monitorado por dois anos, acrescentou a universidade. Os pesquisadores injetaram 2,4 milhões de células iPS no lado esquerdo do cérebro do paciente, em uma operação que durou cerca de três horas. Se nenhum problema for observado nos próximos seis meses, eles irão implantar mais 2,4 milhões de células no lado direito. As células iPS de doadores saudáveis foram desenvolvidas em precursores de células cerebrais produtoras de dopamina, que não estão mais presentes em pessoas com mal de Parkinson. A operação aconteceu depois que a universidade anunciou em julho que realizaria o estudo com sete participantes de entre 50 e 69 anos. Este é o primeiro estudo envolvendo o implante de células-tronco no cérebro para curar o mal de Parkinson. Agradeço aos pacientes por participarem do teste com coragem e determinação O mal de Parkinson é um distúrbio neurológico crônico degenerativo que afeta o sistema motor do corpo, muitas vezes causando tremores e outras dificuldades no movimento. Em todo o mundo, cerca de 10 milhões de pessoas são afetadas pela doença, de acordo com a Fundação da Doença de Parkinson. As terapias atualmente disponíveis "melhoram os sintomas sem retardar ou interromper a progressão da doença", diz a fundação. O ensaio com humanos chega após um teste anterior envolvendo macacos. Pesquisadores anunciaram no ano passado que primatas com sintomas de Parkinson recuperaram uma mobilidade significativa depois que células iPS foram inseridas em seus cérebros. Eles também confirmaram que as células iPS não se transformaram em tumores durante os dois anos após o implante. As células iPS são criadas estimulando células maduras e já especializadas, para que voltem ao estado juvenil – basicamente clonagem sem a necessidade de um embrião. As células podem ser transformadas em uma variedade de tipos de células, e seu uso é um setor-chave da pesquisa médica.
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